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9.4.09

Um ódio só não basta?

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Parece claro que uma parte substancial da população detesta Sócrates. Uma outra, porventura não inferior, não pode ver Barroso nem pintado.

Logo, o PS está a pedir-nos que votemos simultaneamente nas europeias em duas personalidades que, em conjunto, quase fazem o pleno do ódio popular.

Pior que pouco inteligente, a estratégia é suicida. Mais grave ainda, dizer-se que Barroso é o candidato de Portugal à Presidência da Comissão Europeia mesmo que o Partido Socialista Europeu saia vitorioso das eleições de Junho próximo equivale a retirar-lhes importância.

Nestas circunstâncias, para quê votar? Só se for, claro está, para infligir uma derrota à coligação Sócrates/ Barroso. Vamos a isso?
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7.4.09

Política em cima do joelho

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A campanha do PS para o Parlamento Europeu começou por nos dar a conhecer que o Vital Moreira é europeu, novidade que compreensivelmente deixou de rastos o país.

Continuou logo logo com a confirmação de que, ao contrário do que muito justamente alvitrara Vital, o PS quer msmo ver Barroso na Presidência da União Europeia. Por outras palavras, o PS torce para que o Partido Socialista Europeu perca as eleições europeias, única garantia de que não surgirá qualquer obstáculo que possa dificultar esse supremo desígnio nacional.

Logo, se queres Barroso na Presidência, vota PS. Se não queres... Se eu fosse ao Bloco de Esquerda não falaria de mais nenhum assunto durante toda a campanha.
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17.3.09

Elevação e sentido de Estado

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O PM reuniu ontem com os partidos com representação parlamentar para ouvi-los a propósito da próxima cimeira da União Europeia.

À saída, Louçã contou aos jornalistas que transmitira a Sócrates os cumprimentos dos manifestantes de 6ª feira e que exigira a intervenção da Comissão Europeia para salvar a Qimonda.

Pelos vistos, é este o conceito de política europeia do BE. Não se esqueçam de votar neles em Junho.
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12.3.09

A democracia e a Europa

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Diz o Rui Tavares na sua declaração de candidatura ao Parlamento Europeu na lista do Bloco de Esquerda:

1. A Europa não é uma democracia

2. A Europa tem um problema de democracia

Discordo de 1, concordo com 2.

Na maneira de ver do Rui, a democracia é algo que ou há ou não há. Na minha, pode haver mais ou menos democracia.

Será isto uma minudência? Não me parece, até porque o desenvolvimento do seu raciocínio leva-me a concluir que discordamos também quanto ao que é preciso fazer para tornar a Europa mais democrática.

O meu ponto de partida é este: a economia mundializou-se nas últimas décadas, ao passo que a política permaneceu doméstica. Como consequência, o poder político é constantemente utltrapassado pelos poderes fácticos. É evidente que isso mina a democracia liberal: de que serve eu votar se o meu voto não vai influenciar as decisões que são tomadas?

Parece-me que o fortalecimento da democracia passa, por conseguinte, pelo reforço das instâncias eleitas do poder europeu. Logo, é necessário dar mais poder ao parlamento e é necessário reforçar a componente federal da União Europeia.

Como se faz isto? O caminho é estreito, porque os adversários são vários e poderosos. Em primeiro lugar, há os tais poderes fácticos (neste momento enfraquecidos) que tiram partido do actual vazio. Em segundo lugar, há os preconceitos nacionais e chauvinistas que se opõem à transferência de poderes para o nível europeu. Finalmente, há a falta de iniciativa política ao nível popular favorável ao federalismo, um facto central que o Rui Tavares ignora por completo.

As posições do BE e do PCP não ajudam nada a resolver estes problemas. Em primeiro lugar, exactamente porque sustentam que a UE não é uma democracia, fazem continuamente propaganda contra a Europa (digam o que disserem, é de facto isto que se passa no dia a dia). Em segundo lugar, opõem-se a todas as iniciativas existentes em favor do federalismo e do reforço dos poderes do PE, como é o caso do Tratado de Lisboa. Em terceiro lugar, exigem referendos em que se aliam às forças xenófobas para boicotar a construção europeia.

Esta actuação negativa é disfarçada afirmando-se que se quer uma Europa, mas não esta. O PCP diz que é a favor da Europa dos trabalhadores contra a Europa dos capitalistas. O BE diz que é a favor do europeismo, conquanto que seja de esquerda.

Na verdade, estas forças políticas desempenham um papel muito nocivo impedindo o desenvolvimento de uma política europeia e de um debate político europeu. Para elas, como agora mais uma vez se vê, a Europa serve apenas de argumento para marcar pontos na luta política interna.

O raciocínio do Rui é sustentado por um basismo insustentável. Diz-nos ele que o Tratado de Lisboa só é aceitável se for referendado e que o mais importante é a maneira como se fazem as coisas. Esta posição é historicamente falsa, é demagógica e é paralisante. Fico com a sensação que, para o Rui, a única democracia legítima é a democracia directa, algo de que discordo profundamente.

Depois, noto com algum desapontamento que, tirando a insistência no referendo ao Tratado de Lisboa - uma exigência que, muito possivelmente, estará hoje obsoleta – o Rui de facto não propõe nada, desculpando-se com o argumento (fraquinho, muito fraquinho) de que deveriamos discutir "o que se fez" e não "o que se vai começar a pensar talvez em fazer". Lamento, mas o que os eleitores esperam dos candidatos é que façam história, não que a contem.

(A única proposta concreta é que fechemos o off-shore da Madeira antes de os outros fecharam os seus, o que é uma medida – absurda, diga-se – de política interna.)

De maneira que o Rui acaba por ficar-se por um apelo final à impaciência, que é tudo o que há de mais inapropriado nos tempos que correm. Se queremos que desta catastrófica depressão saia algo de positivo para a esquerda, do que precisamos é de muita ponderação e sentido estratégico, porque os tempos não correm (para já) a nosso favor.
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