31.12.08

Ministro das Finanças alemão teme que juros baixos desencadeiem crescimento incontrolável

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2008, o ano de todos os idiotas. Este chama-se Peer Steinbruck e tem poder para dar cabo da vida a muita gente.
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Palpites e previsões

Suponho que isto pode servir para começar a pôr algum senso nas cabeças dos inteligentes que gostariam de ver o Orçamento Geral do Estado revisto todas as semanas para acomodar as últimas previsões do FMI:
"Although people endlessly ask for predictions, they rarely really want the answers. It was only late – too late – in life that I realised that when people said, “We really want you to challenge our ideas,” they mostly did not. They wanted instead to be congratulated on their wisdom. Similarly, when they ask, “What is going to happen?” they seek reaffirmation and reassurance rather than insight into the future.

"The market for clairvoyance has existed through history and is satisfied by messages based on hope and ambiguity. The market for economic prediction is similar. Successful proponents are distinguished by their television manner rather than the accuracy of their forecasts."
PS - Antes que me esqueça: acho muito bem que tenha sido temporariamente aumentado o tecto dos investimentos em obras públicas dispensados de concurso. É o que todas as nações civilizadas farão para tentar que o dinheiro seja gasto a tempo de contrariar o agravamento da depressão.

30.12.08

Tráfego aéreo intenso

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Encalhado no aeroporto sem nada para fazer? O Twitter resolve: http://www.boarding.fr/.

(Recomendação do Paulo Querido.)
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29.12.08

Esbjörn Svensson Trio: Behind The Yashmak

Cãezinhos de Pavlov

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Compreendi a execução do xeque Yassin, aquele cegueta paralítico que treinava crianças para se fazem explodir nas ruas das cidades de Israel, assim como condenei a invasão israelita do Líbano em Agosto de 2006. Mais recentemente, temi a eventualidade de um ataque aéreo de Israel apoiado pelos EUA contra as alegadas instalações nucleares iranianas.

Certos cãezinhos de Pavlov, que praticam a indignação selectiva, não compreendem isto.

Mas é muito fácil de entender por quem quiser entender: eu preocupo-me por igual com os direitos de israelitas e palestinianos, e é desse princípio que decorre tudo o resto. Não ignoro as injustiças históricas que se encontram na raiz do conflito, mas sei também que, não sendo possível regressar-se à situação prévia a 1948, ambos os povos que hoje habitam aquele território têm direito a uma pátria onde possam viver em paz.

Critico as iniciativas políticas e militares que nos afastam de uma solução aceitável e duradoura, particularmente aquelas que ameaçam degenerar numa escalada de violência, mas não posso negar a uma e outra parte o direito à legítima defesa, na condição de que a reacção seja justificada e proporcional.

Não houve certamente proporcionalidade quando Israel invadiu o Líbano em retaliação pelo rapto de dois soldados e em seguida bombardeou edifícios de habitação a pretexto de que haveria não sei quê escondido na sua cave. Não é possível evitar em absoluto vítimas civis em conflitos desta natureza, mas é certamente exigível que tudo seja feito para minorá-las, o que na cirunstância, creio eu, não aconteceu.

A situação é bem distinta agora. Durante dias e semanas, a seita de animais ferozes que dá pelo nome de Hamas despejou fogo de artilharia sobre Israel, matando de passagem civis palestinianos residentes na faixa de Gaza. O contra-ataque de Israel parece, até ao momento, concentrar-se exclusivamente em alvos militares e ter o objectivo muito claro de impor ao Hamas uma nova trégua.

Enquanto se conservar nesses limites, parece-me justo reconhecer a legitimidade desta acção militar. É só.
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Van Dyck: Retrato de uma senhora com a sua filha.
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28.12.08

Guerra justa

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Não vejo nada de criticável, até ao momento, no ataque de Israel contra alvos militares do Hamas, depois de este ter unilateralmente escolhido o caminho da provocação bélica. Só espero que mantenha a sua acção dentro dos limites impostos pela proporcionalidade e pelo respeito pelos civis palestinianos.
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Balanço de 2008

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Eu quase não li livros originais publicados em 2008 nem ouvi música composta em 2008; e só vi filmes contemporâneos (quase todos péssimos) porque os antigos não passam muito nas salas de cinema. Para coisas actuais bastam-me os jornais e os blogues.
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26.12.08

A Grande Depressão começou

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Copiado do blogue de Paul Krugman.
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24.12.08

O dilema do banqueiro

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Fernando Ulrich explicou ontem no Público, com excelentes razões, por que é que os bancos estão a reter o dinheiro que lhes é cedido pelo banco central em vez de disseminarem o crédito pela economia.

Fundamentalmente, afirma ele que o risco é muito grande e que os bancos necessitam de reduzir os elevadíssimos níveis de alavancagem actuais.

Certo, certíssimo. Sucede, porém, que esse comportamento eminentemente racional nos conduz a todos à ruína. Estamos perante o típico dilema do prisioneiro analisado pela teoria dos jogos: a opção mais lógica para os decisores (estratégia dominante) conduz ao pior resultado para todos eles - e, já agora, para todos nós também.

De modo que os bancos têm que ser salvos de si próprios. Como? Ora, mediante uma ameaça credível que os incline a agirem de outro modo.

É conveniente o Estado lembrar aos banqueiros que também ele corre grandes riscos ao disponibilizar-lhes a liquidez de que necessitavam, e que, por isso, não é lícito que a retenham em proveito próprio.

Talvez assim entendam que, para além dos riscos comerciais usuais, deverão considerar nos seus cálculos o risco adicional de poderem vir a ser nacionalizados, o que deverá incitá-los a agir em conformidade com esta situação inusitada.

Percebem?
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Ligação directa

Também Martin Wolf defende no seu artigo de ontem no Financial Times que os bancos centrais devem emprestar directamente dinheiro aos devedores para ultrapassarmos a actual crise de liquidez:
"The shorter-term challenge is to sustain aggregate demand, as Keynes would have recommended. Also important will be direct central-bank finance of borrowers. It is evident that much of the load will fall on the US, largely because the Europeans, Japanese and even the Chinese are too inert, too complacent, or too weak. Given the correction of household spending under way in the deficit countries, this period of high government spending is, alas, likely to last for years. At the same time, a big effort must be made to purge the balance sheets of households and the financial system. A debt-for-equity swap is surely going to be necessary."

23.12.08

22.12.08

O maior fiasco de sempre

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Já tiveram a maior manifestação de sempre e a maior greve de sempre. Agora, surpreendemente baixando a fasquia, os sindicatos dos professores propoem-se entregar o maior abaixo-assinado de sempre.

Assim de repente, ocorrem-me outros records. Por exemplo: Mário Nogueira é o professor há mais tempo sem dar aulas de sempre. E a contagem dos manifestantes e dos grevistas foi o maior logro informativo de sempre.

Finalmente, o movimento vai saldar-se pela maior derrota sindical de sempre. Para se consolarem, entrarão sem dúvida para o Guiness.
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Pensar o impensável

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Os bancos comerciais não transferem para as PMEs o financiamento que recebem do Banco Central Europeu? António Amaro de Matos, de longe o melhor gestor português que conheci, propõe o seguinte no Público de hoje (link não disponível):
"Talvez, por exemplo, impor que, no final do primeiro e segundo trimestre do próximo ano, o crédito a pequenas e médias empresas atinja, para cada banco, respectivamente, 20 por cento e 40 por cento acima do que figura nos balanços de Dezembro deste ano. Mantendo-se daí em diante. E que, não cumprindo, os bancos tivessem de depositar no BP o montante em falta para atingir aquele objectivo. Remunerado à taxa zero por cento. Podendo ser repassado a outros que o quisessem aplicar em PME."
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21.12.08

Sun Ra: A Joyful Noise

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Ideológo desempregado oferece os seus préstimos à esquerda

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"Porque se levarmos a sério o que Manuel Alegre está a dizer - eu tomo-o a sério, mas não sei se ele se toma a si próprio -, o que ele anda a dizer é que é necessário criar uma nova força política para as próximas eleições que funcione para pressionar o PS pela esquerda. E a melhor forma é enfiar no Parlamento meia dúzia de deputados em conjunto com o Bloco que obrigam o PS, à falta de maioria absoluta, a coligar-se com eles."

Pacheco Pereira no Público de hoje.
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20.12.08

Helen Merrill: I'm a Fool to Want You

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Ao novo partido

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Vou-me à feira de Trancoso
logo, nome de Jesu,
e farei dinheiro grosso.
Do que êste azeite render
comprarei ovos de pata,
que é a coisa mais barata
que eu de lá posso trazer;
e êstes ovos chocarão;
cada ovo dará um pato,
e cada pato um tostão,
que passará de um milhão
e meio, a vender barato.
Casarei rica e honrada
por êstes ovos de pata,
e o dia que fôr casada
sairei ataviada
com um brial de escarlata,
e diante o desposado,
que me estará namorando:
virei de dentro bailando
assim dest'arte bailado,
esta cantiga cantando.

Gil Vicente: Auto de Mofina Mendes.
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19.12.08

Gonzalo Rubalcaba Trio: Imagine

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TPC

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Os directores dos jornais e suplementos de economia deveriam obrigar os seus jornalistas a escreverem 100 vezes:

Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
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Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
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Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
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Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
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Ainda agora se aliaram e já não se entendem

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Alegre afirmou na RTP que pretende evitar conflitos sociais como os da Grécia.

Ora eu iria jurar que o propósito do Bloco é promover conflitos sociais como os da Grécia.
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World gone Madoff

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Conclusão do artigo de hoje de Krugman no New York Times:
"Most of all, the vast riches being earned — or maybe that should be “earned” — in our bloated financial industry undermined our sense of reality and degraded our judgment.

"Think of the way almost everyone important missed the warning signs of an impending crisis. How was that possible? How, for example, could Alan Greenspan have declared, just a few years ago, that “the financial system as a whole has become more resilient” — thanks to derivatives, no less? The answer, I believe, is that there’s an innate tendency on the part of even the elite to idolize men who are making a lot of money, and assume that they know what they’re doing.

"After all, that’s why so many people trusted Mr. Madoff.

"Now, as we survey the wreckage and try to understand how things can have gone so wrong, so fast, the answer is actually quite simple: What we’re looking at now are the consequences of a world gone Madoff."
Mas quem ouviu o professor Campos e Cunha no Prós e Contras da última 2ª feira ficou a saber que esta conversa é uma tolice pegada.
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18.12.08

Crimes e crimes

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Balzac era de opinião que por detrás de cada grande fortuna esconde-se um grande crime.

Ao que parece toda a gente concorda com a afirmação desde que o milionário seja de outra raça.
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17.12.08

Charles Lloyd: Lotus Blossom

O Príncipe e o pobre

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Cruzo-me na Avenida da República com um homem de rosto encovado, barba por fazer, sorrio desdentado. O boné e o blusão, muito coçados, a custo permitem adivinhar a original cor vermelha.

A corda que agarra na mão envolve na outra ponta, à laia de trela, o pescoço de um belíssimo cachorro de pelo castanho flamejante, orgulhosamente acompanhando o seu dono com passo alegre, focinho no ar e olhar de quem é dono do mundo.

Imagino que o homem procura comprador para o cão.

Pobre tolo! Jamais encontrará outro amigo assim, que com ele passeie entre a multidão elegante sem vergonha do seu companheiro.
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Escândalo!!!

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Denuncia hoje o Público na primeira página:
"A Câmara de Lisboa gastou pelos menos 463 mil euros em pareceres jurídicos e advogados particulares. Só em seis pareceres para responder ao Tribunal de Contas foram gastos mais de 102 mil euros. O quadro do município conta com 238 juristas."
Os meus parabéns ao Público pela acutilante revelação.

Permitam-me que sugira agora ao autor da prosa uma outra investigação similar: esclarecer por que é o Público, que já emprega tantos jornalistas, recorre à contratação de uma mão cheia de colunistas. Uma vergonha, senhores!
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Uma hipótese

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É estranho que, num país enamorado pela politiquice ainda ninguém tenha considerado a hipótese de a agitação exibida por Alegre nos últimos anos poder ser satisfeita pela simples atribuição de mais alguns lugares aos seus seguidores no grupo parlamentar e em uma ou outra autarquia chave.

É mais ou menos assim que, em Portugal, se faz política partidária, sabiam? E oh se Alegre percebe diso!
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Ricos e mal-agradecidos

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Se a Sonae tivesse conseguido comprar a PT, a conjugação do seu endividamento com a desvalorização brutal das cotadas em Bolsa tê-la-ia deixado perto da falência.

Quem quer que tenha dificultado a manobra deveria ter direito a uma velinha no altar do Engenheiro.
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16.12.08

SF Jazz: Maiden Voyage

15.12.08

Novidades é no Twitter

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A Yahoo decidiu despedir 1.500 pessoas. A principal fonte de notícias sobre o caso foi o Twitter, à medida que os atingidos iam informando do caso o seu círculo de amigos e conhecidos.
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14.12.08

Dave Douglas Quintet: Penelope

Desventuras da marca Espanha

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A imprensa espanhola está desesperada. Parece que, segundo um estudo da multinacional de pesquisa TNS, uma clara maioria de chineses praticamente nem sequer sabe que a Espanha existe.

Mais grave ainda, entre aqueles que sabem, as únicas coisas a que associam o país é futebol e touradas. Não entendem os nossos vizinhos que há aqui um claro progresso: há vinte anos, só seriam conhecidos pelas touradas.

A Espanha está, pois, ofendida. A Espanha faz automóveis, a Espanha tem centrais nucleares, a Espanha tem cultura, a Espanha tem mesmo - quem diria? - investigadores e cientistas. Como se permitem então os chineses ignorar as grandes realizações da Espanha moderna?

De que serviu, afinal, tanto dinheiro investido anos a fio na marca Espanha?

Curiosamente, num artigo hoje publicado no El País, informa-nos Garton-Ash ter concluído de uma recente viagem pela China e EUA que o que os estrangeiros mais apreciam no Reino Unido é a parelha formada por Harry Potter e Beckham.

Só que, inteligentemente, Garton-Ash não se indigna com isso, como faria se, a exemplo de portugueses ou espanhóis, remoesse complexos de inferioridade.

Metam bem isto na cabeça: o único país sobre o qual toda a humanidade sabe qualquer coisa é a América, e isso por muitas e excelentes razões. Ainda assim, o que mais lhe interessa nela continua, muito provavelmente, a ser a Coca-Cola e a Madonna.
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12.12.08

"Quero ir à final e ser campeão europeu"

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Alguém faça o favor de explicar a este tipo que a última pessoa a dizer isto em voz alta foi o McCarthy na época 2003/04, e que o Mourinho o aconselhou a ter juízo: "A Liga dos Campeões não é para nós", sentenciou o Mestre.
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Gonzalo Rubalcaba: Autumn Leaves

11.12.08

A propósito do 100º aniversário de Manoel de Oliveira

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Carlos Martins não é um mau jogador de futebol, apenas não concorda com o local onde está colocada a baliza.
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Pensar o impensável

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Os Bancos Centrais têm vindo a expandir aceleradamente a base monetária, esforçando-se por contrariar a seca do sistema financeiro provocada pela preferência pela liquidez.

Apesar disso, as taxas de juro cobradas aos particulares e às empresas não descem como seria de esperar e, sobretudo, os bancos mantêm as torneiras do crédito fechadas. Isso não se deve a qualquer má intenção por parte deles, apenas a uma gestão prudente da sua situação líquida.

Diz-se que estão esgotados os recursos da política monetária. Mas estarão mesmo?

Nos EUA, é possível que a Reserva Federal venha a substituir-se aos bancos, oferecendo directamente crédito a quem dele precisar. Nessas circunstâncias, que sucederá aos bancos privados? Provavelmente, terão que ser nacionalizados ou mesmo intervencionados.

Quando a reencontrada virtude da prudência bancária paraliza a economia, a única solução tecnicamente viável poderá vir a ser a nacionalização integral do sector por um período temporário.
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Economia e política

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O meu artigo de ontem no Jornal de Negócios não é - repito: não é - uma defesa do TGV. Também não sustenta - repito: não sustenta - a inutilidade de se avaliarem os custos e benefícios económicos dos investimentos públicos. Visa apenas - repito: apenas - desfazer a ilusão de que a análise económica nos dispensa de ter uma visão estratégica para o país assente em escolhas éticas e políticas.
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Bem visto

Um reparo muito judicioso de Medeiros Ferreira:
"O Governador do Illinois foi preso por suspeita de vários crimes de corrupção, entre os quais o de tentar vender a sucessão do cargo de Senador vago depois da eleição de Barack Obama. Entre nós ainda não se pratica, que se saiba, tal processo nas federações dos nossos partidos. Mas algumas presenças, e ausências, das listas de autarcas e deputados, talvez ficassem melhor explicadas aplicando o método das autoridades de Chicago..."

10.12.08

Krugman para o povo

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A conferência de Krugman na entrega do Prémio Nobel da Economia de 2008 já pode ser vista aqui.
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Pânico no mercado monetário

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Alguns investidores adquiriram ontem títulos do Tesouro americano a 3 meses com um juro nominal implícito de -0,01%. Por outras palavras, pagaram ao Estado para ele lhes ficar com o dinheiro.

A única explicação racional para esta atitude é a expectativa de deflação, ou seja, de descida efectiva dos preços nos meses que se seguem.
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Prestem atenção

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Neste gráfico, encontrado aqui, cada rectângulo representa um ano do período compreendido entre 1825 e a actualidade, e cada coluna representa uma taxa de variação do índice Standard & Poor's. À direita, estão os anos em que o valor das acções mais subiu; à esquerda, aqueles em que mais desceu.

Sim, é verdade, 2008 está ali à pontinha do lado esquerdo, o que significa que se situou ao pior nível dos últimos 183 anos.

As conversas que escuto à minha volta levam-me a crer que a esmagadora maioria das pessoas ainda não percebeu bem a situação em que estamos metidos. Só assim se compreende o espaço que continuamos a conceder a inanidades sem significado.
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Van Dyck: Judas, o Apóstolo.

9.12.08

Os ladrões vão gostar de saber isto

Não pára de me maravilhar a profundidade do pensamento político de Francisco José Viegas:
"O que pede o Ministério da Educação? Que se cumpra a lei sobre "a avaliação". Quem fez a lei? O governo e a sua maioria. A quem se dirige a lei? Aos professores. Os professores concordam com a lei? Não. É possível aplicar uma lei quando aqueles a quem ela se dirige não querem a sua aplicação? Não."

É isso mesmo

Escreve Eduardo Pitta:
"A realidade não se confunde com a opinião publicada ou com campanhas corporativas de agit-prop. O espanto com as sondagens apenas prova que muita gente vive na lua."

6.12.08

Ella: It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing

Béla Rák Combo: It Don't Mean a Thing If It Ain't That Swing

Duke Ellington: It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing

Perspicácia

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Escreve Neil Hume:
A little over a year ago, Nationalised Westminster Bank (Royal Bank of Scotland and friends) splashed out $100bn on a Dutch bank called ABN Amro.

Just look what it could buy now.

Citibank $22.5bn,
Morgan Stanley $10.5bn,
Goldman Sachs $21.0bn,
Merrill Lynch $12.3bn,
Deutsche Bank $13.0bn and
Barclays $12.7bn,

And still have $8bn change.
Giro, não é verdade?
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5.12.08

"Já me bastam as quotas do Partido!"

Sun Ra Arkestra: Face the Music

Pensar o impensável

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Eu não passo de um economista de meia-tigela, de maneira que tenho que esperar que alguém reputado escreva estas coisas para eu depois poder aplaudir:
"It is time for the world's major central banks to acknowledge that a sudden burst of moderate inflation would be extremely helpful in unwinding today's epic debt morass.

"Yes, inflation is an unfair way of effectively writing down all non-indexed debts in the economy. Price inflation forces creditors to accept repayment in debased currency. Yes, in principle, there should be a way to fix the ills of the financial system without resorting to inflation. Unfortunately, the closer one examines the alternatives, including capital injections for banks and direct help for home mortgage holders, the clearer it becomes that inflation would be a help, not a hindrance."
O homem sabe o que diz.
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Onde está o Zé?

"I have a major bone to pick with our all-praised president-elect. Where, Mr. Obama, is Joseph Stiglitz?" - pergunta Michael Hirsh na Newsweek:
"Keynes is dead, but we still have Joe Stiglitz. And so the question is: what is he doing in New York? Sure, I know the rap on Stiglitz: while he's personally a gentleman, he's too often "off the reservation," won't stay on the message, and doesn't play well with others—especially Summers. (Summers is said to have pressured former World Bank president Jim Wolfensohn to fire Stiglitz in the '90s; he left under pressure in late 1999.) Unquestionably, Stiglitz has occasionally gone overboard in his criticisms, such as when he suggested, outrageously, that the eminent economist Stanley Fischer—a former senior IMF official who taught both Summers and Fed Chairman Ben Bernanke at MIT—had pushed for capital-markets liberalization in the '90s so he could secure a fat job at Citigroup afterwards. But Obama has made a point of declaring that he wants dissonant voices in his administration. So why not Joe Stiglitz?"
É caso para dizer: não foi para isto que fizemos o 4 de Novembro.

Mais uma grandiosa manifestação, mais uma greve sem precedentes, e a maioria absoluta estará assegurada

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Toda a gente tem professores na família, pelo que entende muito bem o que está em causa no presente conflito. Mas os professores parecem não conhecer nenhum habitante do mundo real, de outro modo evitariam queixar-se perante as câmeras de chegarem a trabalhar 45 horas numa semana.

Dir-se-ia que viviam num mundo idílico ao abrigo das agruras da vida até ao dia em que a actual ministra instituíu as aulas de substituição e determinou a obrigatoriedade da avaliação. Quanto mais falam, mais se enterram, e o curioso é que, embalados pelos incitamentos de alguma opinião publicada, nem sequer se apercebem da figura que fazem.

O que a última sondagem às intenções de votos dos portugueses revela é que, afinal, tirando os repórteres da televisão, pouca gente se entusiasma com as razões dos professores e muita espera que o governo não ceda perante a fúria do motim. Bela lição.
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3.12.08

Abdullah Ibrahim & Carlos Ward: Water from an Ancient Well & The Wedding

Estais a perder o vosso tempo

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"O grande problema dos economistas que conheço"

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Comentário assinado B. relativo ao meu post "Dr. Pangloss, ascensão e queda":

Eu sou jurista e estou relativamente bem familiarizado com a análise económica do Direito. Portanto, estudei Micro e Macro-Economia (obviamente a um nível elementar) e a análise económica das leis e do comportamento dos sujeitos. Creio que tenho algumas qualificações para oferecer uma perspectiva - naturalmente rebatível - sobre o assunto.

O grande problema dos economistas que conheço - em particular dos que fazem análise económica do Direito - consiste em tomarem como um pressuposto absoluto dois critérios que podem ser debatíveis: (1) o do comportamento racional do seu humano e (2) da previsão dos comportamentos por modelos matemáticos.

A respeito do primeiro critério, qualquer jurista entende que a micro-economia ajuda a compreender os mecanismos de escolha do ser humano mas não esgota a acção humana. Não pode ser dogmatizada a ponto de entender que todos os agentes se vão comportar racionalmente perante uma dada situação. Bem pelo contrário, o ser humano comporta-se de forma perfeitamente irracional. Por exemplo o Direito Penal tenta analisar a eficácia das leis multiplicando a pena aplicável ao agente pela probabilidade de ser apanhado; afirma que um determinado agente terá mais incentivos a cometer um crime quanto menores forem as probabilidades de ser apanhado. Qualquer jurista habituado à realidade da vida e que tenha feito a via sacra dos tribunais sabe que não é assim: há gente que comete crimes sabendo que vai ser apanhado, pois são movidos por motivos que vão além do medo de sofrer a pena; e gente que não comete crimes mesmo sabendo que não vai ser apanhado, ainda que aquilo lhe trouxesse a máxima utilidade possível!

Isto serve de introdução ao segundo tema: os modelos matemáticos ajudam a compreender a eficiência económica das leis mas não são fundamento absoluto. O exemplo mais evidente disso é a questão da negociação colectiva: todos os economistas criticam a negociação colectiva por ser economicamente ineficiente, pois eleva o preço do trabalho por via de uma cartelização da força de trabalho e repercute o custo nos consumidores. Mas ainda assim a negociação colectiva é admitida em quase todos os países democráticos, ainda para mais os que demonstram elevados níveis de eficiência económica. Os beneficios da negociação colectiva (o combate à pobreza, a pacificação do mercado de trabalho, a estabilidade no posto de trabalho) traz benefícios colaterais que compensam largamente a eficiência económica que traria o abaixamento do preço do factor trabalho. Por exemplo, a elevação dos salários e a estabilidade de emprego que a negociação colectiva proporcionam permite aos sujeitos orientar o seu consumo para além do imediato e poupar quantias significativas que servirão para financiar actividades económicas por via do crédito.

Portanto tudo tem que ser temperado sobretudo com uma boa dose de bom senso. Como dizia Posner "não há nada mais perigoso do que um jurista que nao sabe economia"; mas o inverso também não deixa de ser verdade!

Só uma nota: nem todos os economistas criticam a negociação colectiva, apenas aqueles que acreditam, embora nunca o tenham visto, na existência de um salário de equilíbrio. Essa teoria económica é uma forma de superstição, logo matéria de fé.
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Dr. Pangloss, ascensão e queda

Cinco professores de Economia assinam hoje no Público o artigo "A ciência económica vai nua?", de que copiei os seguintes extractos:
"A teoria económica dominante é profundamente insensível à realidade. Constitui, em geral, uma abstracção desatenta e trata os acontecimentos difíceis como um problema que não é dela."
"Os livros-texto que hoje dominam falam de racionalidade e de equilíbrio, abstracções insensatas que a prova empírica contesta com violência. Teorias deficientes têm, pois, ocupado o lugar das mais prudentes, das mais capazes de perceber que o económico não é uma esfera autonomizável do institucional, do político, do social, do psicológico. No passado, era mais fácil encontrar manuais mais pluralistas e sensíveis às estruturas institucionais da realidade, mais baseados em lições retiradas de padrões históricos e não somente em deduções lógico-matemáticas. O ensino dominante não tem municiado os estudantes para conhecerem o mundo real e para o interpretarem (...)."

Não sei se vocês estão a ver...

Nouriel Roubini no Financial Times de hoje:
"Traditionally, central banks are the lenders of last resort but they are becoming the lenders of first and only resort, as banks are not lending. Central banks are becoming the only lenders in the land. With consumption by households and capital spending by corporations collapsing, governments will soon become the spenders of first and only resort as fiscal deficits surge."

Esta história da salvação do BPP é mesmo tão má quanto parece

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Se se confirmar que a operação orquestrada pelo Banco de Portugal carece de efectivo suporte legal, o governo ainda estará a tempo de se des-solidarizar dela.

Seria muito grave que entrássemos em 2009 - ano em que decerto necessitaremos de uma intervenção decidida, persistente e consistente dos poderes públicos na esfera económica - com um executivo estupidamente fragilizado por uma iniciativa tão injustificável quanto injusta.
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A última esperança

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Quem acredita que a China poderá salvar a economia mundial impulsionando o seu consumo interno deverá meditar um pouco no seguinte.

As exportações representam cerca de 40% do produto chinês, aproximadamente tanto como o consumo.

Logo, os salários chineses teriam que crescer brutalmente de um dia para o outro para assegurar o desejado crescimento do consumo. É claro que isso arruinaria a competitividade externa dos produtos chineses.

Por outro lado, nada garante que os chineses desejem consumir sobretudo os produtos que exportam, ou seja t-shirts, brinquedos e computadores. O que os chineses mais quererão nesta fase de desenvolvimento será provavelmente alimentos e automóveis.

Tirem daí o sentido: a China não está em condições de evitar a depressão mundial.
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2.12.08

Gil Evans Big Band: Vodoo Chile

A falência do BPP poderia prejudicar a nossa imagem

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Eri Yamamoto: Bumpy Trail

Boas ideias

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Diz João Ferreira do Amaral numa entrevista hoje publicada no Jornal de Negócios:
"Acho (...) que há um conjunto de investimentos que sistematicamente têm sido atrasados por falta de dinheiro e que podem agora ter bons efeitos. É o caso da reabilitação urbana, que é relativamente rápida de implementar, tem consequências para a competitividade das cidades e logo do País, e tem um contributo grande de empresas nacionais. Isto além de melhorar visivelmente a qualidade de vida das pessoas. Um outro exemplo é a protecção da orla costeira que também tem muita componente nacional e ajuda ao turismo. É preciso uma acção com um bocadinho mais de imaginação e avançar rapidamente com este tipo de investimentos."
Por outro lado, opinou Campos e Cunha no Público de 6ª feira:
"Que tipo de despesa devemos realizar que obedeça àqueles princípios [rapidez nos efeitos, garantia de impactos directos na economia nacional e sustentabilidade]? Pequenos projectos mas em grande número. (...) Requalificação urbana das grandes cidades (...) e das aldeias. (...) Exploração e pesquisa de zonas arqueológicas cuja existência é conhecida, mas sobre as quais nada se sabe. (...) Aumentar o orçamento da Cultura."

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1.12.08

Eri Yamamoto & Bruce Barth: We'll Figure Out Blues