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Cruzo-me na Avenida da República com um homem de rosto encovado, barba por fazer, sorrio desdentado. O boné e o blusão, muito coçados, a custo permitem adivinhar a original cor vermelha.
A corda que agarra na mão envolve na outra ponta, à laia de trela, o pescoço de um belíssimo cachorro de pelo castanho flamejante, orgulhosamente acompanhando o seu dono com passo alegre, focinho no ar e olhar de quem é dono do mundo.
Imagino que o homem procura comprador para o cão.
Pobre tolo! Jamais encontrará outro amigo assim, que com ele passeie entre a multidão elegante sem vergonha do seu companheiro.
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17.12.08
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