18.9.08
Propaganda de ocasião
O Secretário de Estado do Tesouro do governo português afirma hoje ao Jornal de Negócios que ter um banco público como a Caixa é "absolutamente estratégico" para o país, e que isso seria comprovado pela actual crise financeira.
Seria possível Costa Pina desenvolver um pouquinho a sua ideia? É que, afinal, as palavras "estratégia" e "estratégico" tornaram-se, no discurso corrente, um mero indício de que não se sabe muito bem o que se está a dizer.
O que é que a Caixa faz de diferente dos outros bancos, e com que intuito o faz? De que modo é que a Caixa contribui para reforçar a solidez do sistema financeiro português? Mais: em que documento escrito se encontra plasmada a orientação política e empresarial definida por este ou por qualquer outro governo para a Caixa?
Obviamente, nunca ninguém até hoje pôs preto no branco essa tal estratégia a que Costa Pina se refere, de modo que nos encontramos impedidos de debatê-la. Não resta, pois, senão confiar na palavra dos nossos governantes.
Sucede, porém, que aquilo que podemos observar sugere antes que a Caixa serve principalmente como instrumento de atenuação da concorrência no sector bancário, quando não como alavanca de negócios cujo interesse especificamente público nos escapa.
De modo que, pela minha parte, persisto em ver muito mais sentido na privatização da Caixa do que nas da TAP, das Águas de Portugal ou da ANA.
Seria possível Costa Pina desenvolver um pouquinho a sua ideia? É que, afinal, as palavras "estratégia" e "estratégico" tornaram-se, no discurso corrente, um mero indício de que não se sabe muito bem o que se está a dizer.
O que é que a Caixa faz de diferente dos outros bancos, e com que intuito o faz? De que modo é que a Caixa contribui para reforçar a solidez do sistema financeiro português? Mais: em que documento escrito se encontra plasmada a orientação política e empresarial definida por este ou por qualquer outro governo para a Caixa?
Obviamente, nunca ninguém até hoje pôs preto no branco essa tal estratégia a que Costa Pina se refere, de modo que nos encontramos impedidos de debatê-la. Não resta, pois, senão confiar na palavra dos nossos governantes.
Sucede, porém, que aquilo que podemos observar sugere antes que a Caixa serve principalmente como instrumento de atenuação da concorrência no sector bancário, quando não como alavanca de negócios cujo interesse especificamente público nos escapa.
De modo que, pela minha parte, persisto em ver muito mais sentido na privatização da Caixa do que nas da TAP, das Águas de Portugal ou da ANA.
17.9.08
Che serà, serà
A China converteu-se ao capitalismo. Irão os EUA aderir ao socialismo?
Depois das nacionalizações de Fany Mae, Fredy Mac e AIG, os mercados parecem acreditar que só algo similar salvará o Morgan Stanley e o Goldman Sachs.
Capitalismo ou socialismo? O que tem que ser tem muita força.
Depois das nacionalizações de Fany Mae, Fredy Mac e AIG, os mercados parecem acreditar que só algo similar salvará o Morgan Stanley e o Goldman Sachs.
Capitalismo ou socialismo? O que tem que ser tem muita força.
Nada
A União Europeia tem coisas maravilhosas: foi preciso cair a casa para ficarmos a saber que, nos termos dos seus estatutos, o Banco Central Europeu (ao contrário do que se passa, por exemplo, com a Reserva Federal americana) deve preocupar-se exclusivamente com a estabilidade dos preços, jamais com o crescimento e o emprego.
O mais curioso é que mesmo as pessoas melhor informadas sobre temas económicos não sabiam disto. Quem foi responsável pela redacção e aprovação dos referidos estatutos? Ninguém sabe, nem vale a pena perguntar.
De modo que, em consonância com o seu mandato, o BCE decidiu subir repetidamente a taxa de juro de referência apesar da crescente ameaça de recessão no continente. A meu ver, isto é não só politicamente inaceitável como tecnicamente errado.
Não vi até hoje ninguém explicar satisfatoriamente como é que uma política monetária restritiva pode contrariar inflação importada de petróleo e produtos agrícolas. O argumento mais ou menos oficial é que a reivindicação de actualizações salariais compensadoras do aumento dos preços poderia conduzir a uma espiral inflacionista incontrolável ao jeito do que sucedeu nos anos 70 do século passado.
Sucede, porém, que as condições actuais são muito diferentes das dessa época, principalmente porque, como é público e notório, o poder reivindicativo dos sindicatos é hoje muito inferior. Espiral inflacionista? Não me façam rir.
De modo que chegámos à situação absurda que esta semana se vive na Europa: o BCE obstinado na recusa de baixar as taxas de juro mesmo depois de os preços das matérias-primas alimentares e do petróleo terem caído a pique; e a União Europeia incapaz de impulsionar políticas orçamentais coordenadas.
Os países europeus que aderiram ao euro perderam o instrumento da política monetária e ficaram muito condicionados na gestão orçamental. Que obtiveram em troca disso? Ao que parece, nada.
O mais curioso é que mesmo as pessoas melhor informadas sobre temas económicos não sabiam disto. Quem foi responsável pela redacção e aprovação dos referidos estatutos? Ninguém sabe, nem vale a pena perguntar.
De modo que, em consonância com o seu mandato, o BCE decidiu subir repetidamente a taxa de juro de referência apesar da crescente ameaça de recessão no continente. A meu ver, isto é não só politicamente inaceitável como tecnicamente errado.
Não vi até hoje ninguém explicar satisfatoriamente como é que uma política monetária restritiva pode contrariar inflação importada de petróleo e produtos agrícolas. O argumento mais ou menos oficial é que a reivindicação de actualizações salariais compensadoras do aumento dos preços poderia conduzir a uma espiral inflacionista incontrolável ao jeito do que sucedeu nos anos 70 do século passado.
Sucede, porém, que as condições actuais são muito diferentes das dessa época, principalmente porque, como é público e notório, o poder reivindicativo dos sindicatos é hoje muito inferior. Espiral inflacionista? Não me façam rir.
De modo que chegámos à situação absurda que esta semana se vive na Europa: o BCE obstinado na recusa de baixar as taxas de juro mesmo depois de os preços das matérias-primas alimentares e do petróleo terem caído a pique; e a União Europeia incapaz de impulsionar políticas orçamentais coordenadas.
Os países europeus que aderiram ao euro perderam o instrumento da política monetária e ficaram muito condicionados na gestão orçamental. Que obtiveram em troca disso? Ao que parece, nada.
O pragmatismo reina
Na 2ª feira, a Reserva Federal abandonou à sua sorte o banco de investimento Lehman Brothers. Ontem, nacionalizou a seguradora AIG.
Os doutrinários já não sabem que pensar: deixa-se funcionar o mercado ou não?
A verdade é que a Reserva Federal agiu bem nos dois casos com base em considerações puramente pragmáticas, ajudadas pelo facto de o seu Presidente, Ben Bernanke, ter enquanto académico estudado a fundo a Grande Depressão de 1929.
Quando as coisas chegam a este ponto, as mais sólidas teorias esfumam-se no ar.
Os doutrinários já não sabem que pensar: deixa-se funcionar o mercado ou não?
A verdade é que a Reserva Federal agiu bem nos dois casos com base em considerações puramente pragmáticas, ajudadas pelo facto de o seu Presidente, Ben Bernanke, ter enquanto académico estudado a fundo a Grande Depressão de 1929.
Quando as coisas chegam a este ponto, as mais sólidas teorias esfumam-se no ar.
Vejo tudo muito calado...
Agora, que as bolsas caem a pique, que os bancos de investimento vão à falência e que as seguradoras ameaçam deixar de resgatar os fundos de pensões, era interessante ouvirmos outra vez a opinião dos defensores da privatização da segurança social. O que tem a dizer António Borges, por exemplo?
Grandes malucos.
Grandes malucos.
16.9.08
Acabou a 2ª Guerra Fria
Com o petróleo a 90 dólares, a Rússia está outra vez sem cheta.
Em vez de ameaçar cortes de fornecimento, terá de implorar à Europa que não recorra a fontes de abastecimento alternativas.
O melhor é mandar rapidamente para casa os soldados estacionados na Ossétia, enquanto têm dinheiro para o bilhete de volta.
Em vez de ameaçar cortes de fornecimento, terá de implorar à Europa que não recorra a fontes de abastecimento alternativas.
O melhor é mandar rapidamente para casa os soldados estacionados na Ossétia, enquanto têm dinheiro para o bilhete de volta.
Experiências
Na 5ª feira da semana passada, o mundo respirou de alívio ao constatar que, afinal o arranque do acelerador de partículas do CERN não determinara a absorção do Universo por um buraco negro.
Ontem, após a falência do Lehman Brothers, assaltou-me uma dúvida : será que, afinal, não fomos mesmo engulidos?
Ontem, após a falência do Lehman Brothers, assaltou-me uma dúvida : será que, afinal, não fomos mesmo engulidos?
15.9.08
A questão
Por quanto mais tempo permanecerá o Banco Central Europeu ridiculamente obcecado pelo alegado risco do descontrolo da inflação?
5.9.08
Crónica social contemporânea
Atenção, Professor João Carlos Espada, a concorrência está cada vez mais aguerrida:
"A elegância de Mestre David Ribeiro Teles, do alto da sua esplêndida montada, o brilho felicíssimo dos seus olhos juvenis de apenas oitenta e um anos nas cortesias por ocasião da alternativa do seu neto, João Ribeiro Telles, a alegria e entusiasmo da sua numerosa Família espalhada pelas bancadas ou pela trincheira são um espectáculo inolvidável mesmo para quem assiste pela televisão (e não na Praça, como felizmente se proporcionou há dois anos na alternativa de Manuel Telles Bastos): a emoção é quase (apenas quase...) a mesma. Espero que o Filipe descreva a corrida com o mesmo calor com que costuma pintar as exibições dos seus (e sem necessidade de tantos exageros) dado que o meu teclado se encontra comovido até às lágrimas desde as cortesias e os meus olhos presos no ecrã."
4.9.08
Momento histórico
Pela primeira vez (que eu me lembre), concordo total e absolutamente com um post do Vasco Lobo Xavier:
Foi preciso assaltarem as caixas Multibanco colocadas nos Tribunais para serem anunciadas finalmente medidas de segurança mínimas para os Tribunais. Agora, com o crescente aumento de assaltos às caixas Multibanco colocadas nos postos de combustível, o governo vem também anunciar novas medidas de segurança para estes estabelecimentos. Julgo que, perante este estilo de governação, a melhor forma de resolver o problema da criminalidade seria colocar uma caixa Multibanco em cada esquina…Isto merece ser comemorado. Vou almoçar.
3.9.08
A democracia é uma coisa maravilhosa
José Eduardo dos Santos anunciou que quer acabar com a corrupção em Angola. Espero que não se tenha esquecido de avisar a família.
Fui eu que escrevi isto?
Reprodução integral de um post intitulado Tomar a sério? que publiquei neste blogue em 24.7.03:
O artigo hoje publicado por Pacheco Pereira no Público admite duas interpretações absolutamente opostas, tanto no plano político como no plano ético.
A primeira leitura, literal e pouco inteligente, consiste em tomar à letra o que está escrito. PP pensaria de facto que Ferro tem a estrita obrigação de precisar com o maior detalhe as suas acusações sobre a tentativa de «decapitação do PS».
Este ponto de vista é difícil de aceitar. Corresponde a afirmar que uma vítima de perseguição caluniosa tem a obrigação de afrontar de peito aberto os poderes fácticos que secretamente o atacam. Numa palavra, tem de expor-se ainda mais e de facilitar-lhes os seus ataques.
Ora, quando alguém é vítima de ataques cobardes de gente que não ousa dizer o seu nome, frequentemente sabe mais, muito mais, do que está em condições de provar. Whodunnit? O próprio, se não for completamente estúpido, é capaz de, mediante o tradicional método de conjecturar quem tem simultaneamente a motivação, a ocasião e a arma do crime, identificar com razoável precisão a origem da calúnia.
Logo, tomado à letra, o texto de PP assemelha-se muito a uma provocação de inspiração policial destinada a atrair a vítima à armadilha. Como nada do que PP tem dito e feito permite supor que seja capaz de tal baixeza, esta interpretação deve ser posta de lado.
Resta então compreender o texto de PP como uma forma ardilosa de insinuar ele próprio aquilo que Ferro, pela razões atrás aduzidas, não está em condições de afirmar. Possivelmente, PP terá entendido com quem o seu partido anda metido e, muito legitimamente, não quer ser confundido nem com essa gente nem com os seus métodos.
Mas, é claro, isto é apenas uma interpretação...
O artigo hoje publicado por Pacheco Pereira no Público admite duas interpretações absolutamente opostas, tanto no plano político como no plano ético.
A primeira leitura, literal e pouco inteligente, consiste em tomar à letra o que está escrito. PP pensaria de facto que Ferro tem a estrita obrigação de precisar com o maior detalhe as suas acusações sobre a tentativa de «decapitação do PS».
Este ponto de vista é difícil de aceitar. Corresponde a afirmar que uma vítima de perseguição caluniosa tem a obrigação de afrontar de peito aberto os poderes fácticos que secretamente o atacam. Numa palavra, tem de expor-se ainda mais e de facilitar-lhes os seus ataques.
Ora, quando alguém é vítima de ataques cobardes de gente que não ousa dizer o seu nome, frequentemente sabe mais, muito mais, do que está em condições de provar. Whodunnit? O próprio, se não for completamente estúpido, é capaz de, mediante o tradicional método de conjecturar quem tem simultaneamente a motivação, a ocasião e a arma do crime, identificar com razoável precisão a origem da calúnia.
Logo, tomado à letra, o texto de PP assemelha-se muito a uma provocação de inspiração policial destinada a atrair a vítima à armadilha. Como nada do que PP tem dito e feito permite supor que seja capaz de tal baixeza, esta interpretação deve ser posta de lado.
Resta então compreender o texto de PP como uma forma ardilosa de insinuar ele próprio aquilo que Ferro, pela razões atrás aduzidas, não está em condições de afirmar. Possivelmente, PP terá entendido com quem o seu partido anda metido e, muito legitimamente, não quer ser confundido nem com essa gente nem com os seus métodos.
Mas, é claro, isto é apenas uma interpretação...
Amigos como dantes
Não é preciso ter desejo de apoucar o futebolista para acreditar que, sem Quaresma, o Porto ganhará consistência de jogo.
Tampouco é preciso idolatrar Mourinho para apostar que, com ele, Quaresma poderá tornar-ser melhor jogador, talvez um dos melhores suplentes do mundo.
Tampouco é preciso idolatrar Mourinho para apostar que, com ele, Quaresma poderá tornar-ser melhor jogador, talvez um dos melhores suplentes do mundo.
2.9.08
Coisas graves
Era preciso que alguém dissesse o que Correia de Campos hoje diz no Diário Económico sobre o modo com a universidade pública - em termos comparativos uma das piores coisas que o país tem - está a conseguir iludir a pressão para se reformar:
A pressão orçamental, mais que tudo, já havia forçado a universidade a fazer contas, abandonar megalómanos pedidos de pessoal, cancelar cursos sem procura, utilizar as reservas financeiras dos anos gordos. Esforço desigualmente prosseguido. Mesmo na assumpção de responsabilidades de parte patronal na Caixa Geral de Aposentações, a universidade foi temporariamente poupada, (não o sendo os hospitais) e só este ano entrou no regime comum. Daí o clamor de dívidas acumuladas no valor de 90 milhões de euros; mas já se lê que elas serão objecto de generosa regularização em 2009. Criticar sem sugerir não é boa prática. Aí vão recomendações retiradas de experiências laterais, externas e até internas.Seguem-se sugestões judiciosas, a ler aqui.
O país está cada vez melhor
O país está cada vez melhor, pelo menos a avaliar pelos noticiários das televisões. Ora vejam:
1. Há praticamente um ano que não nascem crianças nas ambulâncias a caminho da maternidade.A única razão séria de preocupação é a crise do Benfica. Mas, para isso, não há mesmo remédio, não é verdade?
2. Não tem morrido ninguém de ataque cardíaco à porta das urgências fechadas pelo governo.
3. Nunca mais um polícia foi visto a rondar um sindicato.
4. Os estudantes deixaram há uns bons meses de agredir os professores.
5. Não houve este ano falta de meios aéreos para combater incêndios.
6. Há quase três semanas que os assaltantes de bancos deixaram de fazer reféns.
1.9.08
O quarto poder
Numa semana há mais crimes; logo, contrata-se polícias. Na semana seguinte há menos crimes, despede-se os polícias.
Se as televisões mandassem, o país seria governado assim.
Se as televisões mandassem, o país seria governado assim.
Bom perder, mau perder
Derrota com o Sporting, vitória com o Belenenses, empate com o Benfica - tudo parece indicar que, a exemplo do da época passada, este FC Porto ganha todos os jogos, menos os importantes. Já estou a prever os resultados dos encontros com o Arsenal na Liga dos Campeões: empate em casa, derrota copiosa fora.
Jesualdo tem bom perder, o que significa que, logo à partida, está tudo perdido.
Jesualdo tem bom perder, o que significa que, logo à partida, está tudo perdido.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
