Durante anos a fio, os comentadores explicaram pacientemente ao povo o conceito da presunção da inocência. Ninguém pode ser considerado culpado, disseram, enquanto não for julgado e condenado em tribunal.
Agora, os mesmos comentadores pretendem que o povo confirmará a sua alegada perversidade se eleger candidatos autárquicos arguidos em processos-crime.
Por outras palavras, pretendem que os eleitores decidam o que os tribunais não decidiram. Por outras palavras ainda, pretendem que os eleitores declarem com o seu voto a culpa dos candidatos arguidos.
Mas nem essa responsabilidade incumbe aos eleitores, nem o critério de alguém ser arguido deve ser essencial para a escolha de um titular de um cargo público.
Se aceitarmos como bom e válido em todas as circunstâncias o princípio de que quem for arguido num processo não tem o direito de candidatar-se a um cargo público, criaremos as condições para que os órgãos de investigação criminal possam passar a determinar quem irá dirigir os destinos do país.
Num Estado de Direito, os tribunais condenam e os cidadãos votam. Não são os cidadãos que condenam e as polícias que votam.
1.10.05
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