29.11.03
Abaixo de cão
A Drª Margarida Marante entrevista o Dr. Luis Filipe Menezes na TSF. É difícil imaginar uma cena mais degradante.
Ela, mal preparada como sempre, opinativa como sempte, peremptória como sempre, ignorante como sempre, ocupa o tempo inteiro com perguntas (?) que rodam sempre à volta das ambições pessoais do entrevistado. Aqui só há lugar para a baixa política, ou seja, para a intriga mesquinha envolvendo personagens inenarráveis que nós preferiríamos nunca ter conhecido.
Ele, medíocre, manhoso, calhandreiro, mal intencionado, é para mim um dos grandes mistérios do nosso país. Este tipo, que não desempenha nem nunca desempenhou qualquer cargo político de relevo, que manifestamente não tem nada de relevante para dizer, no fundo um mero autarca de Gaia que conduz uma campanha infame e sem princípios contra o seu colega de partido Rui Rio, é constantemente requisitado pela televisão, pela rádio e pelos jornais para nos regalar com as suas opiniões.
Ao entrevistado e à entrevistadora une-os a paixão da mediocridade, que, com o seu sentido gregário altamente desenvolvido, facilmente toma conta do país e das nossas vidas.
Ela, mal preparada como sempre, opinativa como sempte, peremptória como sempre, ignorante como sempre, ocupa o tempo inteiro com perguntas (?) que rodam sempre à volta das ambições pessoais do entrevistado. Aqui só há lugar para a baixa política, ou seja, para a intriga mesquinha envolvendo personagens inenarráveis que nós preferiríamos nunca ter conhecido.
Ele, medíocre, manhoso, calhandreiro, mal intencionado, é para mim um dos grandes mistérios do nosso país. Este tipo, que não desempenha nem nunca desempenhou qualquer cargo político de relevo, que manifestamente não tem nada de relevante para dizer, no fundo um mero autarca de Gaia que conduz uma campanha infame e sem princípios contra o seu colega de partido Rui Rio, é constantemente requisitado pela televisão, pela rádio e pelos jornais para nos regalar com as suas opiniões.
Ao entrevistado e à entrevistadora une-os a paixão da mediocridade, que, com o seu sentido gregário altamente desenvolvido, facilmente toma conta do país e das nossas vidas.
28.11.03
Um link dos diabos
Decididamente, o Albergue dos Danados é um dos meus blogues preferidos. Aí está ao lado o link para selar essa predilecção.
O homem do leme é uma mulher e não está lá
Como o déficite efectivo do Orçamento do Estado português ronda os 5% (maior, portanto, que os déficites da França ou da Alemanha), a verdade é que ele é expansionista, não contraccionista.
Que sentido faz então criticar o Governo simultaneamente por centrar todos os esforços no controlo do déficite e por não controlar o déficite? O que quer afinal a oposição: que o Governo controle o déficite ou que o Governo não controle o déficite?
A questão está mal posta. O problema é que o Governo criou expectativas recessionistas, mesmo se depois a execução orçamental não as confirmou. Ora o problema é que os agentes económicos adaptaram os seus comportamentos a esses estímulos, o que os levou, designadamente, a investir menos. Logo, faz todo o sentido dizer-se que as expectativas negativas criadas pelo Governo conduziram a uma recessão mais profunda do que seria objectivamente necessário.
Agora, porém, a situação está invertida. Todos sabemos que o que o Governo diz não é para aplicar. Todos sabemos também que a França e a Alemanha, as duas economias decisivas no espaço europeu, têm as mãos livres para fazerem o que quiserem. Boas notícias, portanto: o fim da recessão está a vista.
Subsiste, porém, um problema crucial, que é o da composição da despesa pública em Portugal. Apesar de todas as declarações grandiloquentes, este Governo aumentou a despesa corrente em detrimento do investimento. Ou seja, fez exactamente o contrário do que seria aconselhável.
Ainda o orçamento acabou de ser aprovado, e já está claro para todos que se trata de um documento absolutamente destituido de visão estratégica e bom senso.
Que sentido faz então criticar o Governo simultaneamente por centrar todos os esforços no controlo do déficite e por não controlar o déficite? O que quer afinal a oposição: que o Governo controle o déficite ou que o Governo não controle o déficite?
A questão está mal posta. O problema é que o Governo criou expectativas recessionistas, mesmo se depois a execução orçamental não as confirmou. Ora o problema é que os agentes económicos adaptaram os seus comportamentos a esses estímulos, o que os levou, designadamente, a investir menos. Logo, faz todo o sentido dizer-se que as expectativas negativas criadas pelo Governo conduziram a uma recessão mais profunda do que seria objectivamente necessário.
Agora, porém, a situação está invertida. Todos sabemos que o que o Governo diz não é para aplicar. Todos sabemos também que a França e a Alemanha, as duas economias decisivas no espaço europeu, têm as mãos livres para fazerem o que quiserem. Boas notícias, portanto: o fim da recessão está a vista.
Subsiste, porém, um problema crucial, que é o da composição da despesa pública em Portugal. Apesar de todas as declarações grandiloquentes, este Governo aumentou a despesa corrente em detrimento do investimento. Ou seja, fez exactamente o contrário do que seria aconselhável.
Ainda o orçamento acabou de ser aprovado, e já está claro para todos que se trata de um documento absolutamente destituido de visão estratégica e bom senso.
O euro e eu
Sempre fui de opinião que o euro era uma má ideia. Vamos lá: não uma ideia muito má, apenas um bocadinho má.
Mas é claro que tinha todas as condições para ir para à frente sem grandes oposições. A esquerda, em grande parte internacionalista, simpatiza com uma moeda capaz de unir todos os povos, e por isso não poderia deixar de a aprovar. Á direita, pelo seu lado, agrada retirar a política monetária do controlo de políticos eleitos, e vai daí também apoiou.
Além disso, a criação do euro casa muito bem com o projecto de construir a Europa a partir do tecto e, tanto quanto possível, fora do controlo de poderes democraticamente eleitos. É o emblema perfeito da europeização a marchas forçadas, vulgo Grande Salto em Frente.
Ora o euro estampou-se ao virar da primeira esquina, por não se ter tido em conta que a integração das economias europeias ainda não se encontrava suficientemente avançada para que os seus ciclos se encontrassem coordenados. Em Portugal, a taxa de juro deveria ser um bocadinho mais alta para ajudar a controlar o endividamento, ao passo que na Alemanha deveria ser algo mais baixa para estimular a procura. Em vez disso, temos este fato para marrecos que faz todos ficarem mal no retrato.
É claro que, a partir do momento em que há uma moeda comum, é preciso geri-la. Como não há instituições centrais que controlem as políticas económicas dos países, impoem-se então regras arbitrárias que depois não funcionam. Entretanto, a política interna é desvalorizada na medida em que os governos nacionais podem legitimamente desresponsabilizar-se argumentando que se encontram condicionados por regras impostas por Bruxelas. A democracia esvazia-se de conteúdo e os cidadãos convencem-se de que o seu voto afinal não serve para nada.
Um lindo serviço, não haja dúvida.
Agora, dizem-nos os sábios que o euro é uma realidade irreversível e que, por isso, é necessário avançar-se para um novo Pacto de Estabilidade, ou seja, é preciso repetir-se o mesmo erro outra vez. O problema é que a credibilidade do euro não depende da letra do pacto mas da convicção de que existe vontade de cumpri-lo, seja ele qual for.
Ora a verdade é que ficou claro que um pacto deste género só será cumprido se for conveniente para os poderes fácticos que dominam a União Europeia. Por outras palavras, o arranjo institucional que foi criado para o euro não merece confiança.
O que eu prevejo, por conseguinte, é que o destempero vai ascender a um novo patamar de irracionalidade.
Entretanto, o verdadeiro problema que se coloca, pelo menos para os europeistas como eu, é este: como criar instituições democráticas centrais europeias com legitimidade para conduzir políticas económicas e sociais progressivas? O mais preocupante para mim é que não só a chamada Constituição Europeia não aponta neste sentido, como reforça mesmo a tendência oposta.
Digam-me lá com franqueza: o que é que há de democrático neste super-estado europeu que se está a formar sob os nossos olhos?
Mas é claro que tinha todas as condições para ir para à frente sem grandes oposições. A esquerda, em grande parte internacionalista, simpatiza com uma moeda capaz de unir todos os povos, e por isso não poderia deixar de a aprovar. Á direita, pelo seu lado, agrada retirar a política monetária do controlo de políticos eleitos, e vai daí também apoiou.
Além disso, a criação do euro casa muito bem com o projecto de construir a Europa a partir do tecto e, tanto quanto possível, fora do controlo de poderes democraticamente eleitos. É o emblema perfeito da europeização a marchas forçadas, vulgo Grande Salto em Frente.
Ora o euro estampou-se ao virar da primeira esquina, por não se ter tido em conta que a integração das economias europeias ainda não se encontrava suficientemente avançada para que os seus ciclos se encontrassem coordenados. Em Portugal, a taxa de juro deveria ser um bocadinho mais alta para ajudar a controlar o endividamento, ao passo que na Alemanha deveria ser algo mais baixa para estimular a procura. Em vez disso, temos este fato para marrecos que faz todos ficarem mal no retrato.
É claro que, a partir do momento em que há uma moeda comum, é preciso geri-la. Como não há instituições centrais que controlem as políticas económicas dos países, impoem-se então regras arbitrárias que depois não funcionam. Entretanto, a política interna é desvalorizada na medida em que os governos nacionais podem legitimamente desresponsabilizar-se argumentando que se encontram condicionados por regras impostas por Bruxelas. A democracia esvazia-se de conteúdo e os cidadãos convencem-se de que o seu voto afinal não serve para nada.
Um lindo serviço, não haja dúvida.
Agora, dizem-nos os sábios que o euro é uma realidade irreversível e que, por isso, é necessário avançar-se para um novo Pacto de Estabilidade, ou seja, é preciso repetir-se o mesmo erro outra vez. O problema é que a credibilidade do euro não depende da letra do pacto mas da convicção de que existe vontade de cumpri-lo, seja ele qual for.
Ora a verdade é que ficou claro que um pacto deste género só será cumprido se for conveniente para os poderes fácticos que dominam a União Europeia. Por outras palavras, o arranjo institucional que foi criado para o euro não merece confiança.
O que eu prevejo, por conseguinte, é que o destempero vai ascender a um novo patamar de irracionalidade.
Entretanto, o verdadeiro problema que se coloca, pelo menos para os europeistas como eu, é este: como criar instituições democráticas centrais europeias com legitimidade para conduzir políticas económicas e sociais progressivas? O mais preocupante para mim é que não só a chamada Constituição Europeia não aponta neste sentido, como reforça mesmo a tendência oposta.
Digam-me lá com franqueza: o que é que há de democrático neste super-estado europeu que se está a formar sob os nossos olhos?
27.11.03
26.11.03
23.11.03
Desintoxicação
Já consigo passar todo o fim-de-semana sem sequer olhar para a primeira página do Expresso. Vá lá, façam um esforço e vão ver que também vocês são capazes.
19.11.03
O acaso e a necessidade
Porque é que Bach nunca compôs uma ópera?-Porque os seus patrões nunca lhe encomendaram uma.
É um bocado chato aceitar-se que a história da arte esteja dependente de contingências deste tipo. Mas podemos encontrar algum consolo no modo como João Sebastião conseguiu superar as adversidades.
Como não podia fazer óperas, Bach compôs oratórios. Quando lhe faltava uma orquestra, escrevia (é verdade!) um concerto para cravo solista. Se o cliente sofria de insónias, propunha-lhe umas infindáveis variações (a Ofrenda Musical) que duravam até ele cair exausto para o lado. Se a moda era a música italiana, ele fazia uns pastiches de Vivaldi. E por aí fora.
Moral da história: quando o talento é real, encontra sempre alguma maneira de se manifestar. O espírito sopra em quaisquer circunstâncias e em qualquer lugar.
É um bocado chato aceitar-se que a história da arte esteja dependente de contingências deste tipo. Mas podemos encontrar algum consolo no modo como João Sebastião conseguiu superar as adversidades.
Como não podia fazer óperas, Bach compôs oratórios. Quando lhe faltava uma orquestra, escrevia (é verdade!) um concerto para cravo solista. Se o cliente sofria de insónias, propunha-lhe umas infindáveis variações (a Ofrenda Musical) que duravam até ele cair exausto para o lado. Se a moda era a música italiana, ele fazia uns pastiches de Vivaldi. E por aí fora.
Moral da história: quando o talento é real, encontra sempre alguma maneira de se manifestar. O espírito sopra em quaisquer circunstâncias e em qualquer lugar.
Onde está o dinheiro?
A gente já sabe em que é que o governo poupou. Agora, gostaríamos de saber em que é que gastou, tendo em conta que o déficite real das contas públicas não pára de crescer.
Eisenstein e o Rato Mickey
No Festival de Cinema de Moscovo de 1935 (precisamente o primeiro de todos eles), Eisenstein, Presidente do Júri, propôs que o Grande Prémio fosse atribuido ao Rato Mickey.
Embora ele estivesse cheio de razão, é claro que o galardão foi antes para Tchapaév, um óbvio filme de regime. Mas este episódio serve para tornar claro o que Eisenstein se ralava com o realismo socialista.
Embora ele estivesse cheio de razão, é claro que o galardão foi antes para Tchapaév, um óbvio filme de regime. Mas este episódio serve para tornar claro o que Eisenstein se ralava com o realismo socialista.
O sensacionismo
«O que sente? O que sentiu? Qual é a sensação?» Perguntam ansiosos os reporteres a José Mourinho na inauguração do Estádio do Dragão, ao jornalista da TSF libertado dos seus captores, ao condutor ainda azamboado por um choque frontal.
Sabem lá eles, pobres infelizes apanhados à má fila, descrever o que sentem. Nada é menos imediato, menos elementar, menos primitivo do que a expressão de uma sensação. A verbalização das nossas sensações é-nos ensinada, pelo que, contrariamente ao que se pensa, os analfabetos são as pessoas menos indicadas para nos falarem delas.
A inteligência e a cultura são a matéria-prima das sensações; sem elas, o que há são vagas impressões, picadelas ou comichões.
É preciso ser-se um Proust para se conseguir dizer o que se sente. Mas não é certamente isso que os reporteres esperam ouvir.
Sabem lá eles, pobres infelizes apanhados à má fila, descrever o que sentem. Nada é menos imediato, menos elementar, menos primitivo do que a expressão de uma sensação. A verbalização das nossas sensações é-nos ensinada, pelo que, contrariamente ao que se pensa, os analfabetos são as pessoas menos indicadas para nos falarem delas.
A inteligência e a cultura são a matéria-prima das sensações; sem elas, o que há são vagas impressões, picadelas ou comichões.
É preciso ser-se um Proust para se conseguir dizer o que se sente. Mas não é certamente isso que os reporteres esperam ouvir.
18.11.03
The American Dream
Robert Indiana, o autor de The American Dream, trabalha ícones comerciais até os tornar irreconhecíveis: restam apenas vagas sugestões de etiquetas de preços, auto-colantes, cartazetes promocionais, emblemas, anúncios de luna-park, elementos decorativos de máquinas de jogos.
Essa matéria-prima (os signos de actividades comerciais e de lazer e não as coisas elas mesmas) é por ele transfigurada para nos dar a ver um mundo mais real do que a própria realidade. É uma espécie de realismo capitalista.
Será isto pintura anti-americana? Mais do que uma «crítica», o que eu vejo aqui é um comentário que remete para uma pluralidade de sentidos.
Soulages
Em 1962, a Fundação Gulbenkian ainda não tinha o seu edifício da Avenida de Berna. Por isso, foi no pavilhão da FIL da Junqueira que organizou a exposição «Cem anos de Pintura Francesa».
Foi aí que muitos milhares de lisboeta (e eu entre eles) tiveram a hipótese de pela primeira vez na sua vida contemplarem ao vivo e a cores telas de Monet, Manet, Degas, Pissarro, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Seurat, Bonnard, Matisse, Léger, Bracque, Sónia e Robert Delaunay ou Vieira da Silva (representada, se não erro, por um quadro intitulado O Desastre), entre muitos outros.
A concluir tanto deslumbramento, no final da exposição, deparei-me com uma tela gigantesca de Soulages, na altura um completo desconhecido.
A pintura de Soulages vem, não pode haver dúvida, de cima para baixo. É uma voz que desce até nós, sólida, dominadora, mas também atenciosa ou prestável. Nunca esmagadora, excepto talvez no sentido de uma presença benévola que nos submerge (talvez a palavra certa seja antes: que nos invade).
Predomina o negro, completado apenas com uma sugestão de vermelho ou, mais frequente, azul. Tudo é subtileza nestas formas colossais: este elefante certamente não partiria nada numa loja de porcelanas.
É inútil acrescentar que se trata de pintura religiosa.
17.11.03
A cegueira no posto de comando
Já o disse uma vez, e repito: independentemente do modo errado como tudo começou, a guerra do Iraque é agora também a nossa guerra. Ou seja, partindo do princípio de que o regresso de Saddam ou algo parecido não é uma opção aceitável, é indispensável que as Nações Unidas e os principais aliados dos EUA se envolvam e tomem conta do assunto.
Uma das principais dificuldades (não a única, certamente), é que Bush deseja antes de mais evitar perder a face. Isso coloca-nos perante um cenário muito negativo: daqui até às eleições americanas e à eventual queda de Bush, se nada inverter o curso dos acontecimentos, nem os aliados do EUA vão querer comprometer-se com tropas no terreno, nem a ONU vai querer assumir a direcção política da operação.
O resultado será a degradação da situação militar, desembocando muito provavelmente numa guerra civil generalizada, que é aquilo que os adeptos de Saddam estão a tentar provocar.
Neste momento, as principais potências agem como se não estivessem conscientes deste perigo. Em particular, os aliados europeus dos EUA comportam-se como se tivesse alguma importância continuarmos infindavelmente a discutir se houve ou não justificação para a «guerra preventiva».
Grossa asneira.
Uma das principais dificuldades (não a única, certamente), é que Bush deseja antes de mais evitar perder a face. Isso coloca-nos perante um cenário muito negativo: daqui até às eleições americanas e à eventual queda de Bush, se nada inverter o curso dos acontecimentos, nem os aliados do EUA vão querer comprometer-se com tropas no terreno, nem a ONU vai querer assumir a direcção política da operação.
O resultado será a degradação da situação militar, desembocando muito provavelmente numa guerra civil generalizada, que é aquilo que os adeptos de Saddam estão a tentar provocar.
Neste momento, as principais potências agem como se não estivessem conscientes deste perigo. Em particular, os aliados europeus dos EUA comportam-se como se tivesse alguma importância continuarmos infindavelmente a discutir se houve ou não justificação para a «guerra preventiva».
Grossa asneira.
16.11.03
India Song
Não é que os géneros não possam influenciar-se mutuamente, mas fazer um filme com ideias literárias é má ideia; tal como é má ideia, acrescento já, fazer um romance com ideias cinematográficas.
Talvez se conseguisse fazer com isto um bom trailer. Tenho reparado que a maior parte dos filmes ficam melhores no trailers, recolhem só o sumo e deitam fora a palha, às vezes com horas de duração, que só serve para justificar os 4,5 euros do bilhete.
Até já me ocorreu que os trailers são uma forma de arte cuja importância ainda está à espera de ser reconhecida, se calhar pelas civilizações vindouras. Parafraseando o Pacheco Pereira, um dia hei-de voltar a isto.
Talvez se conseguisse fazer com isto um bom trailer. Tenho reparado que a maior parte dos filmes ficam melhores no trailers, recolhem só o sumo e deitam fora a palha, às vezes com horas de duração, que só serve para justificar os 4,5 euros do bilhete.
Até já me ocorreu que os trailers são uma forma de arte cuja importância ainda está à espera de ser reconhecida, se calhar pelas civilizações vindouras. Parafraseando o Pacheco Pereira, um dia hei-de voltar a isto.
15.11.03
Enigma esclarecido
Está finalmente esclarecida a missão da GNR no Iraque: proteger os repórteres portugueses presentes no Iraque para cobrir a presença da GNR no Iraque.
14.11.03
Dicionário das ideias feitas
«Realmente, o Ferro não devia ter deixado enredar o PS no escândalo da Casa Pia.»
Isto é o que eu ouço onde quer que vá: nas cervejarias, nos táxis, nas retretes dos cinemas, nos consultórios dos dentistas, nos táxis, nas missas de sétimo dia, nos trottoirs do Intendente, nas tertúlias intelectuais, nas paragens dos autocarros, nas bancadas dos campos de futebol, nas festas de casamento, nos seminários de gestão, nas filas para o confessionário, nas assembleias gerais das sociedades anónimas.
Se Flaubert voltasse cá abaixo, lá teria que acrescentar a frasezinha ao seu Dicionário das Ideias Feitas.
Esta insidiosa inteligência omnipresente e impessoal que a todos nos governa é a prova provada de que ninguém está a pensar. A todos estes peremptórios, eu gostaria apenas de perguntar (mas não é preciso responder) o que é que eles acham que Ferro deveria ter feito (ou deixado de fazer) para evitar «enredar o PS no escândalo da Casa Pia».
Vá, voltem lá às vossas ocupações e esqueçam o assunto. Mas, primeiro, prometam-me que não voltam a dizer tolices sem pensar.
Isto é o que eu ouço onde quer que vá: nas cervejarias, nos táxis, nas retretes dos cinemas, nos consultórios dos dentistas, nos táxis, nas missas de sétimo dia, nos trottoirs do Intendente, nas tertúlias intelectuais, nas paragens dos autocarros, nas bancadas dos campos de futebol, nas festas de casamento, nos seminários de gestão, nas filas para o confessionário, nas assembleias gerais das sociedades anónimas.
Se Flaubert voltasse cá abaixo, lá teria que acrescentar a frasezinha ao seu Dicionário das Ideias Feitas.
Esta insidiosa inteligência omnipresente e impessoal que a todos nos governa é a prova provada de que ninguém está a pensar. A todos estes peremptórios, eu gostaria apenas de perguntar (mas não é preciso responder) o que é que eles acham que Ferro deveria ter feito (ou deixado de fazer) para evitar «enredar o PS no escândalo da Casa Pia».
Vá, voltem lá às vossas ocupações e esqueçam o assunto. Mas, primeiro, prometam-me que não voltam a dizer tolices sem pensar.
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