31.12.08

Ministro das Finanças alemão teme que juros baixos desencadeiem crescimento incontrolável

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2008, o ano de todos os idiotas. Este chama-se Peer Steinbruck e tem poder para dar cabo da vida a muita gente.
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Palpites e previsões

Suponho que isto pode servir para começar a pôr algum senso nas cabeças dos inteligentes que gostariam de ver o Orçamento Geral do Estado revisto todas as semanas para acomodar as últimas previsões do FMI:
"Although people endlessly ask for predictions, they rarely really want the answers. It was only late – too late – in life that I realised that when people said, “We really want you to challenge our ideas,” they mostly did not. They wanted instead to be congratulated on their wisdom. Similarly, when they ask, “What is going to happen?” they seek reaffirmation and reassurance rather than insight into the future.

"The market for clairvoyance has existed through history and is satisfied by messages based on hope and ambiguity. The market for economic prediction is similar. Successful proponents are distinguished by their television manner rather than the accuracy of their forecasts."
PS - Antes que me esqueça: acho muito bem que tenha sido temporariamente aumentado o tecto dos investimentos em obras públicas dispensados de concurso. É o que todas as nações civilizadas farão para tentar que o dinheiro seja gasto a tempo de contrariar o agravamento da depressão.

30.12.08

Tráfego aéreo intenso

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Encalhado no aeroporto sem nada para fazer? O Twitter resolve: http://www.boarding.fr/.

(Recomendação do Paulo Querido.)
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29.12.08

Esbjörn Svensson Trio: Behind The Yashmak

Cãezinhos de Pavlov

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Compreendi a execução do xeque Yassin, aquele cegueta paralítico que treinava crianças para se fazem explodir nas ruas das cidades de Israel, assim como condenei a invasão israelita do Líbano em Agosto de 2006. Mais recentemente, temi a eventualidade de um ataque aéreo de Israel apoiado pelos EUA contra as alegadas instalações nucleares iranianas.

Certos cãezinhos de Pavlov, que praticam a indignação selectiva, não compreendem isto.

Mas é muito fácil de entender por quem quiser entender: eu preocupo-me por igual com os direitos de israelitas e palestinianos, e é desse princípio que decorre tudo o resto. Não ignoro as injustiças históricas que se encontram na raiz do conflito, mas sei também que, não sendo possível regressar-se à situação prévia a 1948, ambos os povos que hoje habitam aquele território têm direito a uma pátria onde possam viver em paz.

Critico as iniciativas políticas e militares que nos afastam de uma solução aceitável e duradoura, particularmente aquelas que ameaçam degenerar numa escalada de violência, mas não posso negar a uma e outra parte o direito à legítima defesa, na condição de que a reacção seja justificada e proporcional.

Não houve certamente proporcionalidade quando Israel invadiu o Líbano em retaliação pelo rapto de dois soldados e em seguida bombardeou edifícios de habitação a pretexto de que haveria não sei quê escondido na sua cave. Não é possível evitar em absoluto vítimas civis em conflitos desta natureza, mas é certamente exigível que tudo seja feito para minorá-las, o que na cirunstância, creio eu, não aconteceu.

A situação é bem distinta agora. Durante dias e semanas, a seita de animais ferozes que dá pelo nome de Hamas despejou fogo de artilharia sobre Israel, matando de passagem civis palestinianos residentes na faixa de Gaza. O contra-ataque de Israel parece, até ao momento, concentrar-se exclusivamente em alvos militares e ter o objectivo muito claro de impor ao Hamas uma nova trégua.

Enquanto se conservar nesses limites, parece-me justo reconhecer a legitimidade desta acção militar. É só.
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Van Dyck: Retrato de uma senhora com a sua filha.
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28.12.08

Guerra justa

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Não vejo nada de criticável, até ao momento, no ataque de Israel contra alvos militares do Hamas, depois de este ter unilateralmente escolhido o caminho da provocação bélica. Só espero que mantenha a sua acção dentro dos limites impostos pela proporcionalidade e pelo respeito pelos civis palestinianos.
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Balanço de 2008

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Eu quase não li livros originais publicados em 2008 nem ouvi música composta em 2008; e só vi filmes contemporâneos (quase todos péssimos) porque os antigos não passam muito nas salas de cinema. Para coisas actuais bastam-me os jornais e os blogues.
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26.12.08

A Grande Depressão começou

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Copiado do blogue de Paul Krugman.
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24.12.08

O dilema do banqueiro

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Fernando Ulrich explicou ontem no Público, com excelentes razões, por que é que os bancos estão a reter o dinheiro que lhes é cedido pelo banco central em vez de disseminarem o crédito pela economia.

Fundamentalmente, afirma ele que o risco é muito grande e que os bancos necessitam de reduzir os elevadíssimos níveis de alavancagem actuais.

Certo, certíssimo. Sucede, porém, que esse comportamento eminentemente racional nos conduz a todos à ruína. Estamos perante o típico dilema do prisioneiro analisado pela teoria dos jogos: a opção mais lógica para os decisores (estratégia dominante) conduz ao pior resultado para todos eles - e, já agora, para todos nós também.

De modo que os bancos têm que ser salvos de si próprios. Como? Ora, mediante uma ameaça credível que os incline a agirem de outro modo.

É conveniente o Estado lembrar aos banqueiros que também ele corre grandes riscos ao disponibilizar-lhes a liquidez de que necessitavam, e que, por isso, não é lícito que a retenham em proveito próprio.

Talvez assim entendam que, para além dos riscos comerciais usuais, deverão considerar nos seus cálculos o risco adicional de poderem vir a ser nacionalizados, o que deverá incitá-los a agir em conformidade com esta situação inusitada.

Percebem?
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Ligação directa

Também Martin Wolf defende no seu artigo de ontem no Financial Times que os bancos centrais devem emprestar directamente dinheiro aos devedores para ultrapassarmos a actual crise de liquidez:
"The shorter-term challenge is to sustain aggregate demand, as Keynes would have recommended. Also important will be direct central-bank finance of borrowers. It is evident that much of the load will fall on the US, largely because the Europeans, Japanese and even the Chinese are too inert, too complacent, or too weak. Given the correction of household spending under way in the deficit countries, this period of high government spending is, alas, likely to last for years. At the same time, a big effort must be made to purge the balance sheets of households and the financial system. A debt-for-equity swap is surely going to be necessary."

23.12.08

O que a Reserva Federal está a tentar fazer


Quantitative easing from Marketplace on Vimeo.

22.12.08

O maior fiasco de sempre

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Já tiveram a maior manifestação de sempre e a maior greve de sempre. Agora, surpreendemente baixando a fasquia, os sindicatos dos professores propoem-se entregar o maior abaixo-assinado de sempre.

Assim de repente, ocorrem-me outros records. Por exemplo: Mário Nogueira é o professor há mais tempo sem dar aulas de sempre. E a contagem dos manifestantes e dos grevistas foi o maior logro informativo de sempre.

Finalmente, o movimento vai saldar-se pela maior derrota sindical de sempre. Para se consolarem, entrarão sem dúvida para o Guiness.
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Pensar o impensável

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Os bancos comerciais não transferem para as PMEs o financiamento que recebem do Banco Central Europeu? António Amaro de Matos, de longe o melhor gestor português que conheci, propõe o seguinte no Público de hoje (link não disponível):
"Talvez, por exemplo, impor que, no final do primeiro e segundo trimestre do próximo ano, o crédito a pequenas e médias empresas atinja, para cada banco, respectivamente, 20 por cento e 40 por cento acima do que figura nos balanços de Dezembro deste ano. Mantendo-se daí em diante. E que, não cumprindo, os bancos tivessem de depositar no BP o montante em falta para atingir aquele objectivo. Remunerado à taxa zero por cento. Podendo ser repassado a outros que o quisessem aplicar em PME."
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21.12.08

Sun Ra: A Joyful Noise

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Ideológo desempregado oferece os seus préstimos à esquerda

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"Porque se levarmos a sério o que Manuel Alegre está a dizer - eu tomo-o a sério, mas não sei se ele se toma a si próprio -, o que ele anda a dizer é que é necessário criar uma nova força política para as próximas eleições que funcione para pressionar o PS pela esquerda. E a melhor forma é enfiar no Parlamento meia dúzia de deputados em conjunto com o Bloco que obrigam o PS, à falta de maioria absoluta, a coligar-se com eles."

Pacheco Pereira no Público de hoje.
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20.12.08

Helen Merrill: I'm a Fool to Want You

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Ao novo partido

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Vou-me à feira de Trancoso
logo, nome de Jesu,
e farei dinheiro grosso.
Do que êste azeite render
comprarei ovos de pata,
que é a coisa mais barata
que eu de lá posso trazer;
e êstes ovos chocarão;
cada ovo dará um pato,
e cada pato um tostão,
que passará de um milhão
e meio, a vender barato.
Casarei rica e honrada
por êstes ovos de pata,
e o dia que fôr casada
sairei ataviada
com um brial de escarlata,
e diante o desposado,
que me estará namorando:
virei de dentro bailando
assim dest'arte bailado,
esta cantiga cantando.

Gil Vicente: Auto de Mofina Mendes.
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19.12.08

Gonzalo Rubalcaba Trio: Imagine

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TPC

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Os directores dos jornais e suplementos de economia deveriam obrigar os seus jornalistas a escreverem 100 vezes:

Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
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Baixa de inflação não é o mesmo que baixa dos preços.
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