Eu estaria inclinado a concordar com o Rui: "estudar compensa".
Mas, por outro lado, temos que admitir que ao Vasco Pulido Valente não lhe fez bem nenhum, visto que ele nem sequer é capaz de ler um ranking, quanto mais interpretá-lo...
31.10.05
Devagar, devagarinho e parado
Rompendo um longo silêncio de cerca de um mês, o Público, pela voz do seu Director, reafirma hoje ter indicações seguras de que dois membros do Secretariado do PS terão estado envolvidos em negociações relacionadas com o regresso de Fátima Felgueiras a Portugal.
Li e reli com atenção a prosa do Público - confusíssima e longuíssima, note-se - e não dei conta de nenhum facto novo.
Se era só para dizer que o Público mantém o que afirmou na altura, porque é que demorou tanto tempo?
Pelos vistos não são só os tribunais portugueses que são lentos. O Público segue velozmente na sua peúgada.
Entretanto, um caso que, a confirmar-se, será extremamente grave, continuará a alimentar todas as suspeições imagináveis por tempo indeterminado.
Próxima etapa: lá para Fevereiro?
Li e reli com atenção a prosa do Público - confusíssima e longuíssima, note-se - e não dei conta de nenhum facto novo.
Se era só para dizer que o Público mantém o que afirmou na altura, porque é que demorou tanto tempo?
Pelos vistos não são só os tribunais portugueses que são lentos. O Público segue velozmente na sua peúgada.
Entretanto, um caso que, a confirmar-se, será extremamente grave, continuará a alimentar todas as suspeições imagináveis por tempo indeterminado.
Próxima etapa: lá para Fevereiro?
A esperteza saloia do PSD e o referendo
Recapitulando. Em tempos que já lá vão, António Guterres cometeu uma das maiores asneiras do seu consulado, ao decidir submeter a referendo o tema da interrupção voluntária da gravidez.
O referendo não foi válido, dado não ter votado a percentagem mínima de eleitores prevista na lei e, por esse motivo, as coisas ficaram como estavam.
Embora considere um erro a decisão inicial de referendar a interrupção voluntária da gravudez, concordo que, tendo sido esse o caminho escolhido, não é agora correcto a Assembleia legislar sobre o assunto enquanto não tiver lugar um novo referendo.
Por conseguinte, fez bem Sócrates quando, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, optou por esperar pela próxima sessão legislativa para desencadear o processo.
Dito isto, é preciso acrescentar que, ao contrário do PS, o PSD não está a jogar limpo, persistindo nas manobras dilatórias a que tem recorrido de há dez anos a esta parte para evitar que o problema seja resolvido de uma vez por todas. A esperteza saloia é a única arte em que Marques Mendes verdadeiramente se sente à vontade.
Nesse sentido, seria bom que fosse avisado de que, se o PSD não abandonar essa atitude - e há-de haver sempre pretextos para adiar uma e outra vez o referendo - o PS poderá nalgum momento ver-se forçado a mudar de ideias, aprovando uma nova lei na Assembleia da República sem mais demoras.
O referendo não foi válido, dado não ter votado a percentagem mínima de eleitores prevista na lei e, por esse motivo, as coisas ficaram como estavam.
Embora considere um erro a decisão inicial de referendar a interrupção voluntária da gravudez, concordo que, tendo sido esse o caminho escolhido, não é agora correcto a Assembleia legislar sobre o assunto enquanto não tiver lugar um novo referendo.
Por conseguinte, fez bem Sócrates quando, na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, optou por esperar pela próxima sessão legislativa para desencadear o processo.
Dito isto, é preciso acrescentar que, ao contrário do PS, o PSD não está a jogar limpo, persistindo nas manobras dilatórias a que tem recorrido de há dez anos a esta parte para evitar que o problema seja resolvido de uma vez por todas. A esperteza saloia é a única arte em que Marques Mendes verdadeiramente se sente à vontade.
Nesse sentido, seria bom que fosse avisado de que, se o PSD não abandonar essa atitude - e há-de haver sempre pretextos para adiar uma e outra vez o referendo - o PS poderá nalgum momento ver-se forçado a mudar de ideias, aprovando uma nova lei na Assembleia da República sem mais demoras.
30.10.05
Encontros de Outono
Les beaux esprits se rencontrent. Mesmo que, às vezes, só de nariz tapado.
Esta recomendação assemelha-se bastante a uma ofensa, não acham?
Esta recomendação assemelha-se bastante a uma ofensa, não acham?
28.10.05
Nós e Israel
O incitamento a varrer Israel do mapa mostra que o actual Presidente do Irão ou é fanático, ou é estúpido, ou é simultaneamente fanático e estúpido. Inclino-me para a terceira hipótese.
Admito que estas declarações serão predominantemente para consumo interno, mas isso não nos dá o direito de subestimá-las.
Por isso, também eu pergunto: porque se calou o Governo portguês?
Admito que estas declarações serão predominantemente para consumo interno, mas isso não nos dá o direito de subestimá-las.
Por isso, também eu pergunto: porque se calou o Governo portguês?
27.10.05
O cavaquismo é o sistema em que vivemos
A partir de meados dos anos 80, com a adesão à UE, começou a chover dinheiro em Portugal.
O cavaquismo foi o sistema que organizou a contento a distribuição desses dinheiros, incluindo alguns que sobraram para caridade.
A sua ideia central, podemos hoje entendê-lo melhor à distância, era conseguir fazer entrar o país na modernidade sem pôr em causa a sua ancestral tacanhez.
Assim, a tradicional estrutura de poder económico-social, articulando sabiamente os pequenos e médios poderes locais com as grandes empresas encostadas à sombra do Estado, foi ciosamente reconstituída com alguns arranjos mínimos.
Seria de esperar que a abertura à concorrência externa, as reprivatizações, a expansão do investimento estrangeiro e o grande aumento da escolaridade tivessem conduzido a um crescimento espectacular da produtividade. Nada disso aconteceu.
Os grupos económicos concentraram a sua actividade em sectores protegidos da concorrência externa: finança, imobiliário, obras públicas, telecomunicações, grande retalho e auto-estradas, por exemplo. As PMEs receberam fortunas em subvenções provenientes da Europa para finalidades de interesse altamente duvidoso.
No essencial, muito pouco de essencial mudou. Muito em particular, os governos de Cavaco Silva foram de uma ineficácia total e absoluta nos domínios da justiça, da saúde e do ensino, já para não falar da reforma administrativa. Para complicar ainda mais as coisas, inventaram maravilhas como a progressão automática nas carreiras dos funcionários públicos e uma miríade de sub-sistemas especiais de privilégios que hoje estamos a descobrir.
Quando já estava tudo farto dos cavaquistas, veio o guterrismo que, mau grado as boas intenções iniciais, acabou por não ser mais que a continuação do cavaquismo por outros meios.
E é nisto que ainda hoje estamos, ou seja, no sistema instaurado sob a égide do professor Cavaco Silva. Talvez ele, que nos trouxe para cá, saiba como se sai daqui.
Acham?
O cavaquismo foi o sistema que organizou a contento a distribuição desses dinheiros, incluindo alguns que sobraram para caridade.
A sua ideia central, podemos hoje entendê-lo melhor à distância, era conseguir fazer entrar o país na modernidade sem pôr em causa a sua ancestral tacanhez.
Assim, a tradicional estrutura de poder económico-social, articulando sabiamente os pequenos e médios poderes locais com as grandes empresas encostadas à sombra do Estado, foi ciosamente reconstituída com alguns arranjos mínimos.
Seria de esperar que a abertura à concorrência externa, as reprivatizações, a expansão do investimento estrangeiro e o grande aumento da escolaridade tivessem conduzido a um crescimento espectacular da produtividade. Nada disso aconteceu.
Os grupos económicos concentraram a sua actividade em sectores protegidos da concorrência externa: finança, imobiliário, obras públicas, telecomunicações, grande retalho e auto-estradas, por exemplo. As PMEs receberam fortunas em subvenções provenientes da Europa para finalidades de interesse altamente duvidoso.
No essencial, muito pouco de essencial mudou. Muito em particular, os governos de Cavaco Silva foram de uma ineficácia total e absoluta nos domínios da justiça, da saúde e do ensino, já para não falar da reforma administrativa. Para complicar ainda mais as coisas, inventaram maravilhas como a progressão automática nas carreiras dos funcionários públicos e uma miríade de sub-sistemas especiais de privilégios que hoje estamos a descobrir.
Quando já estava tudo farto dos cavaquistas, veio o guterrismo que, mau grado as boas intenções iniciais, acabou por não ser mais que a continuação do cavaquismo por outros meios.
E é nisto que ainda hoje estamos, ou seja, no sistema instaurado sob a égide do professor Cavaco Silva. Talvez ele, que nos trouxe para cá, saiba como se sai daqui.
Acham?
Amaral, o conformado
Há escassas semanas, Luciano Amaral pedia abertamente que, uma vez eleito, Cavaco Presidente se empenhasse em mudar o "regime".
Quando Cavaco tornou claro que não tencionava fazê-lo, mostrou-se desapontado.
Hoje, no DN, ficamos a saber que já superou a desilusão adolescente. Venha de lá então esse Cavaco Silva semi-presidencialista, cooperante com o Governo, dialogante, social-democrata e tudo...
É o que acontece quando a direita se sente encostada à parede.
Quando Cavaco tornou claro que não tencionava fazê-lo, mostrou-se desapontado.
Hoje, no DN, ficamos a saber que já superou a desilusão adolescente. Venha de lá então esse Cavaco Silva semi-presidencialista, cooperante com o Governo, dialogante, social-democrata e tudo...
É o que acontece quando a direita se sente encostada à parede.
Três candidatos
No plano puramente simbólico, o quadro geral das eleições presidenciais está perfeitamente definido.
Soares ocupa o território da política.
Cavaco, o da economia.
Alegre, o da cultura.
Nas actuais condições de alarme económico generalizado, o espaço de Cavaco Silva é inevitavelmente sólido.
Nas actuais condições de desprestígio da política, o espaço natural de Soares é perigoso.
Nas actuais condições de desorientação ideológica, o espaço de Alegre estimula o sonho.
Soares ocupa o território da política.
Cavaco, o da economia.
Alegre, o da cultura.
Nas actuais condições de alarme económico generalizado, o espaço de Cavaco Silva é inevitavelmente sólido.
Nas actuais condições de desprestígio da política, o espaço natural de Soares é perigoso.
Nas actuais condições de desorientação ideológica, o espaço de Alegre estimula o sonho.
23.10.05
22.10.05
Pequeno mundo
Os tribunais funcionam devagar e não fazem justiça. Os polícias ameaçam fazer greve e os juízes fazem mesmo. Os doentes esperam eternidades por uma operação. As farmacêuticas conspiram para manter artificialmente elevados os preços dos medicamentos. Os miúdos acabam o ensino obrigatório sem saberem escrever e contar decentemente. Os patos bravos destroem livremente a paisagem. A floresta arde ano após ano sem surpresa perante a impotência dos poderes públicos. Crianças entregues à guarda do Estado são abusadas durante anos a fio. As televisões promovem diariamente a estupidez. A burocracia desfaz-nos a paciência. A corrupção toma conta do dia a dia dos negócios.
A acreditar no seu discurso de candidatura, porém, a única coisa que rala Cavaco é a economia e as finanças públicas.
Como se explica uma coisa dessas?
É que a economia e as finanças públicas traçam os limites do pequeno mundo mental em que ele se move. Fora disso, quase nada sabe, e, sobretudo, quase nada lhe interessa.
A acreditar no seu discurso de candidatura, porém, a única coisa que rala Cavaco é a economia e as finanças públicas.
Como se explica uma coisa dessas?
É que a economia e as finanças públicas traçam os limites do pequeno mundo mental em que ele se move. Fora disso, quase nada sabe, e, sobretudo, quase nada lhe interessa.
Debicando os fígados de Prometeu
A cartilha reaccionária consente ser resumida em apenas dois artigos de fé:
1. Este mundo é um vale de lágrimas feio, porco e mau, mas, no essencial, é impossível mudá-lo para melhor.
2. Quando se procura mudá-lo para melhor, o resultado final é ainda pior que a situação de partida.
No seu artigo estampado no Público de ontem e reproduzido no Abrupto, retoma essas teses sob uma forma contemporânea.
O que alega é que, apesar dos progressos da ciência e da medicina modernas, estamos hoje ainda mais expostos aos perversos ataques da Natureza, na medida em que as mutações vão tornando os virús cada vez mais resistentes aos antídotos que inventámos para combatê-los.
Será impressão minha, ou não haverá aqui um secreto regozijo perante a eventualidade dos milhões de mortes que a gripe das aves alegadamente poderá causar?
E morrerão as vítimas mais felizes por saberem que o seu sacrifício corroborá as teses do reverendo Malthus de que, pelos vistos, Pacheco Pereira comunga?
1. Este mundo é um vale de lágrimas feio, porco e mau, mas, no essencial, é impossível mudá-lo para melhor.
2. Quando se procura mudá-lo para melhor, o resultado final é ainda pior que a situação de partida.
No seu artigo estampado no Público de ontem e reproduzido no Abrupto, retoma essas teses sob uma forma contemporânea.
O que alega é que, apesar dos progressos da ciência e da medicina modernas, estamos hoje ainda mais expostos aos perversos ataques da Natureza, na medida em que as mutações vão tornando os virús cada vez mais resistentes aos antídotos que inventámos para combatê-los.
Será impressão minha, ou não haverá aqui um secreto regozijo perante a eventualidade dos milhões de mortes que a gripe das aves alegadamente poderá causar?
E morrerão as vítimas mais felizes por saberem que o seu sacrifício corroborá as teses do reverendo Malthus de que, pelos vistos, Pacheco Pereira comunga?
21.10.05
Pilares da economia
Têm estado atentos às investigações de eventuais operações de fraude fiscal e branqueamento de capitais conduzidas à sombra de importantes instituições bancárias?
A pouco e pouco vamos começando a perceber quais são as verdadeiras causas do miserável estado em que se encontra a economia portuguesa.
A pouco e pouco vamos começando a perceber quais são as verdadeiras causas do miserável estado em que se encontra a economia portuguesa.
20.10.05
Intelligentzia
Há apenas três mesitos, os inteligentes de serviço explicaram-nos que, com a saída de Campos e Cunha, o governo abandonara o seu programa de contenção da despesa pública.
Uma dessas cabeças, segundo a qual o "verdadeiro teste" seria o OGE para 2006, limpa-se agora alegando que, afinal, o "verdadeiro teste" será o OGE para 2007. Sempre ganha um anito para pensar no que terá que inventar a seguir.
Uma dessas cabeças, segundo a qual o "verdadeiro teste" seria o OGE para 2006, limpa-se agora alegando que, afinal, o "verdadeiro teste" será o OGE para 2007. Sempre ganha um anito para pensar no que terá que inventar a seguir.
16.10.05
O cão mordeu o homem
A vitória do Benfica no Dragão ao fim de 14 anos seria, em circunstâncias normais, uma notícia surpresa.
Excepto que, tendo sido anunciada pelo próprio Adriaanse dois dias antes, na verdade não houve surpresa nenhuma.
O holandês voltou a aplicar a táctica que tem usado com tanto sucesso na sua já longa carreira: o 4-0-6, com a peculiaridade de os 4 de trás também serem uns zeros.
Aconteceu que Koeman, num golpe de génio, optou por colocar 11 jogadores em campo, uma decisão arguta, traiçoeira e inteiramente inesperada.
Desta vez, os prognósticos puderam ser adiantados ainda antes do princípio do jogo. Tudo se limitou afinal a isto: o cão mordeu o homem.
Excepto que, tendo sido anunciada pelo próprio Adriaanse dois dias antes, na verdade não houve surpresa nenhuma.
O holandês voltou a aplicar a táctica que tem usado com tanto sucesso na sua já longa carreira: o 4-0-6, com a peculiaridade de os 4 de trás também serem uns zeros.
Aconteceu que Koeman, num golpe de génio, optou por colocar 11 jogadores em campo, uma decisão arguta, traiçoeira e inteiramente inesperada.
Desta vez, os prognósticos puderam ser adiantados ainda antes do princípio do jogo. Tudo se limitou afinal a isto: o cão mordeu o homem.
Um mestre-escola na Presidência
A perspectiva de um mestre-escola poder chegar a Belém traz em grande alvoroço o Portugal dos Pequeninos.
15.10.05
Vamos lá a saber
É indispensável que Cavaco se pronuncie sobre estas declarações de Morais Sarmento.
Diversos políticos e comentadores que se apresentam como apoiantes de Cavaco Silva têm vindo a dizer coisas semelhantes, tornando manifesto o propósito de usar a Presidência da República para subverter o regime constitucional.
Ou bem que Cavaco se distancia destas posições, ou bem que, calando-se, consente ser essa de facto a sua agenda oculta.
Temos todos o direito de saber o que pretende ele com a sua candidatura presidencial. Fico à espera que os jornalistas façam as perguntas que se impõem.
Diversos políticos e comentadores que se apresentam como apoiantes de Cavaco Silva têm vindo a dizer coisas semelhantes, tornando manifesto o propósito de usar a Presidência da República para subverter o regime constitucional.
Ou bem que Cavaco se distancia destas posições, ou bem que, calando-se, consente ser essa de facto a sua agenda oculta.
Temos todos o direito de saber o que pretende ele com a sua candidatura presidencial. Fico à espera que os jornalistas façam as perguntas que se impõem.
14.10.05
Agora ou nunca
Aos benfiquistas tanto se lhes dá, porque o que mais os excita no futebol é a arbitragem, mas, se o Simão e o Nuno Gomes estiverem em dia sim (os outros nove servem principalmente para distrair o adversário) o seu clube tem este fim de semana uma oportunidade única de golear o FC Porto no Dragão.
Concluí isto depois de saber que, segundo o Adriaanse, a sua equipa tem de jogar como se o adversário não existisse. O futebol onanista é, pelos vistos, uma modalidade muito popular na Holanda.
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