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12.3.09

O confisco das grandes fortunas como solução final para todos os problemas do país

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É preciso aumentar as pensões de reforma? Aplica-se um imposto sobre as grandes fortunas. Falta dinheiro no sistema nacional de saúde? A solução é um imposto sobre as grandes fortunas. Faltam fundos para financiar a escola pública? Por que não taxar as grandes fortunas? É preciso socorrer a indústria, a agricultura e as pescas? Não há problema, cria-se um imposto sobre as grandes fortunas.

Se bem entendo, é este o programa do Bloco de Esquerda para governar o país.

Mas por quê taxar as grandes fortunas e não expropriá-las pura e simplesmente? Tendo em conta que a riqueza acumulada de cada grande milionário é muito superior ao seu rendimento anual, o confisco renderia uma verba dezenas ou centenas de vezes superior à resultante do mais progressivo dos impostos.

Começando por Américo Amorim, segundo a Forbes o homem mais rico de Portugal, essa operação renderia imediatamente um valor líquido de 3,3 mil milhões de dólares (ou 2,6 mil milhões de euros).

A divisão dessa fortuna renderia a cada português a bela maquia de 260 euros, com a qual poderia fazer o que muito bem lhe apetecesse.

Bom, pensando melhor, não é assim muito... Mas, vendo bem, trata-se apenas de um milionário.

Vamos refazer as contas, abrangendo os quatro milionários portugueses incluídos nas contas da Forbes (Amorim, Belmiro, Berardo e Roque) e considerando antes os seus activos líquidos de 2008, ainda não afectados negativamente pela presenta crise.

Teríamos nesta alternativa 12,2 mil milhões de dólares (ou 9,5 mil milhões de euros) para repartir pelos portugueses. A cada um calhariam por conseguinte 952 euros. Já parece um número mais jeitoso.

Tendo em conta o baixo nível do salário médio em Portugal, não se pode negar que daria jeito. O problema é que a distribuição considerada teria lugar uma só vez, ou seja, uma vez realizada não poderia ser repetida nos anos seguintes.

Ocorre-me também agora outro problema... É que o grosso das grandes fortunas não se encontra disponível sob a forma monetária, mas antes aplicada, por exemplo, em terrenos e empresas.

Pois é, isto está a revelar-se um bocadinho mais complicado do que eu imaginara...
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4.3.09

Saber do que se fala

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Ontem, algumas televisões confrontaram os comentadores convidados com um estudo da OCDE segundo o qual daqui a 20 anos as pensões de reforma dos portugueses baixariam para apenas 50% do salário.

Notei divertido que, embora nenhum dos interpelados conhecesse sequer superficialmente o estudo, todos se prestaram de boa vontade a tecer doutas considerações sobre as suas alegadas conclusões.

O que de facto lá se diz e como as previsões a longo prazo se comparam com a realidade actual é aqui explicado com toda a clareza pelo Eduardo Pitta.

Mas não queria deixar de mencionar a reacção do Fernando Rosas na SIC-Notícias quando questionado sobre o que poderia ser feito para assegurar pensões mais elevadas. Sem se atrapalhar, o Fernando resolveu de pronto o assunto propondo um imposto sobre as grandes fortunas.

Já perdi a conta à quantidade de problemas que o Bloco de Esquerda se propõe resolver com o imposto sobre as grandes fortunas. Não há nesse partido de professores ninguém capaz de fazer uns cálculos elementares e concluir que a ideia não tem ponta por onde se lhe pegue?

Se calhar há, mas não interessa fazê-los.
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