Topando por mero acaso com este post do Pedro Mexia, que, pelos vistos, tambem nao gosta de praia, lembrei-me finalmente quem é que eu queria felicitar: era o Ivan!
4.7.05
E eu que nem gosto de praia...
Tenho a certeza de que ontem à noite escrevi um post com este título, mas agora chego ao blogue e não o vejo.
Terei sonhado? Mas eu ia jurar que o escrevi mesmo. Tratava de... Parece-me que era sobre o segundo aniversário de um blogue... Mas que blogue seria?
Se entretanto me lembrar eu depois digo.
Terei sonhado? Mas eu ia jurar que o escrevi mesmo. Tratava de... Parece-me que era sobre o segundo aniversário de um blogue... Mas que blogue seria?
Se entretanto me lembrar eu depois digo.
Cavalgada
«Permanecemos no salão até que de todo escureceu, e partimos. Os batedores com archotes acesos galopavam na nossa frente a toda a brida; o vento atirava-nos o fumo e as fagulhas para a cara, e eu sentia-me aturdido e arrebatado, e experimentava uma sensação talvez semelhante à de um bruxo noviço, que se achasse pela primeira vez montado numa vassoura, à garupa de uma feiticeira! Em menos de uma hora galgámos ruidosamente doze milhas de áspera e revolta calçada, subindo e descendo os mais íngremes montes num galope a tal ponto precipitado que eu esperava a todo o instante ver-me estendido de nariz no chão; porém, felizmente, as mulas tinham sido escolhidas entre cem talvez, e nunca tropeçaram.
«Nas alturas sobranceiras à Ajuda senti o ar muito fino e cortante. Causa decerto estranheza queixar-se a gente de frio a 9 de Julho, e em Lisboa!»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
«Nas alturas sobranceiras à Ajuda senti o ar muito fino e cortante. Causa decerto estranheza queixar-se a gente de frio a 9 de Julho, e em Lisboa!»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
2.7.05
Não se deve deixar morrer este assunto
Recomendo a leitura de uma lúcida análise retrospectiva em O céu sobre Lisboa sobre o que de facto terá sido o célebre "arrastão" da praia de Carcavelos.
O mais fantástico, para mim, é que, passado todo este tempo, nenhum dos grandes meios de comunicação de massa responsáveis pela difusão da pseudo-notícia se tenha sentido na obrigação de escalpelizar o tema e de pedir desculpa publicamente pela responsabilidade que lhe coube no injustificado alarme criado.
O mais fantástico, para mim, é que, passado todo este tempo, nenhum dos grandes meios de comunicação de massa responsáveis pela difusão da pseudo-notícia se tenha sentido na obrigação de escalpelizar o tema e de pedir desculpa publicamente pela responsabilidade que lhe coube no injustificado alarme criado.
A fio de Espada
A mim, não me chocam particularmente as opiniões do Professor Espada. Enquanto opiniões, são apenas isso: uma forma pessoal de ver o mundo que merece, pelo menos em princípio, tanto respeito como qualquer outra.
O que me incomoda e me desgosta é o sistemático e constante recurso à mentira - digo bem: à mentira - para apoiar as suas ideias.
Já aqui apontei exemplos no passado.
Hoje mesmo, escrevendo no Expresso, o Professor atribui "em grande parte" a Rousseau "a ideia bizarra de que um governo grande seria aceitável - e até mesmo desejável - desde que fosse um «governo do povo»", sendo evidente, no contexto do artigo, que a expressão "governo grande" é entendida como sinónimo de Estado omnipresente e tentacular, e, por decorrência, de elevada carga fiscal.
Não é preciso ser-se um grande especialista de Rousseau para se saber que ele jamais defendeu algo do género, e que a Revolução Francesa - outro bode expiatório favorito do Professor Espada - não levou à criação de um Estado mais poderoso do que aquele que existia anteriormente.
Acontece que, sendo o Professor Espada professor de Ciência Política, ele não pode desconhecer isto. Se ele quer apontar à execração pública um teorizador do totalitarismo, poderia descarregar antes a sua fúria sobre Thomas Hobbes.
Mas é claro que isto não seria muito bem visto nas universidades britânicas que ele frequenta, onde a forma mais eficaz de obter apoio para um qualquer ponto de vista consiste, ainda hoje, em atribuir a opinião contrária a um francês - ou, pelo menos, a alguém com um nome francês, dado que Rousseau era genebrino.
O que me incomoda e me desgosta é o sistemático e constante recurso à mentira - digo bem: à mentira - para apoiar as suas ideias.
Já aqui apontei exemplos no passado.
Hoje mesmo, escrevendo no Expresso, o Professor atribui "em grande parte" a Rousseau "a ideia bizarra de que um governo grande seria aceitável - e até mesmo desejável - desde que fosse um «governo do povo»", sendo evidente, no contexto do artigo, que a expressão "governo grande" é entendida como sinónimo de Estado omnipresente e tentacular, e, por decorrência, de elevada carga fiscal.
Não é preciso ser-se um grande especialista de Rousseau para se saber que ele jamais defendeu algo do género, e que a Revolução Francesa - outro bode expiatório favorito do Professor Espada - não levou à criação de um Estado mais poderoso do que aquele que existia anteriormente.
Acontece que, sendo o Professor Espada professor de Ciência Política, ele não pode desconhecer isto. Se ele quer apontar à execração pública um teorizador do totalitarismo, poderia descarregar antes a sua fúria sobre Thomas Hobbes.
Mas é claro que isto não seria muito bem visto nas universidades britânicas que ele frequenta, onde a forma mais eficaz de obter apoio para um qualquer ponto de vista consiste, ainda hoje, em atribuir a opinião contrária a um francês - ou, pelo menos, a alguém com um nome francês, dado que Rousseau era genebrino.
Cães e higiene pública
«Despertaram-me alta noite os hórridos latidos dos cães. (...) De todas as capitais em que tenho vivido, Lisboa é a mais infestada por alcateias destes afaimados animais, que prestam o serviço de limpar as ruas de uma parte, pelo menos, das pouco aromáticas imundícies.»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
Não tenho lágrimas para o Barnabé
Mais uma vez, concordo a cem por cento com o Lutz. Ele explica muito melhor do que eu seria capaz porque é que há longo tempo o Barnabé foi riscado dos meus links permanentes.
1.7.05
Os 100 dias
O principal mérito dos primeiros 100 dias do Governo foi reduzir a pó o mito da grande obra de saneamento financeiro da Drª Ferreira Leite.
Está agora perfeitamente claro que, tirando alienar património do Estado em condições discutíveis, ela nada mais fez em dois anos à frente do Ministério das Finanças.
Em parte, isso deve-se ao facto de que nem ela nem o Governo a que pertencia sabiam fazer mais.
Mas há uma razão mais profunda para o seu fracasso. É que, na perspectiva da nossa direita, a crise financeira é apenas um pretexto para desmantelar o Estado Social.
Nada mais lhe interessa para além disso.
Está agora perfeitamente claro que, tirando alienar património do Estado em condições discutíveis, ela nada mais fez em dois anos à frente do Ministério das Finanças.
Em parte, isso deve-se ao facto de que nem ela nem o Governo a que pertencia sabiam fazer mais.
Mas há uma razão mais profunda para o seu fracasso. É que, na perspectiva da nossa direita, a crise financeira é apenas um pretexto para desmantelar o Estado Social.
Nada mais lhe interessa para além disso.
O regresso do Guerreiro
O contra-almirante na reserva Martins Guerreiro está indignado por a deputada Zita Seabra ter afirmado num recente programa de televisão que, no 25 de Novembro, "o PCP tinha a Marinha, mas só com a Marinha não se fazem revoluções".
Argumenta Martins Guerreiro que essas declarações foram sentidas como "uma ofensa à instituição" e "ao brio e à honra dos militares da Marinha".
A propósito do que se passou no dia 25 de Novembro, afirma o impagável contra-almirante: "Posso garantir que a linha de comando da Marinha se manteve sem rupturas, bem como a articulação com o Presidente da República, por isso é calunioso dizer que o PCP tinha a Marinha ou sequer sugerir que as posições da Marinha eram influenciadas pelo PCP".
A lógica deste raciocínio escapa-me um bocadinho, para não dizer que me foge completamente.
Mas o que eu queria de facto dizer é que fiquei surpreendido comigo mesmo por constatar que, ao fim de tantos anos, tiranetes como este ainda me provocam urticária.
Argumenta Martins Guerreiro que essas declarações foram sentidas como "uma ofensa à instituição" e "ao brio e à honra dos militares da Marinha".
A propósito do que se passou no dia 25 de Novembro, afirma o impagável contra-almirante: "Posso garantir que a linha de comando da Marinha se manteve sem rupturas, bem como a articulação com o Presidente da República, por isso é calunioso dizer que o PCP tinha a Marinha ou sequer sugerir que as posições da Marinha eram influenciadas pelo PCP".
A lógica deste raciocínio escapa-me um bocadinho, para não dizer que me foge completamente.
Mas o que eu queria de facto dizer é que fiquei surpreendido comigo mesmo por constatar que, ao fim de tantos anos, tiranetes como este ainda me provocam urticária.
Podem encomendar as sacas de cimento, o cheque já vem a caminho
O Ministério da Economia divulgou um grandioso plano para investir 25,1 mil milhões de euros.
Mas, vai-se a ver, e afinal não é bem assim, porque 17,1 mil milhões será investimento privado. Espero sinceramente que não estejam a contar comigo, dado que de momento não tenho liquidez por causa de uma cadeia de supermercados que comprei na Polónia e de um resort no Nordeste brasileiro que já está apalavrado.
O pior, no entanto, é que não se sabe bem em que é que o Estado pretende investir. Será em aeroportos? Será em comboios? Será na energia? Será na rede de abastecimento de águas?
Ah, bom! É em cimento? Pronto, é que eu não estava a perceber!
Mas, vai-se a ver, e afinal não é bem assim, porque 17,1 mil milhões será investimento privado. Espero sinceramente que não estejam a contar comigo, dado que de momento não tenho liquidez por causa de uma cadeia de supermercados que comprei na Polónia e de um resort no Nordeste brasileiro que já está apalavrado.
O pior, no entanto, é que não se sabe bem em que é que o Estado pretende investir. Será em aeroportos? Será em comboios? Será na energia? Será na rede de abastecimento de águas?
Ah, bom! É em cimento? Pronto, é que eu não estava a perceber!
Não se arranja ninguém para trabalhar...
Agraedeço o cuidado de todas as pessoas que têm alvitrado sugestões para resolver o problema da minha caixa de comentários, mas, infelizmente, nenhuma deu resultado.
Parece que vou ter mesmo que chamar o canalizador (picheleiro, para a malta do Porto).
Parece que vou ter mesmo que chamar o canalizador (picheleiro, para a malta do Porto).
Nos Jerónimos
«Não pode haver nada mais belo, como espécimen de bem trabalhada escultura gótica, do que esta complicada e esmaltada profusão de arcarias ligeiras e de cinzelados pináculos, onde os doze apóstolos nos seus nichos, debaixo de dosséis formados por milhares de cordões.»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
Sob o aqueduto
«Afrontei o sol, e caminhei para aquele lado do vale através do qual se ergue o enorme aqueduto, de que já ouvisteis falar como da mais colossal construção do seu género. Tem uma só ordem de arcos em ogiva, e o maior de todos, por onde passa uma rápida queda de água, mede para cima de duzentos e cinquenta pés de altura. As pontes do Gard e de Caserta têm várias fileiras de arcos sobrepostos, que, dividindo a atenção, diminuem o efeito geral do monumento: aqui há uma tal grandeza nesta simples arcaria, que nos enche de assombro! Sentei-me numa pedra, debaixo do arco grande, e pus-me a contemplar aquela abóbada, erguida a tanta altura acima de mim, com um sentimento de respeito não isento de terror, como se aquele monumento, que eu admirava, fosse obra de algum ser imenso dotado de forças gigânteas, que pudesse lembrar-se de sacudir e desmanchar a sua obra, e ter o mau gosto de me reduzir a pó!»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
Ao clarão da lua cheia
«Parte do nosso trajecto, na volta para casa, foi feito ao sereno clarão da lua cheia, que se erguia detrás das montanhas do outro lado do Tejo, que tem, neste extremo da metrópole, mais de nove milhas de largo. Lisboa, que horas antes me parecia tão pouco interessante, assumiu um outro aspecto ao doce raiar da lua. As escadarias, os terraços, as capelas e os pórticos de muitos conventos e palácios, à beira do rio, alvejavam como se fossem de mármore branco, enquanto as rudes encostas e os seus miseráveis tugúrios, erguendo-se, ao fundo, acima deles, se perdiam na densa escuridão.»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
Sob a forte luz do meio-dia
Sob a direcção de Furtwangler, cada trecho da 5ª Sinfonia de Beethoven ganha um relevo e uma intensidade tais que, durante dias, a música não me sai da cabeça.
Uma aglomeração de aldeias
«Quanto melhor se conhece Lisboa, menos esta cidade corresponde à expectação provocada pelo seu magnífico aspecto quando vista do rio. Se um viajante pudesse ser transportado, repentinamente e sem prevenção, a muitos pontos da cidade, concluiria com razão que tinha atravessado uma série de aldeias grosseiramente unidas entre si, e dominadas por maciços conventos. As igrejas, em geral, são de péssimo gosto arquitectónico, o gosto de Borromini, com as molduras recortadas, e as repolhudas cornijas e torrinhas um pouco no estilo dos antigos armários de relógio, que Boucher desenhava com muitos arrebiques e floreados, para adornarem os aposentos de madame Pompadour.»
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
William Beckford: Viagens a Portugal, 1787.
Um regresso
Nos últimos meses, a lista dos links permanentes aí ao lado tem vivido em permanente sobressalto mercê dos constantes encerramentos de diversos blogues muito cá de casa.
No meio de toda esta agitação, é bom saber que A Destreza das Dúvidas está de volta, e agora melhor do que nunca, porque desapareceu do cabeçalho aquela citação um bocadinho absurda, em que um sábio chinês dizia já não sei bem o quê sobre a não-linearidade.
Feliz regresso, Luis!
No meio de toda esta agitação, é bom saber que A Destreza das Dúvidas está de volta, e agora melhor do que nunca, porque desapareceu do cabeçalho aquela citação um bocadinho absurda, em que um sábio chinês dizia já não sei bem o quê sobre a não-linearidade.
Feliz regresso, Luis!
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