9.12.03

Como criar confiança

Que haveremos nós então de fazer para promover a confiança entre os portugueses? Confrontados com uma sondagem recente que nos coloca entre os cidadãos mais desconfiados da Europa, a nossa tendência, como povo pouco prático, é colocar o problema no plano da moral colectiva.

O sermão, como se sabe, é o nosso grande instrumento de reforma social. Onde os outros fazem planos, nós fazemos sermões. Mas não me parece que se vá longe por aí.

Por muito estranho que pareça, este problema da criação de confiança já está suficientemente bem estudado para que se saiba como abordá-lo racionalmente.

O Dilema do Prisioneiro mostra que, em muitas situações, nós temos interesse em adoptar comportamentos anti-sociais. Todavia, quando é jogado repetidamente, os jogadores podem ser prejudicados se sistematicamente tentarem enganar os seus parceiros. É que, a longo prazo, a criação de uma reputação (positiva ou negativa) determina o modo como os outros nos tratam.

Simplificando muito, a reputação, na qual assenta a confiança, emerge mais facilmente quando as interacções entre os indivíduos são intensas e repetidas. Quando o contexto social favorece a informalidade e os encontros ocasionais e esporádicos é mais difícil criar confiança. Quando as pessoas colaboram estreitamente em comunidades onde toda a gente se conhece, o caso muda de figura.

A estratégia geral deduz-se daqui. Alguém quer começar a fazer o plano?


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