20.5.11

Alguém tem que trabalhar

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18.5.11

Este gajo é que gostaria de estar hoje em Dublin

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A insensata superstição das reformas estruturais

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No Jornal de Negócios de hoje desmonto o mito das reformas estruturais:
"Em Portugal fazem-se reformas estruturais a mais, não a menos. A Constituição está sempre em obras, e não há maneira de lhes vermos o fim. Mal acaba uma revisão constitucional, anuncia-se logo a próxima. Daí para baixo, é todo o edifício jurídico que vive em contínua convulsão, com os resultados conhecidos. Deitar abaixo e fazer de novo pode ser um modo de vida interessante, mas não é certamente o mais eficaz. Os países não mudam assim.

"Diz-se que nas ciências sociais é impossível realizar experiências programadas, mas os portugueses poderão, em breve, desmentir tal alegação, oferecendo-se como cobaias para testar uma avalanche de reformas estruturais cujo estudo fará as delícias da comunidade científica nas décadas vindouras. Se correr mal, paciência."
Ler o resto aqui.
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"A nova droga chamada taxa social única"

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Concordo com cada palavra que Helena Garrido escreve no seu editorial de hoje do Jornal de Negócios:
"Portugal tem de alterar o perfil das suas exportações para um nível de maior valor acrescentado e mais elevada incorporação tecnológica. Uma descida da TSU, admitindo que teria algum efeito, incentiva a manutenção da actual estrutura, alimentando os negócios que têm nos baixos salários ou nos preços baixos a sua vantagem competitiva. A descida da TSU vai transmitir um sinal errado a toda a economia."

(...)

"Não servindo esta medida para dar os sinais certos à economia, qual pode, então, ser a sua utilidade? Um dos argumentos é o da recuperação da competitividade perdida por via de um aumento excessivo dos salários. Esta é uma justificação que tem como pressuposto que o problema das exportações está no preço do bem. Se for esse o caso - o que alguns economistas dizem que não é -, estamos perdidos. Não há corte na TSU que nos valha para competir pelo preço com os países emergentes, como a China. Mais uma vez, estaremos a cometer um erro."

(...)

"O efeito mais provável de uma descida da TSU é os preços não descerem, a exportação não aumentar e o emprego não subir, incentivando-se ao mesmo tempo a aposta das empresas em produtos de baixo valor acrescentado baseados em mão-de-obra barata. Paralelamente, e para alimentar essa descida da TSU, todos estaríamos a pagar mais impostos indirectos e a piorar ainda mais a situação das famílias afectadas pelo desemprego ou com rendimentos mais baixos. Some-se ainda a este impacto os potenciais problemas que se poderiam arranjar no financiamento da Segurança Social.

"Os riscos que se correm com uma descida da TSU são demasiado elevados. Se o problema são salários demasiado altos, quem está no sector privado sabe que os trabalhadores aceitam cortes. Já aconteceu."
Fico cheio de inveja por não ter sido eu a assinar isto.
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15.5.11

Rigor mortis

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Com a maníaca precisão que caracteriza o jornalismo autêntico, o Público de sábado esclarece o sentido da mais recente sondagem que encomendou: a "vantagem de quase 3% [do PS] (...) é ainda inferior à margem de erro da sondagem, situada nos 3,05%."

Sim, não façam confusões: 0,05 pp separam ainda o empate técnico do KO técnico.

Ora temos boas notícias para o Público: uma sondagem a que 48% das pessoas se recusaram a responder tem certamente uma margem de erro muito superior a 3,05%.

De modo que, mesmo que a vantagem do PS cresça até aos 10 pp, podem continuar a afirmar sem sorrir até ao dia da votação que não foi desfeito o empate técnico.
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5.5.11

Perguntas sobre o ouro do Banco de Portugal

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O ouro entesourado no Banco de Portugal deve nesta altura valer uns 12 mil milhões de euros. Per capita, Portugal detém as 3as mais elevadas reservas de ouro do planeta.

Pergunta-se, então: porque não vendemos parte dessas reservas para saldar a nossa dívida externa? A ideia pode estar certa ou errada, mas impressiona o facto de a questão não ser sequer colocada na praça pública.

O primeiro argumento contra a venda é que, por muito que o seu valor nos impressione, trata-se apenas de uma fração da dívida externa portuguesa. Ainda assim, faz sentido perguntar-se porque haveremos de pedir à União Europeia e ao FMI 72 mil milhões em vez de 60. É dinheiro que poderia evitar, por exemplo, certos cortes que afectarão os desempregados de longa duração que são, precisamente, as maiores vítimas da crise.

O segundo argumento diz que a venda do ouro seria um mero paliativo que apenas adiaria as tarefas de saneamento financeiro que temos pela frente. É um ponto interessante para os adeptos das virtudes curativas do óleo de fígado de bacalhau, mas não passa disso.

O terceiro argumento sustenta que devemos guardar o ouro para uma altura em que ele seja mais necessário. Mas poderá conceber-se situação de maior emergência nacional?

Passemos então às verdadeiras razões.

Primeira: o Banco de Portugal assinou acordos internacionais que o impedem de vender o seu ouro quando entenda mais conveniente.

Segunda: sendo o Banco de Portugal independente, o Estado português não pode ordenar-lhe que venda o ouro.

Terceira: mesmo que venda o ouro, o Banco de Portugal não é obrigado a transferir a receita da transacção para os cofres do Tesouro.

De modo que deveríamos antes perguntar como e por quê assume o Banco de Portugal acordos internacionais que obrigam o país a manter um valor de tal monta entesourado em barras de ouro, uma relíquia bárbara de superstições que nada justifica no mundo de hoje.

O ouro pode estar à guarda do Banco de Portugal, mas a sua origem é o trabalho dos portugueses.

Que conseguiu o Banco para nós como contrapartida dos acordos que assinou? O Banco de Portugal é independente do governo ou do país?
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Alguém tem que trabalhar...

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O grande quinteto de Miles Davids com Tony Williams, o Lionel Messi do jazz moderno

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PSD vai fazer declaração pública de apoio ao acordo

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4.5.11

Leonardo Leo: Salve Regina (1)

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1.5.11