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Jack Welch, o ex-CEO da General Electric, não inventou nada quando, há dias, criticou a concepção segundo a qual a criação de valor para o accionista deve ser o propósito central das empresas.
Eu diria mesmo que quase todos os principais teóricos da gestão, a começar por Peter Drucker, discordam de que o lucro deva ser o objectivo principal dos gestores. Drucker considerava que o lucro nem sequer é, a bem dizer, um objectivo, mas apenas uma condição de sobrevivência. "The purpose of business", diz ele algures, "is to stay in business".
O lucro empresarial é necessário porque é o custo do futuro. Uma empresa não lucrativa não pode assegurar a sua continuidade investindo nos activos tangíveis e intangíveis em que assenta o negócio.
Mais recentemente, as investigações de Jim Collins divulgadas nos seus livros "Built to Last" e "From Good to Great" confirmaram que as empresas com maior êxito nem sequer se preocupam muito com os lucros - eles resultam naturalmente de uma gestão competente asssente em ideários mobilizadores e lideranças capazes.
Nas escolas de gestão, a ênfase na criação de valor para o accionista (expressão eufemística para designar a ganância sem limites) foi introduzida por pessoas formadas na tradição da teoria económica oriunda de Chicago e sem qualquer espécie de contacto com o mundo empresarial (com excepção, talvez, do financeiro).
Como há um excesso de doutorados em economia e uma carência de doutorados em ciências empresariais, os departamentos de gestão foram progressivamente invadidos por cabeças recheadas de doutrinas dogmáticas mas desconhecedoras das mais elementares realidades empresariais.
E foi assim que, também nas escolas de gestão, gerações de jovens foram formadas nas ideias equivocadas e imorais que atribuem absoluta prioridade aos accionistas sobre todos os restantes stakeholders aos quais as empresas deveriam prestar contas.
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19.3.09
15.3.09
Que propósito deve orientar uma empresa
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É muito reconfortante ouvir Jack Welch, ex-CEO da GE, dizer algo que, tal como muitas outras pessoas, venho defendendo há anos:
(Via Helena Garrido.)
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É muito reconfortante ouvir Jack Welch, ex-CEO da GE, dizer algo que, tal como muitas outras pessoas, venho defendendo há anos:
"On the face of it, shareholder value is the dumbest idea in the world," he said. "Shareholder value is a result, not a strategy... Your main constituencies are your employees, your customers and your products."Confrontem isto com o que continuam a sustentar alguns dos nossos mais proeminentes capitães de indústria, incluindo António Mexia, Zeinal Bava e Belmiro de Azevedo, por exemplo.
(Via Helena Garrido.)
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