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3.4.09

Súmula provisória do G20

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Do lado positivo:
1. Compromisso de princípio de acção conjugada ao nível internacional.

2. Papel acrescido das instituições financeiras internacionais: Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.

3. Acréscimo substancial da capacidade de intervenção do Fundo Monetário Internacional: duplicação imediata dos seus recursos financeiros; triplicação se se verificar necessário.

4. Revitalização dos Direitos Especiais de Saque do FMI para enfrentar situações de emergência.

5. Intervenção do Banco Mundial no financamento do comércio internacional.

6. Entendimento geral da China e do Japão com os EUA.
Do lado negativo:
1. Nenhum compromisso real de reforço ou coordenação dos estímulos fiscais já anunciados.

2. Nenhum aumento efectivo das verbas mobilizadas para além daquelas previamente anunciadas para combater a crise pelos diversos estados nacionais.

3. Escassa credibilidade das declarações anti-proteccionistas.

4. Papel desempenhado pela Europa em geral e pela Alemanha em particular.
Balanço final: moderadamente positivo.
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2.4.09

"Não há pensamento estratégico"

Extractos de uma infelizmente premonitória entrevista de Michael Fox, professor da London School of Economics, no Jornal de Negócios de hoje:
"Infelizmente, a minha expectativa é que esta cimeira do G20 confirme a incapacidade de a actual geração de líderes compreender o que está a acontecer e, como tal, que confirme também a incapacidade dos Governos de actuar da forma radical que a situação efectivamente exige. E temo que, mais uma vez, os países mais pobres e frágeis acabem por ser quem vai suportar o essencial do tremendo custo, económico e social, que esta crise vai provocar, e que ninguém parece querer encarar."

"Por que está cada vez mais claro que não vão sair deste encontro as decisões concretas e radicais de que o mundo precisa. Não vamos ter o investimento massivo que é necessário para ultrapassar esta crise, porque, simplesmente, não há pensamento estratégico. Ninguém parece conseguir descolar-se da “velha escola”. "

"O que está a prevalecer é o velho pensamento e a preocupação com os problemas teóricos e não com os reais. Falta visão estratégica. No Congo, por exemplo, há hoje mais 300 mil desempregados da indústria do cobre, e ninguém parece preocupar-se com a miséria em larguíssima escala que esta crise está a gerar."

"Vamos ter milhões e milhões de desempregados, com consequências gravíssimas em termos de estabilidade social e mesmo institucional. E, não obstante, o que prevalece é a preocupação com a evolução do défice ou da inflação, quando, paradoxalmente, o que temos é risco de deflação na Europa e uma deflação reinstalada no Japão. É muito decepcionante, mas é isso que está a acontecer: o G20 vai concentrar-se em problemas teóricos e esquecer os reais."

O que está em jogo na reunião do G20

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Um dos factores que ameaçam fazer durar a actual crise é a persistência de colossais desequilíbrios financeiros à escala mundial, por sua vez alicerçados na dicotomia entre, por um lado, países com crónicos supéravites comerciais (China, Alemanha e China) e, por outro lado, países com crónicos défices comerciais (EUA, Reino Unido, Espanha, Portugal e Leste Europeu, entre outros).

Uma corrente moralista acha criticáveis os défices, mas não os supéravites, quando uns e outros se encontram intimamente associados: quem empresta, empresta a alguém; quem deve, deve a quem lhe empresta.

A Alemanha só pode exportar o que exporta e ter uma poupança tão elevada porque outros países se encarregam de dinamizar a procura que os alemães reprimem ao imporem internamente políticas dissuassoras do consumo e da despesa pública. O mesmo pode dizer-se da China ou do Japão.

Estupidamente, a política económica alemã (e, em parte, a chinesa) aposta na continuação deste estado de coisas, recusando-se a entender que, obviamente, é aos países com superávites elevados e crónicos que, na presente conjuntura, compete pôr em prática estímulos fiscais substanciais.

Para regressarmos à normalidade é também preciso que alguns países compreendam que não podem continuar eternamente a basear o seu crescimento na expansão da procura alheia.

Pretender o contrário é apostar na eternização dos actuais desequilíbrios financeiros. O que, naturalmente, é impossível.
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