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20.2.09

À espera

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Os líderes mundiais demoraram um ano a perceber que a política monetária (descida da taxa de juro e injecção de liquidez) era insuficiente para impedir o agravamento da situação económica.

Parece que agora vão demorar mais um ano a compreender que também a política orçamental é, nas actuais circunstâncias, pouco menos que impotente.

Apesar de envolver 789 mil milhões de dólares e de implicar um colossal aumento da dívida pública, o plano de estímulo norte-americano vai para a cova de um dente, porque os desequilíbrios financeiros se agravam de dia para dia. Quando muito, funcionarão como um paliativo a muito breve prazo.

Nas presentes circunstâncias, os consumidores adiam as despesas não urgentes. As empresas postergam os seus investimentos. E os bancos agravam a situação ao suspenderem ou encarecerem o crédito à economia. Logo, o fulcro do problema que hoje nos aflige é a paralisia do sistema financeiro mundial.

O sistema financeiro é um morto-vivo. Em vez de vivificarem a circulação de bens e serviços oferecendo crédito, os bancos (aliás, muito compreensivelmente) tentam reduzir rapidamente os seus próprios níveis de endividamento. Com isso, tornam tudo mais difícil para as empresas não financeiras e, a prazo, também para si próprios.

Ora, se os bancos são incapazes de cumprir a função social para a qual foram criados, é preciso atacar o problema pela raiz.

Isso significa que, nalguns países (casos evidentes dos EUA e do Reino Unido), a banca deve ser prontamente nacionalizada; e que, noutros (caso de Portugal, por exemplo), se torna necessária uma intervenção estatal directa na gestão dos bancos.
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13.2.09

Insistindo na convergência de esquerda

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Certas almas caridosas, apiedadas do Dr. Louçã, pretendem que a proposta do Bloco é a nacionalização de todo o grupo SLN como forma de suprir o buraco do BPN.

Ora o Dr. Louçã afirmou isso numa entrevista como poderia ter afirmado qualquer outra coisa. À data da nacionalização do BPN sabia-se já que, excluindo a área financeira, a SLN tinha, só por si, um buraco de 200 milhões de euros, estimativa que deverá ter aumentado entretanto. (Ver esta notícia do Diário de Negócios online de 19.11.08)

Logo, mesmo que não houvesse (e há) outras razões para não nacionalizar todo o grupo SLN, teriamos esta, que é suficientemente boa: as imparidades detectadas no conjunto do grupo são superiores às do BPN, pelo que a solução que o Bloco diz preferir seria mais onerosa para o Estado.

Não percebo como o Dr. Louçã não tem vergonha de se confrontar com os seus pares e alunos depois de proferir barbaridades do género daquelas que lhe temos ouvido a propósito do caso BPN.
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12.2.09

A minha modesta contribuição para a convergência da esquerda

Louçã afirmou ontem no Parlamento – eu ouvi – que o governo já gastou 1% do PIB para salvar o BNP.

Que verdade há nisto?

Eis os factos. A nacionalização do BNP não envolveu o pagamento de qualquer indemnização aos seus accionistas. A CGD concedeu-lhe posteriormente um empréstimo para fazer face às suas dificuldades de liquidez.

Quanto dinheiro foi então pago pelo Estado ao BNP ou aos seus accionistas? Nenhum. Nada. Zero.

Qualquer pessoa familiarizada com a diferença entre doação e empréstimo entende isto; mas o Dr. Louçã, que é professor de economia, finge não compreender.

Alguns apoiantes do Bloco de Esquerda defendem Louçã argumentando que o Governo ainda não deu, mas vai dar. Ao melhor estilo da imprensa tablóide, baralham factos com previsões.

Terão razão?

Esta especulação recrudesceu quando se soube que o BNP tem um “buraco” de 1.800 milhões de euros. “Cá está!”, dizem eles, “Vai ser o Estado, logo os contribuintes, a tapar o buraco, visto que os activos do banco são insuficientes para resolver o problema”.

Qual a origem das dificuldades financeiras do BNP? Aparentemente, o banco endividou-se para adquirir activos financeiros que entretanto se desvalorizaram fortemente. Assim sendo, não está em condições de fazer face aos encargos contraídos.

Significa isso que não resta outra solução senão o Estado pagar essas dívidas? Para esclarecer este ponto seria indispensável conhecer-se em detalhe a estrutura da dívida, ou seja, como foi ela financiada e quando terá que ser paga. Falta também saber-se quais dos activos financeiros detidos pelo BPN são susceptíveis de virem a valorizar-se no futuro e quando isso acontecerá.

Por outras palavras, não é possível estabelecer-se neste momento se a operação de nacionalização do BPN virá a saldar-se por um lucro ou por um prejuízo. O Dr. Louçã e o Prof. Karamba, porém, já sabem.

Mas há outro ponto. O Dr. Louçã mostra-se muito alarmado com o buraco de 1.800 milhões de euros, embora insista em negar que o risco sistémico justificasse a intervenção do Estado. Quando lhe dá jeito à argumentação, o buraco é grande; caso contrário, é pequeno.

Isto permite-lhe ignorar duas coisas.

Primeiro, que os tais 1.800 milhões de euros são devidos a outras instituições, e que, se o BPN não os pagasse, isso teria consequências.

Segundo, e ainda mais grave, o BPN tem 5.500 milhões de euros de depósitos, também eles titulados por empresas e particulares. Tendo em conta que o Estado português garantiu todos os depósitos bancários até ao limite de 100 mil euros, parece lógico admitir-se que a pura e simples falência do BPN teria sempre encargos mais elevados para os contribuintes, mesmo no caso extremo de ser necessário pagar por inteiro os tais 1.800 milhões de euros.

A finalizar, eu gostaria que o Bloco de Esquerda me explicasse qual a sua opção preferida para lidar com o problema do BPN:

a) Não fazer nada, como pretende agora o PSD e sustentam os republicanos nos EUA?

b) Socorrer os bancos sem que o Estado use a legitimidade que essa intervenção lhe confere para apertar o controlo sobre a sua gestão, como Obama está a fazer?

c) Nacionalizar os bancos insolventes, como fizeram, entre outros, os governos inglês e português?

Nada disso. O meu prognóstico é que o Bloco optará antes por convocar uma manifestação de protesto contra os banqueiros.

Que falta de paciência para aturar garotos.

11.12.08

Pensar o impensável

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Os Bancos Centrais têm vindo a expandir aceleradamente a base monetária, esforçando-se por contrariar a seca do sistema financeiro provocada pela preferência pela liquidez.

Apesar disso, as taxas de juro cobradas aos particulares e às empresas não descem como seria de esperar e, sobretudo, os bancos mantêm as torneiras do crédito fechadas. Isso não se deve a qualquer má intenção por parte deles, apenas a uma gestão prudente da sua situação líquida.

Diz-se que estão esgotados os recursos da política monetária. Mas estarão mesmo?

Nos EUA, é possível que a Reserva Federal venha a substituir-se aos bancos, oferecendo directamente crédito a quem dele precisar. Nessas circunstâncias, que sucederá aos bancos privados? Provavelmente, terão que ser nacionalizados ou mesmo intervencionados.

Quando a reencontrada virtude da prudência bancária paraliza a economia, a única solução tecnicamente viável poderá vir a ser a nacionalização integral do sector por um período temporário.
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