24.1.05

A felicidade segundo Kim Jong-Il

«Imagine-se um país onde cabelos compridos são sinónimo de subversão.» - escreve hoje João Pacheco n'O Público - «Nesse país a vida pode tornar-se complicada para qualquer cidadão menos frequentador de barbeiros ou cabeleireiros.»

Há apenas quatro décadas, meu caro João Pacheco, esse país era o mundo, por muito que lhe custe a acreditar, hoje que essas ideias só subsistem na Coreia do Norte. Tal como agora acontece na pátria do Grande Líder, nessa época também por cá abundavam notícias nos jornais divulgando estudos científicos estabelecendo indesmentíveis correlações entre cabelos compridos e debilidade mental.

Em Portugal, em meados dos anos 60 do século passado, um corte de cabelo menos apropriado implicava sanções disciplinares para os estudantes liceais, que podiam ir da falta de castigo até à suspensão. E o reitor do Liceu Camões achava normal gastar o seu tempo a fazer palestras sobre o tema.

Que caminho percorremos desde então, até se estabelecer um tão vasto consenso em torno da inanidade do ditador norte-coreano!

É por isso que, quando eu agora ouço certas pessoas criticarem a libertação dos costumes que ocorreu nos anos 60, dou comigo a pensar que, das duas uma, ou elas não sabem como de facto era o mundo antes dessa época, ou o seu sonho secreto é viver na Coreia do Norte.

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