15.4.09

Um português na Casa Branca - agora é que são elas

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14.4.09

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Gustave Caillebotte: Portraits à la campagne.
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Mercados e valores

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Philip Blond escreve no FT acerca de uma recente declaração de George Osborne, Chanceler do Tesouro no governo-sombra dos conservadores britânicos:
Mr Osborne could not have been clearer; he repudiated laisser faire economics and the libertarian philosophy that licensed its practice. He rightly extolled the virtues of markets and capitalism but also made three crucial moves to distance his party from the now clearly bankrupt ideology of the free-market fundamentalists.

First, he denied neo-liberalism’s foundational premise: the efficient markets hypothesis. Far from prices accurately representing all relevant information, he argued, they do not, probably never will and, even if they did, people would still not respond rationally.

Second, the shadow chancellor argued that since markets misprice risk and are prone to speculative bubbles, there is a need for effective regulation. He proposed both counter-cyclical capital requirements and the return of full discretionary macro-regulatory oversight to the Bank of England.

Finally, Mr Osborne argued that banks that are too big to fail should be broken up. In so doing, he rejects the neo-liberal and Chicago school-inspired dictum that market-generated monopolies are the most efficient distributor of resources and price utility.
E, a concluir:
Since markets are essentially amoral, it follows that they should be directed by a moral account of what we want them to achieve. Mr Osborne has begun to create the political economy that Mr Cameron has been arguing for. Markets are not the end of conservatism, just one of the means by which conservative ends are realised.
Ele há gente que não está a dormir.
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Legenda

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Perguntam-me se o gráfico do post anterior não deveria ter uma legenda.

Se tivesse, seria algo do género: até ao momento, a fazer fé nos indicadores disponíveis, a actual depressão está a ser pior que a de 1930. E isto apesar de, ao contrário do que sucedeu há quase 80 anos, as autoridades monetárias terem reagido com prontidão à degradação da conjuntura. (Não falo da política orçamental porque essa, apesar do muito alarido, tem sido praticamente insignificante.)

Evidentemente, não se pode deduzir daqui nada quando ao futuro. É possível, embora não muito provável, que a economia mundial comece a recuperar nos próximos meses, desmentindo os prognósticos mais pessimistas.

Mas também pode acontecer que a uma curta recuperação se siga um novo mergulho nos infernos, como o gráfico mostra que sucedeu em certos momentos da Grande Depressão.
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13.4.09

Depressões paralelas

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Fonte: Eichengreen & O'Rourke.
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9.4.09

Um ódio só não basta?

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Parece claro que uma parte substancial da população detesta Sócrates. Uma outra, porventura não inferior, não pode ver Barroso nem pintado.

Logo, o PS está a pedir-nos que votemos simultaneamente nas europeias em duas personalidades que, em conjunto, quase fazem o pleno do ódio popular.

Pior que pouco inteligente, a estratégia é suicida. Mais grave ainda, dizer-se que Barroso é o candidato de Portugal à Presidência da Comissão Europeia mesmo que o Partido Socialista Europeu saia vitorioso das eleições de Junho próximo equivale a retirar-lhes importância.

Nestas circunstâncias, para quê votar? Só se for, claro está, para infligir uma derrota à coligação Sócrates/ Barroso. Vamos a isso?
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8.4.09

Oremos

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Via Greg Mankiw.
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7.4.09

O multiplicador da ignorância

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O Nobel da Economia Gary Becker declarou em 23 de Março ao Wall Street Journal:
"Keynesianism was out of fashion for so long that we stopped investigating variables the Keynesians would look at such as the multiplier, and there is almost no evidence on what the multiplier would be." He thinks that the paper by Christina Romer, chairman of the Council of Economic Advisors, "saying that the multiplier is about one and a half [is] based on very weak, even nonexistent evidence." His guess? "I think it is a lot less than one. It gets higher in recessions and depressions so it's above zero now but significantly below one. I don't have a number, I haven't estimated it, but I think it would be well below one, let me put it that way."
Isto é muito interessante pelo que revela do enviezamento ideológico que tem comandado a academia nas últimas décadas. Pura e simplesmente ninguém sabe qual é o valor do multiplicador porque ninguém se deu ao trabalho de calculá-lo!

Não estamos a falar de Portugal, onde os recursos para a investigação são muito escassos, mas dos EUA, com milhares de economistas em actividade, muitos deles Prémios Nobel como Becker.
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Política em cima do joelho

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A campanha do PS para o Parlamento Europeu começou por nos dar a conhecer que o Vital Moreira é europeu, novidade que compreensivelmente deixou de rastos o país.

Continuou logo logo com a confirmação de que, ao contrário do que muito justamente alvitrara Vital, o PS quer msmo ver Barroso na Presidência da União Europeia. Por outras palavras, o PS torce para que o Partido Socialista Europeu perca as eleições europeias, única garantia de que não surgirá qualquer obstáculo que possa dificultar esse supremo desígnio nacional.

Logo, se queres Barroso na Presidência, vota PS. Se não queres... Se eu fosse ao Bloco de Esquerda não falaria de mais nenhum assunto durante toda a campanha.
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5.4.09

Custos e competitividade

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Pedro Nueno, professor da Universidade de Navarrra e ex-gestor da indústria automóvel, conclui, com base na sua experiência na Europa do Leste:
"Las 14 plantas de la península Ibérica [11 em Espanha e 3 em Portugal] tienen hoy unos costes muy razonables. Unos costes laborales que pueden ser la mitad que en Europa Central. Niveles de flexibilidad importantes. Potencial de externalización alto. Proveedores cercanos con altos niveles de just-in-time real. Infraestructuras logísticas y de conectividad mejorables, pero comparables a las francesas, alemanas o italianas. Sindicatos capaces de entender la realidad.

"Por tanto, son plantas con futuro para quien se preocupe de sus accionistas a largo plazo. Esto es el resultado de una buena gestión por parte de las empresas que establecieron esas plantas, las desarrollaron y las han dirigido eficazmente durante muchos años (Ford, Opel, PSA, Volkswagen, Renault, Nissan, Mercedes y Santana)."
No artigo hoje publicado no El Pais, que vale a pena ler na íntegra, ele explica em detalhe porquê.
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3.4.09

Súmula provisória do G20

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Do lado positivo:
1. Compromisso de princípio de acção conjugada ao nível internacional.

2. Papel acrescido das instituições financeiras internacionais: Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.

3. Acréscimo substancial da capacidade de intervenção do Fundo Monetário Internacional: duplicação imediata dos seus recursos financeiros; triplicação se se verificar necessário.

4. Revitalização dos Direitos Especiais de Saque do FMI para enfrentar situações de emergência.

5. Intervenção do Banco Mundial no financamento do comércio internacional.

6. Entendimento geral da China e do Japão com os EUA.
Do lado negativo:
1. Nenhum compromisso real de reforço ou coordenação dos estímulos fiscais já anunciados.

2. Nenhum aumento efectivo das verbas mobilizadas para além daquelas previamente anunciadas para combater a crise pelos diversos estados nacionais.

3. Escassa credibilidade das declarações anti-proteccionistas.

4. Papel desempenhado pela Europa em geral e pela Alemanha em particular.
Balanço final: moderadamente positivo.
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Gustave Caillebotte: Les raboteurs de parquet.

Documento histórico de um encontro falhado com o Pinto da Costa em 1998 no antigo estádio das Antas

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É mesmo verdade. O Pinto da Costa baldou-se à reunião á última hora. Eu sou o barbudo da esquerda. A foto foi divulgada agora pelo António de Sousa (ao centro), depois de onze anos em segredo de justiça. À direita, o Eduardo Homem, um benfiquista infiltrado mas respeitador.
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2.4.09

"Não há pensamento estratégico"

Extractos de uma infelizmente premonitória entrevista de Michael Fox, professor da London School of Economics, no Jornal de Negócios de hoje:
"Infelizmente, a minha expectativa é que esta cimeira do G20 confirme a incapacidade de a actual geração de líderes compreender o que está a acontecer e, como tal, que confirme também a incapacidade dos Governos de actuar da forma radical que a situação efectivamente exige. E temo que, mais uma vez, os países mais pobres e frágeis acabem por ser quem vai suportar o essencial do tremendo custo, económico e social, que esta crise vai provocar, e que ninguém parece querer encarar."

"Por que está cada vez mais claro que não vão sair deste encontro as decisões concretas e radicais de que o mundo precisa. Não vamos ter o investimento massivo que é necessário para ultrapassar esta crise, porque, simplesmente, não há pensamento estratégico. Ninguém parece conseguir descolar-se da “velha escola”. "

"O que está a prevalecer é o velho pensamento e a preocupação com os problemas teóricos e não com os reais. Falta visão estratégica. No Congo, por exemplo, há hoje mais 300 mil desempregados da indústria do cobre, e ninguém parece preocupar-se com a miséria em larguíssima escala que esta crise está a gerar."

"Vamos ter milhões e milhões de desempregados, com consequências gravíssimas em termos de estabilidade social e mesmo institucional. E, não obstante, o que prevalece é a preocupação com a evolução do défice ou da inflação, quando, paradoxalmente, o que temos é risco de deflação na Europa e uma deflação reinstalada no Japão. É muito decepcionante, mas é isso que está a acontecer: o G20 vai concentrar-se em problemas teóricos e esquecer os reais."

O que está em jogo na reunião do G20

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Um dos factores que ameaçam fazer durar a actual crise é a persistência de colossais desequilíbrios financeiros à escala mundial, por sua vez alicerçados na dicotomia entre, por um lado, países com crónicos supéravites comerciais (China, Alemanha e China) e, por outro lado, países com crónicos défices comerciais (EUA, Reino Unido, Espanha, Portugal e Leste Europeu, entre outros).

Uma corrente moralista acha criticáveis os défices, mas não os supéravites, quando uns e outros se encontram intimamente associados: quem empresta, empresta a alguém; quem deve, deve a quem lhe empresta.

A Alemanha só pode exportar o que exporta e ter uma poupança tão elevada porque outros países se encarregam de dinamizar a procura que os alemães reprimem ao imporem internamente políticas dissuassoras do consumo e da despesa pública. O mesmo pode dizer-se da China ou do Japão.

Estupidamente, a política económica alemã (e, em parte, a chinesa) aposta na continuação deste estado de coisas, recusando-se a entender que, obviamente, é aos países com superávites elevados e crónicos que, na presente conjuntura, compete pôr em prática estímulos fiscais substanciais.

Para regressarmos à normalidade é também preciso que alguns países compreendam que não podem continuar eternamente a basear o seu crescimento na expansão da procura alheia.

Pretender o contrário é apostar na eternização dos actuais desequilíbrios financeiros. O que, naturalmente, é impossível.
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Pôr a casa em ordem

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Políticas económicas activas em tempo de crise, eis o tema do meu artigo desta semana no Jornal de Negócios, já disponível no Provador de Venenos.
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Queridos líderes

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Obama tem-se esforçado por fazer aprovar na reunião do G-20 do próximo fim de semana um compromisso comum para uma acção conjunta e decidida de combate à recessão à escala mundial.

Parece provável que consiga o apoio da China e do Japão, mas não dos nossos queridos líderes europeus, os quais permanecem aferrados ao princípio míope do "cada um por si".

O Banco Central Europeu já não tem cara para insistir no risco da inflação (na Espanha os preços estão mesmo a baixar), mas continua-se a desvalorizar a dimensão real da catástrofe económica que sob os nossos olhos diariamente se aprofunda.

O mestre ceromónias que nominalmente dirige a Comissão não faz ondas para assegurar a reeleição. A pacóvia primeira-ministra germânica parece acreditar que os estabilizadores automáticos são suficientes para contrariar a crise. Sarkozy aprova tudo desde que possa aplicar internamente as políticas proteccionistas que lhe asseguram popularidade fácil. Gordon Brown está feliz no seu papel de alegado go-between entre os EUA e Europa, mesmo que ninguém lhe preste muita atenção dum e doutro lado do Atlântico.

Temos eleições europeias dentro de três meses. Faria todo o sentido que as absurdas políticas económicas europeias fossem submetidas a uma crítica implacável. Estarão preocupados com isso os manifestantes que vão desfilar em Londres? O continente europeu está politicamente anestesiado?
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Resumo do libreto da ópera "Salomé", de Richard Strauss, em 140 caracteres

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Salomé quer beijar o Baptista, ele recusa. Beija-o morto, mas não lhe sabe bem. Se ambos fossem menos teimosos, tinha-se evitado a desgraça.
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29.3.09

Nunca me passaria pela cabeça acusar Miguel Portas de ter as ideias arrumadas

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Eis uma recente declaração de Miguel Portas a propósito das eleições para o Parlamento Europeu transcrita no DN de ontem:
"José Sócrates e Vital Moreira não querem que nas próximas eleições europeias se discuta Portugal, querem que seja conversa de sofá sobre assuntos que não têm nada a ver com as nossas vidas. Eles gostariam, mas não vão ter essa sorte."
Confirma-se, portanto, que, para o Bloco, a política europeia "não tem nada a ver com as nossas vidas".

Nada de novo, note-se. Quem tiver lido a declaração de Miguel Portas na sessão de apresentação da lista do Bloco não poderá ter deixado de notar que ela dedica uns três quartos a tratar de problemas de política interna, misturando ataques a José Sócrates com temas como o fracasso da supervisão bancária em Portugal, a gestão da Caixa Geral de Depósitos ou o aumento dos despedimentos colectivos.

É claro que Portas tem aquilo que julga ser uma boa justificação para isso: "Quando falamos de Europa," diz ele, "falamos de Portugal e vice-versa." Eu diria mesmo mais: quando falamos da Europa falamos da China, quando falamos de Portugal falamos da fome no mundo e quando falamos do Bloco falamos da teoria do caos.

Tudo está ligado com tudo, um lema que justifica a confusão mental de que o próprio faz alarde, saltando continuamente de assunto em assunto sem abordar nenhum com seriedade.

De modo que Portas, o Miguel, está convicto de ter na algibeira soluções simples, rápidas e indolores para os mais intratáveis problemas do país e do Mundo. Não custa nada: basta, segundo a tal declaração, encerrar o off-shore da Madeira, registar os movimentos de capitais para o exterior (o que é que isto quer dizer?), abandonar o controlo orçamental, aplicar uma taxa às deslocalizações industriais dentro da Europa (porque não também dentro de Portugal?) e europeizar os custos do trabalho (?).

Naturalmente, Portas acredita que a Europa não precisa do Tratado de Lisboa. Do que ela precisa é de "coragem e de união" e também de "atrevimento" porque, na sua visão profunda, "nenhum tratado substitui a vontade politica". Decidirá ele um dia exigir a abolição da Constituição portuguesa a pretexto de que ela não pode "substituir a vontade política"?

De "atrevimento", pelo menos, já nós sabemos que o Bloco está bem servido.
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26.3.09



Turner: Negreiros lançando borda fora mortos e moribundos.
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