31.10.10

A Casa do Gaiato

Recordando o que o Pedro Adão e Silva escreveu no Expresso da semana passada:

"(...) numa juventude partidária, quando a tática empurra as lideranças para um beco sem saída, há formas conhecidas para superar o problema: um discurso inflamado, que vira uma comissão política e serve para afirmar o carisma do líder; uma aliança improvável com um inimigo figadal da véspera ou uma alteração estatutária feita ad hoc. Ou seja, um conjunto de saídas que não estão disponíveis para alguém que procura ser primeiro-ministro. Ainda assim, esta semana, uma das saídas ensaiadas por Passos Coelho passou por uma emenda constitucional que permitiria realizar eleições em janeiro. Numa juventude partidária, a proposta seria levada a sério; no mundo dos adultos, quem faz tal proposta não pode ser levado a sério. O líder do PSD tem agido como se ainda fosse líder da JSD e hoje corre o risco de não ser levado a sério."

29.10.10

Educação e desenvolvimento, pelo impagável Hans Rosling

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25.10.10

Piaf: Je Ne Regrette Rien

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24.10.10

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Rachel Whiteread: Casa, 1993.
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22.10.10

20.10.10

Penso eu de que as televisões teriam mais êxito se transmitissem a coisa propriamente dita

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A reforma final

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No meu artigo desta semana no Jornal de Negócios proponho uma forma discreta e quase indolor de acabar com a democracia sem fazer muitas ondas e beneficiando do alto patrocínio da Comissão Europeia, do BCE e do Ecofin.
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"BE defende reactivação e ligação à rede do TGV da linha do Tua" Como é que eu não me tinha lembrado disto antes?

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Foto encontrada aqui.
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17.10.10

A austeridade é o tributo que pagamos a Wall Street

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Convém lembrar que, em 2008, a Irlanda e a Espanha tinham as finanças públicas equilibradas e Portugal registou um défice de apenas 2,8%.

Nessa altura, a União Europeia pediu aos países membros que interviessem urgentemente em apoio das suas economias para evitar a repetição da Grande Depressão. Está muita gente esquecida de que o rápido agravamento das dívidas dos estados em 2009 teve origem na queda das receitas fiscais resultante da quebra da actividade económica e no aumento das despesas com o apoio aos desempregados.

Em resumo, a história é esta: a desregulação do sistema financeiro americano colocou o mundo à beira do abismo; com maior ou menor felicidade, os estados deitaram a mão aos bancos e esforçaram-se por estimular a procura, o que implicou uma transferência dos problemas do sector financeiro para o sector público; estamos agora na fase em que os governos apresentam a factura aos respectivos povos.

Talvez todo este processo fosse inevitável, mas ao menos não tentem fazer-nos esquecer-nos como e porquê chegámos até aqui. A austeridade não é um castigo por "termos vivido acima das nossas posses" (uma expressão totalmente destituída de sentido), é o tributo que pagamos pelos desvarios de Wall Street.
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15.10.10

Toda a cautela é pouca

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Major Paulo Pereira da GNR, no DN de hoje (link indisponível):
"Nas acções que fazemos junto dos idosos não nos cansamos de os alertar e de lhes dizer para terem sempre muito cuidado, pois os burlões são sempre indivíduos muito bem-falantes, muito bem-apresentados, com uma forma amigável de falar".
Dou comigo a congeminar que, para reforçarem a sua credibilidade junto dos idosos, os agentes da GNR vêm-se forçados a usar uma linguagem desconexa, a evitar tomar banho, a exibir um evidente desmazelo no vestuário e a comunicar com eles de forma agressiva, quiçá intimidatória.

Será?
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Não há-de ser preciso fazer-vos um desenho

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Baptista Bastos no Jornal de Negócios de hoje:
"A Direita e a Extrema-Direita avançam em toda a Europa. A Europa é uma massa inerte que só existe porque a Alemanha assim o permite. Basta atentar na teimosia abstrusa de Ângela Merkel, no pungente problema grego, para nos apercebermos do carácter unilateral e arbitrário de uma política que somente dá garantias e suporte aos mais fortes. O renascimento da xenofobia, do racismo e dos movimentos neonazis não acontece por acaso. A Esquerda abandonou as velhas bandeiras que a qualificavam, e esqueceu as causas que a iluminavam. Só agora, um pouco em Itália e em França, se discute e debate o torção a que a História foi submetida. Os novos problemas que emergiram, com o financiamento do capital, o movimento migratório, a fome como endemia, a exclusão (ideológica, cultural, identitária) a que assistimos, um pouco por todo o lado, assemelham-se aos anos que antecederam a queda da República de Weimar.

"Em Portugal, cujo provincianismo atingiu as fronteiras do batatolino, dois dirigentes partidários andam às turras, e os seus discursos levam-nos até ao desgosto da palavra. Neles nada existe de original, de arrojado, de desafiante e de motivador. Neste caso, as palavras não enchem ideias, porque os seus protagonistas não as têm, nem enchem barrigas porque as deles já estão a abarrotar."
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Se querem entender o Mundo, olhem para o futebol...

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Gideon Rachman, acerca das crises que afligem o Liverpool e o Man United:
"Along with Manchester United, Liverpool are probably the most successful and most internationally-supported club in the English Premier League. But they too have had the misfortune to be bought by Americans rather than Arabs. The would-be new owners, New England Sports Ventures, look better organised and better funded than the current lot. But NESV are also Americans. And the lesson of English football teams to date is that American ownership involves being loaded up with debt.

"It is all a bit of a symbol of the way things are going in the global economy. American owners are heavily-indebted and rely on financial engineering. It is the oil-rich Arabs and Russians who have the cash. Meanwhile Far Eastern buyers are beginning to sniff around English football."
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Concordo muito com o que o Ricardo Paes Mamede diz aqui

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14.10.10

Liberdade de imprensa e asfixia democrática

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Proença de Carvalho, no Jornal de Negócios de hoje:
"Sócrates pagou uma factura muito pesada por ter tido a ousadia de abrir a possibilidade de mais um canal", diz Proença de Carvalho, afirmando que "os canais que estão no mercado não ficaram nada satisfeitos com essa possibilidade e tudo fizeram para a impedir". (...) "Creio que alguma hostilidade em relação ao engº José Sócrates tenha sido exacerbada por essas estações terem entendido que seria uma grande ousadia haver mais concorrência no sector". Futuramente, "há decisões que o chefe do Governo vai hesitar em tomar, sabendo do poder que os meios de comunicação social têm".
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12.10.10

Ideias mesmo parvas

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O novo Governo britânico pediu a Philip Green, milionário que fez a sua fortuna no retalho, sugestões para o Estado reduzir custos.

Dentre várias sugestões tolas ou impraticáveis, destaca-se a proposta de que, valendo-se do seu enorme poder negocial, o Estado passe a pagar mais tarde aos fornecedores.

É só uma pequena amostra do que aconteceria se, como tantos reclamam, o Estado fosse gerido como uma empresa.
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10.10.10

Ouvi hoje estes tipos no canal Mezzo e fiquei fascinado

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De maneira que a situação é a seguinte...

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Das duas uma:

a) Ou Passos Coelho altera a sua posição e viabiliza o OE 20110

b) Ou a maioria dos deputados do PSD, contra as instruções da direção, se abstém na votação do OE 2011

Em ambos os casos, Passos Coelho está acabado como líder e em breve o PSD estará de novo à procura de outro.

Às vezes parece que o PSD tem futuro, a maioria do tempo é evidente que não.
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Por que é tão fraco o debate económico nos media?

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Infelizmente, começo a acreditar que isto é verdade:
"Political journalists can’t or won’t understand anything more than a soundbite, so giving them a lengthy lecture about economics makes as much sense as reciting poetry to a pig. As someone once said, in politics, if you have to explain you’ve lost the debate."
PS: Em Portugal, isto também é verdade em relação à maioria dos jornalistas económicos.
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9.10.10

The Beatles: Money (That's What I Want)

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8.10.10

Cheias tóxicas - as coisas que eles inventam...

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7.10.10

Chapeau

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Como governar Portugal à distância, sem chatices, sem escutas, sem campanhas de carácter, sem motins dos professores, sem intromissões na vida privada, sem insultos na rua dos reformados do PCP, sem perseguições de repórteres em matilha, sem campanhas de procuradores, sem enxovalhos do Crespo e da Manela, sem risco de perder eleições, sem ter que ler o Sol, e ainda por cima auferindo um salário superlativo que ninguém questiona.

Foi isso que o Barroso efectivamente conseguiu.
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6.10.10

Nobel da Economia, aceitam-se apostas

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O meu voto iria para Shiller ou Tirole. Thaler também seria uma boa escolha, mas a linha de investigação que ele representa (economia comportamental) já foi recentemente galardoada na pessoa de Kahneman. Barro é um génio absoluto, mas os tempos não lhe correm de feição. Se o prémio fosse atribuído a Fama, teríamos assegurada uma polémica de proporções iglantónicas.
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4.10.10

Brahms: Concerto para Violino

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Perguntaram-me hoje quem era o Guy Lombardo

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1.10.10

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Richie Havens: Here Comes the Sun

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