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2.4.09

Queridos líderes

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Obama tem-se esforçado por fazer aprovar na reunião do G-20 do próximo fim de semana um compromisso comum para uma acção conjunta e decidida de combate à recessão à escala mundial.

Parece provável que consiga o apoio da China e do Japão, mas não dos nossos queridos líderes europeus, os quais permanecem aferrados ao princípio míope do "cada um por si".

O Banco Central Europeu já não tem cara para insistir no risco da inflação (na Espanha os preços estão mesmo a baixar), mas continua-se a desvalorizar a dimensão real da catástrofe económica que sob os nossos olhos diariamente se aprofunda.

O mestre ceromónias que nominalmente dirige a Comissão não faz ondas para assegurar a reeleição. A pacóvia primeira-ministra germânica parece acreditar que os estabilizadores automáticos são suficientes para contrariar a crise. Sarkozy aprova tudo desde que possa aplicar internamente as políticas proteccionistas que lhe asseguram popularidade fácil. Gordon Brown está feliz no seu papel de alegado go-between entre os EUA e Europa, mesmo que ninguém lhe preste muita atenção dum e doutro lado do Atlântico.

Temos eleições europeias dentro de três meses. Faria todo o sentido que as absurdas políticas económicas europeias fossem submetidas a uma crítica implacável. Estarão preocupados com isso os manifestantes que vão desfilar em Londres? O continente europeu está politicamente anestesiado?
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25.3.09

O especulador de última instância

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Nesta fase da recessão mundial já deveríamos estar todos prevenidos contra mágicos esquemas de engenharia financeira que prometam resolver de forma rápida e simples problemas de enorme complexidade ao mesmo tempo que deixam toda a gente mais rica.

O mais recente de uma já longa série de milagres é o Plano Geithner anunciado no princípio da semana pela administração Obama.

Em síntese, a coisa funciona assim: Como os bancos estão atulhados de créditos de cobrança duvidosa, não têm condições para conceder créditos às empresas e aos particulares. Logo, é preciso resolver urgentemente o problema de capitalizá-los libertando-os dos activos de qualidade duvidosa que pesam negativamente nos seus balanços.

Para evitar a nacionalização, o governo americano inventou agora um mecanismo que consiste em vender esses créditos a parcerias público-privadas especialmente constituídas para gerirem activos tóxicos.

Faz-se um leilão para o mercado determinar o valor dos activos e constitui-se um fundo para cujo capital os privados e o Tesouro contribuem com parcelas iguais. O Estado dispõe-se ainda a emprestar até 85% do montante investido.

Tudo muito simples, não é verdade? Até aqui, sim, mas falta a parte mais difícil.

Primeira dificuldade: pode acontecer que o impropriamente chamado "mercado" não esteja disposto a pagar pelos activos um valor ao menos igual àquele que os bancos vendedores lhe atribuem. Nesse caso, não haverá negócio e o Plano saldar-se-á por um fiasco.

Mas alguns optimistas acreditam que os activos valem na realidade muito mais do que actualmente se supõe, de modo que, argumentam eles, haverá gente disposta a apostar nessa eventualidade.

Além disso, o que é que os investidores têm a perder? Se os activos se valorizarem, lucrarão com o negócio. Se se desvalorizarem, o grosso do prejuízo ficará para o Estado.

Caras, ganho eu. Coroas, perdes tu.

De modo que, olhando a coisa com frieza, a tentativa de evitar a nacionalização que muitos reputam inevitável conduz à promoção da especulação numa escala inaudita suportada com os dinheiros públicos.

Correrá bem? Correrá mal? Um dos aspectos mais surpreendentes deste plano é a dificuldade que os maiores especialistas têm revelado em entender todas as suas consequências. Quais os riscos reais corridos pelo Estado? Que probabilidade existe de o esquema dar para o torto? Como se safará o Estado americano nessa eventualidade? Ninguém sabe ao certo.

De modo que, depois de os privados terem criado instrumentos financeiros que de facto ninguém entendia, chegou agora a vez de o Estado procurar imitá-los.

É o Estado especulador de última instância.

PS - Isto não vos faz lembrar um bocadinho o negócio da Caixa com Manuel Fino? Pois é, tem certas semelhanças.
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12.1.09

Definitivamente, uma nova forma de fazer política

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Christina Romer, uma das principais figuras da Administração Obama, explica tintim por tintim a política económica que tencionam pôr em prática, e, em particular, o projectado estímulo fiscal.

Viu o filme? Leia o blogue.
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