Leio no Negócios de hoje um interessante artigo sobre as vantagens relativas da eventual criação de uma sobretaxa sobre as PPP versus a sua renegociação.
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"If they can get you asking the wrong questions, they don’t have to worry about answers" Thomas Pynchon


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Tirando uma breve interrupção durante a 2.ª Guerra Mundial, as importações portuguesas superaram sempre as exportações ao longo do século passado e dos primeiros anos do presente. Anuncia-se, porém, que está para breve – talvez já para 2013 – o restabelecimento do equilíbrio.
Como foi possível um período tão longo de défices crónicos? Será que vivemos todo esse tempo acima das nossas possibilidades? É possível que nunca tivéssemos tido uma economia competitiva? E que espécie de milagre é este que nos está agora a acontecer?No meu artigo de ontem no Negócios tentei explicar de uma forma acessível uma ideia difícil de entender: porque é que o desequilíbrio das contas externas de um país pode não ter nada a ver com uma falha de competitividade e ainda menos com "vivermos acima das nossas posses".
Desconfio que isto poder ser uma citação inconsciente de algo que outrém escreveu:
"Apenas os pobres necessitam de desenvolvimento; os ricos só precisam de criados."
Mas há outras partes no artigo que são mesmo minhas.
"A Alemanha é hoje um camião TIR a circular pelas auto-estradas europeias na noite escura, de luzes apagadas e fora da mão. Para cúmulo, Merkel adormece com frequência ao volante."
Ler o resto aqui.
Uma lição de vida em duas linhas:
"This leader had performed no special task. He had no special virtue. He'd been chosen at random, 30 minutes earlier. His status was nothing but luck. But it still left him with the sense that the cookie should be his."
Isto fez-vos lembrar alguém? Aposto que sim. Mas o melhor é ler mesmo na íntegra a extraordinariamente educativa alocução de Michael Lewis na recepção aos novos alunos de Princeton (via @R_Thaler).
Deveria ser uma vergonha absoluta para uma universidade de economia associar-se a iniciativas demagógicas sem qualquer sustentação séria como a comemoração do chamado "dia da libertação dos impostos".
É fácil perceber-se a eficácia propagandística da coisa falando com os cidadãos comuns (ou mesmo com alguns não tão comuns), os quais imaginam que o grosso dos impostos serve para pagar os salários dos políticos, ou, no melhor dos casos, os dos funcionários públicos.
E que tal se a Universidade Nova passasse a assinalar também o "dia da libertação do Serviço Nacional de Saúde", o "dia da libertação da educação", o "dia da libertação dos tribunais", o "dia da libertação das infraestruturas de transportes e comunicações" e o "dia da libertação da segurança pública"? Talvez fosse mais educativo, não?
Outra ideia: registar o "dia da libertação do crédito imobiliário", o "dia da libertação do retalho alimentar" e o "dia da libertação da água, do gás e da electricidade".
Sabem onde é que o "dia da libertação dos impostos ocorre mais cedo"? É em países como o Gana, o Afeganistão e o Bangladesh. Pois.
As universidades deveriam ser centro de difusão do conhecimento, mas a Faculdade de Economia da Universidade Nova prefere irradiar obscurantismo ao serviços de interesses obscuros.