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Se a maioria das pessoas acredita que a economia de mercado funciona razoavelmente, então torna-se possível liberalizar as trocas comerciais e internacionalizar as economias.
O aprofundamento da União Europeia assentou nessa crença, visto ela implicar que todos os países, e não só os mais poderosos, teriam a ganhar com a eliminação das barreiras ao comércio intra-europeu.
Se acreditarmos que o mercado produz automaticamente níveis crescentes de bem-estar, não haverá razão para que os países individualmente considerados se ponham a apoiar esta ou aquela actividade económica particular.
Tudo começa a funcionar ao contrário quando se instala a desconfiança na economia de mercado. A urgência de uma intervenção estatal para salvar a economia ocorreu primeiro no sector financeiro, mas rapidamente alastrou a várias indústrias, desde logo à automóvel.
Ora, se os estados começam a apoiar as "suas" empresas, cai pela base o fundamento do comércio livre e cada vez mais gente começa a acreditar que o Mercado Único Europeu é uma armadilha para tolos. O poder dos maiores estados sobrepõe-se decisivamente ao dos pequenos, sem capacidade política ou económica para fazerem valer os seus interesses.
Caso se instale, a desconfiança no funcionamento do mercado conduzirá inexoravelmente à ruína do comércio livre e, por decorrência, à ruína da União Europeia.
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19.6.09
17.6.09
Factóides do dia
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Os EUA - sem dúvida o país cientificamente mais desenvolvido do Mundo - apenas emprega 17 mil físicos e 3 mil matemáticos.
A ser verdade que vivemos numa economia do conhecimento, eu e os restantes 6,4 mil milhões de habitantes do planeta limitamo-nos a parasitar o trabalho dessa por assim dizer meia dúzia de crâneos.
Sinto-me deprimido.
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Os EUA - sem dúvida o país cientificamente mais desenvolvido do Mundo - apenas emprega 17 mil físicos e 3 mil matemáticos.
A ser verdade que vivemos numa economia do conhecimento, eu e os restantes 6,4 mil milhões de habitantes do planeta limitamo-nos a parasitar o trabalho dessa por assim dizer meia dúzia de crâneos.
Sinto-me deprimido.
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Foguetes antes de tempo
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Eichengreen e O'Rourke tiveram há tempos a excelente ideia de analisar a evolução comparada da crise de 1930 com a actual. Para geral consternação, os dados disponíveis até Abril último sugeriam que a segunda é mais grave do que a anterior.
Nas últimas semanas, porém, uma sucessão de boas notícias permitiu-nos respirar fundo: é possível que estejamos perto de bater no fundo e iniciar a recuperação.
Infelizmente, a informação actualizada pelos dois economistas no princípio de Junho não autoriza muita euforia: a produção industrial continua numa trajectória tão negativa como na Grande Depressão e, sobretudo, o comércio mundial está a caír muito mais do que então.
Eichengreen e O'Rourke tiveram há tempos a excelente ideia de analisar a evolução comparada da crise de 1930 com a actual. Para geral consternação, os dados disponíveis até Abril último sugeriam que a segunda é mais grave do que a anterior.
Nas últimas semanas, porém, uma sucessão de boas notícias permitiu-nos respirar fundo: é possível que estejamos perto de bater no fundo e iniciar a recuperação.
Infelizmente, a informação actualizada pelos dois economistas no princípio de Junho não autoriza muita euforia: a produção industrial continua numa trajectória tão negativa como na Grande Depressão e, sobretudo, o comércio mundial está a caír muito mais do que então.
Do mal, o menos
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Na impossibilidade de se suspender a democracia por seis meses, talvez se consiga ao menos minorar a perturbação que ela induz na mente do povo e na produtividade laboral concentrando o máximo de votações no mesmo dia.
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Na impossibilidade de se suspender a democracia por seis meses, talvez se consiga ao menos minorar a perturbação que ela induz na mente do povo e na produtividade laboral concentrando o máximo de votações no mesmo dia.
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16.6.09
Fecho das urnas
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Algumas reacções ao meu post sobre as eleições europeias confirmam que a falta de humor é um dos mais seguros indícios de estupidez.
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Algumas reacções ao meu post sobre as eleições europeias confirmam que a falta de humor é um dos mais seguros indícios de estupidez.
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11.6.09
"Latvia: Should You Care?"
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Um excelente complemento à leitura do meu último post, escrito por Samuel Johnson na semana passada. Particularmente forte na denúncia da miopia da política económica europeia.
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Um excelente complemento à leitura do meu último post, escrito por Samuel Johnson na semana passada. Particularmente forte na denúncia da miopia da política económica europeia.
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Novidades na frente oriental
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A Letónia não integra a zona euro. A Suécia também não. Por que interveio então ontem o Banco Central Europeu (BCE) em apoio do Banco Central Sueco para sanear a situação financeira na Letónia?
A Letónia mergulhou há meses numa crise financeira semelhante àquela que há nove anos afligiu a Argentina: o produto deverá cair 10% este ano, o défice das contas externas disparou (em parte devido à indexação do lat ao euro) e o afluxo de capitais estrangeiros que sustentou a expansão nos anos recentes deteve-se abruptamente.
Acontece que os bancos letões são hoje meras sucursais de alguns bancos suecos, pelo que o afundamento do sistema financeiro da Letónia propagar-se-ia instantaneamente à Suécia e, daí, a alguns países centrais da zona euro. Por via desse receio, nos últimos dias a cotação bolsista dos bancos suecos baixou preocupantemente e a coroa sueca desvalorizou-se.
Que significado tem esta intervenção inusitada e forçosamente controversa do BCE?
Para o compreender, note-se que, caso ela não tivesse ocorrido, a Letónia seria forçada a desvalorizar imediatamente a moeda e a aumentar a taxa de juro. Isto seria altamente penalizador para a população, desde logo porque a maioria dos créditos à habitação se encontram titulados em moeda estrangeira, mas teria pelo menos o mérito de estimular as exportações e travar as importações.
A intervenção do BCE por interposto Banco Central da Suécia implica um apoio directo ao sistema financeiro sueco e indirecto ao da Letónia, visando dissipar os receios de que ele possa colapsar, desse modo modo travando a especulação contra a moeda local e evitando a sua desvalorização. A má notícia é que o ónus do saneamento financeiro do país recairá inteiramente sobre a redução do défice das contas públicas, o que não poderá deixar de ter graves consequências políticas, sobretudo tendo em conta a fragilidade do Estado letão.
Parece-me muito difícil justificar o que o BCE fez, mas, de facto, a decisão que a UE há meses tomou (sob pressão da Alemanha) de tratar caso a caso a crise no leste europeu não deixa muitas alternativas.
Na prática, o BCE está a salvar os bancos suecos das más decisões que tomaram no passado, visto que uma desvalorização do lat implicaria grandes perdas para eles. Não fica claro, porém, em que é que a desvalorização da moeda de um pequeno país de 2,2 milhões de habitante seria pior para a estabilidade financeira da UE do que a solução agora escolhida.
Também não fica claro por que não há-de ser o próprio Estado sueco a prestar socorro aos bancos do seu país, pagando o preço de, no passado, ter decidido ficar fora da zona euro.
É difícil deixar-se de tirar a conclusão de que a submissão à disciplina do euro não traz vantagens significativas aos países que o adoptaram, visto que os que não o fizeram são tratados com uma benevolência de que eles não gozam.
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A Letónia não integra a zona euro. A Suécia também não. Por que interveio então ontem o Banco Central Europeu (BCE) em apoio do Banco Central Sueco para sanear a situação financeira na Letónia?
A Letónia mergulhou há meses numa crise financeira semelhante àquela que há nove anos afligiu a Argentina: o produto deverá cair 10% este ano, o défice das contas externas disparou (em parte devido à indexação do lat ao euro) e o afluxo de capitais estrangeiros que sustentou a expansão nos anos recentes deteve-se abruptamente.
Acontece que os bancos letões são hoje meras sucursais de alguns bancos suecos, pelo que o afundamento do sistema financeiro da Letónia propagar-se-ia instantaneamente à Suécia e, daí, a alguns países centrais da zona euro. Por via desse receio, nos últimos dias a cotação bolsista dos bancos suecos baixou preocupantemente e a coroa sueca desvalorizou-se.
Que significado tem esta intervenção inusitada e forçosamente controversa do BCE?
Para o compreender, note-se que, caso ela não tivesse ocorrido, a Letónia seria forçada a desvalorizar imediatamente a moeda e a aumentar a taxa de juro. Isto seria altamente penalizador para a população, desde logo porque a maioria dos créditos à habitação se encontram titulados em moeda estrangeira, mas teria pelo menos o mérito de estimular as exportações e travar as importações.
A intervenção do BCE por interposto Banco Central da Suécia implica um apoio directo ao sistema financeiro sueco e indirecto ao da Letónia, visando dissipar os receios de que ele possa colapsar, desse modo modo travando a especulação contra a moeda local e evitando a sua desvalorização. A má notícia é que o ónus do saneamento financeiro do país recairá inteiramente sobre a redução do défice das contas públicas, o que não poderá deixar de ter graves consequências políticas, sobretudo tendo em conta a fragilidade do Estado letão.
Parece-me muito difícil justificar o que o BCE fez, mas, de facto, a decisão que a UE há meses tomou (sob pressão da Alemanha) de tratar caso a caso a crise no leste europeu não deixa muitas alternativas.
Na prática, o BCE está a salvar os bancos suecos das más decisões que tomaram no passado, visto que uma desvalorização do lat implicaria grandes perdas para eles. Não fica claro, porém, em que é que a desvalorização da moeda de um pequeno país de 2,2 milhões de habitante seria pior para a estabilidade financeira da UE do que a solução agora escolhida.
Também não fica claro por que não há-de ser o próprio Estado sueco a prestar socorro aos bancos do seu país, pagando o preço de, no passado, ter decidido ficar fora da zona euro.
É difícil deixar-se de tirar a conclusão de que a submissão à disciplina do euro não traz vantagens significativas aos países que o adoptaram, visto que os que não o fizeram são tratados com uma benevolência de que eles não gozam.
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9.6.09
As sondagens estavam certas, o erro foi dos eleitores
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As primeiras sondagens especifiamente dirigidas ao voto nas europeias indicaram logo uma brusca redução da diferença entre PS e PSD relativamente aos inquéritos que interrogavam os eleitores sobre as suas intenções relativamente às legislativas.
Suponho não ser necessário explicar o que isto queria dizer.
Fechadas as urnas, verifica-se que as sondagens previram com grande precisão o voto no PSD, no BE e no PCP, mas sobre-estimaram entre 6 a 10 p.p. o voto no PS. Ao mesmo tempo, o voto branco e nulo chegou aos 6,63%.
Escutámos nos últimos dias brilhantes análises sobre o que se passou e o que irá passar-se, cujo único defeito foi ignorar este facto objectivo básico: entre 6 a 10% dos eleitores cuja preferência ia para o PS nas eleições acabaram por não votar ou votar branco/ nulo.
Isto é muito chato, porque atrapalha a narrativa fantasiosa que desde domingo à noite tomou conta dos media, segundo a qual:
1. O voto nas passadas europeias é um indicador seguro do voto nas próximas legislativas.
3. Terminou o ciclo político do PS e de Sócrates.
4. Os eleitores renderam-se à Verdade de Manuela Ferreira Leite.
5. Rangel é um menino prodígio da política nacional.
6. A campanha eleitoral do PSD foi genial.
Por outras palavras, might is right ou tudo o que é real é racional.
Numa coisa, porém, têm razão os comentadores: a vitória, real ou imaginária, merecida ou fortuita, segura ou trémula, altera as condições subjectivas do combate político, na medida em que a embriaguez do triunfo desencadeia um impulso mobilizador proporcional ao desânimo que até agora prevalecia no PSD.
Vemos assim como estavam enganados aqueles eleitores que acreditavam poder compensar em Outubro a tolice que agora fizeram. Em política, como na generalidade da acção humana, o que é feito não pode ser desfeito sem custo ou dor.
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As primeiras sondagens especifiamente dirigidas ao voto nas europeias indicaram logo uma brusca redução da diferença entre PS e PSD relativamente aos inquéritos que interrogavam os eleitores sobre as suas intenções relativamente às legislativas.
Suponho não ser necessário explicar o que isto queria dizer.
Fechadas as urnas, verifica-se que as sondagens previram com grande precisão o voto no PSD, no BE e no PCP, mas sobre-estimaram entre 6 a 10 p.p. o voto no PS. Ao mesmo tempo, o voto branco e nulo chegou aos 6,63%.
Escutámos nos últimos dias brilhantes análises sobre o que se passou e o que irá passar-se, cujo único defeito foi ignorar este facto objectivo básico: entre 6 a 10% dos eleitores cuja preferência ia para o PS nas eleições acabaram por não votar ou votar branco/ nulo.
Isto é muito chato, porque atrapalha a narrativa fantasiosa que desde domingo à noite tomou conta dos media, segundo a qual:
1. O voto nas passadas europeias é um indicador seguro do voto nas próximas legislativas.
3. Terminou o ciclo político do PS e de Sócrates.
4. Os eleitores renderam-se à Verdade de Manuela Ferreira Leite.
5. Rangel é um menino prodígio da política nacional.
6. A campanha eleitoral do PSD foi genial.
Por outras palavras, might is right ou tudo o que é real é racional.
Numa coisa, porém, têm razão os comentadores: a vitória, real ou imaginária, merecida ou fortuita, segura ou trémula, altera as condições subjectivas do combate político, na medida em que a embriaguez do triunfo desencadeia um impulso mobilizador proporcional ao desânimo que até agora prevalecia no PSD.
Vemos assim como estavam enganados aqueles eleitores que acreditavam poder compensar em Outubro a tolice que agora fizeram. Em política, como na generalidade da acção humana, o que é feito não pode ser desfeito sem custo ou dor.
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Abster-se é tão mau como estacionar em segunda fila
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A abstenção eleitoral pode justificar da nossa parte, quando muito, um sentimento de comiseração, caso se diagnostique alguma espécie de deficiência cognitiva no paciente. Mas, descontadas situações especiais de força maior, o desprezo será a reacção mais apropriada.
Ora o descaramento dos abstencionistas atingiu nos últimos tempos tais proporções que alguns ousam apresentar-se publicamente como heróis da resistência contra a degradação da democracia. Justificam a sua atitude com o nojo pela política e pelos políticos, denunciam a falta de alternativas, exigem seriedade, recusam-se a pactuar com o sistema.
Balelas. Desculpas esfarrapadas. O cidadão responsável que não se revê nas propostas políticas existentes exprime-se votando em branco, não indo para a praia ou para o centro comercial.
O abstencionista é apenas um elemento anti-social, um oportunista que quer os benefícios da vida em sociedade e da democracia mas não estar disposto a mexer um dedo para dar a sua contribuição. O abstencionista não só cospe na cidadania como ainda por cima se orgulha disso.
Abster-se é tão mau como estacionar em segunda fila, como deitar cascas de laranja pela janela, como passar à frente na bicha do cinema, como meter cunhas na repartição, como violar a faixa bus, como desrespeitar o semáforo vermelho, como copiar nos exames, como urinar na piscina.
Terá o abstencionista razões para se chocar se alguém lhe chamar parasita?
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A abstenção eleitoral pode justificar da nossa parte, quando muito, um sentimento de comiseração, caso se diagnostique alguma espécie de deficiência cognitiva no paciente. Mas, descontadas situações especiais de força maior, o desprezo será a reacção mais apropriada.
Ora o descaramento dos abstencionistas atingiu nos últimos tempos tais proporções que alguns ousam apresentar-se publicamente como heróis da resistência contra a degradação da democracia. Justificam a sua atitude com o nojo pela política e pelos políticos, denunciam a falta de alternativas, exigem seriedade, recusam-se a pactuar com o sistema.
Balelas. Desculpas esfarrapadas. O cidadão responsável que não se revê nas propostas políticas existentes exprime-se votando em branco, não indo para a praia ou para o centro comercial.
O abstencionista é apenas um elemento anti-social, um oportunista que quer os benefícios da vida em sociedade e da democracia mas não estar disposto a mexer um dedo para dar a sua contribuição. O abstencionista não só cospe na cidadania como ainda por cima se orgulha disso.
Abster-se é tão mau como estacionar em segunda fila, como deitar cascas de laranja pela janela, como passar à frente na bicha do cinema, como meter cunhas na repartição, como violar a faixa bus, como desrespeitar o semáforo vermelho, como copiar nos exames, como urinar na piscina.
Terá o abstencionista razões para se chocar se alguém lhe chamar parasita?
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8.6.09
Os discretos vencedores da noite
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Quem é Luís Paulo Alves, ontem eleito para o PE na lista do PS? Que obra, que iniciativa, que pensamento relevante o recomendam? E, já agora, quem são Mário David, Nuno Teixeira de Jesus, Maria Patrão Neves, Regina Bastos e José Manuel Fernandes, eleitos na do PSD?
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Quem é Luís Paulo Alves, ontem eleito para o PE na lista do PS? Que obra, que iniciativa, que pensamento relevante o recomendam? E, já agora, quem são Mário David, Nuno Teixeira de Jesus, Maria Patrão Neves, Regina Bastos e José Manuel Fernandes, eleitos na do PSD?
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Europa a duas velocidades
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Olhando para as barbaridades que ocorreram em tantos países europeus no dia de ontem - com destaque para Holanda, Reino Unido, Áustria, Itália e Roménia -, devemos reconhecer que o eleitorado português integra, apesar de tudo e diga-se o que se disser, o núcleo duro da sensatez do Continente.
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Olhando para as barbaridades que ocorreram em tantos países europeus no dia de ontem - com destaque para Holanda, Reino Unido, Áustria, Itália e Roménia -, devemos reconhecer que o eleitorado português integra, apesar de tudo e diga-se o que se disser, o núcleo duro da sensatez do Continente.
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Bater no ceguinho
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Pense-se o que se pensar, as pessoas votam para confirmar governos ou derrubar governos.
Os acrescidos poderes do PE e a circunstância de o Presidente da Comissão ser Durão Barroso, cúmplice de Bush, carreirista profissional e político universalmente detestado cá no burgo criaram a oportunidade única de incitar os eleitores portugueses a votarem para derrubar o monstro.
Porém, ao anunciar que o governo português já se comprometera com a reeleição de Barroso, Sócrates veio confirmar a convicção de que as eleições europeias não servem mesmo para nada - excepto, talvez, chatear quem nos governa.
De modo que a candidatura PS, privada de propósito estratégico, começou a morrer logo aí.
A falta de respeito pelos eleitores evidenciada pelas duplas candidaturas de Elisa e Ana Gomes e o completo absurdo dos cartazes socialistas podem, neste quadro, ser entendidos como factos secundários.
O essencial é que, no PS, ninguém se deu ao trabalho de pensar mais que cinco minutos na estratégia para as eleições europeias.
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Pense-se o que se pensar, as pessoas votam para confirmar governos ou derrubar governos.
Os acrescidos poderes do PE e a circunstância de o Presidente da Comissão ser Durão Barroso, cúmplice de Bush, carreirista profissional e político universalmente detestado cá no burgo criaram a oportunidade única de incitar os eleitores portugueses a votarem para derrubar o monstro.
Porém, ao anunciar que o governo português já se comprometera com a reeleição de Barroso, Sócrates veio confirmar a convicção de que as eleições europeias não servem mesmo para nada - excepto, talvez, chatear quem nos governa.
De modo que a candidatura PS, privada de propósito estratégico, começou a morrer logo aí.
A falta de respeito pelos eleitores evidenciada pelas duplas candidaturas de Elisa e Ana Gomes e o completo absurdo dos cartazes socialistas podem, neste quadro, ser entendidos como factos secundários.
O essencial é que, no PS, ninguém se deu ao trabalho de pensar mais que cinco minutos na estratégia para as eleições europeias.
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Eleições apesar de tudo europeias
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É evidente que, dos poucos europeus que se dão à maçada de votar para o PE, um bom número fá-lo para mandar recados do mais variado tipo ao governo do seu respectivo país. É também evidente, porém, que fazem mal.
O resultado desse comportamento irresponsável foi que, por força do voto militante dos extremistas, vamos agora ter um Parlamento Europeu recheado de freaks, o que lhes concederá um peso desproporcionado e perigoso durante os próximos anos.
Na ausência de políticas estruturadas e compreensíveis para os eleitores, nada de bom poderá resultar da presente crise económico-financeira. A insegurança e, em particular, o receio do desemprego de longa duração estimulam o ódio aos imigrantes e tornam mais apelativo o proteccionismo económico.
Resumindo e concluindo, os resultados das eleições de hoje foram desastrosos para a Europa, particularmente na medida em que bloqueiam no futuro imediato todo e qualquer avanço no sentido da melhoria da sua governabilidade.
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É evidente que, dos poucos europeus que se dão à maçada de votar para o PE, um bom número fá-lo para mandar recados do mais variado tipo ao governo do seu respectivo país. É também evidente, porém, que fazem mal.
O resultado desse comportamento irresponsável foi que, por força do voto militante dos extremistas, vamos agora ter um Parlamento Europeu recheado de freaks, o que lhes concederá um peso desproporcionado e perigoso durante os próximos anos.
Na ausência de políticas estruturadas e compreensíveis para os eleitores, nada de bom poderá resultar da presente crise económico-financeira. A insegurança e, em particular, o receio do desemprego de longa duração estimulam o ódio aos imigrantes e tornam mais apelativo o proteccionismo económico.
Resumindo e concluindo, os resultados das eleições de hoje foram desastrosos para a Europa, particularmente na medida em que bloqueiam no futuro imediato todo e qualquer avanço no sentido da melhoria da sua governabilidade.
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5.6.09
Não liguem, é só um anúncio
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Venham,
amigos, não é tarde para buscar um novo mundo.
Desatracai e, postos em ordem, batam
os sonoros encaixes; pois é meu intento
navegar além de onde o sol se põe, e se banham
os astros ocidentais, até a morte.
Talvez aqueles vorazes golfos nos devorem,
Talvez venhamos a alcançar as Ilhas da Fortuna
e vejamos o grande Aquiles, nosso conhecido.
Ainda que muito esteja perdido, muito nos resta;
e ainda que perdida a força dos velhos dias
que movia céus e terras; somos o que somos;
uma coragem única nos corações heróicos,
débeis pelo tempo e pelo destino, mas persistentes
em lutar, achar, buscar, jamais render.
Alfred Tenyson
(Tradução de Salomão Sousa)
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Venham,
amigos, não é tarde para buscar um novo mundo.
Desatracai e, postos em ordem, batam
os sonoros encaixes; pois é meu intento
navegar além de onde o sol se põe, e se banham
os astros ocidentais, até a morte.
Talvez aqueles vorazes golfos nos devorem,
Talvez venhamos a alcançar as Ilhas da Fortuna
e vejamos o grande Aquiles, nosso conhecido.
Ainda que muito esteja perdido, muito nos resta;
e ainda que perdida a força dos velhos dias
que movia céus e terras; somos o que somos;
uma coragem única nos corações heróicos,
débeis pelo tempo e pelo destino, mas persistentes
em lutar, achar, buscar, jamais render.
Alfred Tenyson
(Tradução de Salomão Sousa)
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4.6.09
Duas pessoas com a mesma informação e com a mesma boa-fé chegam necessariamente às mesmas conclusões
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Numa declaração feita ontem ao fim da tarde, o Presidente da República fez uma alusão à manchete de "um jornal de fim-de-semana", remetendo os jornalistas para o comunicado da Presidência da República de 23 de Novembro de 2008.
Ora nesse comunicado emitido pela Presidência da República é referido que o Presidente não tem nem nunca teve acções do BPN. Sejamos rigorosos: nem Cavaco nem ninguém, pois o BPN era detido a 100% pela SLN, a holding do grupo. A SLN é que tem (ou tinha) cerca de 400 accionistas, entre os quais Oliveira e Costa, Joaquim Coimbra... e Cavaco Silva.
Vejamos alguns factos:
1. O Presidente comprou acções a um euro e vendeu-as a 2,4 euros. Ganhou, em menos de dois anos, 140%.
2. Entre 2001 e 2003, a economia mundial registou um abrandamento significativo e os mercados accionistas caíram 11% nesse período de dois anos. A economia portuguesa atingiu o ponto mais baixo da crise precisamente em 2003, com uma queda do PIB de 1,2%.
3. No mesmo período, o índice de holdings financeiras na Europa, sociedades com o mesmo perfil da SLN (embora cotadas em bolsa), caiu 31%. A título de curiosidade o BCP caiu no mesmo período 57%.
4. A SLN é composta por diversos activos. A BPN SGPS é, de longe, o mais relevante deles. Logo, o valor da SLN é, acima de tudo, função do valor do BPN e dos seus resultados.
5. Entre 2001 e 2003, o valor contabilístico da BPN SGPS passou de 266 milhões de euros para 298 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 12%.
6. No mesmo período, os resultados gerados subiram de 26,7 milhões de euros para 33,1 milhões, ou seja um aumento de 24%.
Partindo do pressuposto de que as contas da SLN reflectiam a actividade do grupo (o que a comissão parlamentar de inquérito parece infirmar), qual o preço a que deveriam ser vendidas as acções de Cavaco Silva (e da filha)? Duas hipóteses:
a) Se utilizássemos os dados de balanço para determinar o valor justo de saída, o valor de venda deveria ter sido 1,12 euros;
b) Se utilizássemos a demonstração de resultados, o valor de venda deveria estar próximo de 1,24 euros.
Este conjunto de factos suscita um conjunto de questões:
1. Por que decidiu Cavaco Silva comprar acções da SLN?
2. Sendo então Cavaco Silva, além de professor de Economia, um alto quadro do Banco de Portugal, não teve conhecimento do “cartão amarelo” mostrado pelo banco central ao BPN e revelado nas páginas da Exame?
3. A quem comprou Cavaco Silva as acções?
4. Por que decidiu Cavaco vender as acções, sabendo que, não estando cotadas em bolsa, a sua liquidez era pequena?
5. Por que determinou Oliveira Costa que as acções fossem adquiridas pela SLN-Valor e pelo valor que fixou por despacho?
6. Tendo o Presidente da República dito ontem que a aplicação das suas poupanças era feita pelo seu gestor de conta, e uma vez que a carta que enviou a solicitar a venda das acções é dirigida a Oliveira Costa, pode concluir-se que o seu gestor de conta era o próprio presidente da SLN e do BPN?
LINKS:
Cartão amarelo mostrado pelo Banco de Portugal, relatado por Camilo Lourenço (Março de 2001)
Nota do Expresso (com cópia das cartas do Cavaco e da filha e despachos do Oliveira e Costa)
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Numa declaração feita ontem ao fim da tarde, o Presidente da República fez uma alusão à manchete de "um jornal de fim-de-semana", remetendo os jornalistas para o comunicado da Presidência da República de 23 de Novembro de 2008.
Ora nesse comunicado emitido pela Presidência da República é referido que o Presidente não tem nem nunca teve acções do BPN. Sejamos rigorosos: nem Cavaco nem ninguém, pois o BPN era detido a 100% pela SLN, a holding do grupo. A SLN é que tem (ou tinha) cerca de 400 accionistas, entre os quais Oliveira e Costa, Joaquim Coimbra... e Cavaco Silva.
Vejamos alguns factos:
1. O Presidente comprou acções a um euro e vendeu-as a 2,4 euros. Ganhou, em menos de dois anos, 140%.
2. Entre 2001 e 2003, a economia mundial registou um abrandamento significativo e os mercados accionistas caíram 11% nesse período de dois anos. A economia portuguesa atingiu o ponto mais baixo da crise precisamente em 2003, com uma queda do PIB de 1,2%.
3. No mesmo período, o índice de holdings financeiras na Europa, sociedades com o mesmo perfil da SLN (embora cotadas em bolsa), caiu 31%. A título de curiosidade o BCP caiu no mesmo período 57%.
4. A SLN é composta por diversos activos. A BPN SGPS é, de longe, o mais relevante deles. Logo, o valor da SLN é, acima de tudo, função do valor do BPN e dos seus resultados.
5. Entre 2001 e 2003, o valor contabilístico da BPN SGPS passou de 266 milhões de euros para 298 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 12%.
6. No mesmo período, os resultados gerados subiram de 26,7 milhões de euros para 33,1 milhões, ou seja um aumento de 24%.
Partindo do pressuposto de que as contas da SLN reflectiam a actividade do grupo (o que a comissão parlamentar de inquérito parece infirmar), qual o preço a que deveriam ser vendidas as acções de Cavaco Silva (e da filha)? Duas hipóteses:
a) Se utilizássemos os dados de balanço para determinar o valor justo de saída, o valor de venda deveria ter sido 1,12 euros;
b) Se utilizássemos a demonstração de resultados, o valor de venda deveria estar próximo de 1,24 euros.
Este conjunto de factos suscita um conjunto de questões:
1. Por que decidiu Cavaco Silva comprar acções da SLN?
2. Sendo então Cavaco Silva, além de professor de Economia, um alto quadro do Banco de Portugal, não teve conhecimento do “cartão amarelo” mostrado pelo banco central ao BPN e revelado nas páginas da Exame?
3. A quem comprou Cavaco Silva as acções?
4. Por que decidiu Cavaco vender as acções, sabendo que, não estando cotadas em bolsa, a sua liquidez era pequena?
5. Por que determinou Oliveira Costa que as acções fossem adquiridas pela SLN-Valor e pelo valor que fixou por despacho?
6. Tendo o Presidente da República dito ontem que a aplicação das suas poupanças era feita pelo seu gestor de conta, e uma vez que a carta que enviou a solicitar a venda das acções é dirigida a Oliveira Costa, pode concluir-se que o seu gestor de conta era o próprio presidente da SLN e do BPN?
LINKS:
Cartão amarelo mostrado pelo Banco de Portugal, relatado por Camilo Lourenço (Março de 2001)
Nota do Expresso (com cópia das cartas do Cavaco e da filha e despachos do Oliveira e Costa)
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