No seu magnífico artigo de hoje no Público, Bénard da Costa cita a dada altura o Livro de Daniel, onde o Senhor Iavé diz a Ezequiel:
«Aquele que for justo, que respeitar o direito e a justiça, que não comer no alto das montanhas, que não levantar os olhos para os ídolos da casa de Israel, que não conspurcar a mulher do próximo, que não se aproximar de uma mulher durante a sua impureza, que não oprimir ninguém, que restituir o que tirou, que não cometer rapinas, que der de comer a quem tem fome e de vestir a quem está nu, que não emprestar usurariamente, que não cobrar juros, que desviar a mão do mal, que der testemunho verídico perante os homens, que se conduzir segundo a minha lei e observar os meus costumes agindo segundo a verdade, esse homem é verdadeiramente justo, oráculo de Iavé.»
Não sei se Iavé terá mesmo dito isto textualmente a Ezequiel. Mas, tenha ou não dito, estou em crer que, há dois mil anos, estes preceitos seriam aceites sem hesitação por qualquer homem de bem.
A maioria deles ainda hoje farão a unanimidade - dar de comer a quem tem fome e de vestir a quem está nu, não oprimir, desviar a mão do mal, etc. - mesmo que a sua aplicação prática deixe muito a desejar. A própria ideia de «não conspurcar a mulher do próximo» parece aceitável, pelo menos se tomarmos à letra a palavra «conspurcar».
Também tendemos a concordar com a exortação para «não levantar os olhos para os ídolos da casa de Israel», embora a aplicação do espírito autêntico do mandamento requeira alguma actualização.
Outros, porém, parecem-nos algo mais estranhos, como essa ideia de «não se aproximar de uma mulher durante a sua impureza». Se isso significa o que eu penso que significa, acho mais uma questão de gosto do que de moral, seja ela pública ou privada.
Mas não cobrar juros? E, acima de tudo, não comer no alto das montanhas, essa actividade eminentemente inocente, se é que estamos a pensar em comer a mesma coisa? Valha-nos Deus! Essa não lembrava ao Buttiglione!
Os muçulmanos (ou, pelo menos, muitos deles) tendem a aceitar à letra estas regras, resultando daí sarilhos monumentais. Pelo contrário, cristãos e judeus (ou, pelo menos, a grande maioria deles) preocupam-se mais com o espírito do que com a letra da mensagem de Iavé. Aceitam que há um núcleo duro de preceitos éticos comuns a todas as épocas e a todas as culturas, mas também que, fora desse núcleo, há margem para alguma fantasia moral não essencial explicável pelas idiossincrasias do tempo e do lugar.
Já Xenofonte chamava a atenção para o facto de que os deuses Etíopes tinham o nariz achatado e a pele negra, ao passo que os Trácios exibiam olhos verdes e cavalgavam cavalos de fogo. Mas pouco nos afecta que eles pintem os seus deuses com os traços que quiserem, desde que todos ensinem os caminhos da rectidão. Esta tolerância para com os caprichos das divindades aconselha-nos inclusivamente a não dar demasiada importância a embirrações irracionais, como essa de nos proibirem os piqueniques no alto das montanhas, agora que há por todo o lado caixotes para depositar o lixo.
O relativismo moral é insustentável, mas o absolutismo moral é absurdo.
5.11.04
Bush country vs. Kerry country
O mapa eleitoral que temos visto nos jornais sugere uma vitória esmagadora dos republicanos.
Olhando para este mapa - onde o tamanho de cada estado varia em função da sua população, e não da sua área geográfica - compreendemos que não foi assim.
O cerco das cidades pelos campos
No primeiro mapa, os resultados das eleições são desagregados por condado (estão coloridos a cinzento os condados cujos resultados não estão ainda disponíveis). O voto maioritário democrata não se restringe a alguns estados costeiros do leste e do oeste. Na verdade, os democratas ganharam em quase todos os grandes centros urbanos - incluindo os do Texas e da Florida.
O segundo mapa ajuda a ler o primeiro, pois mostra a densidade populacional de cada condado, com os mais povoados a verde escuro e os menos povoados a verde claro.
A América das Luzes
Na véspera das eleições, os americanos que votaram Kerry acenderam uma vela. Uma fotografia nocturna de satélite permite ver onde eles estavam.
4.11.04
Tamara de Lempicka: Mulheres no banho, 1929.
Há um abismo entre os nus de Lempicka e os de Freud. Por isso é tão interessante colocá-los lado a lado. Em Lempicka, os nús sáo completamente idealizados, só lhe interessa o que aproxima as figuras humanas, apresentadas em enquadramentos modernos, de um protótipo clássico greco-romano. Freud, pelo seu lado, conduz uma exploração dolorosa daquilo que, precisamente, distingue os corpos reais das suas visões estilizadas. Surpreendentemente, da contemplação dos pequenos e grandes defeitos e ridículos destes corpos demasiado humanos emerge um outro tipo de beleza, a que, para recorrer a um lugar comum, chamaríamos convulsiva. O monstruoso como ideal de beleza tem uma longa tradição na arte ocidental.
Pensem um bocadinho
Por favor, olhem mais uma vez para o modo como tem evoluido o mapa eleitoral americano ao longo das últimas décadas.
Já olharam? O que vemos de forma evidente é uma evolução gradual e progressiva, mas inelutável e claríssima, que cavou um fosso entre, por um lado, os grandes centros urbanos e, por outro, os vastos estados rurais. Só faltava o New Hampshire e o Novo México mudarem de campo, como agora aconteceu, para as coisas ganharem a sua actual nitidez.
Essa brecha decorre, não tenhamos dúvidas, de crenças e valores antagónicos que opoem entre si as duas américas.
A oposição entre mundo urbano e mundo rural existe em todos os países desenvolvidos. O estranho é que, nos EUA, o mundo rural consiga impor de forma tão absoluta a sua vontade ao mundo urbano.
Será possível que as populações urbanas, das quais depende essencialmente o progresso e o bem-estar do país, se resignem a esta situação, tanto mais que ela parece não ter remédio? Alguns estudiosos norte-americanos sustentam que a evolução demográfica se encarregará de pôr termo, a breve trecho, à supremacia da América profunda do Mid-West e do Bible Belt.
Talvez. Mas, entretanto, temos agora, dentro do mesmo país, três vastas regiões geograficamente contíguas e com opções políticas, ideológicas, culturais e civilizacionais completamente distintas: a Costa Oeste, o Nordeste, e o Resto.
Os EUA tiveram no passado não muito longínquo uma guerra de secessão, sem esquecer que o Texas já declarou uma vez a independência. Mais uma vez, é hoje evidente a existência de forças centrífugas no seio da União.
Eis um cenário especulativo interessante de ficção política: estará a América a desagregar-se ao mesmo tempo que a Europa se une?
Já olharam? O que vemos de forma evidente é uma evolução gradual e progressiva, mas inelutável e claríssima, que cavou um fosso entre, por um lado, os grandes centros urbanos e, por outro, os vastos estados rurais. Só faltava o New Hampshire e o Novo México mudarem de campo, como agora aconteceu, para as coisas ganharem a sua actual nitidez.
Essa brecha decorre, não tenhamos dúvidas, de crenças e valores antagónicos que opoem entre si as duas américas.
A oposição entre mundo urbano e mundo rural existe em todos os países desenvolvidos. O estranho é que, nos EUA, o mundo rural consiga impor de forma tão absoluta a sua vontade ao mundo urbano.
Será possível que as populações urbanas, das quais depende essencialmente o progresso e o bem-estar do país, se resignem a esta situação, tanto mais que ela parece não ter remédio? Alguns estudiosos norte-americanos sustentam que a evolução demográfica se encarregará de pôr termo, a breve trecho, à supremacia da América profunda do Mid-West e do Bible Belt.
Talvez. Mas, entretanto, temos agora, dentro do mesmo país, três vastas regiões geograficamente contíguas e com opções políticas, ideológicas, culturais e civilizacionais completamente distintas: a Costa Oeste, o Nordeste, e o Resto.
Os EUA tiveram no passado não muito longínquo uma guerra de secessão, sem esquecer que o Texas já declarou uma vez a independência. Mais uma vez, é hoje evidente a existência de forças centrífugas no seio da União.
Eis um cenário especulativo interessante de ficção política: estará a América a desagregar-se ao mesmo tempo que a Europa se une?
Eu diria mais
Robert Kagan popularizou a infeliz expressão: «Os americanos são de Marte, os europeus são de Vénus», uma maneira socialmente aceitável de um académico insinuar que os americanos os têm no sítio, ao passo que os europeus não passam de um bando de efeminados assustadiços.
Timothy Garton Ash, citado no O País Relativo, acha mais correcto afirmar-se que os Republicanos são de Marte, ao passo que os Democratas são de Vénus, notando de passagem que há mais semelhanças entre Democratas e europeus do que entre Democratas e Republicanos.
Olhando para o mapa eleitoral americano, eu diria antes que os labregos são de Marte e que os alfabetizados são de Vénus. Também temos muitos labregos cá na Europa (alguns até andaram recentemente envolvidos em guerras civis sanguinárias), só que ultimamente (lagarto, lagarto!) temos conseguidos mantê-los afastados do poder num bom número de países.
Timothy Garton Ash, citado no O País Relativo, acha mais correcto afirmar-se que os Republicanos são de Marte, ao passo que os Democratas são de Vénus, notando de passagem que há mais semelhanças entre Democratas e europeus do que entre Democratas e Republicanos.
Olhando para o mapa eleitoral americano, eu diria antes que os labregos são de Marte e que os alfabetizados são de Vénus. Também temos muitos labregos cá na Europa (alguns até andaram recentemente envolvidos em guerras civis sanguinárias), só que ultimamente (lagarto, lagarto!) temos conseguidos mantê-los afastados do poder num bom número de países.
Procura-se governador sulista incompetente
A análise mais original sobre as eleições americanas que até agora li, encontrei-a no blogue de Brad de Long. Ei-la:
A Different System Needed for Picking Presidents
In 1972, we reelected an incumbent. In 1976, we elected an unknown southern governor who had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record. In 1980, we elected an unknown governor--a southerner, if Orange County is "southern"--who had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record. In 1984 we reelected an incumbent president. In 1988 we elected an incumbent vice president. In 1992 we elected an unknown southern governor who had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record. In 1996 we reelected an incumbent. In 2000 we elected an unknown southern governor had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record.
The pattern is clear: when there isn't an unknown southern governor running, an incumbent president can win reelection or an incumbent vice president can win election; but the unknown southern governor without a national political record wins the presidency—always.
Why? Because he is a governor, he can raise money. Because he is unknown, he has no enemies in Washington who inform the press corps of weaknesses. Because he has no record, nobody has an incentive to try to block him. Because he is southern, the south tends to vote for him.
The problem is that being an unknown southern governor has next to nothing to do with being an effective president. Of the unknown southern governors who have run since 1972, we've been lucky once--Bill Clinton was a good president. We've been unlucky three times: Carter, Reagan, and George W. Bush were, none of them, up to the job.
You can go further back in the past. Nixon when he ran in 1968 had next to no national political reputation. He hadn't been in government for eight years. When he was vice president he was a cipher. His only national political experience actually doing anything had come in a few short years as representative and senator trying to exploit the communists-in-government issue. Johnson was an incumbent. Kennedy was another cipher: next to no record in the senate, and his principle qualification was a rich father who knew how to run a political machine. Eisenhower was another cipher without a national political record--although his management of alliance politics in World War II is most impressive. Truman was an incumbent. Roosevelt had only a very small national political record--two years as assistant secretary of the Navy and four years of being governor of New York.
You have to go back to Herbert Hoover to find someone who (a) is not an incumbent and who (b) has a national political and governmental reputation winning the presidency.
This is not a good way to do things, people.
A Different System Needed for Picking Presidents
In 1972, we reelected an incumbent. In 1976, we elected an unknown southern governor who had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record. In 1980, we elected an unknown governor--a southerner, if Orange County is "southern"--who had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record. In 1984 we reelected an incumbent president. In 1988 we elected an incumbent vice president. In 1992 we elected an unknown southern governor who had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record. In 1996 we reelected an incumbent. In 2000 we elected an unknown southern governor had not spent a day in Washington D.C. and had no national political record.
The pattern is clear: when there isn't an unknown southern governor running, an incumbent president can win reelection or an incumbent vice president can win election; but the unknown southern governor without a national political record wins the presidency—always.
Why? Because he is a governor, he can raise money. Because he is unknown, he has no enemies in Washington who inform the press corps of weaknesses. Because he has no record, nobody has an incentive to try to block him. Because he is southern, the south tends to vote for him.
The problem is that being an unknown southern governor has next to nothing to do with being an effective president. Of the unknown southern governors who have run since 1972, we've been lucky once--Bill Clinton was a good president. We've been unlucky three times: Carter, Reagan, and George W. Bush were, none of them, up to the job.
You can go further back in the past. Nixon when he ran in 1968 had next to no national political reputation. He hadn't been in government for eight years. When he was vice president he was a cipher. His only national political experience actually doing anything had come in a few short years as representative and senator trying to exploit the communists-in-government issue. Johnson was an incumbent. Kennedy was another cipher: next to no record in the senate, and his principle qualification was a rich father who knew how to run a political machine. Eisenhower was another cipher without a national political record--although his management of alliance politics in World War II is most impressive. Truman was an incumbent. Roosevelt had only a very small national political record--two years as assistant secretary of the Navy and four years of being governor of New York.
You have to go back to Herbert Hoover to find someone who (a) is not an incumbent and who (b) has a national political and governmental reputation winning the presidency.
This is not a good way to do things, people.
3.11.04
The day after
John Kerry não é um personagem fascinante. Tão pouco é senhor de uma presença imponente.
É um homem cerebral, algo tímido, que não se sente à vontade em comícios e sessões de abraços e apertos de mãos. Habituou-se a cultivar um tom distante e patrício que, naturalmente, não gera empatia com o eleitor comum.
Mas fez uma campanha séria e corajosa, sem sombra de demagogia, em condições singularmente adversas. Enfrentou sem receio os preconceitos quotidianamente difundidos pelos media, ousando inclusivamente tomar posição em relação a questões tão sensíveis como a pena de morte, a posse de armas, o aborto ou o casamento de homossexuais.
Perdeu. Dadas as circunstâncias, acredito que dificilmente poderia ter sido de outro modo, apesar do que agora se diz terem sido os erros da sua campanha.
Mas é possível que, com a sua honrosa votação, e também com a intensa mobilização dos seus apoiantes, tenha conseguido estancar o avanço da vaga conservadora, cuja motivação extremista está hoje à vista de todos. A próxima administração Bush pode tentar ignorar meia América e prosseguir o caminho da anterior, dentro e fora do país, mas sabe agora que terá que contar com uma resistência determinada intra-muros.
Ganhar não é tudo, às vezes é quase nada. Há vitórias insignificantes, tal como há derrotas que intranquilizam os vencedores.
É um homem cerebral, algo tímido, que não se sente à vontade em comícios e sessões de abraços e apertos de mãos. Habituou-se a cultivar um tom distante e patrício que, naturalmente, não gera empatia com o eleitor comum.
Mas fez uma campanha séria e corajosa, sem sombra de demagogia, em condições singularmente adversas. Enfrentou sem receio os preconceitos quotidianamente difundidos pelos media, ousando inclusivamente tomar posição em relação a questões tão sensíveis como a pena de morte, a posse de armas, o aborto ou o casamento de homossexuais.
Perdeu. Dadas as circunstâncias, acredito que dificilmente poderia ter sido de outro modo, apesar do que agora se diz terem sido os erros da sua campanha.
Mas é possível que, com a sua honrosa votação, e também com a intensa mobilização dos seus apoiantes, tenha conseguido estancar o avanço da vaga conservadora, cuja motivação extremista está hoje à vista de todos. A próxima administração Bush pode tentar ignorar meia América e prosseguir o caminho da anterior, dentro e fora do país, mas sabe agora que terá que contar com uma resistência determinada intra-muros.
Ganhar não é tudo, às vezes é quase nada. Há vitórias insignificantes, tal como há derrotas que intranquilizam os vencedores.
Estes liberais...
Escreve a Joana:
«A democracia e a liberdade deixaram de serem factores de progresso e de fortalecimento da sociedade, para se estarem a tornar, paradoxalmente, factores de estagnação e de degeneração sociais.»
Esqueçam os erros de português e atentem bem na substância da sentença. E, para não julgarem que a frase foi indevidamente isolada do seu contexto, vão lá e apreciem com os vossos próprios olhos.
A paixão de algumas pessoas pela democracia liberal foi, como certos amores de Verão, breve e fugidia. Eis que rumam já a novas paragens, onde, livres de convenções embaraçosas, sem dúvida verão satisfeitos os seus anseios de «progresso e fortalecimento da sociedade».
Boa viagem. Cá estaremos para ver.
(Parecendo que não, isto tem muito que ver com o meu post anterior.)
«A democracia e a liberdade deixaram de serem factores de progresso e de fortalecimento da sociedade, para se estarem a tornar, paradoxalmente, factores de estagnação e de degeneração sociais.»
Esqueçam os erros de português e atentem bem na substância da sentença. E, para não julgarem que a frase foi indevidamente isolada do seu contexto, vão lá e apreciem com os vossos próprios olhos.
A paixão de algumas pessoas pela democracia liberal foi, como certos amores de Verão, breve e fugidia. Eis que rumam já a novas paragens, onde, livres de convenções embaraçosas, sem dúvida verão satisfeitos os seus anseios de «progresso e fortalecimento da sociedade».
Boa viagem. Cá estaremos para ver.
(Parecendo que não, isto tem muito que ver com o meu post anterior.)
Coisa estranha
Parece que, das pessoas que vivem obcecadas pelo temor de um novo ataque terrorista, 85% votaram Bush e apenas 15% Kerry.
Olhando para a geografia eleitoral da votação, infere-se daí que os aldeões do Dakota do Norte estão mais preocupados com a segurança dos arranha-céus das suas vilórias do que os cidadãos de Nova Iorque, Filadélfia, Chicago, Los Angeles, San Francisco ou Seattle.
Tendo em conta que, se bem me lembro, os ataques do 11 de Setembro tiveram lugar em Nova Iorque e Washington, eu diria que isto não parece um fenómeno muito racional.
Não acham?
Olhando para a geografia eleitoral da votação, infere-se daí que os aldeões do Dakota do Norte estão mais preocupados com a segurança dos arranha-céus das suas vilórias do que os cidadãos de Nova Iorque, Filadélfia, Chicago, Los Angeles, San Francisco ou Seattle.
Tendo em conta que, se bem me lembro, os ataques do 11 de Setembro tiveram lugar em Nova Iorque e Washington, eu diria que isto não parece um fenómeno muito racional.
Não acham?
Um mal nunca vem só
À beira da desgraça que vai para os lados das Antas, a vitória de Bush não é nada. Se não fosse a falência iminente da minha recém criada empresas de sondagens por telepatia, totalmente desacreditada pelo resultado desta noite, era mesmo para o lado que eu dormia melhor.
1.11.04
Da maldade na literatura
Se o escritor é uma espécie de Deus para as suas personagens, então deve assemelhar-se ao Deus autoritário, rigoroso, vingativo e cruel do Velho Testamento.
Os escritores que, com a sua compreensão, com a sua piedade, com o seu perdão, procuram emular o Deus do Novo Testamento, produzem inevitavelmente obras mais fracas, literatura de bons sentimentos mas frouxa, ao jeito do Júlio Dinis.
O Deus dos exércitos, que castiga até à sexta geração, pelo contrário, escalpeliza com rigor as fraquezas do género humano, troça das ilusões e das ambições das suas personagens, expõe-nas aos maiores tormentos, fá-las penar impiedosamente ao longo de centenas de páginas e, como se isso não bastasse, regozija-se com finais infelizes.
Mas a crueldade rende-lhe às vezes um Prémio Nobel ou, mais raramente, a imortalidade no reino da literatura. Quem não tem estômago para isto deve abster-se.
Os escritores que, com a sua compreensão, com a sua piedade, com o seu perdão, procuram emular o Deus do Novo Testamento, produzem inevitavelmente obras mais fracas, literatura de bons sentimentos mas frouxa, ao jeito do Júlio Dinis.
O Deus dos exércitos, que castiga até à sexta geração, pelo contrário, escalpeliza com rigor as fraquezas do género humano, troça das ilusões e das ambições das suas personagens, expõe-nas aos maiores tormentos, fá-las penar impiedosamente ao longo de centenas de páginas e, como se isso não bastasse, regozija-se com finais infelizes.
Mas a crueldade rende-lhe às vezes um Prémio Nobel ou, mais raramente, a imortalidade no reino da literatura. Quem não tem estômago para isto deve abster-se.
Efeitos de perspectiva
Pode-se apreciar a arte com base em critérios políticos, tal como se pode julgar a política segundo critérios estéticos.
Não vejo mal em qualquer dessas perspectivas - pelo contrário, considero-as enriquecedoras -, desde que não se pretendam exclusivas.
Não vejo mal em qualquer dessas perspectivas - pelo contrário, considero-as enriquecedoras -, desde que não se pretendam exclusivas.
Diga-me doutor...
No escritório, na universidade, na família, entre amigos - sempre e em toda a parte, começo a sentir-me mal por ser a única pessoa que, ao que parece, ainda não leu o Código Da Vinci.
Diga-me doutor: é grave?
Diga-me doutor: é grave?
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