9.10.08
8.10.08
6.10.08
4.10.08
2.10.08
Cada coisa a seu tempo
Escreve Francisco José Viegas: "Não é preciso perceber de economia para saber que são os contribuintes que vão pagar a despesa; por isso, a falência desses bancos não me parece mal."
Também não creio ser preciso saber muito de economia para entender que, sendo "esses bancos" tantos e tão grandes, o resultado da sua falência implicaria que o Estado gastasse muito mais dinheiro do que aquele que hoje está em causa para indemizar os depositantes e que, no que toca às aplicações não cobertas por garantias, os prejuízos suportados pelos "contribuintes" (americanos e doutros países) seriam colossais.
Por favor, compreendam isto: é indiscutível que as intervenções em curso nos EUA e na Europa são tremendamente injustas e que, em certa medida, introduzem perversas distorções ao correcto funcionamento dos mercados. Não conheço ninguém capaz de negá-lo. Sucede, porém, que a alternativa seria bem pior para todos nós.
Claro que se pode e deve acautelar o interesse público - e eu acredito que a nacionalização total ou parcial é a melhor maneira de o conseguir - mas qualquer pessoa de bom senso aceitará que se trata antes de mais de evitar o afundamento do barco em que todos nos encontramos. Trataremos da justiça depois, e acreditem que vai haver muitas oportunidades para isso.
Também não creio ser preciso saber muito de economia para entender que, sendo "esses bancos" tantos e tão grandes, o resultado da sua falência implicaria que o Estado gastasse muito mais dinheiro do que aquele que hoje está em causa para indemizar os depositantes e que, no que toca às aplicações não cobertas por garantias, os prejuízos suportados pelos "contribuintes" (americanos e doutros países) seriam colossais.
Por favor, compreendam isto: é indiscutível que as intervenções em curso nos EUA e na Europa são tremendamente injustas e que, em certa medida, introduzem perversas distorções ao correcto funcionamento dos mercados. Não conheço ninguém capaz de negá-lo. Sucede, porém, que a alternativa seria bem pior para todos nós.
Claro que se pode e deve acautelar o interesse público - e eu acredito que a nacionalização total ou parcial é a melhor maneira de o conseguir - mas qualquer pessoa de bom senso aceitará que se trata antes de mais de evitar o afundamento do barco em que todos nos encontramos. Trataremos da justiça depois, e acreditem que vai haver muitas oportunidades para isso.
"Invistam o meu dinheiro de contribuinte em investimentos que nos garantam um futuro sustentável"
Comentário ao meu post "A sombra de um economista" assinado pelo leitor Amílcar Gomes da Silva:
Sobre Campos e Cunha subscrevo totalmente a sua opinião. Como professor, deve ser como aqueles alunos de 20 valores, que postos perante a realidade da vida, não são capazes de decidir. Fazem estudos.
Um exemplo da vida. Sou administrador de uma pequena empresa, da fileira dos materiais de construção,onde o mercado do sector se caracteriza por uma oferta que é, ainda, o dobro da procura. Os preços de venda cairam rapidamente mais de 40%. Mercado bem desregulado e cuja perspectiva de crescimento é mínima.
Desde o início da crise neste sector em 2002 até 2006 tivemos sempre prejuízo. A energia (de origem fóssil) valia 40% do produto final. Cada ano pior. As vendas e os preços a cairem e os custos a aumentar. Em risco 24 postos de trabalho e o património de uma família.
Perante esta situação que fazer? Se o administrador fosse Campos e Cunha, coerentemente zero investimento e talvez rezar.
O que foi feito foi investir numa alternativa energética que reduzisse drasticamente os custos. Investiu-se em equipamentos para uma alternativa energética não fóssil e muito mais económica. Interessava sair da dependência do petróleo, mas o custo era imenso para o volume de negócios da empresa.
Mas, avançou-se e em 2007 já tivemos lucro. Com o terrível aumento do preço de petróleo se não tivessemos investido em 2006, hoje estávamos falidos e com 24 pessoas no desemprego. O investimento está quase pago e existe futuro para a empresa, pois não foi a uma alteração conjuntural a que se deu o resultado. É sustentável.
Ao contrário do Tarzan e do GL,afirmo que invistam o meu dinheiro de contribuinte em investimentos que nos garantam um futuro sustentável. Não o distribuam aos ditos pobres, porque eles não deixarão de ser pobres e muitos mais passarão a sê-lo, se não houver desenvolvimento e criação de emprego.
1.10.08
A festa
Rui Ramos repete hoje no Público ao seu argumento (ver síntese aqui) de que não temos nada que nos queixar das presentes agruras financeiras, porque, enquanto durou a festa, todos ganhámos com isso.
Ora eu não sei de que festa fala Rui Ramos, porque, comparando os últimos 30 anos com os 30 anos que os precederam:
1. O PIB per capita cresceu menos nos países da OCDE
2. O desemprego aumentou permanentemente para níveis mais elevados
3. As desigualdades económicas e sociais atingiram níveis inauditos desde o período anterior à 2ª guerra mundial
Logo, se houve festa, a maioria de nós não foi decerto convidada.
Ora eu não sei de que festa fala Rui Ramos, porque, comparando os últimos 30 anos com os 30 anos que os precederam:
1. O PIB per capita cresceu menos nos países da OCDE
2. O desemprego aumentou permanentemente para níveis mais elevados
3. As desigualdades económicas e sociais atingiram níveis inauditos desde o período anterior à 2ª guerra mundial
Logo, se houve festa, a maioria de nós não foi decerto convidada.
A sombra de um economista
Fiquei incrédulo ao ouvir Campos e Cunha proclamar ontem na SIC-Notícias que a presente situação financeira mundial e o consequente aumento dos jutos obriga a repensar os investimentos públicos programados, designadamente o novo aeroporto de Lisboa e o TGV.
É exactamente o contrário: o crescente diferencial entre as taxas de juro a que o Estado hoje consegue financiar-se em comparação com as exigidas às empresas recomendaria que projectos que estava previsto serem entregues à iniciativa privada sejam antes assumidos pelo sector público, pela simples razão de que, assim, ficarão muito mais baratos.
É claro, porém, que a opinião de Campos e Cunha não resulta dos novos condicionalismos financeiros que invoca em favor do seu argumento. Ele sempre foi contra o investimento público e, em particular, contra os projectos em causa, razão que, aliás, alegou para sair do governo na primeira curva da estrada. E isso porque Campos e Cunha é um dos daqueles financeiros de visão estreita incapazes de pensar uma estratégia de desenvolvimento para Portugal.
Talvez ele tenha ouvido dizer que o turismo é a primeira actividade económica do país, e é possível que alguém lhe tenha feito notar que o turismo algarvio só arrancou depois de construído o aeroporto de Faro. Somando e um e um, acredito ser viável fazê-lo entender que Lisboa - presentemente a nossa principal região turística - não pode desenvolver-se com um aeroporto que, nos rankings internacionais de satisfação dos passageiros, compete directamente com o de Bombaim.
Campos e Cunha (como Ferreira Leite, aliás, de quem parece ser ministro sombra) não se rala com minudências dessas. Não há dinheiro, e pronto: o resto, ou seja, o desenvolvimento da economia portuguesa já não é da conta dele. Esta atitude é aceitável num mero professor de Economia, mas não num ex-Ministro das Finanças com pretensões a líder de opinião.
Um ministro sombra ou a sombra de um economista? Decidam vocês.
É exactamente o contrário: o crescente diferencial entre as taxas de juro a que o Estado hoje consegue financiar-se em comparação com as exigidas às empresas recomendaria que projectos que estava previsto serem entregues à iniciativa privada sejam antes assumidos pelo sector público, pela simples razão de que, assim, ficarão muito mais baratos.
É claro, porém, que a opinião de Campos e Cunha não resulta dos novos condicionalismos financeiros que invoca em favor do seu argumento. Ele sempre foi contra o investimento público e, em particular, contra os projectos em causa, razão que, aliás, alegou para sair do governo na primeira curva da estrada. E isso porque Campos e Cunha é um dos daqueles financeiros de visão estreita incapazes de pensar uma estratégia de desenvolvimento para Portugal.
Talvez ele tenha ouvido dizer que o turismo é a primeira actividade económica do país, e é possível que alguém lhe tenha feito notar que o turismo algarvio só arrancou depois de construído o aeroporto de Faro. Somando e um e um, acredito ser viável fazê-lo entender que Lisboa - presentemente a nossa principal região turística - não pode desenvolver-se com um aeroporto que, nos rankings internacionais de satisfação dos passageiros, compete directamente com o de Bombaim.
Campos e Cunha (como Ferreira Leite, aliás, de quem parece ser ministro sombra) não se rala com minudências dessas. Não há dinheiro, e pronto: o resto, ou seja, o desenvolvimento da economia portuguesa já não é da conta dele. Esta atitude é aceitável num mero professor de Economia, mas não num ex-Ministro das Finanças com pretensões a líder de opinião.
Um ministro sombra ou a sombra de um economista? Decidam vocês.
Parabéns à CGTP
A jornada de luta da CGTP contra o Código de Trabalho mobilizou exclusivamente sectores laborais que não são afectados pelo Código de Trabalho.
Já não se percebe bem se a CGTP é afecta ao PSD ou ao PCP. Se o ridículo matasse...
Já não se percebe bem se a CGTP é afecta ao PSD ou ao PCP. Se o ridículo matasse...
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