31.7.08

Pacheco amordaçado

É absolutamente incrível que, de vez em quando, o Carlos Andrade insista em furtar um ou outro minuto ao precioso tempo de antena do Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo para permitir a António Costa ou Lobo Xavier uma breve interjeição.

Não está certo tentar impor limites à liberdade de expressão do porta-voz autorizadodo Presidente da República e de Manuela Ferreira Leite. Deixem o homem falar!

Aguardando o discurso do Presidente

29.7.08

A obra financeira do PSD



Não é frequente ver-se este gráfico que descreve a evolução do défice das contas públicas entre 1980 e 2004.

Para os mais esquecidos, o Ministro das Finanças do Governo da AD, em 1980 e 1981, foi Cavaco Silva. Apesar do desequilíbrio da balança de pagamentos, valorizou o escudo, baixou a taxa de juro e congelou os preços dos transportes públicos em pleno segundo choque petrolífero. Nunca a situação financeira do país se degradou tão depressa como então.

Não admira que Cavaco Silva tenha fugido rapidamente do governo e que Balsemão o tenha também abandonado em 1982. Em 1985 Cavaco voltou, já como primeiro-ministro, e isso nota-se imediatamente no gráfico. Nos anos subsequentes, a entrada dos fundos comunitários atenuou o défice do orçamento geral do Estado, que desceu para os 4% em 1989.

Mas era preciso conquistar nova maioria absoluta em 1991, de modo que as despesas correntes voltaram a crescer em flecha. A massa salarial dos professores, por exemplo, cresceu 98% entre 1989 e 1991.

Novo recuo temporário pós-eleitoral, novo disparo em seguida, de modo que, ao chegar ao Governo, o PS recebeu um défice de quase 8%. Pode-se ver no gráfico como ele diminuiu continuamente até 2000. Em 2001, ano em que se inverteu a tendência, subiu um pouco acima dos 4%, registando uma descida mínima em 2002.

Regressado em 2002 ao governo, o PSD retomou prontamente a sua tradição despesista, atirando o défice para perto dos 6%. Sabemos como, com Sócrates, regressou entretanto para perto dos 2%.

Ouvimos às vezes dizer que o trabalho feito pelo actual governo poderia ter sido feito pelo PSD, mas é difícil entender-se em que se baseia esta crença. Nada - mas mesmo nada - no currículo do PSD sugere que saiba ou queira pôr na ordem as contas públicas. Na sua última passagem pelo governo, agitou a crise financeira como justificação para reduzir despesas sociais, mas jamais revelou vontade de atacar os problemas de fundo, fosse reduzindo despesas, fosse aumentando receitas.

É necessária uma certa falta de pudor para, perante os dados revelados no gráfico acima, o PSD continuar a pretender apresentar-se como modelo de virtudes no que respeita à consolidação orçamental. É claro que só pode fazê-lo porque a esmagadora das pessoas nunca viu estes dados.

Eu acrescentaria que, bem vistas as coisas, não há nada de extraordinário na história da política orçamental do PSD. Olhem para os EUA e também aí constatarão que, mau grado as grandiloquentes proclamações, a direita deixa sempre atrás de si défices gigantescos. Vejam Reagan, vejam Bush pai, vejam Bush filho.

A redução dos impostos sobre as classes altas e a distribuição de dinheiro de forma indiscriminada para ganhar eleições levam inevitavelmente a esse resultado. Quem vier a seguir que resolva o problema.

"Já não há diferenças entre direita e esquerda"



Este revelador gráfico reproduzido por Paul Krugman no seu blogue mostra a taxa de crescimento anual do emprego durante cada presidência indicada.

Note-se que a pior presidência democrática supera à vontade a melhor presidência republicana. Deve ser coincidência.

25.7.08

Neste Verão, a classe média não vai de férias

24.7.08

Contra o pensamento ocioso

"Já viste o carro novo dos do lado? No ano passado foram de férias para o Brasil; agora, diz que é um safari no Quénia. E ela, que só compra vestidos de marca? Não sei onde arranjam dinheiro para levarem esta vida..." O equivalente sofisticado desta tagarelice mesquinha é a crítica moralista ao endividamento das famílias portuguesas.

Por estes dias, toda a gente repete, com ar entendido, que os portugueses vivem acima das suas posses, mas eu gostaria que me explicassem que consequências práticas daí pretendem retirar.

É certo que, não sendo compensado pela entrada de investimento directo estrangeiro, o nosso défice da balança de transacções correntes assume enorme gravidade. Que fazer, então, para controlar os excessivos níveis de consumo e de endividamento dos particulares que contribuem para aumentá-lo? Assim, de repente, ocorrem-me algumas hipóteses: a) exortar os portugueses a pouparem mais; b) restringir a importação de bens não essenciais; c) agravar as taxas de juro; d) desvalorizar a moeda. Tudo excelentes ideias, porém, impraticáveis.

Insistir na ideia de que, se os portugueses se resignassem a consumir menos, o país entraria nos eixos é, nas actuais circunstâncias, uma piedosa intenção votada ao insucesso. Certos comentadores recusam-se a aceitar que algumas formas de ajustamento dos mercados são mais difíceis do que outras; mas todos sabemos que é mais fácil aumentar salários do que baixá-los, empregar pessoas do que dispensá-las e aumentar o consumo do que baixá-lo.

E se, em vez de batermos com a cabeça nas paredes, encarássemos antes a coisa de uma perspectiva igualmente verdadeira, mas incomparavelmente mais útil? E se, em vez de dizermos que gastamos acima das nossas posses, sublinhássemos antes que produzimos abaixo das nossas capacidades? Onde a primeira formulação cria um muro psicológico que fomenta o medo e paralisa a vontade, a segunda oferece uma orientação positiva e mobiliza o esforço colectivo. A forma como se diz as coisas tem consequências. Temos um problema de produtividade que não se deve, nem a trabalharmos pouco, nem a investirmos de menos, antes a tirarmos medíocre partido dos recursos produtivos, em boa parte por os concentrarmos em actividades económicas de reduzido potencial. A boa notícia é que, na presente década, a nossa estrutura produtiva tem vindo a sofrer uma rápida transformação, sem paralelo desde os anos 60.

Em poucos anos, a natureza do turismo alterou-se e os têxteis foram substituídos, na liderança das exportações, por máquinas e aparelhos eléctricos e serviços às empresas. A balança tecnológica tornou-se positiva. Em decorrência, o país conquistou quotas de mercado, apesar de uma evolução pouco favorável dos custos salariais unitários. O défice externo, agora deteriorado por efeito da crise internacional, reduziu-se de forma progressiva, embora insuficiente. Podemos confiar nas empresas e nos mercados para completarem esse ajustamento, que políticas erradas no passado atrasaram. Mas deveríamos questionar se o Estado português estará a fazer tudo o que deve para facilitar as mutações em curso.

Os desafios superam-se potenciando a capacidade transformadora das nossas forças, não carpindo as fraquezas. É mais produtivo mobilizar as pessoas para fazerem coisas do que para se queixarem. É mais fácil mobilizá-las com uma visão coerente do futuro do que com ameaças de empobrecimento e resignação.

Entre nós, o nível do debate económico é frequentemente rebaixado por insistentes prédicas acerca dos vícios e virtudes dos nossos concidadãos, porque esse tipo de abordagem não exige nem estudos nem conhecimentos especializados, apenas requer capacidade retórica.

A mudança de perspectiva que recomendo não equivale a privilegiar o optimismo sobre o pessimismo, mas a valorizar o pensamento produtivo em detrimento do pensamento ocioso.

(Artigo publicado no Jornal de Negócios de ontem.)

23.7.08

La leggenda del Piave

Fui eu que escrevi isto? [1]

Post publicado no bl-g--x-st- em 23.12.04 e, infelizmente, ainda actual:

Interrupção intempestiva da quadra natalícia para perorar outra vez sobre o déficite

Algumas notas (quase) soltas sobre um debate que não nos vai deixar tão cedo.

1. Não pode deixar de ser considerado espantoso que uma maioria cuja única ideia e cujo único compromisso não renegado com os eleitores foi o combate ao déficite do OGE tenha deixado um déficite efectivamente maior do que aquele que herdou.

2. Para além disso, o crescimento exponencial das dívidas a fornecedores em áreas como a da saúde indicia que o déficite efectivo será ainda muito maior, visto que, dadas as peculiaridades da contabilidade pública, as despesas não pagas só serão contabilizadas como custos em anos posteriores.

3. Se o Estado cortou em tantas coisas (cancelamento de contratos a termo, redução efectiva do rendimento mínimo garantido , quebra do investimento público, etc., etc.) como é que, afinal, a despesa não baixou? Porque, para certas coisas, nunca faltou dinheiro. Por exemplo, o Dr. Portas nunca teve dificuldade em financiar as suas guerrinhas privadas, tais como a compra de material militar, as pensões dos ex-combatentes ou a presença da GNR no Iraque. E a Câmara de Lisboa, sob a direcção do Dr. Lopes, até teve suficiente folga para criar um novo sistema de transportes grátis no centro da cidade. Sem falar da facilidade com que se contrataram estudos a empresas multinacionais de consultoria de gestão sobre tudo o que veio à cabeça dos gabinetes ministeriais. Fiquei a saber esta semana, por exemplo, que uma dessas empresas especializadas em gestão fez um estudo sobre o combate a incêndios!

4. Mas, para além de tudo o mais, o que está aqui em causa é um problema de ignorância pura e simples. Durão Barroso não fazia a mínima ideia do que seria preciso fazer para reduzir o déficite, tal como não faziam Ferreira Leite, Bagão Félix e muitos outros que os acompanharam nesta triste aventura. No Estado como nas empresas, não é possível reduzir custos duradouramente sem ter uma estratégia. Se uma empresa se mete a reduzir custos sem uma perspectiva clara sobre o rumo que pretende seguir, acontece uma de duas coisas: a) a empresa vai à falência; b) os custos que se cortam num sítio reaparecem noutro.

5. Há três anos, uma luzida companhia de sumidades apresentou-se perante o país com a promessa de que resolveria rapidamente, embora com recurso a medidas impopulares, os problemas que, segundo eles, os socialistas haviam criado. O que se provou foi que o que lhes sobrava em jactância faltava-lhes em conhecimento e clareza de espírito. Mas também falta ainda provar que, neste momento, o PS já saiba o que tem que fazer.

6. É preciso dizer e repetir que o déficite não é o problema, é um mero sintoma de problemas mais fundos. Em primeiro lugar, porque o déficite só é relevante na medida em que agrava o endividamento, e em especial o endividamento externo. Em segundo lugar, porque ele resulta da conjugação de dois factores: a) a economia não está a crescer tanto quanto devia; b) a administração pública não está a ser bem administrada.

7. Não se pode confundir o urgente com o importante. Urgente é conter a despesa pública, o que significa, por exemplo, que os funcionários públicos não podem nem devem ser aumentados. (Muitas pessoas parecem não ter consciência de que muitos trabalhadores do sector privado também não são aumentados há vários anos.) Importante é pôr a economia a crescer e o Estado a funcionar.

8. O caminho para pôr a economia a crescer não é baixar impostos, é fomentar a inovação, regular os mercados onde escasseia a concorrência e mobilizar o país todo para expandir a exportação de bens e serviços. (Faço só três perguntas: a) Quantas das grandes empresas portuguesas de que os jornais todos os dias falam contribuem para esse esforço?; b) Com que frequência dedicam os nossos media alguma atenção às empresas exportadoras portuguesas?; c) Que sentido fez lançar na maior confusão o ICEP, único organismo com capacidade para promover as exportações?)

9. O caminho para pôr o Estado a funcionar é reabilitar a função pública, reconstruir a cadeia de comando hierárquico destruida pelas sucessivas interferências partidárias, respeitar o know-how que existe, premiar o mérito e exigir a prestação de contas. Ouço alguns empresários criticarem os organismos estatais por não fazerem análises custo-benefícios dos projectos que promovem. Julgarão eles que na administração pública não se sabe o que isso é? Ignorarão eles que, se não se faz, é apenas porque as chefias nomeadas pelos partidos não o permitem? Chegamos, assim, ao ponto crucial: nenhuma gestão por objectivos, nenhuma avaliação do mérito terão qualquer resultado se não começarem por cima. Mas isso exige que todos os cargos públicos, a começar pelos directores gerais, sejam providos por concurso, e que acabe a prática terrorista da humilhação das chefias da administração pública pelos cretinos que transitam directamente das jotas para os gabinetes ministeriais.

Tipos espertos

A única experiência que Rui Ramos acha aceitável fazer-se com os pobres é deixá-los entregues à sua sorte.

Mas isso não foi já experimentado?

Petróleo cai 20 dólares em duas semanas

22.7.08

La leggenda del Piave



O hino patriótico italiano La Leggenda del Piave foi composto no final da 1ª Guerra Mundial para assinalar a vitória sobre o exército austríaco. Imensamente popular, tornou-se no hino nacional da República Italiana entre 1946 e 1947.

O video que hoje aqui coloco serve apenas de intróito a um outro que amanhã exibirei.

21.7.08

À beira do abismo

Quem manda nos EUA, no Irão e em Israel tem interesse na ocorrência até ao final do ano de um conflito militar limitado a pretexto do nuclear iraniano.

Os republicanos criariam enormes dificuldades a Obama, sobre quem sempre recairão suspeitas de pacifismo capitulacionista. Ahmadinejad afirmaria a capacidade de fazer frente aos EUA e colocaria mais uma vez em cheque a oposição interna dos moderados. Israel recordaria aos mais esquecidos que continua a poder influenciar decisivamente a política interna americana.

Oxalá haja alguma falha séria neste raciocínio.

20.7.08

Cohen



No sábado, alguns milhares de pessoas conotadas com a martirizada classe média deslocaram-se ao passeio de Algés para escutar um descendente em linha directa de Aarão, irmão de Moisés.

Segundo a Lei, um Cohen (ou cohanim) - isto é, sumo sacerdote - não pode ser cego ou coxo, ter membros demasiado compridos, pé ou mão partida, ser corcunda ou anão, padecer de doença de pele ou sofrer de maleita nos testículos.

Exige-se-lhes, ademais, que não mantenham contacto com corpos de pessoas mortas, não rapem a cabeça nem os cantos das barbas, nem façam lacerações nos seus corpos. Os cohanim masculinos não podem contrair matrimónio com prostitutas, mulheres desonradas ou divorciadas.

Não se pode negar que isto dá uma certa garantia de qualidade, pelo que me decidi a ir ao concerto, mesmo correndo o risco de encontrar por lá alguns bloggers.

PS - A minha particular sensibilidade a esta problemática deve-se ao facto de ter quatro primos em primeiro grau de apelido Cohen.

18.7.08

Poupar sem saber

Alertados por um relatório do FMI que não entendem, os repórteres de tv vão para a rua perguntar às pessoas se conseguem poupar alguma coisa no final do mês.

Respondem elas que, depois de pagarem a prestação da casa, não sobra nada que consigam poupar.

Erro: em termos de contabilidade nacional, o pagamento da prestação da casa é poupança. Logo, quando, por força do aumento dos juros, cresce a prestação, as pessoas automaticamente poupam mais.

A economia é uma ciência maravilhosa.

Sociedade do conhecimento

Em finais de Abril, encomendei através da Amazon americana quatro livros não disponíveis na filial inglesa.

O carimbo do correio comprova que foram expedidos nos primeiros dias de Maio, mas o pacote só me chegou às mãos na última 3ª feira.

Sei o que estão a pensar, mas os livros vieram de avião, não em barco a remos. Estes quase dois meses e meio, passaram-nos eles na alfândega portuguesa à espera de serem despachados.

Por esse inestimável serviço prestado ao país e a mim próprio, cobrou-me a Direcção Geral das Alfândegas 13,62 €. Há coisas fantásticas, não há?

17.7.08

Grandes momentos da história do futebol

Petróleo cai 13 dólares numa semana

O elo mais fraco

"Já viste o carro novo dos de baixo? No ano passado foram de férias para o Brasil; agora, diz que é um safari no Quénia. E a gaja, que só compra vestidos de marca? Não sei onde arranjam dinheiro para levarem esta vida..."

O equivalente sofisticado desta tagarelice mesquinha é a crítica moralista do endividamento das famílias portuguesas, quando elas se têm limitado a fazer aquilo que a teoria económica prevê.

Escondem-se nesse comentário múltiplas confusões, mas hoje vou falar só de uma, aquela que baralha o endividamento excessivo das famílias com o endividamento excessivo do país.

Em geral, as pessoas contraem as dívidas que acreditam poder vir a pagar, como se constata pelo facto de ser baixíssima a taxa de incumprimento. Há gente muito tola, mas, ao contrário do que supõem os pregadores de ocasião, a esmagadora maioria sabe o que faz.

Acontece, porém, que o endividamento razoável das famílias pode conduzir a um endividamento irrazoável do país.

Antes de pertencermos à zona euro, o problema resolvia-se através da subida da taxa de juro, a qual sinalizava aos particulares que o país como um todo estava a recorrer excessivamente à poupança externa para suprir a carência de poupança interna.

Agora, porém, já não é assim. A taxa de juro é fixada em função das condições gerais da zona euro, e não das nossas em particular. O resultado é que o dinheiro está em Portugal há mais de dez anos muito mais barato do que deveria ser.

Nas condições actuais, o país não dispõe, portanto, de instrumentos de política monetária que lhe permitam resolver a situação.

Pergunta-se, então, de que forma se poderá fazer o ajustamento necessário para suster o contínuo agravamento da dívida externa. Sendo as coisas o que são, só o aumento do desemprego resolverá o problema.

O mais extraordinário é que, quando aderimos ao euro, muito poucos economistas profissionais - recordo-me apenas de João Ferreira do Amaral - chamaram a atenção para isto. E agora?

16.7.08

Grandes momentos da história do futebol



Especialmente recomendado pelo Maradona.

Como melhorar o seu salário real

Tem razão Constâncio quando diz que, nas actuais circunstâncias, actualizações extraordinárias dos salários nominais só piorariam a situação.

A presente descida dos salários reais não resulta de uma redistribuição do rendimento a favor do capital, mas de uma redistribuição do rendimento a favor dos países produtores de petróleo e outras matérias-primas. Logo, não há mesmo nada a fazer.

Todavia, quem puder reduzir as suas deslocações e desligar o ar condicionado, substituindo esses consumos por outros de produtos menos afectados pela alta do petróleo, beneficiará de uma subida de preços mais moderada e poderá, contra a corrente, melhorar o seu salário real.

Mas não é preciso ensinar isto a ninguém, porque é o que todos naturalmente tenderemos a fazer como reacção ao aumento dos preços relativos dos bens com maior conteúdo energético.