18.1.11

Será a margarina um bem não-transaccionável?

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Em qualquer hiper, discount, super ou mercearia do país é possível encontrar à venda margarinas de cozinha ou de mesa das marcas Vaqueiro, Becel, Flora e Planta.

O que os consumidores ignoram é que todas elas são fabricadas pela mesma empresa: a Unilever Jerónimo Martins. Por outras palavras, como essas são as únicas marcas disponíveis, não existe concorrência neste mercado.

Por que será?

Em parte porque, sendo a Jerónimo Martins proprietária das cadeias Feira Nova, Pingo Doce e Recheio, qualquer concorrente que tentasse penetrar em Portugal a partir do exterior teria dificuldade em chegar a uma parte substancial dos consumidores nacionais.

Este não é caso único: há em Portugal muitos mercados em que, mau grado as aparências, não há concorrência digna desse nome. Muitas vezes, isso explica-se por situações de posição dominante nos canais grossistas ou retalhistas.

Nos últimos anos ganhou terreno uma teoria segundo a qual os males da economia portuguesa decorrem de os sectores não expostos à concorrência internacional (ditos de bens não-transaccionáveis) cobrarem preços exorbitantes que esmagam as empresas e os contribuintes, contribuindo para degradar a nossa competitividade.

A tese pode estar certa, mas só na condição de a designação de bens não-transaccionáveis ser alargada a categorias usualmente não cobertas por essa designação (como, por exemplo, as margarinas), visto que nenhum elemento a elas intrínseco impede a sua exportação e importação.

Quanto às razões porque isso acontece - que é o que verdadeiramente interessa - fica para outra vez.
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2 comentários:

jj.amarante disse...

Já tinha reparado que quando aparecem os produtos brancos num supermercado, quando subsistem os produtos de marca os preços destes ficam muito mais caros do que em supermercados onde não existem produtos brancos. Sempre achei curioso que pouca gente fale disso. Em princípio a "Autoridade da Concorrência" deveria tratar deste assunto mas, tendo ela tanta dificuldade em descobrir falta de concorrência nos preços dos combustíveis, não admira que também aqui não consiga descobrir grande coisa. Mas os economistas que estão sempre a falar dos benefícios da concorrência bem poderiam falar nestas distorções do mercado maravilhoso. Porque será que não falam? Será por ser um assunto de cozinha não suficientemente financeiro?

Filipe José Carvalho disse...

"fica para outra vez." Então para quando? Soube a pouco...