30.11.07

The Hollies: Look Through Any Window

The Hollies: Bus Stop

The Hollies: Stop Stop Stop

The Hollies: Here I Go Again




Hans Knoll.

29.11.07

A língua a quem a trabalha

O galaico-português é uma língua enjeitada que tem tido a sorte de encontrar bons pais adoptivos.

Os galegos, que a inventaram, abandonaram-na ainda novita e nunca mais quiseram saber dela. Por sorte, foi encontrada pelos portugueses, que, levando-a pela sete partes do Mundo, lhe asseguraram um bom futuro.

Cresceu e tornou-se a sexta língua mais falada do planeta. Hoje, são os portugueses que pouco dela curam, mas, mais uma vez, teve a boa sina de ser adoptada, agora pelo Brasil, um país com uma batelada de gente lá dentro que, ainda por cima, lhe faz o favor de reinventá-la todos os dias.

O galego passou a português e, um dia, chamar-se-á brasileiro, porque uma língua é de quem a trabalha. O melhor que temos a fazer é apanhar esse comboio e ir negociando com os brasileiros acordos ortográficos - enquanto eles tiverem pachorra para nos aturar.

Por cá, a habitual caterva de mandriões andou a dormir durante duas décadas - tal qual como no caso da Ota - para agora, à ultima hora, barafustar argumentos insensatos contra a uniformização ortográfica.

Força com o acordo!

Sobressaltos da badalhoquice



Oh, a poesia do uísque marado, da bola de berlim rançosa, do salpicão apodrecido, da ginginha clandestina, da febre de Malta, do excremento de cão no passeio, da roupa suja à janela, dos despejos lançados pela varanda, da unha comprida a coçar o ouvido, da barraca com vista para a lixeira - nos meus bloges inflamados, nos meus discursos na Assembleia, nos meus artigos de opinião, eu digo o teu nome: Liberdade!

28.11.07

Andar de Volkswagen dá de comer a um milhão de portugueses



Os publicitários têm o hábito admirável de só consumirem as marcas suas clientes naquelas categorias de produto em que elas competem. Não podia concordar mais com o princípio.

Primeiro, é uma boa maneira de conhecerem mais intimamente essas marcas.

Segundo, é um acto de boa educação.

Terceiro, é uma prova de inteligência. Afinal, são elas que lhes pagam o pão que comem.

Depois, isso não implica necessariamente grandes sacrifícios. David Ogilvy foi votado o homem mais bem vestido da América no ano em que a sua agência ganhou a conta da Sears Roebuck, um retalhista bem popular. Mas é claro que ficou bem mais feliz por seguir a regra quando a Rolls-Royce aterrou na agência.

Penso que os portugueses em geral deveriam adoptar a mesma regra. Por quê comprar Renaults, se a Renault se portou tão mal com o país? Por que é que não há mais gente a comprar Volkswagens, Seats, Skodas, Audis ou, se querem coisa mais fina, Bentleys, Porsches, Lamborghinis ou Bugattis se é o Grupo Volkswagen que demonstra gostar de nós investindo e criando postos de trabalho na Auto-Europa e em todos os fornecedores nacionais de peças e acessórios que adquire? Outro comportamento parece-me pura e simplesmente estúpido.

(Cá por mim, para a lista atrás ser completa só faltam os Maserattis. Mas, enfim, ninguém é perfeito.)

Na foto: o Bugatti Veyron.

27.11.07

The Flying Burrito Brothers: Lazy Day

The Flying Burrito Brothers: Six Days on the Road

26.11.07



Frank Horvat
: Very similar.

"It is better when physicians worry too much about a patient's health than when they worry too little"

Reflexões de Paul Samuelson sobre a actual crise financeira:
Today, central bankers and U.S. Treasury cabinet officers cannot know whether current interest rates are too high or too low. This is surprising, but true. The safest bond interest rates are indeed low. But financial panic engendered by the burst bubble of unsound U.S. and foreign mortgage lending means that even a mammoth corporation like General Electric would find it expensive now to finance a loan needed to build a new and efficient factory.

(...) Here are my tentative suggestions:

Watch developments closely. If America's Christmas retail sales fail badly - as they could when high energy prices and high mortgage costs pinch consumers' pocket books - then be prepared to accelerate credit infusions by central banks on the three main continents.

Keep in mind threats of excessive inflation. But be aware that the skies will not fall if the price-level indices blip up from 1.9 to 2.6 percent per annum. What worsens the public's expectations about price instability are excessive spikes in the cost of living.

Esse troféu não é teu

"Sou a pessoa que eu conheço menos capaz de ver um filme em dvd do princípio ao fim", diz o Ivan. Estás enganado, pá, estás enganado.


Frank Horvat: Very similar.

Imaturidade política

"O Partido Socialista está objectivamente a enfraquecer a nossa democracia permitindo e patrocinando o que de pior há entre os seus piores apoiantes envolvidos no aparelho do Estado. Temo que estejamos a caminhar no sentido oposto ao indispensável à maturidade política do nosso regime. Um processo cujo tempo e urgência percebo como comparáveis aos do tão acarinhado desafio de equilíbrio orçamental."

Rui Branco, no Adufe.

Os mitos da economia portuguesa



Li ontem à noite, de um fôlego, este livro altamente recomendável de Álvaro Santos Pereira, blogger e Professor de Economia.

Estribado nos factos relevantes e suportado por uma evidente familiaridade com a teoria económica relevante, Santos Pereira desmonta eficazmente uma boa parte da conversa da treta sobre competitividade externa, níveis salariais, produtividade, ameaça espanhola, fundos estruturais e temas similares com que todos os dias somos bombardeados.

A ler por toda a gente que se interessa por assuntos económicos, e, antes de mais, pelos jornalistas da especialidade.

25.11.07



Irving Penn.

À atenção de Bento XVI

Interrogado pelo Diário Notícias sobre qual é, para ele, o objecto indispensável, Ricardinho, a estrela da selecção nacional de futsal, não só se esqueceu de mencionar o preservativo, como respondeu isto:

"O telemóvel e o crucifixo."


Na crença de Ratzinger, a afirmação roça a blasfémia. Um sacerdote dessa persuasão admoestaria severamente Ricardinho e condená-lo-ia a um Padre-Nosso e três Avé-Marias. Se fosse mais caridoso, dar-se-ia ao trabalho de explicar-lhe em que consistira o pecado e o artista da bola prometeria não reincidir.

Na religião popular portuguesa, a contradição resolver-se-ia com o download para o telemóvel de um écrã representando Nossa Senhora e de um toque polifónico do hino "13 de Maio".

É só uma ideia

Se o Kadafi pede para ser instalado numa barraca, se calhar podemos invocar o precedente para alojar o Mugabe na Pedreira dos Húngaros.

23.11.07

Campos e Cunha e a Estradas de Portugal SA

Já aqui confessei que não entendo as explicações do Governo para a passagem da Estradas de Portugal a sociedade anónima de capitais públicos.

É justo acrescentar que, em matéria de obscuridade, Luis Campos e Cunha não fica a dever nada ao executivo.

O seu artigo de hoje no Público é uma trapalhada confrangedora, sobretudo tendo em conta que quem o assina é um professor universitário de créditos firmados. Sim, aparentemente é possível uma pessoa ser altamente competente e inteligente, apesar de não saber escrever. Como é complicado este mundo!