22.1.06

"You get to see places tourists never do. We're like tourists with guns."

"You get to see places tourists never do. We're like tourists with guns."

"You get to see places tourists never do. We're like tourists with guns."

21.1.06

Turismo armado



"You get to see places tourists never do. We're like tourists with guns."

(Soldado norte-americano estacionado no Afeganistão citado por Robert D. Kaplan em "Imperial Grunts; The American Military on the Ground". Kaplan é um apoiante da política externa da Administração Bush.)

O pedestal

Eu entretenho-me às vezes a coleccionar frases do Francisco José Viegas que não querem dizer nada. Eis uma bem recente:

"Nem todos os combates «pela política» são «combates políticos»."

Talvez ele devesse pensar em compilá-las num livro. Davam um volume bem grandinho.


Chagall: Eu e a aldeia.

Cavaco e eu

A comparação entre o resultado do meu Moral Politics Matrix e o da simulação que o Bombyx Mori fez para Cavaco Silva mostra que eu sou menos socialista e mais liberal do que ele. Mas note-se que, nos EUA, a expressão "liberalismo" não tem o mesmo significado que entre nós.



Outros dados interessantes:

1. Portugal é o quinto país do mundo onde mais pessoas fizeram o teste.

2. Nos EUA, as minhas preferências políticas seriam consideradas muito medianas.

3. Em Portugal, estou manifestamente desalinhado para o lado do "moderate liberalism".

"A lei fez-se para ser violada"

Escreveu hoje João Gonçalves na toca do costume:

"A lei fez-se para também ser violada. Sobretudo quando não tem razão de ser e trata os cidadãos eleitores como menores de idade."
A lei fez-se para ser violada, bastando para isso que não se concorde com ela. São eles quem o diz. A começar pela lei fundamental, não é verdade?


Matisse: La musique, 1910.

20.1.06

A direita segundo Eduardo Lourenço



O Eduardo Lourenço escreveu no Público de 5ª feira esta frase que eu, para evitar perdê-la, tenho absolutamente que copiar aqui:

"...a direita, hipóstase eterna do que "é" - força, violência, poder sem reverso, em suma, a "coisa em si" como história fáctica."

Esta é uma caracterização muito verdadeira e profunda que, se eu tivesse o necessário talento, deveria desenvolver e explorar nas suas variadas consequências.

Ficará para outra vez ou, quem sabe, para nunca.

Tenho que pensar melhor no assunto



Ontem, ao assistir no canal Gallery a uma velha película de Vittorio de Sica, penetrou no meu espírito uma ideia perturbadora.

Houve um tempo em que o cinema ia buscar as estrelas ao seu país de origem, ou seja, à Itália. Foi assim que tivemos direito a Silvana Mangano, Monica Vitti, Sofia Loren, Antonella Lualdi, Sylvia Koscina ou Ornela Mutti, entre outras.

Agora, porém, que os filmes vêm todos de Hollywood, temos que gramar parolas como a Jeniffer Lopez e a Demi Moore.

Se calhar, tenho que rever a minha posição sobre a importância de manter o controlo dos centros de decisão.

10.1.06



Helmut Dorner: Helmut, 2003.

9.1.06

Afirma Heródoto



Pacheco Pereira escolheu para si mesmo há duas décadas aquilo a que se pode chamar um posicionamento imbatível num nicho de mercado que ele foi o primeiro a descobrir: ser o intelectual do PSD.

Converteu-se, desde então, numa espécie de Reader's Digest do maior partido da direita. As coisas passam-se assim: ele faz uns resumos acessíveis e os correligionários tornam-se estupidamente cultos sem terem verdadeiramente que se esforçar.

Isto fez muito para aumentar o prestígio intelectual da direita. Tanto que, ultimamente, Pacheco até já foi dispensado de usar casacos de bombazina e colarinho aberto como qualquer vulgar letrado.

Eis, porém, que subitamente ocorreu o impensável: o fornecedor habitual de citações e ditos espirituosos foi apanhado em falso. Como poderemos manter a confiança na sua erudição, se formos levados a suspeitar que, afinal, ele só leu as lombadas dos livros ou ouviu falar dos assuntos pela rama no Channel 4 da BBC?


Helmut Dorner: Vom Inneren des Wals, 2003.

7.1.06

Uma fábula para adultos



Na semana passada, Joaquim Aguiar contou por duas vezes a mesma fábula na televisão para justificar o nosso atraso económico em relação à Espanha. No seu entender, o drama explica-se pelo desmantelamento dos grupos económicos portugueses após a revolução, trauma a que teriam sido poupados os seus congéneres espanhóis.

Eu percebo que a juventude actual, que não conheceu em primeira mão esses famosos grupos económicos, aceite como boa essa versão nostálgica dos acontecimentos. Mas não Joaquim Aguiar, que já tem idade para ter juízo.

O mínimo que se pode dizer é que, á data do 25 de Abril, os grupos económicos portugueses deixavam muito a desejar. É verdade que haviam contribuído para criar alguns centros de excelência em certas áreas da engenharia, mas eram muito fracos do ponto de vista da sua gestão. Tendo em conta o clima geral de condicionamento e proteccionismo económico, isso compreende-se, pois não é de esperar que um tal enquadramento estimule o empreendedorismo, a visão estratégica, a inovação ou o marketing.

Eram criaturas do Estado Novo, não órgãos da sociedade. Não admirou, por isso, que tivessem declarado desde o primeiro minuto uma guerra surda ao novo regime e que, em consequência da sua cegueira, acabassem por ruir com ele, vítimas das contradições políticas em que se haviam enredado.

Não fomos nós que os destruímos, foram eles que se desfizeram.

Qualquer comparação com os grupos espanhóis releva de pura ignorância. Em Portugal, a siderurgia existia há uma dúzia de anos à data do 25 de Abril, e a moderna indústria de construção e reparação naval tinha acabado de emergir. Em Espanha, uma e outra existiam na Catalunha e no País Basco há mais de um século.

Será preciso explicar mais?


Helmut Dorner: Snowblind, 2003.

6.1.06

A corrida



É frequente ouvir-se dizer que a origem da superioridade ecónomica da Espanha em relação a Portugal radica, por um lado, na atitude de maior abertura ao progresso do franquismo, e, por outro, na desastrosa nacionalização dos principais grupos económicos portugueses depois da nossa revolução.

As pessoas são livres de pensarem o que quiserem. Convém, todavia, que tomem ao menos em conta os factos.

Ora, o que as estatísticas dizem é que, a partir de 1960 e quase até ao fim do século, Portugal cresceu sempre mais depressa do que a Espanha. Se tivéssemos continuado a progredir ao mesmo ritmo, ter-nos-ía sido possível apanhá-la por volta de 2010. Só nos anos mais recentes, com o virar do milénio, é que a tendência se inverteu.

Dir-se-ía, revertendo o argumento, que, afinal, Salazar bateu Franco e Vasco Gonçalves deu uma lição a Adolfo Suarez.

Numa perspectiva retrospectiva longa, nunca estivémos, em toda a nossa história, economicamente tão próximos de Espanha como há cinco anos atrás. Contrariamente à ideia corrente, a Espanha é há muitos séculos - melhor: pelo menos há dois milénios - uma região muito mais rica do que aquela que nós habitamos.

5.1.06



Helmut Dorner.

Somos todos a favor do mercado

A Iberdrola não roubou a participação que detém na EDP. Comprou-a.

Se os outros accionistas privados se sentem incomodados pelo facto de terem dentro de casa um concorrente, têm uma boa solução: adquirirem-na pelo valor que conseguirem negociar com a Iberdrola.

Afastar um concorrente de informações e decisões estratégicas tem sem dúvida um valor. Estarão os accionistas nacionais dispostos a pagá-lo?

Aparentemente, não. Preferem antes que o Estado - sempre o Estado! - componha um arranjinho institucional que os dispense de esportularem essa quantia. Por outras palavras: pedem um subsídio que os proteja da concorrência estrangeira.

Logo, a pergunta que se deve fazer é esta: o que espera o Estado para limpar os pés da EDP, da Petrogal e da PT - já para não falar da Caixa Geral de Depósitos?

Que superiores interesses nacionais são defendidos pelas chamadas golden-shares? Os dos consumidores? Os da indústria? Os do turismo? Os do comércio?

Nada disso. O Estado, dizem-nos, tem de estar presente porque se trata de sectores "estratégicos". Mas o que quer isso dizer, ao certo?

A palavra "estratégico" é hoje usada a torto e a direito no propósito exclusivo de evitar uma explicação clara e fundamentada do que verdadeiramente está em causa. (Não me ocorre nenhuma empresa mais "estratégica" para o país do que a Auto-Europa, e, todavia, ninguém propõe que seja intervencionada.)

O interesse "estratégico" do país é que a EDP seja gerida o melhor possível, porque isso significa tarifas mais baixas e melhor serviço aos utilizadores. Ora, normalmente, quem paga mais por uma empresa é quem está em condições de geri-la melhor.

Serão espanhóis? Pois que sejam. A metáfora da conquista, usualmente brandida pelos nacionalistas, é completamente desadequada. A mudança de propriedade de uma empresa consiste na troca de uma forma de capital por outra, ou seja, na cedência de activos físicos a troco de dinheiro. As duas partes chegam a acordo porque cada uma delas acredita que fica melhor em resultado da transacção. Quem compra, acredita que poderá tornar a empresa mais rentável. Quem vende, pensa que conseguirá uma melhor aplicação alternativa para o seu capital.

O dinheiro proveniente da compra não será consumido. Será (melhor) investido noutras actividades, com o que todos teremos a ganhar.

Passamos o tempo a dizer que necessitamos urgentemente de investimento estrangeiro, mas recusamos as poucas oportunidades que existem para atraí-lo.

Somos todos a favor do mercado. Ou não?

1.1.06



Helmut Dorner.