20.2.09

À espera

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Os líderes mundiais demoraram um ano a perceber que a política monetária (descida da taxa de juro e injecção de liquidez) era insuficiente para impedir o agravamento da situação económica.

Parece que agora vão demorar mais um ano a compreender que também a política orçamental é, nas actuais circunstâncias, pouco menos que impotente.

Apesar de envolver 789 mil milhões de dólares e de implicar um colossal aumento da dívida pública, o plano de estímulo norte-americano vai para a cova de um dente, porque os desequilíbrios financeiros se agravam de dia para dia. Quando muito, funcionarão como um paliativo a muito breve prazo.

Nas presentes circunstâncias, os consumidores adiam as despesas não urgentes. As empresas postergam os seus investimentos. E os bancos agravam a situação ao suspenderem ou encarecerem o crédito à economia. Logo, o fulcro do problema que hoje nos aflige é a paralisia do sistema financeiro mundial.

O sistema financeiro é um morto-vivo. Em vez de vivificarem a circulação de bens e serviços oferecendo crédito, os bancos (aliás, muito compreensivelmente) tentam reduzir rapidamente os seus próprios níveis de endividamento. Com isso, tornam tudo mais difícil para as empresas não financeiras e, a prazo, também para si próprios.

Ora, se os bancos são incapazes de cumprir a função social para a qual foram criados, é preciso atacar o problema pela raiz.

Isso significa que, nalguns países (casos evidentes dos EUA e do Reino Unido), a banca deve ser prontamente nacionalizada; e que, noutros (caso de Portugal, por exemplo), se torna necessária uma intervenção estatal directa na gestão dos bancos.
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2 comentários:

Anónimo disse...

Esta é velha, mas aplica-se (?)

Um modesto empresário tinha o seu negócio, recebido do Pai e, com algum sacrifício e engenho, havia enviado o "seu rapaz" , hoje um brilhante licenciado em Gestão e alto quadro na Banca, para a melhor Universidade do País.

"Pai, vem aí uma crise, gravíssima, tens de cortar custos, rentabilizar os recursos humanos, pôr essa malta a mexer, acomodados que estão ao rame-rame e ao teu bom feitio".

O Pai despediu metade dos seus operários (os mais velhos e, experientes), cortou na publicidade, deixou caír algumas linhas de produto que "apenas" eram compradas por velhos e fiéis clientes.

Passados alguns meses, o negócio começou a decaír e o homem, num misto de serenidade e resignação, comentava com os Amigos à mesa do café lá do Bairro - "o meu filho é mesmo bom, previu a crise que me havia de afectar e não foi pior, porque segui os conselhos dele!"

"Anónimo, do 1º ao 7º (...)"

on disse...

Absolutamente de acordo. A crise começou no Japão em 1990 e ainda não passou, embora eles já tenham experimentado todas as medidas clássicas. Acredita que vai haver coragem política para ir tão longe? Se já foi tão difícil passar no senado medidas bem mais tímidas...