Mostrar mensagens com a etiqueta ideologia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ideologia. Mostrar todas as mensagens

7.4.09

O multiplicador da ignorância

.
O Nobel da Economia Gary Becker declarou em 23 de Março ao Wall Street Journal:
"Keynesianism was out of fashion for so long that we stopped investigating variables the Keynesians would look at such as the multiplier, and there is almost no evidence on what the multiplier would be." He thinks that the paper by Christina Romer, chairman of the Council of Economic Advisors, "saying that the multiplier is about one and a half [is] based on very weak, even nonexistent evidence." His guess? "I think it is a lot less than one. It gets higher in recessions and depressions so it's above zero now but significantly below one. I don't have a number, I haven't estimated it, but I think it would be well below one, let me put it that way."
Isto é muito interessante pelo que revela do enviezamento ideológico que tem comandado a academia nas últimas décadas. Pura e simplesmente ninguém sabe qual é o valor do multiplicador porque ninguém se deu ao trabalho de calculá-lo!

Não estamos a falar de Portugal, onde os recursos para a investigação são muito escassos, mas dos EUA, com milhares de economistas em actividade, muitos deles Prémios Nobel como Becker.
.

18.1.09

O que mudar no ensino da economia

.
Surpreendeu-me a prontidão com que, interrogado sobre a necessidade de se reverem os currículos dos cursos de economia, Campos e Cunha respondeu há dias na SIC-N que, no seu entender, é preciso ensinar filosofia aos estudantes para melhorar a sua capacidade de reflexão aprofundada sobre os assuntos. Certíssimo, diria eu.

Surpreendeu-me também, mas negativamente, o Luis Aguiar-Conraria ao afirmar, questionado por Medeiros Ferreira, que nada há a mudar porque, afinal, tudo o que é relevante em matéria cientítica já lá tem cabimento. Eu esperaria que ele opinasse que não há muito a mudar, pelo menos de significativo - mas deixar tudo na mesma?

recentemente abordei o tema da responsabilidade de certas teorias económicas na erosão da confiança das instituições económicas, com particular ênfase no ensino da gestão. Mas talvez seja chegado o momento de, embora brevemente, tentar ir um pouco mais fundo.

A investigação que se faz no âmbito da economia é, em geral, séria e profícua. O principal problema está no modo como ela é embalada para ser ensinada aos estudantes universitários ou para intervir em debates públicos sobre temas de política económica. Em geral, eu diria que, ao contrário do que pretende o Luís, em Portugal como em todo o mundo, os currículos escolares se encontram infectados de ideologia de um tipo muito particular.

De outro modo, como explicar a voga que durante demasiados anos teve nas universidades a teoria das expectativas racionais, algo que se encontra tão afastado dos princípios do são raciocínio científico como o chamado Intelligent Design?

Hoje, é possível estudar-se economia com escassíssima referência a outros factos económicos que não aqueles que podem ser facilmente acomodados pelas teorias dominantes. Acima de tudo, há um evidente défice de cultura história na formação dos jovens economistas.

A base empírica de uma parte substancial das teorias ensinadas é, principalmente no que respeita à microeconomia, extremamente ténue ou mesmo inexistente. Em contrapartida, os alunos são submetidos a intensa lavagem ao cérebro com doses cavalares de modelos matemáticos abstractos de duvidosa relevância. Keynes e Hayek concordavam em classificar isto de pseudo-ciência.

Não será então altura de se começar a pensar em reformar seriamente este estado de coisas?

(Ler também, sobre esta polémica, uma série de posts dos Ladrões de Bicicletas.)
.