31.10.08

Estamos a avançar

Estamos a avançar. Devagarinho, como convém, mas estamos a avançar, ao ponto de já se discutir seriamente que tipo de efeito multiplicador sobre a economia poderemos esperar, em Portugal, de um acréscimo dos gastos públicos.

Pedro Pita Barros invoca o risco do "crowding-out" (esgotamento dos fundos disponíveis para o sector privado) para avaliar negativamente o impacto de um acréscimo do investimento público. Ora, independentemente de esse eventualidade ser tanto menos provável quanto mais longe nos encontrarmos do pleno emprego, o relevante não é apontar essa possibilidade em abstracto, mas mostrar que ela existe neste momento.

Ora, se nos virarmos para o domínio dos factos, eles estão aí para quem os quiser ver. O investimento praticamente parou, em Portugal como em muitos outros países, como se tornará manifesto dentro de pouco tempo. Podemos esperar pela confirmação, mas não creio que seja necessário.

Vítor Bento, pelo seu lado, desconfia, com boas razões, que uma parte do efeito multiplicador do investimento público corre o risco de se escoar para o estrangeiro.

Não podia concordar mais com isso. Mas a conclusão a retirar é que o investimento público de emergência a lançar imediatamente deveria ser seleccionado em função, entre outros factores, do nível de incorporação nacional.

Note-se que este investimento urgente de que eu falo tem pouco a ver com aquele que se encontra previsto no OGE para 2009, visto que esse, ao contrário do que alardeia o primeiro-ministro, é muito escasso e de efeito a longo prazo. O orçamento aprovado distribui dinheiro por múltiplas capelinhas, em vez de aplicá-lo onde poderia ser mais eficaz.

PS - A baixa produtividade do capital em Portugal, mencionada por Vítor Bento no seu post, respeita a todo o investimento, não apenas ao público.

2 comentários:

Filipe Castro disse...

E que exemplos de Ipúblico consideraria? Ou seja, exemplos concretos "...onde poderia ser mais eficaz."?

João Pinto e Castro disse...

Exemplo: melhorar o isolamento térmico nas escolas das regiões mais frias de Portugal.