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9.3.09

Eu próprio

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Um leitor perguntou-me há tempos numa caixa de comentários da Jugular: "Por acaso trabalha ou já trabalhou numa empresa privada?", ao que eu, por ser verdade, respondi: "Sim".

Reacção do comentador: "Extraordinário, caro João Castro. Enganei-me. Construí uma imagem a seu respeito que não corresponde à realidade. Tinha "engatilhado" uma resposta pressupondo um "não" mas agora fiquei desarmado. Só me resta meter a viola no saco e rever as minhas teorias sobre quem é quem com base no que escreve. Fiquei banzado. Chapeau."

Para ser mais exacto, eu deveria antes ter esclarecido que já fui funcionário público, já trabalhei numa empresa pública e já trabalhei em empresas privadas. Já trabalhei em empresas portuguesas e já trabalhei em multinacionais. Já trabalhei em empresas grandes, pequenas e muito pequenas. Já fui assalariado e patrão. Finalmente, já participei na criação de cinco empresas, das quais uma por conta de outrém e quatro como accionista.

Curiosamente, permaneci sempre a mesma pessoa. Não nego que essas metamorfoses alteraram (e, acredito eu, enriqueceram) o meu modo de entender as coisas, mas procurei sempre não ser escravo de uma visão exclusivamente condicionada pelos interesses inerentes a um estatuto particular.

Tampouco entendo que essa atitude seja exclusivo meu: ninguém é imune aos interesses pessoais e de grupo associados às funções que ocupa; mas a maioria das pessoas dotadas de um sentido mínimo de responsabilidade recusa deixar-se cegar por eles.
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