6.11.09

Louçã, outra vez

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Louçã afirmou ontem na Assembleia da República: "O Primeiro-Ministro gasta três vezes mais no BPN do que na crise económica".

Quando alguém afirma algo que sabe ser falso para daí tirar vantagem, esse alguém está a mentir.

Ora, nem o primeiro-ministro, nem o governo, nem o Estado gastaram um tostão sequer no BPN.

A verdade é outra: a Caixa Geral dos Depósitos, banco do Estado, emprestou dinheiro ao BPN, banco recentemente nacionalizado na sequência das tropelias que se sabe.

Primeiro ponto: emprestar dinheiro não é dar dinheiro, como entende qualquer pessoa que já contraíu um empréstimo à habitação.

Segundo ponto: como o BPN foi nacionalizado para evitar a sua falência, é claro que quaisquer perdas ou lucros que venha a ter reverterão para o Estado.

Terceiro ponto: é possível, mas não seguro, que o Estado possa vir a ter que meter dinheiro no BPN.

Quarto ponto: como o público ainda não sabe qual a situação do BPN neste momento, ninguém pode afirmar que o Estado lá gastará três vezes qualquer quantia que se entenda tomar como termo de comparação.

Logo, tudo o que Louçã disse na sua pequena frase é mentira.

A isto, já me contra-argumentaram que o Estado ainda não pôs dinheiro no BPN, mas que no futuro poderá pôr. E eu respondo que amanhã Louçã poderá deixar de mentir, mas que, até hoje, não fez outra coisa.

Isto é muito grave, especialmente porque, sendo Louçã economista, ele não pode ser vítima de confusões que se desculpariam em leigos na matéria. Mente e sabe que mente.

Acresce que, para além do que literalmente afirma, Louçã insinua. Desde logo, insinua que o governo e o primeiro-ministro voluntariamente desviaram dinheiro que poderia aliviar a condição dos pobres em proveito de Oliveira e Costa, Dias Loureiro e seus amigos.

Mais uma vez, Louçã sabe que isto é falso. A intervenção do Estado no BPN destinou-se a evitar um mal maior, do qual as principais vítimas seriam aqueles que arduamente ganham a vida com o seu trabalho.

Nada disto me surpreende. De um trampolineiro como Louçã não se poderia esperar outra coisa, nem sequer que algum dia se emende.

Mas eu gostaria de entender como é possível ele mentir repetidamente de forma tão evidente durante meses a fio com a aparente cumplicidade de todos os seus camaradas de partido.

Serão todos demasiado ignorantes ou demasiado desonestos para se oporem a uma forma tão reles de fazer política?
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6 comentários:

Anónimo disse...

Meu caro,

a isto chama-se "pôr os pontos nos iii" ou, como diriam os Brasileiros, "falou e disse".

Estás em forma ...

Anónimo, "do 1º ao 7º"

Anónimo disse...

Estranho: Louça mente? talvez minta, mas se as coisas são assim tão simples como coloca, porque será que ninguém o desmente publicamente com estes mesmos argumentos?
Ou será que o governo não tem economistas que consigam duma forma clara, simples e tão directa explicar publicamente o que o seu post explica?
Se é assim, Louça não conta apenas com a "cumplicidade de todos os seus camaradas de partido". Afinal, parece que há mais cumplices, não será verdade?

João Pinto e Castro disse...

Louçã foi prontamente desmentido pelo Ministro das Finanças, logo após a sua afirmação.

Anónimo disse...

pelo Ministro das Finanças?
Ah, bom.
Isso deixa-me muito mais descansado, claro.

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

E o Ministro das Finanças foi prontamente desmentido por praticamente toda a oposição. Louçã, se mente, tem realmente muitos cúmplices. Já o Ministro das Finanças, se mente, tem poucos.

Já agora: dar é, com efeito, diferente de emprestar. Mas quando se empresta a alguém cuja solvência é duvidosa, e cuja necessidade resulta de actos ilegais, a diferença esbate-se um bom bocado.

Nuno disse...

Mas o pior é q Louçã é economista, e pasme-se, professor, e um político que se auto apregoa sério, mas mente com todos os dentes que tem na boca! O min das finanças já explicou isto tudo n vezes no parlamento, na comissão parlamentar(perante um miserável Nuno Melo), mas ninguém o ouve pq caso contrário não poderiam fazer afirmações estapafurdias como esta de Louçã.
Sério seria por exemplo questionar a necessidade do aumento de capital na CGD não fora a nacionalização do BPN!