À primeira vista, não há dois escritores mais diferentes entre si do que Borges e Proust.
Porque concebi então eu esta estranha obsessão por ambos?
Tem que haver por força algo de comum entre eles -- e compreender o que poderá ser é fundamental para me entender a mim próprio.
Elaborei esta lista provisória de traços que aproximam o argentino do francês:
1. Tanto um como o outro só numa idade já relativamente avançada conseguiram começar a escrever ficção.
2. Tanto um como o outro, para conseguirem escrever ficção, tiveram que imaginar que eram um personagem que escrevia ensaios.
3. Tanto um como o outros são escritores de ideias -- coisa tabú para os estetas.
4. Ambos viviam obcecados com labirintos.
5. Ambos viviam obcecados com os sonhos.
6. Ambos viviam obcecados pelos espelhos. (Esta é menos óbvia.)
7. Ambos acreditavam que o tempo é a matéria de que somos feitos.
8. Ambos viviam obcecados pela memória. (Lembram-se de Funès, o memorioso?)
9. Ambos tinham em fraca conta a literatura contemporânea.
10. Ambos apreciavam os romances de aventuras.
11. Ambos tinham um cultura filosófica muito superior ao normal entre os escritores.
12. O Alef de Proust foi a madeleine da tia Léonie.
Mais sugestões?
14.5.04
13.5.04
Eles não sabem o que fazem...
A economia não recupera porque, neste ambiente de total incerteza, os portugueses não se atrevem nem a consumir nem a investir. Esta situação, em que o dinheiro fica parado à espera de melhores dias, é aquilo a que Keynes chamou a «armadilha da liquidez».
Quando ninguém sabe o que vai ser o dia de amanhã, o medo toma conta do quotidiano e a sobrevivência passa a ser a única motivação.
As alterações introduzidas pelo ministro Bagão Félix ao subsídio de desemprego, ao provarem mais uma vez aos portugueses que não podem contar com o seu governo para nada porque ele é totalmente insensível às suas dificuldades, acentua o clima recessivo e contribui, portanto, para adiar ainda mais a ansiada retoma.
Para além de uma injustiça, esta iniciativa legislativa é, pois, uma completa tolice.
Bom senso -- ou mero sentido das realidades -- é coisa que não abunda neste governo.
Quando ninguém sabe o que vai ser o dia de amanhã, o medo toma conta do quotidiano e a sobrevivência passa a ser a única motivação.
As alterações introduzidas pelo ministro Bagão Félix ao subsídio de desemprego, ao provarem mais uma vez aos portugueses que não podem contar com o seu governo para nada porque ele é totalmente insensível às suas dificuldades, acentua o clima recessivo e contribui, portanto, para adiar ainda mais a ansiada retoma.
Para além de uma injustiça, esta iniciativa legislativa é, pois, uma completa tolice.
Bom senso -- ou mero sentido das realidades -- é coisa que não abunda neste governo.
12.5.04
Governo porque sim
Conversando por aí, com este e com aquele, constata-se que já toda a gente entendeu que o país não tem actualmente nenhum governo.
Há apenas um sujeito, vagamente familiar, que regularmente aparece na televisão a anunciar que a retoma está a chegar, esquecendo-se no entanto de nos informar a que horas deveremos ir esperá-la ao aeroporto.
Este é um governo por omissão, à espera como nós, e como nós sem saber o que espera.
Todos os principais indicadores económicos se deterioram, a começar pelo famoso déficite orçamental e pelo endividamento externo em percentagem do PIB, sem esquecer as exportações, o investimento nacional e estrangeiro, a situação do comércio a retalho e o desemprego (aliás perversamente enviezado em desfavor dos mais qualificados).
O problema nem é tanto o «discurso da tanga». É a realidade da tanga, por estes dias bem visível nas comédias em torno das privatizações da Portucel e a Galp, a que o país assiste impotente e atónito.
Temos, então, não só um governo que cai aos bocados, como um aparelho de Estado que se esfarela perante os nossos olhos. A fragilidade das instituições públicas e privadas é flagrante, e esse é talvez o traço mais preocupante da situação actual.
Perante isto, o PS sustenta que é hora de mostrar um cartão amarelo ao governo nas eleições europeias.
Amarelo? Mas porquê amarelo? Em nome da estabilidade governativa? Mas haverá ainda alguma esperança razoável de a actual maioria inverter o curso das coisas e traçar finalmente um rumo?
Não será absolutamente evidente que o poder se encontra nas mãos de uma clique de amadores ignorantes das noções mais elementares da política e da economia, de uma seita de aprendizes de feiticeiros que, à beira do abismo, continuam a repetir uma litania ideológica destituída de sentido? Que o santo e a senha desta coligação são o atrevimento e a ignorância?
Para quê continuar a poupar este governo? Para quê conceder-lhe por mais tempo o benefício da dúvida? Porque sim?
Há apenas um sujeito, vagamente familiar, que regularmente aparece na televisão a anunciar que a retoma está a chegar, esquecendo-se no entanto de nos informar a que horas deveremos ir esperá-la ao aeroporto.
Este é um governo por omissão, à espera como nós, e como nós sem saber o que espera.
Todos os principais indicadores económicos se deterioram, a começar pelo famoso déficite orçamental e pelo endividamento externo em percentagem do PIB, sem esquecer as exportações, o investimento nacional e estrangeiro, a situação do comércio a retalho e o desemprego (aliás perversamente enviezado em desfavor dos mais qualificados).
O problema nem é tanto o «discurso da tanga». É a realidade da tanga, por estes dias bem visível nas comédias em torno das privatizações da Portucel e a Galp, a que o país assiste impotente e atónito.
Temos, então, não só um governo que cai aos bocados, como um aparelho de Estado que se esfarela perante os nossos olhos. A fragilidade das instituições públicas e privadas é flagrante, e esse é talvez o traço mais preocupante da situação actual.
Perante isto, o PS sustenta que é hora de mostrar um cartão amarelo ao governo nas eleições europeias.
Amarelo? Mas porquê amarelo? Em nome da estabilidade governativa? Mas haverá ainda alguma esperança razoável de a actual maioria inverter o curso das coisas e traçar finalmente um rumo?
Não será absolutamente evidente que o poder se encontra nas mãos de uma clique de amadores ignorantes das noções mais elementares da política e da economia, de uma seita de aprendizes de feiticeiros que, à beira do abismo, continuam a repetir uma litania ideológica destituída de sentido? Que o santo e a senha desta coligação são o atrevimento e a ignorância?
Para quê continuar a poupar este governo? Para quê conceder-lhe por mais tempo o benefício da dúvida? Porque sim?
Langue de bois
Produtividade, inovação, investigação científica, competitividade, internacionalização, qualificação, valor acrescentado -- os discursos ministeriais que ouço por estes dias parecem-me permutações razoavelmente aleatórias destas palavras sem nenhum sentido real subjacente.
Dalí
Vi certa vez, creio que em Figueres, uma exposição que apresentava o trabalho de Dalí durante os seus anos de formação, abrangendo a adolescência e o princípio da idade adulta.
Era o retrato fascinante, expresso em centenas de ensaios diversos -- cadernos escolares, apontamentos breves, esboços, caricaturas, trebalhos gráficos, etc. -- de um génio fervilhante em construção.
O resultado final, porém , não me parece brilhante. Eis mais um caso de um tipo que vale muito mais do que a sua obra.
Era o retrato fascinante, expresso em centenas de ensaios diversos -- cadernos escolares, apontamentos breves, esboços, caricaturas, trebalhos gráficos, etc. -- de um génio fervilhante em construção.
O resultado final, porém , não me parece brilhante. Eis mais um caso de um tipo que vale muito mais do que a sua obra.
Fora da graça de Deus
O ministro Bagão Félix é, à partida, um personagem simpático, com aquele seu ar de boneco do Contra-Informação, aquele afecto romântico pelo Benfica e aquele traço anormal de ser conhecedor da área que é suposto tutelar.
Depois, o ministro Bagão Félix tem um olho de lince para detectar injustiças gritantes e arrancar daí para justificar leis que as pessoas mais ingénuas tenderiam a classificar como aberrações sociais.
Agora, este nosso governante descobriu que «certas pessoas recebem indemnizações de 100 mil contos e depois vão pedir o subsídio de desemprego!» Uma injustiça, uma pouca vergonha a que há que pôr cobro imediatamente! Não admira que o Estado esteja falido!
Todavia, pensando bem, o Emídio Rangel é a única pessoa de que eu me lembro que terá recebido 100 mil contos para sair da RTP, e não estou certo de que solicitasse o subsídio de desemprego.
O ministro Bagão, sempre com aquele ar muito Félix consigo próprio, pode achar que o seu pequeno truque de retórica de lançar cortinas de fumo para justificar medidas celeradas continua a funcionar.
Mas não se deveria esquecer de que incorre num grave pecado mortal, porque poupar dinheiro à custa dos desempregados, ainda para mais nas actuais circunstâncias, não é nem mais nem menos do que uma infâmia.
Depois, o ministro Bagão Félix tem um olho de lince para detectar injustiças gritantes e arrancar daí para justificar leis que as pessoas mais ingénuas tenderiam a classificar como aberrações sociais.
Agora, este nosso governante descobriu que «certas pessoas recebem indemnizações de 100 mil contos e depois vão pedir o subsídio de desemprego!» Uma injustiça, uma pouca vergonha a que há que pôr cobro imediatamente! Não admira que o Estado esteja falido!
Todavia, pensando bem, o Emídio Rangel é a única pessoa de que eu me lembro que terá recebido 100 mil contos para sair da RTP, e não estou certo de que solicitasse o subsídio de desemprego.
O ministro Bagão, sempre com aquele ar muito Félix consigo próprio, pode achar que o seu pequeno truque de retórica de lançar cortinas de fumo para justificar medidas celeradas continua a funcionar.
Mas não se deveria esquecer de que incorre num grave pecado mortal, porque poupar dinheiro à custa dos desempregados, ainda para mais nas actuais circunstâncias, não é nem mais nem menos do que uma infâmia.
10.5.04
Bacia hidrográfica
Ao princípio, a coisa afigura-se apenas uma metódica acumulação de fichas sobre pessoas e situações organizada por ordem cronológica.
Depois, a pouco e pouco, os factos pontuais vão-se articulando numa sucessão de eventos significantes. Pequenas nascentes dão origem a modestos cursos de água que vão engrossando com o afluxo de outros riachos até desaguarem em importantes afluentes que, finalmente, se lançam impetuosamente no grande rio.
Ao cabo das primeiras 800 páginas, os acontecimentos precipitam-se, a leitura acelera-se, torna-se imparável, quase febril, à medida que assistimos ao desenrolar do minucioso processo laboratorial que, através da correspondência, dos artigos de ocasião, dos cadernos de rascunho e dos ensaios romanescos mais ou menos falhados, conduz Proust inexoravelmente -- sabemo-lo hoje -- à atribulada redacção final de "Em busca do tempo perdido", numa luta contra-relógio contra a morte e o esquecimento.
Falo das magníficas 1.300 páginas do "Proust" de Jean-Yves Tadié, uma biografia singular para a qual Edmond White me chamou a atenção.
O mistério
O facto de as torturas praticadas por soldados norte-americanos sobre prisioneiros iraquianos terem sido fotografadas indicia uma certa presunção de impunidade -- ou não será assim?
Em geral, estas coisas são muito difíceis de provar, exactamente porque os carrascos têm muito cuidado para não deixarem vestígios. Em Auschwitz, por exemplo, não restaram testemunhos equivalentes a estes.
Ora, neste caso, não só não houve receio, como houve mesmo a preocupação de documentar o que se passou.
Como é que este mistério se explica, senão pelo eventual propósito de mostrar as imagens a outras possíveis vítimas no intuito de intimidá-las?
Esta relação descomplexada dos torcionários com a memória assumida dos seus próprios actos é o mais estranho em tudo isto.
E não pode deixar de levantar suspeitas em relação à cumplicidade dos mais altos níveis da administração militar amricana no Iraque.
Em geral, estas coisas são muito difíceis de provar, exactamente porque os carrascos têm muito cuidado para não deixarem vestígios. Em Auschwitz, por exemplo, não restaram testemunhos equivalentes a estes.
Ora, neste caso, não só não houve receio, como houve mesmo a preocupação de documentar o que se passou.
Como é que este mistério se explica, senão pelo eventual propósito de mostrar as imagens a outras possíveis vítimas no intuito de intimidá-las?
Esta relação descomplexada dos torcionários com a memória assumida dos seus próprios actos é o mais estranho em tudo isto.
E não pode deixar de levantar suspeitas em relação à cumplicidade dos mais altos níveis da administração militar amricana no Iraque.
6.5.04
Depor Import-Export
Todos os grandes países da Europa Ocidental -- Alemanha, Itália, França e Inglaterra -- foram já campeões do Mundo de futebol. Todos, excepto a Espanha.
O problema fundamental é de matéria-prima.
Nós temos dois jogadores -- Eusébio e Figo -- que cabem sem favor na lista dos melhores de todos os tempos. Os franceses, metem lá pelo menos Kopa, Platini e Zidane. Os ingleses, Stanley Matthews e Bobby Charlton. Os holandeses, Cruyff e van Basten. Os húngaros, Puskas. Até os alemães, que nascem com os pés tortos, contribuem com Beckenbauer. Os italianos, não vale a pena contar. Os brasileiros, esses, fornecem uma camioneta de artistas da bola.
Só os espanhóis não têm ninguém -- absolutamente ninguém -- para apresentar na galeria dos grandes futebolistas mundiais.
Vai daí, tratam de importá-los, a poder de muito dinheiro, e só assim conseguem formar equipas para competir nas provas da UEFA, orientadas por grandes treinadores com nomes exóticos como Cruyff, Cappelli, Robson ou Antic.
O Barcelona, em particular, é uma das maiores anedotas do mundo futebolístico. Todos os anos despende um orçamento superior ao de todas as equipas portuguesas de todos os escalões juntas, mas, apesar disso, o seu palmarés internacional está abaixo do do Benfica e ao nível do do FCPorto.
Quando, em meados dos anos 90, finalmente conseguiu formar uma equipa capaz de ganhar a Liga dos Campeões, tratou de desmontá-la na temporada seguinte para contratar outros jogadores «melhores». É natural que, num clube assim, os grandes jogadores como Figo e Ronaldo não pensem senão em pirarem-se de lá para fora.
O Real Madrid é outra coisa. Apesar disso, também vive da contratação de vedetas que ocultam a falta de jeito dos espanhóis para dar pontapés na bolsa. Com as verbas recebidas da autarquia madrilena resolveram comprar tudo o que luz com o objectivo de serem uma espécie de selecção mundial.
Nos últimos tempos, porém, viraram-se para o mercado das bailarinas, no fito de fazerem receitas com as comissões que recebem sobre os anúncios que o Beckham faz para a Vodafone e para os champôs. Os resultados estão à vista, e não vou agora entrar em detalhes.
Não tendo jeito para jogar, os espanhóis poderiam dedicar-se a assistir com competência. Ao fim e ao cabo, como dizia Borges, tem mais mérito um leitor capaz do que um escritor medíocre.
Mas não. Os ingleses aplaudem as suas equipas, mesmo que percam por cinco a zero, com a única condição de que manifestem espírito desportivo. Os adeptos espanhóis dos clubes ricos, pelo contrário, quando não ganham aos pichotes por cinco za ero, poem-se a abanar os lenços brancos.
Os incompetentes comentários da imprensa desportiva espanhola à eliminação do Depor demonstram que, como se não lhes bastasse não terem nem jogadores, nem treinadores, nem espectadores capazes, os nossos vizinhos também não têm jornalistas.
E não se pode importá-los?
5.5.04
Meditações dum passeante solitário
Passeando ao domingo pela Baixa pombalina, dou comigo a pensar como esta organização estritamente racional do espaço urbano, com as suas ruas rigorosamente perpendiculares e as fachadas tiradas a papel químico (ou copiadas a scanner) é tão alheia ao espírito do país.
Não admira, por isso, que ele reaja com tão estremado nojo a esta violência conceptual. A animosidade da nação contra o Terreiro do Paço assenta, quer-me a mim parecer, numa rejeição de ordem primordialmente estética e metafísica.
Não admira, por isso, que ele reaja com tão estremado nojo a esta violência conceptual. A animosidade da nação contra o Terreiro do Paço assenta, quer-me a mim parecer, numa rejeição de ordem primordialmente estética e metafísica.
4.5.04
Uma data
A América deve a Woodrow Wilson o voto feminino, mas também a proibição do álcool.
Quanto à Europa, beneficiou da sua decidida intervenção ao lado das potências aliadas na 1ª Guerra Mundial, mas teve, em contrapartida, que servir de cobaia ao primeiro ensaio americano de nation-building extra-fronteiras.
Um dos aspectos centrais da doutrina Wilson, consagrado no Tratado de Versalhes de 1919, era o direito das nações à auto-determinação, princípio que deveria servir de base ao desmantelamento dos impérios da Europa central e oriental e à criação dos novos estados.
Com a assinatura do tratado, 60 milhões de pessoas ganharam instantaneamente uma pátria, mas 24 milhões passaram não menos rapidamente a serem estrangeiros na terra onde residiam há gerações.
Este triunfo indolor e incondicional do nacionalismo, reforçado pela estranha aliança que estabeleceu com os marxistas de obediência leninista, abriu as portas a décadas de fanatismo e intolerância.
Ainda a tinta do tratado não estava seca e já haviam começado as limpezas étnicas, os internamentos das minorias em campos de concentração e as deportações em massa. Tudo práticas que Hitler mais tarde promoveria a um novo patamar de selvajaria.
Com o alargamento da UE concretizado no passado sábado, a Europa reunida volta num certo sentido à situação anterior a 1914, mas agora sem impérios, com a democracia liberal instalada em quase todo o continente e os velhos de problemas de fronteiras quase resolvidos.
Quase: porque, nos Balcãs, em Chipre e nos confins da Europa do Leste, os demónios do nacionalismo continuam à solta.
Quanto à Europa, beneficiou da sua decidida intervenção ao lado das potências aliadas na 1ª Guerra Mundial, mas teve, em contrapartida, que servir de cobaia ao primeiro ensaio americano de nation-building extra-fronteiras.
Um dos aspectos centrais da doutrina Wilson, consagrado no Tratado de Versalhes de 1919, era o direito das nações à auto-determinação, princípio que deveria servir de base ao desmantelamento dos impérios da Europa central e oriental e à criação dos novos estados.
Com a assinatura do tratado, 60 milhões de pessoas ganharam instantaneamente uma pátria, mas 24 milhões passaram não menos rapidamente a serem estrangeiros na terra onde residiam há gerações.
Este triunfo indolor e incondicional do nacionalismo, reforçado pela estranha aliança que estabeleceu com os marxistas de obediência leninista, abriu as portas a décadas de fanatismo e intolerância.
Ainda a tinta do tratado não estava seca e já haviam começado as limpezas étnicas, os internamentos das minorias em campos de concentração e as deportações em massa. Tudo práticas que Hitler mais tarde promoveria a um novo patamar de selvajaria.
Com o alargamento da UE concretizado no passado sábado, a Europa reunida volta num certo sentido à situação anterior a 1914, mas agora sem impérios, com a democracia liberal instalada em quase todo o continente e os velhos de problemas de fronteiras quase resolvidos.
Quase: porque, nos Balcãs, em Chipre e nos confins da Europa do Leste, os demónios do nacionalismo continuam à solta.
Dinamismo empresarial
Alguém tem dúvidas? A indústria de ponta nacional, aquela que faz mexer o país e que efectivamente cria postos de trabalho, é a alteração dos PDMs.
Fervor patriótico
Vou a uma loja encomendar um carimbo para a empresa e dizem-me que terei que esperar uma semana.
Estranho que seja preciso tanto tempo para produzir um simples carimbo, e o empregado brasileiro responde-me: «É que vai a fazer em Barcelona...»
Pois é, andamos nós preocupados com o controlo das nossas companhias de aviação, das nossas produtoras de electricidade e das nossas papeleiras e, afinal, até os carimbos já são feitos em Barcelona!
E agora pergunto eu: se os espanhóis nos invadirem, como é a que a nossa burocracia vai poder continuar a trabalhar?
Estranho que seja preciso tanto tempo para produzir um simples carimbo, e o empregado brasileiro responde-me: «É que vai a fazer em Barcelona...»
Pois é, andamos nós preocupados com o controlo das nossas companhias de aviação, das nossas produtoras de electricidade e das nossas papeleiras e, afinal, até os carimbos já são feitos em Barcelona!
E agora pergunto eu: se os espanhóis nos invadirem, como é a que a nossa burocracia vai poder continuar a trabalhar?
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