Ensina-nos Henrique Raposo no Atlântico: "Na guerra, não assassinamos pessoas. Na guerra, matamos o inimigo."
11.2.08
O crime está apenas a uma palavra do perdão
Ensina-nos Henrique Raposo no Atlântico: "Na guerra, não assassinamos pessoas. Na guerra, matamos o inimigo."
Yes, he can
O João Caetano fez notar que Obama conseguiu as suas maiores vitórias nos Estados em que o caucus é o sistema de voto utilizado. Isso voltou a acontecer neste fim de semana.
Nos caucuses, a votação é feita por braço no ar e em várias séries ao longo de muitas horas. Naturalmente, tende a afastar os eleitores menos militantes.
Pense-se o que se pensar do método, o certo é que é muito diferente daquele que será utilizado quando chegarmos às eleições a sério. Logo, será de esperar também nessa altura resultados bem distintos.
O eleitorado democrático anda a divertir-se à brava, mas o seu candidato corre o risco de repetir, em Novembro, o score de McGovern.
(Ler sobre o tema mais este post do João no Goodnight Moon.)
Nos caucuses, a votação é feita por braço no ar e em várias séries ao longo de muitas horas. Naturalmente, tende a afastar os eleitores menos militantes.
Pense-se o que se pensar do método, o certo é que é muito diferente daquele que será utilizado quando chegarmos às eleições a sério. Logo, será de esperar também nessa altura resultados bem distintos.
O eleitorado democrático anda a divertir-se à brava, mas o seu candidato corre o risco de repetir, em Novembro, o score de McGovern.
(Ler sobre o tema mais este post do João no Goodnight Moon.)
9.2.08
Alcochete é um barrete
Foi preciso o exilado político João Cravinho vir a Lisboa para conseguirmos ouvir alguém declarar o óbvio acerca do relatório comparativo entre as alternativas Ota e Alcochete elaborado pelo LNEC, ou seja: que algumas das conclusões contidas no documento não são suportadas pelos restantes capítulos que nele se incluem; que a opção Alcochete foi convenientemente aligeirada de importantíssimas rubricas de custos; que a recusa de atribuir uma ponderação aos diversos factores envolvidos na escolha final é a anedota do século; e que o Presidente do Instituto tem invocado em intervenções públicas argumentos que os estudos disponíveis não confirmam.
Não advogo que o dossier do novo aeroporto seja reaberto. Lisboa precisa urgentemente de uma infraestrutura capaz de proporcionar níveis de serviço adequados a todos os interessados, e já se perdeu demasiado tempo.
Mas é indispensável que se compreenda o monumental logro que culminou na escolha de Alcochete e que se medite sobre as condições que, neste caso como noutros, permitiram que, com toda a tranquilidade e com o aplauso de tantos inocentes úteis, se fizesse tábua rasa do interesse nacional. Um Estado frágil, indefeso perante o peso e a capacidade de mobilização dos interesses particulares, é o terreno fértil no qual cresce e alastra a corrupção.
O caso passou-se à vista de todos: ninguém pode queixar-se de falta de transparência. Não podemos, pois, pretender que a culpa é dos outros, que não temos nada com isso, que a responsabilidade é dos políticos. Mas parece que, tirando o Engº João Cravinho, não há no país nem técnicos nem figuras públicas com coluna vertebral.
Não advogo que o dossier do novo aeroporto seja reaberto. Lisboa precisa urgentemente de uma infraestrutura capaz de proporcionar níveis de serviço adequados a todos os interessados, e já se perdeu demasiado tempo.
Mas é indispensável que se compreenda o monumental logro que culminou na escolha de Alcochete e que se medite sobre as condições que, neste caso como noutros, permitiram que, com toda a tranquilidade e com o aplauso de tantos inocentes úteis, se fizesse tábua rasa do interesse nacional. Um Estado frágil, indefeso perante o peso e a capacidade de mobilização dos interesses particulares, é o terreno fértil no qual cresce e alastra a corrupção.
O caso passou-se à vista de todos: ninguém pode queixar-se de falta de transparência. Não podemos, pois, pretender que a culpa é dos outros, que não temos nada com isso, que a responsabilidade é dos políticos. Mas parece que, tirando o Engº João Cravinho, não há no país nem técnicos nem figuras públicas com coluna vertebral.
Serões para trabalhadores
Vejam aqui o Alfred Brendel a tocar o Impromptu nº 3 de Schubert. Sou de opinião que a grande música ganha muito em ser vista: eu, pelo menos, compreendo-a melhor assim, acompanhando as linhas sonoras cruzadas que os dedos do pianista vão desenhando sobre o teclado.
A palavra "impromptu" pretende sugerir improviso, mas é mentira - ou melhor, mentirinha - embora não mais do que muitos "improvisos" de jazz que, na verdade, foram ensaiados e repetidos um milhão de vezes antes de serem submetidos à nossa apreciação. A parte verdadeira é que Schubert, de facto, gostava muito de improvisar entre amigos, e é possível que estas peças que depois registou por escrito tenham tido origem nesses momentos de inspiração ocasional.
8.2.08
Tudo o que você sempre quis saber e nunca teve paciência para aprender
Topei há pouco na FNAC com um volume intitulado Chinês em 15 Minutos. Juro.
Dois pensamentos:
1. Deve ter sido num livro deste género que o João Miranda estudou Economia
2. Para quando Física Quântica em 15 Segundos?
Dois pensamentos:
1. Deve ter sido num livro deste género que o João Miranda estudou Economia
2. Para quando Física Quântica em 15 Segundos?
Aplauso
Escreveu ontem Vital Moreira no Causa Nossa:
"Está visto que o LNEC se tornou o passa-responsabilidades políticas do Governo em matéria de obras públicas, como se estas fossem um simples problema de engenharia e não também um problema de economia e de ordenamento territorial e urbanístico, com uma incontornável dimensão política. A democracia não pode ser capturada pela tecnocracia. A decisão e a responsabilidade política não podem confundir-se com a decisão e a responsabilidade técnica."A sensação com que cada vez mais ficamos é que o Estado em Portugal não manda nada.
Sondagens para todos os gostos
Segundo esta sondagem, respigada no blogue de Dani Rodrik, Portugal é um dos poucos países onde uma clara maioria das pessoas acha que a globalização económica está a progredir demasiado devagar. Pode ser... Mas terá a pergunta sido feita em inglês?
Não percebe mesmo nada de bola...
O Maradona está, mais uma vez, redondamente enganado. O McCain, a Hilary e o Obama são todos do FC Porto.
7.2.08
"A really nice speech"
Brad de Long, que serviu na administração Clinton, explica porque votou em Obama:
"So none of the arguments against either candidate seems to me to weigh one way or another. So why did I vote for Barack Obama rather than HRC? Because he gives a really nice speech."
6.2.08
Não, mas sei
– Tu já estiveste em Jerusalém, Alpedrinha? perguntei, enfiando desconsoladamente as ceroulas.Em matéria de eleições americanas, eu estou como o Alpedrinha: não tenho nenhuma prova de que McCain derrotará inevitavelmente Obama - mas sei.
– Não senhor, mas sei... Peor que Braga! - Irra!
4.2.08
Despresidencializando Tony Blair
A candidatura de Tony Blair à Presidência da União Europeia tem quatro grandes argumentos a seu favor:
1. É inglês. Sendo a opinião pública britânica tão dominada pelo eurocepticismo, a presença de um inglês à frente dos destinos da Europa constituiria uma oportunidade única para transformar o sentimento geral no seu país.
2. Fala francês. Nos tempos que correm, o chauvinismo francês satisfaz-se com estas pequenas vitórias.
3. É atlantista. Blair é o líder europeu mais apreciado em Washington, embora não necessariamente por falar francês.
4. É católico. Sabe-se como as boas graças do Vaticano podem ajudar, principalmente - mas não só - na Europa meridional.
Em contrapartida, a candidatura de Blair apresenta quatro grandes inconvenientes;
1. É inglês. Hoje, ser-se inglês confere a qualquer mediocridade uma vantagem injusta, inclusive na culinária e no futebol. É tempo de serem instituídas quotas máximas para ingleses, a começar pela política.
2. Fala francês. Sim, mas não fala muito bem. E, depois, que se lixem os franceses!
3. É atlantista. A influência dos EUA foi muito benéfica para a Europa na segunda metade do século XX. Mas, com a democracia americana a degenerar em populismo mediático, o melhor é fugirmos às más companhias.
4. É católico. Com Bento XVI, a Igreja parece apostada em reconquistar influência política directa, conforme o comprova a presente campanha eleitoral em Espanha.
1. É inglês. Sendo a opinião pública britânica tão dominada pelo eurocepticismo, a presença de um inglês à frente dos destinos da Europa constituiria uma oportunidade única para transformar o sentimento geral no seu país.
2. Fala francês. Nos tempos que correm, o chauvinismo francês satisfaz-se com estas pequenas vitórias.
3. É atlantista. Blair é o líder europeu mais apreciado em Washington, embora não necessariamente por falar francês.
4. É católico. Sabe-se como as boas graças do Vaticano podem ajudar, principalmente - mas não só - na Europa meridional.
Em contrapartida, a candidatura de Blair apresenta quatro grandes inconvenientes;
1. É inglês. Hoje, ser-se inglês confere a qualquer mediocridade uma vantagem injusta, inclusive na culinária e no futebol. É tempo de serem instituídas quotas máximas para ingleses, a começar pela política.
2. Fala francês. Sim, mas não fala muito bem. E, depois, que se lixem os franceses!
3. É atlantista. A influência dos EUA foi muito benéfica para a Europa na segunda metade do século XX. Mas, com a democracia americana a degenerar em populismo mediático, o melhor é fugirmos às más companhias.
4. É católico. Com Bento XVI, a Igreja parece apostada em reconquistar influência política directa, conforme o comprova a presente campanha eleitoral em Espanha.
Os bons velhos tempos
"O capitalismo não parece a mesma coisa que em tempos já foi." A que tempos se refere precisamente Luciano Amaral, nos quais o Estado não intervinha para dar a mão às grandes empresas financeiras em crise? Como dizia o outro, não há paraísos senão os perdidos.
Finlândias que cantam
Para enquadrar melhor este oportuno comentário do Eduardo Pitta, faço notar que, ainda hoje, temos uma taxa de analfabetismo semelhante à dos países escandinavos no final do século XIX. E depois querem produtividade!
3.2.08
Revisionismo histórico
Prevejo que, em 2075, um historiador do Instituto de Ciências Sociais sustentará não só que Vasco Gonçalves foi afinal um governante assisado e competente, como também que, se não tivesse sido inopinadamente apeado em 1975, Portugal teria por certo entrado num prolongado período de paz, florescimento cultural e prosperidade.
Gostos não se discutem
Uma vitória à Benfica
Bulhão Pato, acerca do inolvidável Sporting-Porto de Domingo passado:
"Durante 90 minutos, a equipa do Sporting foi tratada pelo adversário como o calceteiro normalmente trata as pedras da rua: com marretadas persistentes e dolorosas. Mesmo assim, ganhámos.(...) Experimentei assim, pela primeira vez em tantos anos de sofrimento, a sensação de ganhar à Benfica. Confesso que é muito agradável. A teoria que sustenta que as recompensas sabem melhor depois de árduo trabalho não passa de um mito capitalista, que visa impedir que os meninos copiem ou que os pastores abusem repetidamente das suas ovelhas. Por isso, adoptei novo lema: façamos ovelhas moucas... ahem... orelhas moucas e paremos de assobiar o Farnerud. Habituem-se, já lá dizia o Vitorino: ganhar à Benfica é muito reconfortante."
1.2.08
Linha de rumo
A nova Ministra da Saúde é médica; o seu novo Secretário de Estado, também.
Para a remodelação governamental ser coerente, falta pôr um juíz na Justiça, um banqueiro nas Finanças, um general na Defesa e um sindicalista no Trabalho.
Também em matéria de corporações há filhos e enteados?
Para a remodelação governamental ser coerente, falta pôr um juíz na Justiça, um banqueiro nas Finanças, um general na Defesa e um sindicalista no Trabalho.
Também em matéria de corporações há filhos e enteados?
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