"A verdade é que Guterres durou pouco mais de um ano à "vaia das elites". Sócrates durará pouco mais que isso e Mendes arrisca-se mesmo a ser primeiro-ministro."
Quem escreveu estas sábias palavras foi o sempre preclaro Rodrigo Moita de Deus, porta-voz oficioso das elites do país que, nas breves e raras interrupções da infindável torrente dos seus ditos espirituosos, ainda tem tempo e talento para nos brindar com inesquecíveis peças de análise política.
Convém anotar estas afirmações, para a gente daqui a dois anos não se esquecer de dar ao rapaz o reconhecimento que lhe é devido.
13.4.07
"O tipo é maricas e nem é dótor"
Ía-me passando, que eu tenho andado muito ocupado e um bocado distraído. Que não vos passe a vós: "E agora, José?"
"...a facilidade com que os media parecem, recentemente, embarcar em causas sem reconfirmarem o trabalho dos colegas"
De Rui Cerdeira Branco, ler aqui: "O contraditório do Sporting".
60s Crash Course - John Coltrane: My Favorite Things (2)
Outra versão, dois ou três anos depois, aqui com McCoy Tyner, Jimmy Garrison e Elvin Jones.
60s Crash Course - John Coltrane: My Favorite Things (1)
John Coltrane no sax tenor com Elvin Jones na bateria, McCoy Tyner ao piano e Eric Dolphy na flauta. O som não está à altura da música, mas paciência.
12.4.07
Novas revelações sobre o caso do Público
Lido aqui:
A NOTÍCIA DO PÚBLICO NÃO É VERDADEIRA
A propósito de um conjunto de notícias e opiniões publicadas na comunicação social e da tomada de posição do Sindicato dos Jornalistas, transmitindo todas a ideia segundo a qual a condenação do jornal o Público em Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça se ficaria a dever à publicação de uma notícia verdadeira sobre supostas dívidas fiscais do Clube, considera-se essencial esclarecer o seguinte:
1- Em 22 de Fevereiro de 2001 o Público deu à estampa, em primeira página, uma notícia peremptória, segundo a qual o Sporting Clube de Portugal tinha uma dívida ao fisco "de 460 mil contos, anterior a 1996 que terá sido executada mas nunca cobrada".
Ao contrário do que é afirmado em diversas intervenções e títulos de notícias (v.g. "Notícia verdadeira dá sanção"), em parte alguma do processo, quer nas decisões de primeira e segunda instância, quer na decisão do STJ, ficou provado que a notícia do Público fosse verdadeira.
Pelo contrário, a sentença da primeira instância, que fixou definitivamente os factos, é claríssima quando afirma que o Público e os demais jornalistas réus não fizeram "prova da efectiva existência desta dívida".
2 - Pelo contrário, ficou provado que o SCP incluiu no requerimento de adesão ao Plano Mateus todas as dívidas fiscais apuradas pela Secretaria de Estado dos Assuntos fiscais; ficou provado que o SCP sempre cumpriu os pagamentos decorrentes da adesão. Ficou também provado que à data da publicação o SCP não fora notificado pela Administração Fiscal de qualquer dívida nem fora interpelado para pagar a suposta dívida constante da notícia. Ficou ainda provado que o SCP desmentiu expressamente ao Público o teor da notícia, no dia anterior à publicação da mesma.
3 - Mais se demonstra que a notícia não era verdadeira pois o próprio Público, em 23 de Maio de 2001, publica outra notícia sobre o tema, na qual se vislumbram dois aspectos fundamentais:
a) a verba de 465 mil contos que o jornal inicialmente dizia de forma peremptória ser devida pelo Sporting Clube de Portugal era, afinal, uma verba remanescente, apurada pela Administração Fiscal, que dizia respeito ao conjunto dos Clubes que aderiram à dação em pagamento das receitas do Totobola, para regularização das dívidas desses Clubes.
b) afinal essa quantia de 465 mil contos não tinha sido executada ao Sporting, resultava antes de discrepâncias no apuramento da totalidade das dívidas dos Clubes para efeitos de adesão à dação em pagamento, apuramento esse que tinha sido efectuado pelas Direcções Distritais de Finanças. E o Público vai mais longe, noticiando que afinal esses 465 mil contos - supostamente devidos pelo Sporting - são da responsabilidade da Liga e da Federação!
Ou seja, é o próprio jornal que, embora de forma implícita, desmente a notícia inicial: percebe-se desta segunda notícia que a dívida totalmente imputada na notícia inicial ao Sporting não é uma dívida do Clube e percebe-se também que houve lapsos da administração fiscal no apuramento das dívidas, ao que o Sporting e os seus dirigentes são alheios.
4 - Mas importa ainda recordar que, passados cinco anos da publicação da notícia que lhe imputava a dívida de 460 mil contos, o SCP foi notificado pela Administração Fiscal para pagar a verba (agora em euros) de 460 mil contos noticiada e demonstrou que a mesma não era devida.
5 - Ou seja, a notícia não era, efectivamente, verdadeira, o Sporting não devia nem nunca deveu os noticiados 460 mil contos ao fisco... Lamenta-se por isso que a análise ao Acórdão do STJ sobre a matéria esteja a assentar nos pressupostos da veracidade e da excelência do trabalho jornalístico, quando nem um nem outro são verdadeiros.
O Conselho Directivo
Sporting Clube de Portugal
A NOTÍCIA DO PÚBLICO NÃO É VERDADEIRA
A propósito de um conjunto de notícias e opiniões publicadas na comunicação social e da tomada de posição do Sindicato dos Jornalistas, transmitindo todas a ideia segundo a qual a condenação do jornal o Público em Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça se ficaria a dever à publicação de uma notícia verdadeira sobre supostas dívidas fiscais do Clube, considera-se essencial esclarecer o seguinte:
1- Em 22 de Fevereiro de 2001 o Público deu à estampa, em primeira página, uma notícia peremptória, segundo a qual o Sporting Clube de Portugal tinha uma dívida ao fisco "de 460 mil contos, anterior a 1996 que terá sido executada mas nunca cobrada".
Ao contrário do que é afirmado em diversas intervenções e títulos de notícias (v.g. "Notícia verdadeira dá sanção"), em parte alguma do processo, quer nas decisões de primeira e segunda instância, quer na decisão do STJ, ficou provado que a notícia do Público fosse verdadeira.
Pelo contrário, a sentença da primeira instância, que fixou definitivamente os factos, é claríssima quando afirma que o Público e os demais jornalistas réus não fizeram "prova da efectiva existência desta dívida".
2 - Pelo contrário, ficou provado que o SCP incluiu no requerimento de adesão ao Plano Mateus todas as dívidas fiscais apuradas pela Secretaria de Estado dos Assuntos fiscais; ficou provado que o SCP sempre cumpriu os pagamentos decorrentes da adesão. Ficou também provado que à data da publicação o SCP não fora notificado pela Administração Fiscal de qualquer dívida nem fora interpelado para pagar a suposta dívida constante da notícia. Ficou ainda provado que o SCP desmentiu expressamente ao Público o teor da notícia, no dia anterior à publicação da mesma.
3 - Mais se demonstra que a notícia não era verdadeira pois o próprio Público, em 23 de Maio de 2001, publica outra notícia sobre o tema, na qual se vislumbram dois aspectos fundamentais:
a) a verba de 465 mil contos que o jornal inicialmente dizia de forma peremptória ser devida pelo Sporting Clube de Portugal era, afinal, uma verba remanescente, apurada pela Administração Fiscal, que dizia respeito ao conjunto dos Clubes que aderiram à dação em pagamento das receitas do Totobola, para regularização das dívidas desses Clubes.
b) afinal essa quantia de 465 mil contos não tinha sido executada ao Sporting, resultava antes de discrepâncias no apuramento da totalidade das dívidas dos Clubes para efeitos de adesão à dação em pagamento, apuramento esse que tinha sido efectuado pelas Direcções Distritais de Finanças. E o Público vai mais longe, noticiando que afinal esses 465 mil contos - supostamente devidos pelo Sporting - são da responsabilidade da Liga e da Federação!
Ou seja, é o próprio jornal que, embora de forma implícita, desmente a notícia inicial: percebe-se desta segunda notícia que a dívida totalmente imputada na notícia inicial ao Sporting não é uma dívida do Clube e percebe-se também que houve lapsos da administração fiscal no apuramento das dívidas, ao que o Sporting e os seus dirigentes são alheios.
4 - Mas importa ainda recordar que, passados cinco anos da publicação da notícia que lhe imputava a dívida de 460 mil contos, o SCP foi notificado pela Administração Fiscal para pagar a verba (agora em euros) de 460 mil contos noticiada e demonstrou que a mesma não era devida.
5 - Ou seja, a notícia não era, efectivamente, verdadeira, o Sporting não devia nem nunca deveu os noticiados 460 mil contos ao fisco... Lamenta-se por isso que a análise ao Acórdão do STJ sobre a matéria esteja a assentar nos pressupostos da veracidade e da excelência do trabalho jornalístico, quando nem um nem outro são verdadeiros.
O Conselho Directivo
Sporting Clube de Portugal
Lucidez
Anoto com satisfação o facto de praticamente todos os bloggers que mais prezo terem sabido, apesar de algumas naturais divergências de opinião, conservar a lucidez a propósito do "caso" da licenciatura do primeiro-ministro:
1. José Sócrates, de Tiago Barbosa Ribeiro
2. A inversão do ónus da prova, de Paulo Gorjão
3. Provas, inversões e outras confusões, de Miguel Abrantes
4. Salvem o jornalismo, de Rui Cerdeira Branco
5. Em que ficamos?, de Eduardo Pitta
6. A minha opinião, de Lutz Bruckelmann
7. Deprimi..., por Cenas Obscenas
8. Queen Anne is dead, de Filipe Nunes Vicente
9. Quando os jornais dependem da colaboração dos actores políticos, de Alexandre Guerra
10. Questões políticas passageiras e questões de Estado, de Rui Pena Pires
1. José Sócrates, de Tiago Barbosa Ribeiro
2. A inversão do ónus da prova, de Paulo Gorjão
3. Provas, inversões e outras confusões, de Miguel Abrantes
4. Salvem o jornalismo, de Rui Cerdeira Branco
5. Em que ficamos?, de Eduardo Pitta
6. A minha opinião, de Lutz Bruckelmann
7. Deprimi..., por Cenas Obscenas
8. Queen Anne is dead, de Filipe Nunes Vicente
9. Quando os jornais dependem da colaboração dos actores políticos, de Alexandre Guerra
10. Questões políticas passageiras e questões de Estado, de Rui Pena Pires
10.4.07
60s Crash Course - Miles Davis: Miles Runs the Voodoo Down
Miles Davis, Wayne Shorter, Chick Corea, Dave Holland e Jack de Johnette em 27 de Outubro de 1969, no Teatro Sistina de Roma. Suponho que seja o mesmo grupo que nesse ano tocou em Cascais.
9.4.07
Rui Costa, dá-me a tua camisola
David Luiz (o Ricardo Carvalho do Benfica) não esteve mal. Tal como não estiveram mal Nuno Gomes (o Gomes do Benfica), Miccoli (o Rui Barros do Benfica), Rui Costa (o Oliveira do Benfica) e Simão (o Futre do Benfica). Sem esquecer Derlei (o Derlei do Benfica). Mas é claro que fez falta Luisão (o Fernando Couto do Benfica).
Agora quem de facto safou mesmo a coisa, já depois da hora, foi Lucílio Baptista (o Pai Natal do Benfica).
Agora quem de facto safou mesmo a coisa, já depois da hora, foi Lucílio Baptista (o Pai Natal do Benfica).
8.4.07
Jornalismo de sarjeta
O resultado das "investigações" que alguns jornais têm vindo a conduzir sobre a licenciatura do primeiro-ministro resume-se até agora, como procurei demonstrar ironicamente no meu último post, em duas palavras: uma mão-cheia de nada.
Rui Pena Pires esclarece aqui mais um confusão atrevida e irresponsável de alguém que, todavia, continua a alegar boa-fé.
O problema das campanhas de calúnias é que é praticamente inútil desmontá-las uma a uma, porque, não tendo a grande maioria das pessoas paciência para acompanhar o detalhe do que está em discussão, fica assegurado o efeito de abalar a honorabilidade do visado.
Há dias, dizia o procurador especial JMF na SIC Notícias que não pode comparar-se esta investigação com o affaire Monica Lewinski, porque aí estava em causa uma questão do foro íntimo, ao passo que aqui estamos perante uma questão eminentemente pública.
Não sei se será assim tão óbvio qualificar como um caso privado uma relação sexual na Sala Oval entre o Presidente dos EUA e uma estagiária da Casa Branca, mas adiante. A questão não é essa. O que aproxima ambas as situações e é típico da política suja é a tentativa de questionar o carácter de um responsável governamental para atacá-lo politicamente.
Lá como cá, neste tipo de campanha, cujas motivações só podemos conjecturar, vale tudo, como por estes dias temos temos podido observar. A maior tristeza, bem definidora da miséria intelectual que tomou conta do país, é que, por cá, o pontapé de saída foi dado pela imprensa de referência, não pelos jornais de escândalos.
Rui Pena Pires esclarece aqui mais um confusão atrevida e irresponsável de alguém que, todavia, continua a alegar boa-fé.
O problema das campanhas de calúnias é que é praticamente inútil desmontá-las uma a uma, porque, não tendo a grande maioria das pessoas paciência para acompanhar o detalhe do que está em discussão, fica assegurado o efeito de abalar a honorabilidade do visado.
Há dias, dizia o procurador especial JMF na SIC Notícias que não pode comparar-se esta investigação com o affaire Monica Lewinski, porque aí estava em causa uma questão do foro íntimo, ao passo que aqui estamos perante uma questão eminentemente pública.
Não sei se será assim tão óbvio qualificar como um caso privado uma relação sexual na Sala Oval entre o Presidente dos EUA e uma estagiária da Casa Branca, mas adiante. A questão não é essa. O que aproxima ambas as situações e é típico da política suja é a tentativa de questionar o carácter de um responsável governamental para atacá-lo politicamente.
Lá como cá, neste tipo de campanha, cujas motivações só podemos conjecturar, vale tudo, como por estes dias temos temos podido observar. A maior tristeza, bem definidora da miséria intelectual que tomou conta do país, é que, por cá, o pontapé de saída foi dado pela imprensa de referência, não pelos jornais de escândalos.
7.4.07
The Graduate
- Professor, precisava de um grande favor seu.
- Se eu puder... Ora diga.
- Surgiu aqui uma coisa, e necessito do meu diploma hoje mesmo.
- Hoje mesmo? Mas qual é a pressa?
- Amanhã vou a uma entrevista para um emprego.
- Amanhã?
- Sim, amanhã. É por causa de um lugar de Secretário de Estado.
- Mas agora para isso também tem que se ter diploma?
- Diz que sim.
- O problema, está a ver, é que hoje é Domingo... A Universidade está fechada...
- Pois, mas eu sei que a Secretaria já tem tudo pronto. Só falta a sua assinatura. De maneira que, se puder passar por lá, é só fazer a rubricazinha - e já está!
- Há mais uma coisa... Hoje é Domingo... Não se passam diplomas ao Domingo... Uma coisa assim vai levantar desconfianças...
- Oh senhor Reitor, por amor de Deus! Põe-se data de 6ª feira, e pronto! Ninguém tem nada que saber.
- Grande ideia! Vê-se logo que é engenheiro!
- Se eu puder... Ora diga.
- Surgiu aqui uma coisa, e necessito do meu diploma hoje mesmo.
- Hoje mesmo? Mas qual é a pressa?
- Amanhã vou a uma entrevista para um emprego.
- Amanhã?
- Sim, amanhã. É por causa de um lugar de Secretário de Estado.
- Mas agora para isso também tem que se ter diploma?
- Diz que sim.
- O problema, está a ver, é que hoje é Domingo... A Universidade está fechada...
- Pois, mas eu sei que a Secretaria já tem tudo pronto. Só falta a sua assinatura. De maneira que, se puder passar por lá, é só fazer a rubricazinha - e já está!
- Há mais uma coisa... Hoje é Domingo... Não se passam diplomas ao Domingo... Uma coisa assim vai levantar desconfianças...
- Oh senhor Reitor, por amor de Deus! Põe-se data de 6ª feira, e pronto! Ninguém tem nada que saber.
- Grande ideia! Vê-se logo que é engenheiro!
6.4.07
O pensamento onde não o vemos
"Cresci num ambiente filosófico em que o movimento consistia em sair da filosofia. (...) Aquilo que verdadeiramente me interessa é o pensamento onde não o vemos, medir esses fenómenos imperceptíveis de deslocamento dos pensamentos e das sensibilidades que determinam as transformações sociais e políticas."
Jacques Rancière, no Público de hoje
Jacques Rancière, no Público de hoje
3.4.07
60s Crash Course - The Troggs: Anyway That You Want Me/ I Want You/ I Can't Control Myself
A qualidade do video é deplorável de todos os pontos de vista imagináveis, mas foi o melhor que se conseguiu arranjar do mais chanfrado dos grupos pop. À beira disto, os Who são música clássica
Já faltou mais
2.4.07
Deve a Europa ajudar os EUA no Iraque?
A pior opção que os EUA podem tomar no Iraque é escolherem a escalada do conflito, promovendo a guerra civil no Líbano e ameaçando invadir o Irão.
A segunda pior opção é retirar precipitadamente do Iraque, deixando o país mergulhado no caos e traindo os aliados locais.
A primeira opção é a favorita da administração Bush, até porque vem na sequência lógica da grandiosa estratégia neocon para o Médio Oriente. A segunda é a que, de momento, mais atrai os democratas.
Se vencer a doutrina que exige o abandono no prazo máximo de 1 ano - ou seja, a tempo de o próximo Presidente evitar herdar a batata quente - os EUA não precisarão do apoio da Europa. Se vencer a aposta no alastramento do conflito, a Europa deve manter-se à parte.
Só admito que a Europa mude de posição se os EUA estiverem dispostos a rever por inteiro a sua política no Médio Oriente. Isso teria de começar por um acto de contrição em relação ao passado recente.
Infelizmente, ainda não houve até hoje qualquer sinal de que Bush esteja genuinamente apostado em arrepiar caminho.
Assim, se a Grã-Bretanha quiser persistir no erro de apoiar cegamente os EUA, o problema será dela. Não terá qualquer legitimidade para exigir o apoio político da União Europeia quando, como na passada semana sucedeu, se deixa enredar nos preparativos da guerra dos EUA contra o Irão.
A segunda pior opção é retirar precipitadamente do Iraque, deixando o país mergulhado no caos e traindo os aliados locais.
A primeira opção é a favorita da administração Bush, até porque vem na sequência lógica da grandiosa estratégia neocon para o Médio Oriente. A segunda é a que, de momento, mais atrai os democratas.
Se vencer a doutrina que exige o abandono no prazo máximo de 1 ano - ou seja, a tempo de o próximo Presidente evitar herdar a batata quente - os EUA não precisarão do apoio da Europa. Se vencer a aposta no alastramento do conflito, a Europa deve manter-se à parte.
Só admito que a Europa mude de posição se os EUA estiverem dispostos a rever por inteiro a sua política no Médio Oriente. Isso teria de começar por um acto de contrição em relação ao passado recente.
Infelizmente, ainda não houve até hoje qualquer sinal de que Bush esteja genuinamente apostado em arrepiar caminho.
Assim, se a Grã-Bretanha quiser persistir no erro de apoiar cegamente os EUA, o problema será dela. Não terá qualquer legitimidade para exigir o apoio político da União Europeia quando, como na passada semana sucedeu, se deixa enredar nos preparativos da guerra dos EUA contra o Irão.
Um político bom é um político morto
Que há de comum entre Salazar, Adenauer, De Gaulle e Churchill? Resposta: todos ganharam nos seus respectivos países o equivalente do nosso concurso para a eleição do Maior Português.
Será possível encontrar aqui um padrão? Sim:
1. Todos nasceram ainda no século XIX, ou seja, há bem mais de um século
2. Todos morreram entre 1965 e 1970, ou seja, há pelo menos 37 anos
3. Todos exerceram o poder máximo executivo nas suas pátrias em meados do século XX
4. Todos abandonaram esses cargos há pelo menos 40 anos
A conclusão parece-me clara: os povos preferem os políticos mortos aos políticos vivos, provavelmente pela mesma razão que nos leva a romancear as duras vivências passadas, num processo que se inicia pela lenta dissolução da memória e mais tarde se conclui com a doce reconstrução dos factos pela imaginação até só guardar com a realidade o mais ténue dos laços. Ora, para que esta reencenação esteja concluída exige-se tempo.
Churchill ou Salazar, que importa isso, se o método de escolha - se de método se pode falar - foi, no fundo, o mesmo?
Como dizia o outro: "Não há paraísos senão os perdidos".
PS - É claro que isto não é para levar muito a sério. Agora, que toda a gente já disse o seu disparate, não terei também direito ao meu?
Será possível encontrar aqui um padrão? Sim:
1. Todos nasceram ainda no século XIX, ou seja, há bem mais de um século
2. Todos morreram entre 1965 e 1970, ou seja, há pelo menos 37 anos
3. Todos exerceram o poder máximo executivo nas suas pátrias em meados do século XX
4. Todos abandonaram esses cargos há pelo menos 40 anos
A conclusão parece-me clara: os povos preferem os políticos mortos aos políticos vivos, provavelmente pela mesma razão que nos leva a romancear as duras vivências passadas, num processo que se inicia pela lenta dissolução da memória e mais tarde se conclui com a doce reconstrução dos factos pela imaginação até só guardar com a realidade o mais ténue dos laços. Ora, para que esta reencenação esteja concluída exige-se tempo.
Churchill ou Salazar, que importa isso, se o método de escolha - se de método se pode falar - foi, no fundo, o mesmo?
Como dizia o outro: "Não há paraísos senão os perdidos".
PS - É claro que isto não é para levar muito a sério. Agora, que toda a gente já disse o seu disparate, não terei também direito ao meu?
A questão
Pedro Magalhães, no Público de hoje (link indisponível):
Ora aí está uma boa pergunta.
Não deixa de ser curioso que uma parcela substancial das nossas elites esteja disposta a tomar como bom ponto de partida para a reflexão tudo aquilo que confirme a ideia de que os portugueses são desinformados, medrosos, intolerantes, incultos, infantis ou autoritários. Insatisfeitos com a democracia, dispostos a voltar ao passado ou, pelo menos, vulneráveis aos populismos. Deve ser também por isso que um cartaz vagamente cómico no Marquês de Pombal dá direito a notícias de abertura em espaços noticiosos e gera declarações de ministros, parlamentares e procuradores. Semelhante paternalismo, mesmo que iliberal no que toca ao direito de exprimir opiniões (por imbecis ou abjectas que sejam), até pode ser bem-intencionado. Mas, já agora, se me permitem a pergunta: quando as elites intelectuais de um país acham que o povo desse país é, no fundo, um bocado estúpido, até que ponto podem elas próprias ser, digamos, sinceramente democráticas?
Ora aí está uma boa pergunta.
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