
Rodchenko.
"If they can get you asking the wrong questions, they don’t have to worry about answers" Thomas Pynchon

"At this point anyone who has had much to do with education or has dipped into its history can guess what Comenius said: things, not words - hence the Sensualium of the textbook. Change school from a prison to a scholae ludus (play site), where curiosity is aroused and satisfied. Stop beatings. Reduce rote learning and engage the child's interest through music and games and through handling objects, through posing problems (the project method), stirring the imagination by dramatic accounts of the big world. The Orbis Pictus teaches objects and places, simultaneously with words, by means of pictures to be studied and talked about, a first hint of the audiovisual in education. Comenius would also teach a universal religion compatible with modern science, "Pansophia". All children should be schooled at state expense, starting very early in affectionate surroundings: nursery school for the four- to six-year olds. He added the substance of the 20C thought-cliche: education goes on as long as life."Está aqui tudo o que os críticos retrógrados da escola moderna abominam: a ideia de que o ensino deve proporcionar prazer aos alunos; que a repressão não é o melhor método; que os jogos são uma boa maneira de aprender; que se aprende fazendo; que é tarefa dos professores estimular a imaginação e o debate; que a escola deve ser capaz de competir com os novos media; que o ensino deve preparar para a vida e deve continuar durante toda a vida.

"Portuguese intellectual shortcomings soon became a byword: thus Diogo do Couto, referring in 1603 to "the meanness and lack of curiosity of this our Portuguese nation"; and Francis Parry, the English envoy at Lisbon in 1670, observing that "the people are so little curious that no man knows more than what is merely necessary for him"; and the 18th century visitor Mary Brearley who remarked that "the bulk of the people were disinclined to independence of thought and, in all but a few instances, too much averse from intellectual activity to question what they had learned."Qualquer pessoa que se dedique a ensinar - coisa algo diferente de "dar aulas" - sabe que os defeitos cruciais dos nossos alunos continuam hoje a ser não a indisciplina e a resistência à autoridade, mas a carência de espírito inquisitivo, a predisposição para aceitar acriticamente o que lhes transmitido e o receio de cultivarem e manifestarem opiniões próprias.
"Through this self-imposed closure, the Portuguese lost competence even in those areas they had once dominated. (...) By 1600, even more by 1700, Portugal had become a backward weak country. (...) Very provocative words [from Dom Luis da Cunha], but right on the mark: if the gains from trade are substantial, they are small compared to trade with ideas."
"Vejamos: uma besta qualquer faz uma declaração pretensamente falsa, empiricamente, e toda a gente fica histérica, no nosso país. Hum. Mas nunca vi um jornalista negro ou uma deputada negra; tive uma única colega negra enquanto estudei na faculdade; no nosso país, praticamente só os filhos dos médicos, arquitectos, advogados e professores universitários cursam medicina — e quase nenhuns destes são negros; não há praticamente professoras e professores negros ou de outras etnias no ensino secundário ou básico - mas não faltam na construção civil. Perante este factos - estes sim, verdadeiramente abomináveis - como justificar tanta histeria perante as declarações de Watson?"Por conseguinte, segundo o autor do post, eu só posso criticar as declarações de Watson no dia em que a sociedade portuguesa deixar de ser racista, caso contrário estarei a ser histérico e hipócrita. Tem piada, tinha a impressão que a filosofia da lógica era uma das especialidades de Desidério Murcho.
O que mais me agrada em Isaiah Berlin é o que de mais convencionalmente judeu há nele, ou seja, aquelas mesmas qualidades que tanto desagradam aos anti-semitas: a incapacidade de se sentir completamente em casa em qualquer lugar ou doutrina particular e, por decorrência, a crença na importância da pluralidade dos valores e a recusa a reduzir a vida intelectual e moral a rígidos esquemas abstractos.Desejo ao Maradona as maiores felicidades para a sua cruzada a favor da sensatez e do equilíbrio nas caixas de comentários. Não me ocorre nada de mais importante que neste momento pudesse ser feito a favor da paz no mundo.
Berlin gostava de dizer que se sentia uma espécie de taxista: incapaz de se decidir por tomar um rumo bem definido enquanto não aparecesse alguém que lhe dissesse: «Leve-me a tal sítio» ou «Siga aquele carro».
As suas tentativas de produzir um pensamento filosófico coerente não me impressionam. Tampouco encontro grande valor na distinção que propôs no seu Essay on Liberty entre liberdade negativa e liberdade positiva. Não recomendo a ninguém que siga em detalhe a intrincada argumentação com que tentou fundamentar a sua tese, porque é tempo perdido.
Ao que dizem, Berlin foi um notável orador, tanto pela sua presença física como pela sua capacidade de apresentar um assunto sob diversos e inesperados ângulos. Muitos dos seus escritos traem uma origem oral, o que, embora lhes confira um tom informal e despretensioso, nem sempre é um mérito. No seu ensaio sobre Maquiavel, por exemplo, as contínuas repetições da ideia essencial segundo a qual o florentino seria um proponente convicto de uma ética pagã em confronto aberto com a convencional ética cristã acabam por se tornar maçadoras para quem o lê.
Tampouco vejo Berlin como um grande historiador de ideias, na medida em que, fixando-se demasiado em determinadas personalidades chave, e atribuindo uma importância excessiva à sua contribuição individual, ele parece incapaz de seguir o fio de uma ideia, desde o seu surgimento até à sua decadência, passando pelas suas diversas fases de desenvolvimento, saltando de cabeça em cabeça e de escola em escola.
Berlin é talvez mais interessante quando revela a importância de pensadores relativamente (e talvez injustamente) desconhecidos como Vico, Hamman ou de Maistre e nos mostra o modo subtil como eles anteciparam formas de pensamento que lograram influenciar o curso da história contemporânea.
Li recentemente que Berlin teria talvez sido um personagem menor se não fossem três ocorrências decisivas na sua vida: o seu envolvimento com a fundação do Estado de Israel; o seu trabalho diplomático tendo em vista persuadir os americanos a entrarem na Guerra ao lado da Grã-Bretanha; e, finalmente, a ligação que estabeleceu com os intelectuais russos após 1945, num momento particularmente negro da repressão estalinista.
Eis, pois, mais um homem infinitamente superior à obra escrita que nos deixou.