27.2.07
26.2.07
O que é que ele estará a ver?
O Ministro da Defesa israelita Amir Peretz (segundo a contar da direita) observando manobras militares. (Fotografia encontrada no blogue de Brad de Long).
24.2.07
O meu reino por um hino!
Pode um simples mas sublime hino vindicar toda a merda que foi e fez a RDA? Deixo aqui a questão para os sábios resolverem, que eu confesso-me sem forças para tanto.
(Os meus agradecimentos ao João Sedas Nunes por mo ter dado a conhecer.)
23.2.07
60s Crash Course - Janis Ian: Society's Child
Aguardei durante meses que alguém se lembrasse de colocar um video com esta canção da Janis Ian, então com 16 anos de idade, no YouTube. Aconteceu esta semana, mais precisamente no dia 19 de Fevereiro. É aproveitar, não vá dar-se o caso de ser retirado por problemas de direitos de autor.
O grande promotor do lançamento de "Society's Child" foi nada mais nada menos que Leonard Bernstein em pessoa.
Billie Holiday: Fine and Mellow
A cantora e os músicos estão visivelmente encantados uns com os outros durante toda esta execução de Fine and Mellow. Durante oito minutos o tempo pára e sentimo-nos a pairar uns bons metros acima do solo.
Para além de Billie, ouvimos também neste encontro de luxo Lester Young, Coleman Hawkins, Ben Webster e Gerry Mulligan.
Sobre a crise da imprensa diária
Um jornal é um instrumento facilitador da conversa que um país mantém consigo próprio.
A aldeia não precisa de jornais: as pessoas informam-se directamente no lavadouro ou na tasca do estado de saúde da burra da Ti Jaquina. Nas cidades, em contrapartida, os diários eram indispensáveis para estruturar as conversas em torno de temas partilhados.
Os tempos passaram, e aumentou a variedade dos intrumentos utilizados para essa finalidade. As pessoas habituaram-se a recorrer simultaneamente a várias fontes alternativas de informação, tais como diários, semanários, revistas mensais, rádio e televisão.
A proliferação dos media levou à fragmentação de experiências e interesses. A multiplicação dos espaços públicos liquidou a uniformização do espaço público. A sociedade é hoje uma nebulosa composta de sub-grupos vagamente conectados: os media também. Os diários não podem subsistir isolados da nebulosa mediática que os envolve. Mas tampouco podem deixar-se dissolver nela.
Um diário é antes de mais um agregador de uma comunidade de leitores. Porém, o que a une não é o jornal, mas uma identidade de interesses, estilos de vida e pontos de vista.
Que factores asseguram a coesão dessa tribo? - Mitos fundadores, sinais de identidade, rituais, instituições e canais de comunicação.
Há sérias razões para duvidar que a cultura própria dos leitores de diários se encontre ameaçada. Por exemplo, com a decadência dos cafés desapareceram os vespertinos. Onde é que as pessoas podem hoje ler o jornal da manhã? As que não usam os transportes públicos não podem, na maioria dos casos, fazê-lo no local de trabalho.
Depois, à medida que o espaço público vai ficando restringido aos centros comerciais deixa também de haver locais onde se comentam as notícias do dia. Este processo de des-socialização da vida quotidiana afecta os diários, visto que eles serviam exactamente de instrumento de lubrificação do convívio social.
As pessoas encontram-se crescentemente remetidas para três espaços específicos: a) a família; b) a profissão; e, quando existe, c) o hobby. Ora, o que interessa a umas profissões não interessa a outras, e o mesmo se passa em relação aos hobbies. Daí a proliferação de media especializados.
O caso das famílias é algo diferente, na medida em que, tirando as disfuncionais, quem viu uma viu-as a todas. Daí os assuntos relacionados com a vida doméstica - desde a educação dos filhos à decoração do lar - se terem tornado presença obrigatória nos mass media.
Vemos assim que tende a reduzir-se a base de clientes da imprensa diária com interesses vastos por tudo o que se passa no mundo. Que espaço resta para a imprensa diária "séria"?
A resposta a esta pergunta só pode ser encontrada descobrindo um sistema de alianças na nebulosa meditica que permita associar os diários a forças em expansão.
A imprensa popular é tributária da televisão, das revistas do coração e dos jornais desportivos. Prolonga a discussão desses temas de uma forma apelativa para o seu público.
Com que aliados de poder equivalente poderá associar-se a imprensa dita de referência? A resposta parece-me óbvia: a internet e os blogues.
Estabelecido isto, resta pensar como fazê-lo.
(To be continued)
A aldeia não precisa de jornais: as pessoas informam-se directamente no lavadouro ou na tasca do estado de saúde da burra da Ti Jaquina. Nas cidades, em contrapartida, os diários eram indispensáveis para estruturar as conversas em torno de temas partilhados.
Os tempos passaram, e aumentou a variedade dos intrumentos utilizados para essa finalidade. As pessoas habituaram-se a recorrer simultaneamente a várias fontes alternativas de informação, tais como diários, semanários, revistas mensais, rádio e televisão.
A proliferação dos media levou à fragmentação de experiências e interesses. A multiplicação dos espaços públicos liquidou a uniformização do espaço público. A sociedade é hoje uma nebulosa composta de sub-grupos vagamente conectados: os media também. Os diários não podem subsistir isolados da nebulosa mediática que os envolve. Mas tampouco podem deixar-se dissolver nela.
Um diário é antes de mais um agregador de uma comunidade de leitores. Porém, o que a une não é o jornal, mas uma identidade de interesses, estilos de vida e pontos de vista.
Que factores asseguram a coesão dessa tribo? - Mitos fundadores, sinais de identidade, rituais, instituições e canais de comunicação.
Há sérias razões para duvidar que a cultura própria dos leitores de diários se encontre ameaçada. Por exemplo, com a decadência dos cafés desapareceram os vespertinos. Onde é que as pessoas podem hoje ler o jornal da manhã? As que não usam os transportes públicos não podem, na maioria dos casos, fazê-lo no local de trabalho.
Depois, à medida que o espaço público vai ficando restringido aos centros comerciais deixa também de haver locais onde se comentam as notícias do dia. Este processo de des-socialização da vida quotidiana afecta os diários, visto que eles serviam exactamente de instrumento de lubrificação do convívio social.
As pessoas encontram-se crescentemente remetidas para três espaços específicos: a) a família; b) a profissão; e, quando existe, c) o hobby. Ora, o que interessa a umas profissões não interessa a outras, e o mesmo se passa em relação aos hobbies. Daí a proliferação de media especializados.
O caso das famílias é algo diferente, na medida em que, tirando as disfuncionais, quem viu uma viu-as a todas. Daí os assuntos relacionados com a vida doméstica - desde a educação dos filhos à decoração do lar - se terem tornado presença obrigatória nos mass media.
Vemos assim que tende a reduzir-se a base de clientes da imprensa diária com interesses vastos por tudo o que se passa no mundo. Que espaço resta para a imprensa diária "séria"?
A resposta a esta pergunta só pode ser encontrada descobrindo um sistema de alianças na nebulosa meditica que permita associar os diários a forças em expansão.
A imprensa popular é tributária da televisão, das revistas do coração e dos jornais desportivos. Prolonga a discussão desses temas de uma forma apelativa para o seu público.
Com que aliados de poder equivalente poderá associar-se a imprensa dita de referência? A resposta parece-me óbvia: a internet e os blogues.
Estabelecido isto, resta pensar como fazê-lo.
(To be continued)
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22.2.07
John Cage: 4' 33''
Aqui fica a peça de John Cage que menciono no meu post de hoje sobre a entrevista de Vasco Pulido Valente à RTP1. Nesta interpretação, a orquestra é superiormente dirigida por Lawrence Foster, actual maestro da Orquestra Gulbenkian. Reparem como o público aproveita os intervalos entre os andamentos para tossir.
Desmontar Vasco Pulido Valente é mais fácil que roubar chuchas a meninos
Esta entrevista (ver post anterior) comprova que o pior castigo que se pode dar a Pulido Valente é obrigá-lo a falar durante uma hora sobre um qualquer assunto. O primeiro terço é, como sempre, brilhante, mas a partir daí o discurso vai-se tornando progressivamente mais trapalhão.
Vasco começa por explicar que gosta de Portugal e dos portugueses. Não em abstracto, entenda-se, mas em concreto. Em abstracto só não grama mesmo os franceses.
A dada altura, chega a ameaçar-nos falar durante 2 horas sobre Os Maias, o que não se compreende, porque toda a sua vida de autor não passa precisamente de uma longa glosa a esse livro.
Tudo isto para chegar rapidamente ao seu tema favorito, ou seja, o de Portugal como país falhado - um estranho falhanço, convenhamos, que dura vai para novecentos anos.
E falhado, porquê? Ora, porque não encaixa no conceito de Vasco sobre o que o país deveria ser. Desde logo, um falhanço porque não produziu uma única ideia própria, nem na política nem na cultura. E exemplifica: pode-se conceber Flaubert sem Eça, mas não Eça sem Flaubert.
E Pessoa, não tinha ideias próprias, na limitada medida em que essa expressão faz algum sentido? E Fielding, faria sentido sem Cervantes? E Liszt, faria sentido sem Beethoven? E Picasso, faria sentido sem Cézanne? E Wittgenstein, faria sentido sem Russell?
O que não fez sentido, na verdade, é imaginar-se que a cultura de um país pequeno como Portugal (ou a Holanda, ou a Dinamarca, ou a Checoslováquia) alguma vez poderia deixar de ser tributária das culturas dos restantes países europeus.
Se quisermos um exemplo de uma cultura que se bastasse a si própria, não a encontrariamos sequer na França, na Inglaterra ou na Alemanha, mas talvez na China, e, mesmo assim, só até ao século XIX e com os resultados deploráveis que se conhecem.
De modo que, de asneira em asneira, chegamos, a propósito de política cultural, à patética discussão sobre as especificidades do cinema e do teatro em relação às outras artes. Vasco é taxativo: o que torna tão risível o resultado da subsidiação do cinema e do teatro é a falta de critérios exclusivamente técnicos (semelhantes aos que existem na música) que permitam distinguir um trabalho artístico profissional de uma brincadeira irresponsável de amadores.
Como tantas vezes sucede, ele não tem a mínima do que está a falar. Para o comprovar, nem é preciso invocar a peça 4’ e 33'' do John Cage. Bastaria perguntar que espécie de critérios técnicos permitem asseverar que Ascension, de John Coltrane é música competente. Naturalemente, Vasco ignora que ainda hoje, tantos anos passados, se discute se Schumann sabia ou não orquestrar, se Bruckner era ou não capaz de conceber uma verdadeira melodia ou se Boulez tem ou não alguma coisa a ver com música.
Onde estarão, então, os standards rigorosos da música que ele invoca? É claro que ninguém é obrigado a ter sensibilidade artística, mas ao menos o nosso bonzo escusava de dar-se ares de entendido.
Como se vê, condenado a falar mais do que 5 minutos de enfiada, o discurso de VPV enreda-se num novelo de contradições que praticamente se desmontam a si próprias. Ele é incapaz de articular ideias num todo coerente: obrigado a explicar-se em detalhe, espalha-se ao comprido.
Mas não se pense que ele é um ciníco sem ambiçoes. Não, ele tem uma ideia grandiosa para o nosso país, e é com ela que conclui a entrevista.
Segundo ele, deveríamos limitar-nos a tentar organizar Portugal de uma maneira que seja compatível com a Europa. Não se trata nem de modernização, nem de desenvolvimento - apenas de compatiblidade. Vendo bem, nada impede Portugal de a longo prazo ser um país pobre numa Europa rica. Nada o impede de se acomodar na cauda da Europa. Nós podemos perfeitamente viver aqui pobremente e infinitamente.
E, com este projecto mobilizador, dá por findo o sermão.
Eis o retrato fiel de um homem sem outra fantasia para além dele próprio.
Vasco começa por explicar que gosta de Portugal e dos portugueses. Não em abstracto, entenda-se, mas em concreto. Em abstracto só não grama mesmo os franceses.
A dada altura, chega a ameaçar-nos falar durante 2 horas sobre Os Maias, o que não se compreende, porque toda a sua vida de autor não passa precisamente de uma longa glosa a esse livro.
Tudo isto para chegar rapidamente ao seu tema favorito, ou seja, o de Portugal como país falhado - um estranho falhanço, convenhamos, que dura vai para novecentos anos.
E falhado, porquê? Ora, porque não encaixa no conceito de Vasco sobre o que o país deveria ser. Desde logo, um falhanço porque não produziu uma única ideia própria, nem na política nem na cultura. E exemplifica: pode-se conceber Flaubert sem Eça, mas não Eça sem Flaubert.
E Pessoa, não tinha ideias próprias, na limitada medida em que essa expressão faz algum sentido? E Fielding, faria sentido sem Cervantes? E Liszt, faria sentido sem Beethoven? E Picasso, faria sentido sem Cézanne? E Wittgenstein, faria sentido sem Russell?
O que não fez sentido, na verdade, é imaginar-se que a cultura de um país pequeno como Portugal (ou a Holanda, ou a Dinamarca, ou a Checoslováquia) alguma vez poderia deixar de ser tributária das culturas dos restantes países europeus.
Se quisermos um exemplo de uma cultura que se bastasse a si própria, não a encontrariamos sequer na França, na Inglaterra ou na Alemanha, mas talvez na China, e, mesmo assim, só até ao século XIX e com os resultados deploráveis que se conhecem.
De modo que, de asneira em asneira, chegamos, a propósito de política cultural, à patética discussão sobre as especificidades do cinema e do teatro em relação às outras artes. Vasco é taxativo: o que torna tão risível o resultado da subsidiação do cinema e do teatro é a falta de critérios exclusivamente técnicos (semelhantes aos que existem na música) que permitam distinguir um trabalho artístico profissional de uma brincadeira irresponsável de amadores.
Como tantas vezes sucede, ele não tem a mínima do que está a falar. Para o comprovar, nem é preciso invocar a peça 4’ e 33'' do John Cage. Bastaria perguntar que espécie de critérios técnicos permitem asseverar que Ascension, de John Coltrane é música competente. Naturalemente, Vasco ignora que ainda hoje, tantos anos passados, se discute se Schumann sabia ou não orquestrar, se Bruckner era ou não capaz de conceber uma verdadeira melodia ou se Boulez tem ou não alguma coisa a ver com música.
Onde estarão, então, os standards rigorosos da música que ele invoca? É claro que ninguém é obrigado a ter sensibilidade artística, mas ao menos o nosso bonzo escusava de dar-se ares de entendido.
Como se vê, condenado a falar mais do que 5 minutos de enfiada, o discurso de VPV enreda-se num novelo de contradições que praticamente se desmontam a si próprias. Ele é incapaz de articular ideias num todo coerente: obrigado a explicar-se em detalhe, espalha-se ao comprido.
Mas não se pense que ele é um ciníco sem ambiçoes. Não, ele tem uma ideia grandiosa para o nosso país, e é com ela que conclui a entrevista.
Segundo ele, deveríamos limitar-nos a tentar organizar Portugal de uma maneira que seja compatível com a Europa. Não se trata nem de modernização, nem de desenvolvimento - apenas de compatiblidade. Vendo bem, nada impede Portugal de a longo prazo ser um país pobre numa Europa rica. Nada o impede de se acomodar na cauda da Europa. Nós podemos perfeitamente viver aqui pobremente e infinitamente.
E, com este projecto mobilizador, dá por findo o sermão.
Eis o retrato fiel de um homem sem outra fantasia para além dele próprio.
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parafuso a menos,
Vasco Pulido Valente
21.2.07
Tu cá, tu lá
Se tiverem uma horita disponível, vejam esta entrevista do Rui Ramos ao Vasco Pulido Valente que há dias passou na RTP 1 e que fui desencantar no Caderno I do Vasco Barreto.
Eu já volto para dizer qualquer coisinha - se me sentir capaz, claro.
Eu já volto para dizer qualquer coisinha - se me sentir capaz, claro.
60s Crash Course - Dylan: Only a Pawn in Their Game
Dylan interpretando uma das suas melhores canções de sempre na manifestação que culminou a marcha sobre Washington pelos direitos cívicos em Agosto de 1963.
A minha equipa
A minha equipa para hoje seria:
Baliza: Vítor Baia
Defesa: João Pinto. Fernando Couto, Geraldão, Branco
Meio campo: Sousa, Oliveira, Deco
Ataque: Madjer, Jardel, Futre
Banco: Zé Beto, Jorge Costa, Andersen, Jaime Magalhães, Cubillas
Nove a zero, sem dúvida alguma.
Baliza: Vítor Baia
Defesa: João Pinto. Fernando Couto, Geraldão, Branco
Meio campo: Sousa, Oliveira, Deco
Ataque: Madjer, Jardel, Futre
Banco: Zé Beto, Jorge Costa, Andersen, Jaime Magalhães, Cubillas
Nove a zero, sem dúvida alguma.
O que vale o PIB?
John Kay, num artigo publicado no Financial Times há duas semanas que por pouco me passava despercebido:
Note-se, em particular, a observação sobre o milagre económico americano, assunto sobre o qual já aqui escrevi um comentário semelhante.
Output seems like a hard number - and would be if it were simply a matter of counting the widgets that leave a production line. But the output of a modern economy is made up of thousands of differentiated products of changing quality and composition. The US productivity miracle was in part created, not by finding new facts about the US economy, but by reclassifying software expenditure as investment and adopting aggressive assumptions about falling computer prices.
The key number used to measure economic performance is gross domestic product. But few politicians or traders could actually define it. GDP is not, exactly, a measure of either business output or consumer welfare, although it is loosely related to both. It is safest to say that GDP is the number you arrive at if you follow an internationally agreed set of statistical conventions.
So long as everyone follows these conventions, movements in GDP tell you something about national prosperity and economic progress, even if it is not entirely clear what. But no economic data, hard or soft, can ever tell the whole story. Prosperity and progress are soft concepts and official statistics are at best a supplement, not a substitute, for evidence of eyes and ears.
Note-se, em particular, a observação sobre o milagre económico americano, assunto sobre o qual já aqui escrevi um comentário semelhante.
Fantasia e realidade
Os piores fantasistas são aqueles que se julgam imunes a toda e qualquer espécie de fantasia. Podem ser o mais perigosos também, se se lhes meter na cabeça que a sua intimidade com o real lhes dá o direito de impôr aos pobres tolos que somos nós todos as suas concepções e modos de vida preferidos.
20.2.07
17.2.07
60s Crash Course - Martin Luther King: I Have a Dream
Eis a versão completa do discurso que, a meu ver, melhor ilustra o poder arrasador da palavra quando a palavra é mais do que palavra. Passados 40 anos, ainda não consigo ouvi-lo sem sentir um arrepio.
Imagino que falariam assim os profetas do Antigo Testamento - com esta voz, esta sonoridade, esta entoação, esta ênfase - e percebo porque, perante oradores como este, as pessoas se sentiam inclinadas a acreditar que não eram eles que falavam mas que, na verdade, algo de superior falava através deles.
Eis a versão completa do discurso que, a meu ver, melhor ilustra o poder arrasador da palavra quando a palavra é mais do que palavra. Passados 40 anos, ainda não consigo ouvi-lo sem sentir um arrepio.
Imagino que falariam assim os profetas do Antigo Testamento - com esta voz, esta sonoridade, esta entoação, esta ênfase - e percebo porque, perante oradores como este, as pessoas se sentiam inclinadas a acreditar que não eram eles que falavam mas que, na verdade, algo de superior falava através deles.
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