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6.1.09

Um pensamento cruel

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Dei comigo a pensar nos últimos dias que a causa palestiniana, no sentido nobre do termo, está hoje morta e enterrada.

O acordo de Oslo de 93, em que a Fatah finalmente reconheceu o direito de Israel à existência ao mesmo tempo que Israel se comprometia a iniciar a retirada dos territórios ocupados e a aceitar a Autoridade Palestiniana veio a revelar-se tristemente o princípio do fim dessa causa.

É verdade que os governos israelitas só lentamente, de forma limitada e a contra-gosto têm vindo a cumprir a sua parte do entendimento alcançado. Mas, tendo em conta o comportamento dos líderes palestinianos desde então, essa evidente duplicidade até parece, a posteriori, mais compreensível.

O que todo o mundo tem visto é que os palestinianos parecem incapazes de governar-se a si próprios: primeiro, foi o enriquecimento dos governantes à custa da ajuda internacional; depois, a progressiva deriva de violência interna que culminou na guerra civil entre a Fatah e o Hamas e na separação entre Gaza e a Margem Ocidental.

Hoje, Gaza pouco mais é do que um território submetido à tirania de um grupo terrorista que diariamente organiza acções violentas contra o Estado vizinho.

Nestas circunstâncias, como pode esperar-se que Israel desmantele os colonatos, devolva mais territórios, desista do Muro e aceite que as autoridades palestinianas adquiram mais poderes?

Hoje, o mundo sente pelos palestinianos pena, mas não respeito. Oxalá me engane, mas suspeito que, para eles, chegou mesmo o fim da história.
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29.12.08

Cãezinhos de Pavlov

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Compreendi a execução do xeque Yassin, aquele cegueta paralítico que treinava crianças para se fazem explodir nas ruas das cidades de Israel, assim como condenei a invasão israelita do Líbano em Agosto de 2006. Mais recentemente, temi a eventualidade de um ataque aéreo de Israel apoiado pelos EUA contra as alegadas instalações nucleares iranianas.

Certos cãezinhos de Pavlov, que praticam a indignação selectiva, não compreendem isto.

Mas é muito fácil de entender por quem quiser entender: eu preocupo-me por igual com os direitos de israelitas e palestinianos, e é desse princípio que decorre tudo o resto. Não ignoro as injustiças históricas que se encontram na raiz do conflito, mas sei também que, não sendo possível regressar-se à situação prévia a 1948, ambos os povos que hoje habitam aquele território têm direito a uma pátria onde possam viver em paz.

Critico as iniciativas políticas e militares que nos afastam de uma solução aceitável e duradoura, particularmente aquelas que ameaçam degenerar numa escalada de violência, mas não posso negar a uma e outra parte o direito à legítima defesa, na condição de que a reacção seja justificada e proporcional.

Não houve certamente proporcionalidade quando Israel invadiu o Líbano em retaliação pelo rapto de dois soldados e em seguida bombardeou edifícios de habitação a pretexto de que haveria não sei quê escondido na sua cave. Não é possível evitar em absoluto vítimas civis em conflitos desta natureza, mas é certamente exigível que tudo seja feito para minorá-las, o que na cirunstância, creio eu, não aconteceu.

A situação é bem distinta agora. Durante dias e semanas, a seita de animais ferozes que dá pelo nome de Hamas despejou fogo de artilharia sobre Israel, matando de passagem civis palestinianos residentes na faixa de Gaza. O contra-ataque de Israel parece, até ao momento, concentrar-se exclusivamente em alvos militares e ter o objectivo muito claro de impor ao Hamas uma nova trégua.

Enquanto se conservar nesses limites, parece-me justo reconhecer a legitimidade desta acção militar. É só.
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