22.10.08

Somos todos liberais

Soubemos há dias pelos jornais que os enfermeiros contestam a possibilidade de as farmácias administrarem injecções. Este simples exemplo basta para mostrar como, entre nós, há muita necessidade de liberalização nas mais variadas áreas da economia, da política e da cultura.

Não sou contra o liberalismo - todos somos liberais hoje, no mesmo sentido em que todos somos social-democratas - mas apenas contra o liberalismo dogmático ou doutrinário. O mal não está nos mercados, mas na ilusão infundada de que eles não precisam de ser vigiados e, se necessário, regulados.

Os comentários ao meu post "Auto-medicação para fanáticos" fizeram-me pensar que talvez fosse necessário este esclarecimento.

2 comentários:

GL disse...

"Soubemos há dias pelos jornais que os enfermeiros contestam a possibilidade de as farmácias administrarem injecções. "

Isso é tão absurdo e perturbador que quando li me recusei a acreditar.
Sorte eu tenho que nos últimos vinte anos nunca precisei (odeio vacinas) me dirigir a uma farmácia para tomar uma banal vacina contra a gripe, como em qualquer farmácia do terceiro mundo. Mas lá está, é o terceiro mundo... lá não há destes lobbyes fantásticos.

pedro disse...

eu não discordo de que o que a economia, actualmente, precisa é de keynesianismo, que é uma política conjuntural que deve ser usada quando necessária. tal como martin wolf diz (já agora, recomendo o livro "porque funciona a globalização", deste autor).
o que eu discordo é da sua abordagem ao monetarismo. o senhor põe as coisas nos termos errados; passa por cima da estagflação da década de 70 que levou à falência das políticas keynesianas (que salto cirúrgico), muito por culpa de não terem percebido que o keynesianismo não resolve choques da oferta; dá a entender que os monetaristas são uma seita de fanáticos quando são provavelmente o grupo mais brilhante de economistas que alguma vez trabalharam juntos (fridman e lucas a liderar). os novos keynesianos, como o stiglitz, mankiw, romar (outro brilhante grupo de economistas) discordando dos monetaristas em muitos pontos, também aproveitaram muitas das contribuições daqueles para as suas teorias. e nunca ninguém se lembrou de lhes chamar uma seita.

outra coisa extraordinária foi quando disse isto:

'E os resultados económicos de longo prazo? Ao contrário do que frequentemente se diz, nos países mais desenvolvidos não só o crescimento do produto per capita foi muito mais lento do que nos trinta anos anteriores como as desigualdades se agravaram extraordinariamente.'

quais eram as alternativas? voltamos à estagflação: eram com aquelas políticas de 70 que cresciamos? é que quando se diz: "a vossa política fez isto crescer muito pouquinho", convém dizer que as nossas não estavam a fazer crescer nada. senão, assemelha-se às criticas do psd, quando diz que a despesa desceu pouquinho.