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Um dos temas do EP dos Black Bottom Stompers referido no anterior post era este electrizante When Erastus Plays His Old Kazoo. Nunca encontrei uma gravação dele em CD tocada pelo Johnny Dodds. Idem na internet, de modo que aqui fica a excelente interpretação dos California Ramblers.
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22.11.09
21.11.09
Toda a gente a dormir
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A British Airways está entre as maiores transportadoras aéreas nas ligações entre a Europa e a América do Norte e Central. A Ibéria domina o tráfego aéreo no Atlântico Sul. Foi anunciada a fusão das duas.
Um porta-voz da TAP assegura que a transportadora nacional não será afectada pela operação. O Expresso de hoje concorda: "Fusão anglo-ibérica não afecta Portugal". (Será isto uma notícia?)
Portugal sempre foi historicamente o aliado ibérico preferencial do Reino-Unido em tudo o que respeita ao Atlântico Sul. Neste caso, porém, foi posto de parte.
A localização geográfica do país só não será irremediavelmente periférica se funcionar como plataforma de articulação com outros espaços. No caso do transporte aéreo, esses espaços só podem ser a África e a América do Sul.
Como pode alguém pretender que, isoladamente (ou melhor, desintegrada de uma aliança que reforça a sua posição no espaço atlântico), a TAP tem condições para competir com êxito contra a Ibéria e a British Airways associadas?
O problema da orientação estratégica da TAP arrasta-se há anos sem que o assunto mereça a atenção devida da opinião pública, dos partidos ou do governo. Não resta muito tempo nem muita margem de manobra.
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A British Airways está entre as maiores transportadoras aéreas nas ligações entre a Europa e a América do Norte e Central. A Ibéria domina o tráfego aéreo no Atlântico Sul. Foi anunciada a fusão das duas.
Um porta-voz da TAP assegura que a transportadora nacional não será afectada pela operação. O Expresso de hoje concorda: "Fusão anglo-ibérica não afecta Portugal". (Será isto uma notícia?)
Portugal sempre foi historicamente o aliado ibérico preferencial do Reino-Unido em tudo o que respeita ao Atlântico Sul. Neste caso, porém, foi posto de parte.
A localização geográfica do país só não será irremediavelmente periférica se funcionar como plataforma de articulação com outros espaços. No caso do transporte aéreo, esses espaços só podem ser a África e a América do Sul.
Como pode alguém pretender que, isoladamente (ou melhor, desintegrada de uma aliança que reforça a sua posição no espaço atlântico), a TAP tem condições para competir com êxito contra a Ibéria e a British Airways associadas?
O problema da orientação estratégica da TAP arrasta-se há anos sem que o assunto mereça a atenção devida da opinião pública, dos partidos ou do governo. Não resta muito tempo nem muita margem de manobra.
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Playlist 2 - Johnny Dodds: Stomp, Stomp, Stomp
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Um dos primeiros discos que comprei (na Havaneza de Alvalade) era um EP 45 rpm dos Johnny Dodd's Black Bottom Stompers. Uma excelente compra, que recomendo sem reservas.
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Um dos primeiros discos que comprei (na Havaneza de Alvalade) era um EP 45 rpm dos Johnny Dodd's Black Bottom Stompers. Uma excelente compra, que recomendo sem reservas.
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20.11.09
Playlist 1 - Duke Ellington: Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing
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O jazz das big bands é a mais antiga preferência musical genuina que recordo, a começar por Duke Ellington e Count Basie, mas abrangendo também Glen Miller e, anos mais tarde, Gil Evans (que então ignorava). O volume sonoro é para mim desde sempre, em si mesmo, fonte de prazer estético.
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O jazz das big bands é a mais antiga preferência musical genuina que recordo, a começar por Duke Ellington e Count Basie, mas abrangendo também Glen Miller e, anos mais tarde, Gil Evans (que então ignorava). O volume sonoro é para mim desde sempre, em si mesmo, fonte de prazer estético.
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19.11.09
Como fazer o Estado trabalhar mesmo mal
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Por que funciona às vezes tão mal o Estado português? Ora, porque foi organizado para funcionar assim.
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Por que funciona às vezes tão mal o Estado português? Ora, porque foi organizado para funcionar assim.
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18.11.09
17.11.09
Eterno retorno
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É algo deprimente ficar-se a saber que, nos longínquos anos 30, as objecções à proposta keynesiana de obras públicas como forma de combater o desemprego pouco se distinguiam das de hoje: desvalorização do efeito multiplicador, risco de crowding-out, temor do aumento da taxa de juro, receio do endividamento.
Outra semelhança com a actualidade bem documentada na biografia de John Maynard Keynes escrita por Robert Skidelsky: os argumentos utilizados estribavam-se essencialmente na fé em modelos abstractos sem réstia de fundamentação empírica.
Se, por infelicidade, esses sujeitos tivessem ganho o debate político, a democracia liberal poderia não ter sobrevivido para chegar até aos dias de hoje. Mas eles continuam a tentar...
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É algo deprimente ficar-se a saber que, nos longínquos anos 30, as objecções à proposta keynesiana de obras públicas como forma de combater o desemprego pouco se distinguiam das de hoje: desvalorização do efeito multiplicador, risco de crowding-out, temor do aumento da taxa de juro, receio do endividamento.
Outra semelhança com a actualidade bem documentada na biografia de John Maynard Keynes escrita por Robert Skidelsky: os argumentos utilizados estribavam-se essencialmente na fé em modelos abstractos sem réstia de fundamentação empírica.
Se, por infelicidade, esses sujeitos tivessem ganho o debate político, a democracia liberal poderia não ter sobrevivido para chegar até aos dias de hoje. Mas eles continuam a tentar...
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Lição de liderança
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Lawrence Foster, maestro titular da Orquestra Gulbenkian, aproveitou na 5ª feira última o intervalo entre duas peças para anunciar que aquele seria o último concerto do contra-baixista Alejandro Oliva antes de se reformar.
As palavras que na altura lhe dirigiu não foram de mera circunstância. O elogio que Foster endereçou a Oliva destacou em breves mas precisas palavras a personalidade daquela pessoa, acerca de quem, até àquele instante, quase tudo ignorávamos.
Foi evidente o que significou para Oliva a homenagem que o seu maestro e o público lhe prestaram num dia para ele decerto carregado de emoções contraditórias.
Mas não esqueçamos a mensagem implícita endereçada a todos os outros músicos da Orquestra: "Este maestro aprecia-vos como indivíduos e agradece-vos do fundo do coração a insubstituível contribuição que cada um dá para o sucesso do grupo e a felicidade do público".
Chama-se a isto capacidade de liderança.

Lawrence Foster, maestro titular da Orquestra Gulbenkian, aproveitou na 5ª feira última o intervalo entre duas peças para anunciar que aquele seria o último concerto do contra-baixista Alejandro Oliva antes de se reformar.
As palavras que na altura lhe dirigiu não foram de mera circunstância. O elogio que Foster endereçou a Oliva destacou em breves mas precisas palavras a personalidade daquela pessoa, acerca de quem, até àquele instante, quase tudo ignorávamos.
Foi evidente o que significou para Oliva a homenagem que o seu maestro e o público lhe prestaram num dia para ele decerto carregado de emoções contraditórias.
Mas não esqueçamos a mensagem implícita endereçada a todos os outros músicos da Orquestra: "Este maestro aprecia-vos como indivíduos e agradece-vos do fundo do coração a insubstituível contribuição que cada um dá para o sucesso do grupo e a felicidade do público".
Chama-se a isto capacidade de liderança.
16.11.09
Quantos GRPs custa um Rolex?
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Não é justo dizer-se que a investigação judicial portuguesa não obtém resultados.
Sem Casa Pia, Maddie, Apito Dourado, submarinos, Freeport, Media Capital ou Face Oculta, de que viveriam os nossos media? A nossa justiça, baça em matérias da sua estrita competência, brilha a grande altura na produção de conteúdos.
Fugas de informação ajudam a vender muito papel e muito espaço publicitário. Querem fazer umas continhas para estimar quanto vale 1% de audiências (1 GRP em jargão técnico) em horário nobre de televisão?
Deveremos então acreditar que essas fugas são gratuitas? Será que, por definição, não pode haver corruptos nos órgãos encarregados de investigar a corrupção?
Acresce que, ao contrário de muitos dos alegados crimes que têm vindo a público, estes, ao menos, nós temos a certeza de que sucederam, embora ignoremos as suas motivações e contrapartidas.
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Não é justo dizer-se que a investigação judicial portuguesa não obtém resultados.
Sem Casa Pia, Maddie, Apito Dourado, submarinos, Freeport, Media Capital ou Face Oculta, de que viveriam os nossos media? A nossa justiça, baça em matérias da sua estrita competência, brilha a grande altura na produção de conteúdos.
Fugas de informação ajudam a vender muito papel e muito espaço publicitário. Querem fazer umas continhas para estimar quanto vale 1% de audiências (1 GRP em jargão técnico) em horário nobre de televisão?
Deveremos então acreditar que essas fugas são gratuitas? Será que, por definição, não pode haver corruptos nos órgãos encarregados de investigar a corrupção?
Acresce que, ao contrário de muitos dos alegados crimes que têm vindo a público, estes, ao menos, nós temos a certeza de que sucederam, embora ignoremos as suas motivações e contrapartidas.
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11.11.09
Não acredito em corruptos; mas que os há, há
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Concordo inteiramente com o Daniel Oliveira, quando ele escreve:
Este mero detalhe demonstra como, nos tempos que correm, as pessoas que defendem o Estado de direito e a decência são obrigadas a adoptar uma atitude defensiva.
Isto é, em si mesmo, muito grave.
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Concordo inteiramente com o Daniel Oliveira, quando ele escreve:
"Quantos mais nomes e suspeitas aparcerem na comunicação social, mais confusa ficará a investigação “Face Oculta”, mais difuso será o alvo deste processo, mais longe estaremos da justiça. Já vimos este filme. Sabemos como acaba. E os corruptos também sabem."Agora, reparem numa coisa: o Daniel sentiu-se na necessidade de escrever o último período para não poder ser acusado de estar a tentar proteger o Sócrates.
Este mero detalhe demonstra como, nos tempos que correm, as pessoas que defendem o Estado de direito e a decência são obrigadas a adoptar uma atitude defensiva.
Isto é, em si mesmo, muito grave.
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"Estou farto de defender José Sócrates"
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"Estou farto de defender José Sócrates", escreveu hoje o Pedro Marques Lopes - e como eu o compreendo!
É certo que, ao contrário do Pedro, eu considero o Sócrates o melhor primeiro-ministro que o país tem desde há muito tempo, talvez o melhor de sempre.
Mas a minha identificação com as políticas dos seus governos é parcial. Divirjo deles em muitas questões fundamentais, desde logo em relação a grande parte das suas políticas económicas, o que não é dizer pouco.
Desagradam-me a patente improvisação na definição de linhas estratégicas, a incompetência na coordenação de projectos de algum fôlego e a insistência em estendais de medidas sem nexo e de escasso ou nulo alcance. Indispõe-me, acima de tudo, uma certa atitude saloia perante tudo o que parece moderno e tecnologicamente avançado.
Acima de tudo, porém, distancio-me do modo como o PS faz política. Vejo - como toda a gente vê - a promoção pública de arrivistas medíocres cuja única recomendação é o cartão do partido. E apercebo-me - como toda a gente se apercebe - dos bandos de amigos sem ideal que circulam entre a política, os negócios e os media.
Tudo isso é verdade. Mas não é menos verdade que o cadáver putrefacto insepulto que é o actual PSD se encarrega de empestar tudo e todos à sua volta, esforçando-se por levar consigo para o túmulo o regime e a democracia liberal.
Aquilo a que por este dias estamos a assistir é à deterioração paulatina do nosso viver colectivo - e já não só do sistema político - friamente desejada e planeada por alguns que se ocupam de envenenar as consciências e destruir qualquer réstea de idealismo que ainda possa sobrar no país.
De modo que a prioridade de qualquer pessoa sensata tem que ser cerrar fileiras em torno dos princípios essenciais do Estado de direito e resignar-se a deixar para segundo plano divergências relativas a questões que a mim me interessam bem mais.
Por isso, eu digo como o Pedro:
"Estou muito mais farto de gente que despreza valores e princípios fundamentais duma democracia. Gente que não percebe que isto nada tem a ver com luta política. Gente que gasta o tempo todo com intrigalhadas de vão de escada e se esquece de criticar políticas e apresentar alternativas."
Ao contrário dele, porém, não creio que estejamos "condenados a viver ad aeternum sob o poder socialista". Estamos, apenas e só, condenados à apagada e vil tristeza que, afinal, para tanto trampolineiro, parece ser a suprema ambição de vida.
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"Estou farto de defender José Sócrates", escreveu hoje o Pedro Marques Lopes - e como eu o compreendo!
É certo que, ao contrário do Pedro, eu considero o Sócrates o melhor primeiro-ministro que o país tem desde há muito tempo, talvez o melhor de sempre.
Mas a minha identificação com as políticas dos seus governos é parcial. Divirjo deles em muitas questões fundamentais, desde logo em relação a grande parte das suas políticas económicas, o que não é dizer pouco.
Desagradam-me a patente improvisação na definição de linhas estratégicas, a incompetência na coordenação de projectos de algum fôlego e a insistência em estendais de medidas sem nexo e de escasso ou nulo alcance. Indispõe-me, acima de tudo, uma certa atitude saloia perante tudo o que parece moderno e tecnologicamente avançado.
Acima de tudo, porém, distancio-me do modo como o PS faz política. Vejo - como toda a gente vê - a promoção pública de arrivistas medíocres cuja única recomendação é o cartão do partido. E apercebo-me - como toda a gente se apercebe - dos bandos de amigos sem ideal que circulam entre a política, os negócios e os media.
Tudo isso é verdade. Mas não é menos verdade que o cadáver putrefacto insepulto que é o actual PSD se encarrega de empestar tudo e todos à sua volta, esforçando-se por levar consigo para o túmulo o regime e a democracia liberal.
Aquilo a que por este dias estamos a assistir é à deterioração paulatina do nosso viver colectivo - e já não só do sistema político - friamente desejada e planeada por alguns que se ocupam de envenenar as consciências e destruir qualquer réstea de idealismo que ainda possa sobrar no país.
De modo que a prioridade de qualquer pessoa sensata tem que ser cerrar fileiras em torno dos princípios essenciais do Estado de direito e resignar-se a deixar para segundo plano divergências relativas a questões que a mim me interessam bem mais.
Por isso, eu digo como o Pedro:
"Estou muito mais farto de gente que despreza valores e princípios fundamentais duma democracia. Gente que não percebe que isto nada tem a ver com luta política. Gente que gasta o tempo todo com intrigalhadas de vão de escada e se esquece de criticar políticas e apresentar alternativas."
Ao contrário dele, porém, não creio que estejamos "condenados a viver ad aeternum sob o poder socialista". Estamos, apenas e só, condenados à apagada e vil tristeza que, afinal, para tanto trampolineiro, parece ser a suprema ambição de vida.
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10.11.09
A república dos economistas
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Robert Skidelsky adianta uma surpreendente tese na sua superlativa biografia de John Maynard Keynes.
Sustenta ele que o debate em torno de The Economic Consequences of Peace, publicado por Keynes em 1919, determinou uma mudança crucial da actividade política no sentido do predomínio dos temas económicos e das opiniões dos economistas.
Ao pintar de forma convincente os políticos tradicionais como indivíduos basicamente impreparados para lidarem com as grandes questões do século XX - e, desde logo, com as financeiras -, Keynes apresentou simultaneamente a candidatura da classe dos economistas à produção das ideias capazes de assegurarem a prosperidade geral.
Nas palavras de Skidelsky: "Keynes was staking the claim of the economist to be Prince. All other forms of rule were bankrupt."
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Robert Skidelsky adianta uma surpreendente tese na sua superlativa biografia de John Maynard Keynes.
Sustenta ele que o debate em torno de The Economic Consequences of Peace, publicado por Keynes em 1919, determinou uma mudança crucial da actividade política no sentido do predomínio dos temas económicos e das opiniões dos economistas.
Ao pintar de forma convincente os políticos tradicionais como indivíduos basicamente impreparados para lidarem com as grandes questões do século XX - e, desde logo, com as financeiras -, Keynes apresentou simultaneamente a candidatura da classe dos economistas à produção das ideias capazes de assegurarem a prosperidade geral.
Nas palavras de Skidelsky: "Keynes was staking the claim of the economist to be Prince. All other forms of rule were bankrupt."
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9.11.09
Liberais à moda antiga
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Em 1929, o Partido Liberal Britânico liderado por Lloyd George, apresentou-se às eleições com um programa de obras públicas destinadas a combater o desemprego.
Os conservadores - o "partido da estupidez", chamava-lhes Keynes - opunham-se-lhe, argumentando que o desvio de poupanças para o investimento público conduziria à subida da taxa de juro e, desse modo, reduziria o investimento privado.
A vitória sorriu ao Partido Trabalhista, que pôs em prática esse programa.
Às vezes, os nomes mudam mais do que as coisas.
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Em 1929, o Partido Liberal Britânico liderado por Lloyd George, apresentou-se às eleições com um programa de obras públicas destinadas a combater o desemprego.
Os conservadores - o "partido da estupidez", chamava-lhes Keynes - opunham-se-lhe, argumentando que o desvio de poupanças para o investimento público conduziria à subida da taxa de juro e, desse modo, reduziria o investimento privado.
A vitória sorriu ao Partido Trabalhista, que pôs em prática esse programa.
Às vezes, os nomes mudam mais do que as coisas.
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O Santo
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O que Jerónimo de Sousa e o PCP pensam sobre a queda do Muro de Berlim, ao menos, toda a gente percebe.
Já o mesmo não se poderá dizer da prosa enrolada que a efeméride desencadeou em Francisco Louçã e de que destaco o ponto alto no qual desce mais baixo:
Notas finais:
1. Comparem o relambório de Louçã com a sinceridade do testemunho do Daniel Oliveira.
2. Alguém, por favor, explique ao Louçã que "Vinte Anos Depois" não é "o último livro da saga dos Mosqueteiros"; depois desse ainda houve "O Visconde de Bragelonne", que inclui o célebre episódio do Homem da Máscara de Ferro. Pois é, todos temos o nosso momento Tomás More.

O que Jerónimo de Sousa e o PCP pensam sobre a queda do Muro de Berlim, ao menos, toda a gente percebe.
Já o mesmo não se poderá dizer da prosa enrolada que a efeméride desencadeou em Francisco Louçã e de que destaco o ponto alto no qual desce mais baixo:
"Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, floresce assim a ideologia contentatória: o comunismo acabou, diz Saramago e repete, com gosto evidente, António Vitorino. Frágil ilusão, contudo, pois continuou a ser possível ser cristão depois da Inquisição, social-democrata depois da votação dos créditos de guerra e mesmo depois do assassinato de Rosa Luxemburgo, e até continuou a ser possível ser economista liberal depois da grande depressão de 1929."Significará isto que Louçã continua a ser comunista? Deixo o enigma à vossa consideração, já que ele se recusa a esclarecê-lo. Entretanto, aqui fica mais uma pista:
"O século XX começou em 1905 com o Soviete de Petrogrado e terminou em 1989 com a queda do muro de Berlim."Ora, quem foi o chefe do Soviete de Petrogrado? Nada menos que Leon Trotsky.
Notas finais:
1. Comparem o relambório de Louçã com a sinceridade do testemunho do Daniel Oliveira.
2. Alguém, por favor, explique ao Louçã que "Vinte Anos Depois" não é "o último livro da saga dos Mosqueteiros"; depois desse ainda houve "O Visconde de Bragelonne", que inclui o célebre episódio do Homem da Máscara de Ferro. Pois é, todos temos o nosso momento Tomás More.
8.11.09
Todo o Poder ao Soviete dos Magistrados
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Imaginem um país onde alguns investigadores se dedicavam a perseguir pessoas em vez de inquirirem crimes. Imaginem, além disso, que eles faziam sistematicamente chegar aos jornais informações seleccionadas alegadamente recolhidas no decurso dessas devassas.
Considerem ainda a possibilidade de comentaristas cúmplices ou imbecis exigirem com grande alarido nas televisões a demissão dos arguidos ou meros inquiridos titulares de cargos públicos. E suponham que cada vez mais pessoas começavam a aceitar a ideia de que a regra se deveria estender a gestores de empresas privadas.
Para completar o retrato, fantasiem que o processo era apoiado e instigado por sindicatos de magistrados.
Decorre daqui com a brutalidade de uma dedução lógica que esse país não poderia ter governantes ou dirigentes que não fossem previamente aprovados pelos tais investigadores.
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Imaginem um país onde alguns investigadores se dedicavam a perseguir pessoas em vez de inquirirem crimes. Imaginem, além disso, que eles faziam sistematicamente chegar aos jornais informações seleccionadas alegadamente recolhidas no decurso dessas devassas.
Considerem ainda a possibilidade de comentaristas cúmplices ou imbecis exigirem com grande alarido nas televisões a demissão dos arguidos ou meros inquiridos titulares de cargos públicos. E suponham que cada vez mais pessoas começavam a aceitar a ideia de que a regra se deveria estender a gestores de empresas privadas.
Para completar o retrato, fantasiem que o processo era apoiado e instigado por sindicatos de magistrados.
Decorre daqui com a brutalidade de uma dedução lógica que esse país não poderia ter governantes ou dirigentes que não fossem previamente aprovados pelos tais investigadores.
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A teia
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Após um breve interregno forçado pelas eleições (que, como se sabe, só servem para gastar dinheiro) o protagonismo na nossa vida política regressou, como é normal e louvável, aos Martins, aos Palmas e às Moura Guedes; às escutas e às fugas de informação; às declarações dos sindicatos dos magistrados e do Procurador-Geral da República; às movimentações nos bastidores de fontes anónimas, investigadores diligentes e jornalistas militantes.
Um dia, quando eles se zangarem, talvez venhamos a ter acesso às escutas que fazem uns aos outros. Nesse dia entenderemos como funciona a república dos bufos e quem a comanda.
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Após um breve interregno forçado pelas eleições (que, como se sabe, só servem para gastar dinheiro) o protagonismo na nossa vida política regressou, como é normal e louvável, aos Martins, aos Palmas e às Moura Guedes; às escutas e às fugas de informação; às declarações dos sindicatos dos magistrados e do Procurador-Geral da República; às movimentações nos bastidores de fontes anónimas, investigadores diligentes e jornalistas militantes.
Um dia, quando eles se zangarem, talvez venhamos a ter acesso às escutas que fazem uns aos outros. Nesse dia entenderemos como funciona a república dos bufos e quem a comanda.
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6.11.09
Louçã, outra vez
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Louçã afirmou ontem na Assembleia da República: "O Primeiro-Ministro gasta três vezes mais no BPN do que na crise económica".
Quando alguém afirma algo que sabe ser falso para daí tirar vantagem, esse alguém está a mentir.
Ora, nem o primeiro-ministro, nem o governo, nem o Estado gastaram um tostão sequer no BPN.
A verdade é outra: a Caixa Geral dos Depósitos, banco do Estado, emprestou dinheiro ao BPN, banco recentemente nacionalizado na sequência das tropelias que se sabe.
Primeiro ponto: emprestar dinheiro não é dar dinheiro, como entende qualquer pessoa que já contraíu um empréstimo à habitação.
Segundo ponto: como o BPN foi nacionalizado para evitar a sua falência, é claro que quaisquer perdas ou lucros que venha a ter reverterão para o Estado.
Terceiro ponto: é possível, mas não seguro, que o Estado possa vir a ter que meter dinheiro no BPN.
Quarto ponto: como o público ainda não sabe qual a situação do BPN neste momento, ninguém pode afirmar que o Estado lá gastará três vezes qualquer quantia que se entenda tomar como termo de comparação.
Logo, tudo o que Louçã disse na sua pequena frase é mentira.
A isto, já me contra-argumentaram que o Estado ainda não pôs dinheiro no BPN, mas que no futuro poderá pôr. E eu respondo que amanhã Louçã poderá deixar de mentir, mas que, até hoje, não fez outra coisa.
Isto é muito grave, especialmente porque, sendo Louçã economista, ele não pode ser vítima de confusões que se desculpariam em leigos na matéria. Mente e sabe que mente.
Acresce que, para além do que literalmente afirma, Louçã insinua. Desde logo, insinua que o governo e o primeiro-ministro voluntariamente desviaram dinheiro que poderia aliviar a condição dos pobres em proveito de Oliveira e Costa, Dias Loureiro e seus amigos.
Mais uma vez, Louçã sabe que isto é falso. A intervenção do Estado no BPN destinou-se a evitar um mal maior, do qual as principais vítimas seriam aqueles que arduamente ganham a vida com o seu trabalho.
Nada disto me surpreende. De um trampolineiro como Louçã não se poderia esperar outra coisa, nem sequer que algum dia se emende.
Mas eu gostaria de entender como é possível ele mentir repetidamente de forma tão evidente durante meses a fio com a aparente cumplicidade de todos os seus camaradas de partido.
Serão todos demasiado ignorantes ou demasiado desonestos para se oporem a uma forma tão reles de fazer política?
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Louçã afirmou ontem na Assembleia da República: "O Primeiro-Ministro gasta três vezes mais no BPN do que na crise económica".
Quando alguém afirma algo que sabe ser falso para daí tirar vantagem, esse alguém está a mentir.
Ora, nem o primeiro-ministro, nem o governo, nem o Estado gastaram um tostão sequer no BPN.
A verdade é outra: a Caixa Geral dos Depósitos, banco do Estado, emprestou dinheiro ao BPN, banco recentemente nacionalizado na sequência das tropelias que se sabe.
Primeiro ponto: emprestar dinheiro não é dar dinheiro, como entende qualquer pessoa que já contraíu um empréstimo à habitação.
Segundo ponto: como o BPN foi nacionalizado para evitar a sua falência, é claro que quaisquer perdas ou lucros que venha a ter reverterão para o Estado.
Terceiro ponto: é possível, mas não seguro, que o Estado possa vir a ter que meter dinheiro no BPN.
Quarto ponto: como o público ainda não sabe qual a situação do BPN neste momento, ninguém pode afirmar que o Estado lá gastará três vezes qualquer quantia que se entenda tomar como termo de comparação.
Logo, tudo o que Louçã disse na sua pequena frase é mentira.
A isto, já me contra-argumentaram que o Estado ainda não pôs dinheiro no BPN, mas que no futuro poderá pôr. E eu respondo que amanhã Louçã poderá deixar de mentir, mas que, até hoje, não fez outra coisa.
Isto é muito grave, especialmente porque, sendo Louçã economista, ele não pode ser vítima de confusões que se desculpariam em leigos na matéria. Mente e sabe que mente.
Acresce que, para além do que literalmente afirma, Louçã insinua. Desde logo, insinua que o governo e o primeiro-ministro voluntariamente desviaram dinheiro que poderia aliviar a condição dos pobres em proveito de Oliveira e Costa, Dias Loureiro e seus amigos.
Mais uma vez, Louçã sabe que isto é falso. A intervenção do Estado no BPN destinou-se a evitar um mal maior, do qual as principais vítimas seriam aqueles que arduamente ganham a vida com o seu trabalho.
Nada disto me surpreende. De um trampolineiro como Louçã não se poderia esperar outra coisa, nem sequer que algum dia se emende.
Mas eu gostaria de entender como é possível ele mentir repetidamente de forma tão evidente durante meses a fio com a aparente cumplicidade de todos os seus camaradas de partido.
Serão todos demasiado ignorantes ou demasiado desonestos para se oporem a uma forma tão reles de fazer política?
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5.11.09
Muito estranho
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O Barómetro Político da Marktest mostra que o optimismo dos portugueses em relação à situação económica própria e do país tem crescido de forma consistente desde Maio de 2008. Não admira que vocês nunca tenham ouvido falar disto.
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O Barómetro Político da Marktest mostra que o optimismo dos portugueses em relação à situação económica própria e do país tem crescido de forma consistente desde Maio de 2008. Não admira que vocês nunca tenham ouvido falar disto.
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4.11.09
O Estado sapateiro
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Anos a fio, a Aerosoles foi-nos apresentada como um caso de sucesso empresarial português, um exemplo de modernização e internacionalização bem sucedida.
Quando começa a crise, porém, vai-se a ver e descobre-se que, afinal, o capital da empresa é detido maioritariamente pelo Estado português, directa ou indirectamente (através de fundos públicos de capital de risco), em parceria com investidores privados.
Ora, eu gostaria de perceber que sentido faz o Estado sair da petroquímica e das telecomunicações para ir meter-se em fábricas de sapatos. Que espécie de superior interesse estratégico é defendido por políticas deste tipo? Que critérios orientam a escolha deste ou daquele projecto, deste ou daquele parceiro privado?
Mais: que sentido faz o Estado português deter sociedades de capital de risco? Que propósitos e que objectivos estratégicos foram atribuídos a essas sociedades? Quem e como avalia o que elas andam a fazer? A quem prestam contas? E assim sucessivamente.
Quem, como eu, acredita que a política económica tem um papel a desempenhar no reforço da competitividade das empresas portuguesas, inquieta-se, ademais, com o descrédito que situações como esta inevitavelmente lançam sobre a intervenção do Estado.
Este caso veio a público há cerca de um ano. Curiosamente, nem a quezilenta oposição nem os vociferantes media parecem interessar-se por ele.
Os nossos liberais domésticos prestariam um grande serviço à pátria se, em vez de se refugiarem em declarações doutrinárias sobre as vantagens da liberdade de iniciativa, tentassem descobrir quantas mais Aerosoles há por aí acoitadas sob as saias do Estado.
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Anos a fio, a Aerosoles foi-nos apresentada como um caso de sucesso empresarial português, um exemplo de modernização e internacionalização bem sucedida.
Quando começa a crise, porém, vai-se a ver e descobre-se que, afinal, o capital da empresa é detido maioritariamente pelo Estado português, directa ou indirectamente (através de fundos públicos de capital de risco), em parceria com investidores privados.
Ora, eu gostaria de perceber que sentido faz o Estado sair da petroquímica e das telecomunicações para ir meter-se em fábricas de sapatos. Que espécie de superior interesse estratégico é defendido por políticas deste tipo? Que critérios orientam a escolha deste ou daquele projecto, deste ou daquele parceiro privado?
Mais: que sentido faz o Estado português deter sociedades de capital de risco? Que propósitos e que objectivos estratégicos foram atribuídos a essas sociedades? Quem e como avalia o que elas andam a fazer? A quem prestam contas? E assim sucessivamente.
Quem, como eu, acredita que a política económica tem um papel a desempenhar no reforço da competitividade das empresas portuguesas, inquieta-se, ademais, com o descrédito que situações como esta inevitavelmente lançam sobre a intervenção do Estado.
Este caso veio a público há cerca de um ano. Curiosamente, nem a quezilenta oposição nem os vociferantes media parecem interessar-se por ele.
Os nossos liberais domésticos prestariam um grande serviço à pátria se, em vez de se refugiarem em declarações doutrinárias sobre as vantagens da liberdade de iniciativa, tentassem descobrir quantas mais Aerosoles há por aí acoitadas sob as saias do Estado.
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