26.3.09

Prestem atenção

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A generalizada embirração que votamos ao Manuel Maria Carrilho é tal que já ninguém presta atenção quando o homem diz alguma coisa certa.

O engenheiral que nos governa parece ter conseguido convencer toda a gente que do que o país precisa é de ciência e tecnologia para rumar aos amanhãs que cantam, sem sequer se dar ao trabalho de perguntar que miríficas indústrias irão dar emprego a tanto saber técnico.

Note-se que o genuíno milagre económico português do último meio século foi o turismo, actividade universalmente detestada por se supor que consiste em servir bicas a bifes.

Ora um turismo de valor acrescentado necessita de muita gente qualificada nas áreas das humanidades para escrever e traduzir guias, organizar museus, recuperar monumentos e patromónio histórico de todo o género, organizar espectáculos culturais e por aí fora - tudo coisas que os engenheiros não sabem fazer ou fazem mal.

Escreveu Carrilho ontem no DN:
"O sector cultural é hoje um importante dinamizador de actividades económicas e de emprego, que ajuda a criar riqueza e promove uma sociedade mais coesa. A cultura pode pois dar uma contribuição decisiva na resposta à crise que o país atravessa."
Tem toda a razão, é claro, mas o mais natural é que o governo faça de conta que não ouviu.
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4 comentários:

GL disse...

"Indústria"? E os serviços, não precisam de tecnologia?

Quanto à indústria, só podemos captar alguma se tivermos mão de obra preparada para tal.

Não me ocorre agora nenhum país europeu que sobreviva apenas como museu, jardim ou balneário. Na américa central, há alguns. Não se recomendam.

Cultura, sempre. Turismo, sim – também. Como desígnio nacional, só serviria para incentivar os jovens a cavar daqui o mais rápidamente possível, com razão.

João Pinto e Castro disse...

Como se alguém tivesse proposto que se fuzilasse a indústria!

Tarzan disse...

«Ora um turismo de valor acrescentado necessita de muita gente qualificada nas áreas das humanidades»

E também precisa de malta que saiba fazer contas para tornar os empreendimentos viáveis. Coisas que os "criativos" costumam não dar muita importância.

A. A. Barroso disse...

O Sr Carrilho, além de não ser flor que se cheire, é também um sinuoso que não respeita critérios de grupo. Prefere ser franco atirador... Não houve há dias um congresso do Partido onde as suas ideis e críticas deveriam ser expostas? Querem os tachos de Luxo e darem cavaco...