18.6.04

«Eh pá, essa é forte!»

O facto de as mulheres andarem todas entusiasmadas com o Euro 2004 só prova que o futebol de selecções não é futebol a sério.

17.6.04



Paul Klee: Jardim tunisino.

Má onda

Fazemos parte, com os holandeses, os checos e poucos mais, daquele reduzido número de povos com um sentido de identidade suficientemente forte para não precisarmos de andar permanentemente a exibir os símbolos de identidade nacional.

(Tal como nós, os holandeses não aprendem o hino nacional, cuja letra é aliás, como a nossa, sumamente disparatada. Aqui há uns dois anos, quando alguém decidiu que a selecção nacional holandesa deveria cantá-lo antes dos jogos, foi um sarilho...)

Este fenómeno do nacional-bandeirismo que recentemente assolou as nossas ruas e praças não é pois, um sinal de força, mas de fraqueza.

Há no ar uma onda de desespero, de orfandade -- uma espécie de solidão colectiva -- que não auguram nada de bom.

O que inteligência de jogo quer dizer

Quem gosta de futebol não pode, supostamente, gostar de futebol alemão. Diz-se que é mecânico, frio, atlético, sem alma, sem talento, sem emoção.

Não vou recordar que o futebol é um jogo colectivo muito simples cujo intuito consiste apenas em fazer passar uma bola entre três paus.

Vou antes chamar a atenção para o que se passou no Holanda - Alemanha de há dias. A Holanda entrou a todo o gás, a praticar um futebol bonito e solto, metendo várias bolas com perigo nas costas da defesa alemã. Ao fim de quinze minutos, porém, secou. Porquê? Porque os jogadores alemães, sem esperarem ordens do manda-chuva sentado no banco, intrepretaram o jogo do adversário e reposicionaram-se no terreno para contrariá-lo. Por outras palavras: tomaram a iniciativa de adaptar o esquema táctico às circunstâncias.

Jogo mecânico? Pelo contrário, inteligência de jogo individual e colectiva -- o contrário do que se passou com Portugal na primeira parte do jogo contra a Grécia e na segunda do jogo contra a Rússia.

Surpreendidos por inesperados esquemas tácticos dos adversários, os «criativos» futebolistas portuguesas não têm a autonomia mental capaz de produzir soluções, ficam psicologicamente tolhidos e limitam-se a esperar as decisões ou as substituições do treinador.

Até para jogar à bola é preciso ter cabeça.

Diálogo escutado

- Dantes, os patrões davam o litro...

- Agora, nem os empregados fazem nada!

- O que está a dar cabo disto tudo são os computadores!

- ...e os telemóveis...

- Qualquer dia inventam umas impressoras para fazer pão.

- Mete-se tinta e sai pão.

- Já torrado e com queijo e fiambre!

- Pois é...

Café e cigarros

Quer dizer...

O dispositivo de base -- histórias quotidianas quase banais à volta de uma mesa envolvendo dois ou mais sujeitos que bebem café e fumam cigarros -- parece promissor.

A imaginação, todavia, não abunda. Tirando o diálogo entre Iggy Pop e Tom Waits e, até certo ponto, o sketch das primas reais e o dos supostos primos, os restantes arrastam-se penosamente sem chama nem ideias.

Quer dizer...

Baixezas

Os telejornais de domingo anunciaram com grande fanfarra a prisão do filho de uma personalidade pública, acusado de pertencer a uma rede de tráfico de drogas.

Pelos vistos, só esse, dentre todos os detidos, tinha pai e mãe. Ora eu gostava de saber com que direito se enxovalha alguém publicamente pelo facto de um familiar seu poder eventualmente ter infringido a lei.

Que interesse público determina a relevância dessa informação? Nenhum, é claro, se não cairmos no equívoco de confundir o interesse público com os interesses de certos públicos.

Dir-se-á que o facto não deve ser escondido. E eu responderei que o que está em causa é não se entender porque deve ele ser exibido.

Naturalmente, tudo isto faz parte da guerra prolongada de alguns media (de cada vez mais media) contra os políticos, aos quais parecem querer disputar a legitimidade da representação popular.

Estava eu mergulhado neste pensamentos quando hoje, ao abrir o Público, dei de caras pela enésima vez com uma notícia sobre a já célebre acusação contra «o cunhado de Guterres». Mas a que propósito, pergunto eu, é que o nome de Guterres tem que ser invocado, se o dito cunhado tem um nome próprio que consta no seu bilhete de identidade?

Que estas coisas aconteçam no 24 Horas ou na TVI, ainda vá lá... Mas no Público?

16.6.04



Fernand Léger: Le grand déjeuner, 1921.

Sina

Nunca compreendi essa ideia de procurar o destino na palma da mão. O destino de um homem lê-se na planta do pé.

Bom conselho

«You can't wait for inspiration. You must go after it with a club»
(Jack London)

15.6.04

O mistério do espírito europeu finalmente esclarecido

A UEFA, cujo aniversário hoje se assinala, tem sido, ao longo dos seus cinquenta anos de existência, o principal esteio da unidade europeia.

Buscam os filósofos incansavelmente a fugidia essência do espírito europeu, quando a verdade está afinal à vista de todos: ser-se europeu é ser-se cidadão de um país cujos clubes de futebol competem na Liga dos Campeões ou na Taça UEFA (em tempos romanticamente apelidada de Taça das Cidades com Feira). É esse, não duvidem, o genuíno espaço de afectos e cumplicidades em que regular e ritualmente nos encontramos para festejar e competir, e também porque não? para odiar.

Segundo este critério de demarcação, o mais perfeito que eu conheço, a Turquia faz parte da Europa, tal como faz Israel.

Alguma dúvida?

14.6.04



Paul Klee: Som antigo.

Como governar com uma picareta

Vê-se que Durão Barroso tem feito um bocado de media training. Assim, as suas primeiras palavras de ontem, após a divulgação dos resultados eleitorais, foram invulgarmente sensatas: «Nós ouvimos a mensagem», disse ele, mais ou menos por estas palavras.

Logo a seguir, porém, reafirmou a intenção de prosseguir, intensificar e acelerar a obra começada. Quer isto dizer que, após uma derrota destas proporções, o segundo mandato é hoje encarado pela coligação como uma miragem sem sentido, pelo que é necessário aproveitar o escasso tempo que falta para completar o trabalho de destruição a que lançou mãos.

Se esse entendimento prevalecer -- e não é impossível que isso aconteça -- vamos ter então mais do mesmo, e vamos, principalmente, assistir a uma tentativa desesperada de manipulação dos media directa ou indirectamente controlados para apoiar o governo.

As forças vivas que apoiam a coligação vão entrar em parafuso. Vão insistir na perseguição aos adversários políticos por meio de inquéritos, sindicâncias e o mais que adiante se verá. Vão desencantar mais affaires Casa Pia.

Entretanto, o porta-voz do PS diz que a colugação tem toda a legitimidade para governar e que não pede o seu derrube porque respeita as regras do jogo.

Muita gente não sabe, aparentemente, o que quer dizer legitimidade. Se soubesse, entenderia que a legitimidade do governo se reduziu drasticamente com estes resultados eleitorais e que, para o bem e para o mal -- repito: para o bem e para o mal -- todas as forças sociais e políticas que se lhe opoem por boas e más razões ganharam alento para lhe fazerem frente.

É claro que um governo assim isolado e enfraquecido não tem condições para prosseguir nenhuma espécie de acção reformista. Mas o confronto entre uma oposição fortalecida e um governo desnorteado auguram um período de grande agitação em todos os planos.

Quanto às «regras do jogo»... Vieira da Silva parece desconhecer que o derrube de um governo antes do final da legislatura pode ser considerado prejudicial para o país, mas está certamente previsto nas regras do jogo.

Um governo pode caír por falta de apoio parlamentar, em resultado, por exemplo, da ruptura da coligação. Ou pode ruir por impossibilidade de resistir aos ataques conjugados dos seus adversários, como sucedeu com o último executivo de António Guterres. Ou pode ser deposto pelo Presidente da República se a situação se lhe afigurar insustentável.

Tudo isso pode vir a acontecer nos próximos dois anos. Pela minha parte, parece-me muito pouco provável, nas circunstâncias actuais, que o governo PSD/PP resista até ao fim da legislatura.

E engana-se quem pensa que Durão Barroso pode vir a ser salvo in extremis por uma inversão da conjuntura económica. O que o dilúvio eleitoral de ontem revelou (a direita coligada teve pouco mais de um terço dos votos!) é que o país em geral, e os apoiantes do PSD em particular, perderam definitivamente a confiança nele.

Nestas circunstâncias, a recusa de afastar-se não demonstra coragem, mas mera falta de senso político. É muito ténue a linha que separa a persistência louvável da obstinação neurótica.

Em vez de se contentar com discursos de circunstância, o PS deveria começar imediatamente a preparar a alternativa. Porque e verdade é que, se por acaso a responsabilidade governativa lhe caísse amanhã ao colo, não saberia o que fazer com ela...

A mim não desiludem eles

«Eh, pá! Aquele Karagounis afinal joga no Inter!» «Já reparaste no grego que o Porto está a tentar contratar? Grande jogador...»

Estes e outros comentários similares mostram-nos que a empáfia e a ignorância nunca nos abandonam, nem mesmo no futebol. Os portugueses sabem que temos uns quantos futebolistas nalguns dos melhores clubes europeus, mas, sempre distraídos com o que se passa «lá fora», cuidam que os outros não têm.

Seguros de que dispomos dos melhores jogadores do mundo, esquecemo-nos de que muito poucos países europeus têm um palmarés de qualificação para os campeonatos da Europa e do Mundo tão mau como o nosso.

Ao ler e ouvir os nossos comentaristas desportivos, dir-se-ía que somos habitués da alta roda do futebol de selecções, ao contrário de coxos como os búlgaros, os romenos, os noruegueses, os dinamarqueses, os suecos, os noruegueses, os polacos, os checos ou até os russos. Ora a verdade é exactamente o contrário: somos nós que raramente nos qualificamos e eles que andam sempre por lá.

Pela amostra ninguém diria que, como agora se tornou moda afirmar, padecemos de baixa auto-estima.

Eu suporto bem as derrotas do meu clube, mas não as vitórias da nossa selecção, porque, embora raras, ainda mais raramente se devem ao mérito.

O método que preside à orientação da selecção nacional é o do «milagre de Fátima», o que, para além de não funcionar, ofende desnecessariamente os sentimentos dos católicos autênticos.

Começa tudo pela escolha do seleccionador. A opção recai usualmente sobre alguém sem as mínimas qualificações para o cargo.

Podem ser o Carlos Queirós ou o Humberto Coelho, por exemplo, que até ao momento dessa escolha nunca haviam orientado nenhuma equipa sénior de primeiro plano. (Mas com um bocadinho de sorte... quem sabe... vejam o brilharete do Humberto Coelho...) Ou pode ser o Scolari, cujo nome impressiona o público ignaro, embora o seu perfil não corresponda de modo algum ao que seria mais indicado.

Em seguida passa-se à escolha dos jogadores. Aqui há três critérios essenciais. Em primeiro lugar, chamam-se as vacas sagradas, e já está meia equipa feita: Baía, Couto, João Pinto, Rui Costa e Figo. Depois juntam-se alguns números de circo, que podem ser, por exemplo, o Quaresma ou o Cristiano Ronaldo. Finalmente, compõe-se uma linha que, para além de não irritar nenhum dos grandes clubes, satisfaça os agentes dos jogadores e as marcas patrocinadoras.

Mas é preciso pôr esta selecção de conveniência a jogar e, aí, as coisas começam a complicar-se, porque esta não é uma selecção para jogar -- é uma selecção para mostrar. Um bibelot, diria eu.

Este tipo não pode jogar, porque corre o risco de lesionar-se e o seu clube vai aborrecer-se com o seleccionador; aquele também não, porque pode fazer sombra a alguma das vacas sagradas. Chega-se assim a uma selecção de GRANDES NOMES acolitados por futebolistas de segundo plano que jogam no estrangeiro. A razão da chamada de sujeitos como o Boa-Morte é apenas que, como os seus clubes não estão filiados na Federação Portuguesa de Futebol, os seus protestos pela inoportunidade da convocatória não podem incomodar o Presidente.

As vacas sagradas não cedem o seu lugar na selecção, porque esse protagonismo impulsiona as suas carreiras, mas, super-desgastados por calendários exigentes nos clubes onde jogam e que lhes pagam, não só hesitam em pôr o pé quando correm o risco de lesionar-se como se comportam como donos da equipa que são supostos servir. (Em abono da verdade, devo dizer que o Figo é normalmente uma excepção a esta regra.)

Por isso mesmo, a selecção joga sempre mal nos jogos de qualificação. Mas há sempre a esperança de que faça um «brilharete» se por acaso conseguir chegar à fase final. Todavia, ao contrário do que os comentaristas apregoam, há mais justiça no futebol do que na vida que está para além dele.

Desta vez, os rapazes foram dispensados de se qualificarem pelo facto de sermos o país organizador. É claro que eles e o seleccionador entenderam isso como uma licença para não se ralarem desnecessariamente durante quase dois anos, gastos a fazer «experiências» irrelevantes sob o olhar condescendente dos comentaristas que se interessam mais por discutir os árbitros, o sistema, as transferências nunca concretizadas do Benfica ou as namoradas dos jogadores.

O problema, pelo menos para mim, não é que percam -- porque, enfim, no desporto isso é a coisa mais natural do mundo. O problema não é sequer que joguem mal -- porque já me habituei a considerar isso natural. O problema é que nada -- absolutamente nada -- é feito para que joguem bem, e, apesar disso, se alimente a doce ilusão de que, chegado o momento, os portuguesinhos valentes se encherão de brios e, entusiasticamente apoiados pela nação em pé de guerra, ganharão a taça para todos nós.

A derrota frente à Grécia foi a coisa mais normal do mundo, porque perder e jogar mal é a única coisa que a selecção tem feito de há dois anos a esta parte. Estranho e injusto seria que meia dúzia de rapazes talentosos mas atarantados, orientados por um treinador que continua a fazer experiências em pleno torneio, vencessem uma equipa (mediana mas, ainda assim, uma equipa) como a grega. Estranho e injusto, já agora, será que Portugal vença os russos e os espanhóis e passe à fase seguinte.

Obviamente, a revolução racionalista ainda não passou por aqui, de sorte que ninguém, nem os dirigentes, nem os técnicos, nem os jogadores, nem, acima de tudo, o público espectador entende que as mesmas causas tendem a produzir os mesmos efeitos.

A religião popular futebolística dominante tem como artigo de fé central a crença de que é tudo uma questão de adoptarmos comportamentos de sucesso. Basta que todos, do primeiro-ministro à Galp, passando pelos milhões de bandeirantes em que nos tornámos, insistam numa atitude psicológica positiva, queiram mesmo com muita força, apoiem sem restrições a selecção e o milagre acontecerá -- mais, será inevitável.

Esta gente está disponível para acreditar em tudo, menos no trabalho metódico, na disciplina e na organização. E disparam: «Se o Porto é campeão europeu, porque é que a selecção não pode sê-lo também?»

Pois, precisamente...

O império da tonteria

Alguém que todos semanalmente aturamos insurgiu-se há dias contra o facto de alguns media declararem Reagan uma personagem «controversa».

Decididamente, não se pode fazer concessões à direita: o adjectivo «controverso» é um eufemismo, dado que seria mais exacto chamar-lhe «simplório». (Pensando bem, este é outro eufemismo.)

Reagan surgiu no aftermath de uma época singularmente complexa, que reduziu a pó os velhos preconceitos e instaurou um ambiente de extraordinária inovação social. Nos espíritos mais frágeis instalou-se então uma perplexidade generalizada, até porque algumas das novas ideias levantavam legítimas desconfianças quanto à sua viabilidade prática.

O mundo em geral, e a América em particular, ansiavam por um Grande Simplificador, um ingénuo essencial repleto de certezas que lhe restituisse a tranquilidade de espírito. Quem melhor para desempenhar esse papel do que alguém que, no plano pessoal, era suficientemente ignorante para acreditar piamente nas trivialidades que proferia e, no plano simbólico, representava na perfeição o esplendoroso paraíso em écrã gigante e Technicolor em que os anos 50, vistos à distância, entretanto se haviam tornado?

Enquanto ícone da cultura popular americana, Reagan situa-se no mesmo plano que Elvis Presley, e a devoção que o povo lhe dedica é, aliás, do mesmo tipo. Nada de especialmente grave, dir-se-ia, não fosse dar-se o caso de o seu maniqueismo primário ter entretanto sido erigido em doutrina orientadora da política externa da maior potência mundial.

Diz-se agora (outro eufemismo) que Reagan não era um intelectual. A verdade é que tudo o que ele sabia sobre política aprendera-o nos filmes da série B. Gorbatchov conta como as conversas entre ambos começavam sempre pelos filmes de extra-terrestres e a necessidade de a América e a União Soviética se unirem para fazerem frente à ameaça dos homenzinhos verdes.

Que interessa isso hoje? Não se esqueçam que foi Reagan quem ordenou a entrega de armamento pesado a esse notório «combatente da liberdade» que dá pelo nome de Bin Laden.

8.6.04



Miró: Constelação, 1941.

O figurante

Os testemunhos de quem com que ele conviveu de perto, revelam sem margem para dúvidas que tomava as decisões mais graves da forma mais leviana.

Citar os seus discursos, como ontem fez o Director do Público, faz o mesmo sentido que citar os diálogos dos filmes em que participou, porque, num e noutro caso, ele só dizia o que lhe diziam para dizer.

Reagan inaugurou uma época de inacreditável degradação da vida política americana. Post-mortem, as centrais de intoxicação do costume querem-nos convencer de que lhe deve ao menos ser atribuido o mérito da ruina do império soviético.

Ora a União Soviética implodiu porque, quando Gorbachev chegou ao poder, em meados dos anos 80, ainda não se podia tirar uma simples fotocópia sem uma autorização escrita do KGB.

Reparem que estou a falar de fotocópias, não de faxes, de computadores em rede, de emails ou de internet. Nenhuma sociedade contemporânea resistiria a um absurdo destes.

2.6.04

Tanta glória também cansa

Esta época do ano, quando a temporada da Gulbenkian está a acabar e já terminaram as principais competições futebolísticas de clubes, costumo eu achá-la a mais sem graça do calendário.

Este ano, porém, pelo menos no que respeita à pausa do futebol, confesso que não sinto a mesma nostalgia.

É que nós, os portistas, já não temos saco para tanta vitória nacional, internacional ou trans-nacional. Uma pausa, por favor, que tanta glória também cansa!

Quero eu lá saber agora para onde vai ou não vai o Mourinho, se o Deco fica ou parte, quem vai ser o próximo treinador, como é que vão ser as finais da Super-Taça Europeia e da Taça Intercontinental... Se o Scolari vai para o Benfica... O próximo campeonato... A próxima Liga dos Campeões... Como tudo isso me parece neste momento longínquo e irrelevante...

Deixem-me que repouse um pouco o espírito assistindo, sem emoção nem sobressaltos, com todo o distanciamento, às desventuras da selecção nacional.

A felicidade é isto, estes breves momentos passageiros em que, de tanto se ter, já não apetece nada.

1.6.04

Apetece-me ser mauzinho

Eles fecham os blogues porque não têm mais nada para dizer - essa é que é essa!


Amadeo Souza-Cardoso: Pintura, 1914.